{"id":379,"date":"2009-08-11T04:20:11","date_gmt":"2009-08-11T07:20:11","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2009\/08\/a_muda\/"},"modified":"2009-08-11T04:20:11","modified_gmt":"2009-08-11T07:20:11","slug":"a_muda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2009\/08\/11\/a_muda\/","title":{"rendered":"A muda"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\"><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"armadura_1103436_48508111.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/armadura_1103436_485081111.jpg\" width=\"320\" height=\"480\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" \/><\/span><br \/>\nOs cordados, animais que possuem coluna vertebral, apresentam um crescimento cont\u00ednuo. Que pode ser mais lento ou mais r\u00e1pido, mas por se cont\u00ednuo \u00e9 dif\u00edcil de perceber.<br \/>\nOs artr\u00f3podes por sua vez n\u00e3o possuem um esqueleto interno. Seu esqueleto \u00e9 externo e denominado exoesqueleto. Imagine um cavaleiro medieval: sua armadura \u00e9 um exemplo perfeito de exoesqueleto!<br \/>\nMas voltando aos artr\u00f3podes. Entre eles est\u00e3o v\u00e1rios bichos nojentos, mas alguns bichos bonitinhos tamb\u00e9m. A Joaninha \u00e9 um artr\u00f3pode. Por causa do esqueleto externo, os artr\u00f3podes n\u00e3o podem ter um crescimento cont\u00ednuo. Esse crescimento descont\u00ednuo acontece de tempos em tempos. Por que todos precisamos crescer, mesmo os camar\u00f5es.<br \/>\nO momento de crescimento desses animais \u00e9, t\u00e3o apropriadamente, chamado de muda. Por que eles efetivamente mudam seu exoesqueleto. Alem de permitir o ponto de suporte para os m\u00fasculo, que possibilita que esses animais se movimentem, ele tamb\u00e9m funciona como um casca, um escudo, prote\u00e7\u00e3o. E novamente a armadura do cavaleiro medieval se presta a compara\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMas como acontece essa mudan\u00e7a? O animal se solta dela. Deixa ela ir.<br \/>\nS\u00f3 que diferente do cavaleiro medieval, todos os m\u00fasculos do animal est\u00e3o ligados a sua casca. E pra se soltar&#8230; d\u00f3i! Mas mesmo assim ele se solta. Por que todos precisamos crescer, mesmo os tatu\u00eds.<br \/>\n<span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img decoding=\"async\" alt=\"crab_1168557_91334265.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/crab_1168557_91334265.jpg\" width=\"480\" height=\"360\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" \/><\/span><br \/>\n\u00c9 nesse momento, no momento da muda, que o animal fica mais vulner\u00e1vel. Sem a sua armadura ele est\u00e1 desprotegido e \u00e9 uma presa f\u00e1cil. Para n\u00e3o ficar a merc\u00ea dos predadores, em geral os animais se escondem durante esse per\u00edodo. Podem tamb\u00e9m sofrer da S\u00edndrome de cora\u00e7\u00e3o apertado. Parece com os ataques card\u00edacos humanos, mas n\u00e3o matam. O cora\u00e7\u00e3o cresce r\u00e1pido demais e fica apertado ainda dentro do peito antigo. A dor \u00e9 t\u00e3o grande que vai at\u00e9 o estomago (\u00e9 melhor deixar o bicho quieto nessa hora!) A muda \u00e9 um processo arriscado. Mas mesmo assim ele muda. Por que todos precisamos crescer, mesmo as lib\u00e9lulas.<br \/>\nMas a muda tamb\u00e9m \u00e9 um processo lindo. Um enxurrada de horm\u00f4nios (que estavam dentro do animal mas ele nem sabia) tomam conta do peda\u00e7o, sinalizando que \u00e9 hora de mudar. E os horm\u00f4nios, a gente sabe, ningu\u00e9m pode com eles. Depois de se soltar de sua casca, o animal cresce, muda. A nova casca \u00e9 produzida vagarosamente. Muitas vezes \u00e9 poss\u00edvel usar coisas da outra casca (Prote\u00ednas importantes, nutrientes e algumas boas recorda\u00e7\u00f5es) deixa outras coisas que naquele momento parecem menos importantes (basicamente restos metab\u00f3licos e outras amarguras), mas ela nunca mais ser\u00e1 suficiente. E \u00e9 por isso que todos precisamos crescer, mesmo as cigarras.<br \/>\nVoc\u00ea pode pensar por que o animal n\u00e3o constr\u00f3i sua nova armadura antes de se desfazer da primeira? \u00c9 que ele nunca sabe qu\u00e3o grande vai ser a mudan\u00e7a. Nunca sabe o quanto vai crescer. Depende do clima, da disponibilidade de alimento, depende do DNA e&#8230; depende dos horm\u00f4nios (e como a gente sabe, tudo que depende dor horm\u00f4nios \u00e9 imprevis\u00edvel). Mas ele corre o risco. Por que vale a pena. Por que todos precisamos crescer, mesmo as centop\u00e9ias.<br \/>\nA muda pode fazer coisas incr\u00edveis. Se algum membro se perdeu no exoesqueleto antigo, ele volta no exoesqueleto novo. Na verdade ele cresce novamente, no per\u00edodo em que acontece o crescimento. Uma nova casca pode apagar o danos de batalhas anteriores. Mudar \u00e9 arriscado, mas por muitas raz\u00f5es vale a pena. Principalmente, por que todos precisamos crescer, mesmo as borboletas.<br \/>\nAlgumas vezes, por um descontrole hormonal (malditos horm\u00f4nios) o animal pode ficar longos per\u00edodos sem mudar. Ou pode ainda tentar crescer sem mudar. Isso causa fissuras no exoesqueleto que s\u00e3o mais doloridas que a muda em si. E ai ele v\u00ea que de um jeito ou de outro, tem que mudar. N\u00e3o d\u00e1 pra enganar os horm\u00f4nios. Todos precisamos crescer, mesmo os Louva-Deus.<br \/>\nMas isso quer dizer que o bicho (s\u00f3 sendo bicho mesmo) tem todo o trabalho de construir uma casca, que protege ele, do tamanho perfeito pra ele, ligar todos os seus m\u00fasculos a ela, ficar ali, quentinho, quietinho e protegido pra&#8230; depois mudar? E ainda correr o risco de ser comido no processo? Parece estranho que algu\u00e9m queira fazer isso. Mas quem pode saber que se passa na cabe\u00e7a de uma mariposa? Talvez seja bom ter uma casa maior, talvez o brilho do exoesqueleto novinho seja sedutor&#8230; como saber?<br \/>\nO que podemos dizer \u00e9 que todos temos que crescer. E todos temos que mudar, pra poder crescer. At\u00e9 n\u00f3s mesmos!<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os cordados, animais que possuem coluna vertebral, apresentam um crescimento cont\u00ednuo. Que pode ser mais lento ou mais r\u00e1pido, mas por se cont\u00ednuo \u00e9 dif\u00edcil de perceber. Os artr\u00f3podes por sua vez n\u00e3o possuem um esqueleto interno. Seu esqueleto \u00e9 externo e denominado exoesqueleto. Imagine um cavaleiro medieval: sua armadura \u00e9 um exemplo perfeito de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":553,"featured_media":380,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"editor_plus_copied_stylings":"{}","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[116,295,325,433,891],"class_list":["post-379","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-livro","tag-artropodes","tag-comportamento-2","tag-cordados","tag-ecdise","tag-mudanca"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/379","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/553"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=379"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/379\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/media\/380"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=379"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=379"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=379"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}