{"id":375,"date":"2009-07-24T11:40:32","date_gmt":"2009-07-24T14:40:32","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2009\/07\/como_saber_quando_alguma_coisa\/"},"modified":"2009-07-24T11:40:32","modified_gmt":"2009-07-24T14:40:32","slug":"como_saber_quando_alguma_coisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2009\/07\/24\/como_saber_quando_alguma_coisa\/","title":{"rendered":"Como saber quando alguma coisa se quebrou?"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"quebrado_890258_17394208.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/quebrado_890258_173942081.jpg\" width=\"480\" height=\"360\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" \/><\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">Algumas coisas s\u00e3o f\u00e1ceis de determinar. Um copo, um vaso, uma cadeira, um rel\u00f3gio&#8230; quando essas coisas quebram ningu\u00e9m fica na d\u00favida. N\u00e3o precisamos nem &#8216;definir&#8217; o que seria quebra para entender que elas tiveram sua estrutura alterada de modo a perder a sua fun\u00e7\u00e3o.<br \/>\nJ\u00e1 com rela\u00e7\u00f5es \u00e9 mais dif\u00edcil. Como podemos determinar que um vinculo, uma rela\u00e7\u00e3o se quebrou? Qual o ponto onde sua estrutura \u00e9 modificada a ponto de perder a sua fun\u00e7\u00e3o?<br \/>\nAcho que a  dificuldade para definir o ponto de quebra \u00e9 que rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o est\u00e1ticas. Parecem mais com organismos vivos do que com copos. Um copo, depois de formado e at\u00e9 que se quebre, \u00e9, e continuar\u00e1 sendo sempre, um copo. Rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais complexas.<br \/>\n<strong>Complexas<\/strong>, essa \u00e9 uma \u00f3tima palavra e provavelmente a mais adequada.<br \/>\nDo ponto de vista biol\u00f3gico, complexidade significa 3 coisas: Mecanismos de retroalimenta\u00e7\u00e3o, redund\u00e2ncia e diversidade. Mecanismos de retroalimenta\u00e7\u00e3o permitem que nos adaptemos a situa\u00e7\u00f5es. Principalmente as novas situa\u00e7\u00f5es. Redund\u00e2ncia gera alternativas e diversidade gera informa\u00e7\u00e3o. Mais, gera conhecimento. Fico numa grande d\u00favida pra dizer qual dos 3 \u00e9 o mais importante, mas vou arriscar que para as rela\u00e7\u00f5es, s\u00e3o os mecanismos de retroalimenta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nImagino que quanto mais diversas nossas rela\u00e7\u00f5es, melhor \u00e9 cada rela\u00e7\u00e3o individualmente. Tamb\u00e9m imagino que se temos redund\u00e2ncia nas nossas rela\u00e7\u00f5es, como dois melhores amigos, temos menos risco de ficar na m\u00e3o. Mas sem retroalimenta\u00e7\u00e3o, vivemos isolados. A gente faz o que quer, achando que est\u00e1 fazendo o que o outro quer. Sem retroalimenta\u00e7\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 de m\u00e3o \u00fanica.<br \/>\nA complexidade permite a evolu\u00e7\u00e3o. A pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o entre complexidade e evolu\u00e7\u00e3o tem um aspecto curioso: a estabilidade. Ela \u00e9 ao mesmo tempo causa e conseq\u00fc\u00eancia da evolu\u00e7\u00e3o. Sem estabilidade, um sistema n\u00e3o pode evoluir. E ainda que n\u00e3o seja uma determina\u00e7\u00e3o, evolu\u00e7\u00e3o tende a gerar estabilidade.<br \/>\nPor que isso tudo \u00e9 importante? Vejam, est\u00e1vamos falando de quebra. Uma rela\u00e7\u00e3o jovem, como todo sistema jovem, possui muita energia e pouca diversidade. Sem estabilidade, um evento aleat\u00f3rio (pra n\u00e3o dizer &#8216;qualquer coisa&#8217; ou &#8216;sei l\u00e1&#8217;, vamos supor &#8216;o dia amanhecer chuvoso no dia que voc\u00ea combina de ir a praia&#8217; ou &#8216;chegada da sogra para o final de semana&#8217;) pode desencadear mudan\u00e7as bruscas no fluxo de energia do sistema. Como os pap\u00e9is dos personagens n\u00e3o est\u00e3o totalmente definidos em uma rela\u00e7\u00e3o jovem, \u00e9 dif\u00edcil essa energia se dissipar por diferentes canais e f\u00e1cil, muito f\u00e1cil, gerar agress\u00e3o. E ruptura.<br \/>\nClaro, nem sempre agress\u00e3o leva a ruptura. Mas e quando leva? \u00c9 ai que se quebra? \u00c9.<br \/>\nMas felizmente uma rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um copo e tem uma outra caracter\u00edstica dos sistemas complexos que eu quase ia esquecendo de mencionar: resili\u00eancia.<br \/>\n<strong>A capacidade de se recuperar rapidamente depois que o sistema \u00e9 desequilibrado por uma perturba\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para que os sistemas possam evoluir, simplesmente porque o sistema SER\u00c1 perturbado e PERDER\u00c1 seu equil\u00edbrio. <\/strong>As coisas mudam no mundo e isso \u00e9 imut\u00e1vel. E por isso a perturba\u00e7\u00e3o e o desequil\u00edbrio s\u00e3o inevit\u00e1veis.<br \/>\nA resili\u00eancia \u00e9 poss\u00edvel por duas raz\u00f5es, que ao mesmo tempo s\u00e3o duas condi\u00e7\u00f5es <em>sin ne qua no<\/em>n: O princ\u00edpio da incerteza diz que nada volta exatamente para o mesmo lugar. Ent\u00e3o depois que um sistema \u00e9 abalado, ele n\u00e3o pode voltar tamb\u00e9m para o mesmo lugar. A resili\u00eancia \u00e9 poss\u00edvel porque todo sistema possui, na verdade, mais de um equil\u00edbrio poss\u00edvel. Talvez voc\u00ea n\u00e3o saiba, mas que tem, tem. A outra causa e condi\u00e7\u00e3o \u00e9 a conserva\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o. Um sistema pode ser reduzido a sua menor parte que possua todo o conhecimento para recuperar o sistema por completo. No fim das contas, se \u00e9 inevit\u00e1vel que seu copo se quebre, n\u00e3o esque\u00e7a como se faz um novo.<br \/>\nTodos buscamos a estabilidade. O objetivo da mais simples das c\u00e9lulas, desde o in\u00edcio dos tempos, \u00e9 manter estabilidade do seu meio interno independente das varia\u00e7\u00f5es do meio externo, na tentativa de manter intactas as valiosas informa\u00e7\u00f5es que possui. Mas tamb\u00e9m queremos mais informa\u00e7\u00f5es. Queremos NOVAS informa\u00e7\u00f5es. O dilema entre o novo e o est\u00e1vel \u00e9 apenas um dos muitos com os quais temos de conviver, encontrando um ponto de equil\u00edbrio.<br \/>\nO que melhora com o tempo, com a evolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 que acabamos por descobrir nossos m\u00faltiplos pontos de equil\u00edbrio e a resili\u00eancia.<strong> E ai perdemos o medo<\/strong>. <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algumas coisas s\u00e3o f\u00e1ceis de determinar. Um copo, um vaso, uma cadeira, um rel\u00f3gio&#8230; quando essas coisas quebram ningu\u00e9m fica na d\u00favida. N\u00e3o precisamos nem &#8216;definir&#8217; o que seria quebra para entender que elas tiveram sua estrutura alterada de modo a perder a sua fun\u00e7\u00e3o. J\u00e1 com rela\u00e7\u00f5es \u00e9 mais dif\u00edcil. 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