{"id":382,"date":"2009-09-03T16:16:29","date_gmt":"2009-09-03T19:16:29","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2009\/09\/a_trajetoria_de_um_biologo_i_\/"},"modified":"2009-09-03T16:16:29","modified_gmt":"2009-09-03T19:16:29","slug":"a_trajetoria_de_um_biologo_i_","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2009\/09\/03\/a_trajetoria_de_um_biologo_i_\/","title":{"rendered":"A trajet\u00f3ria de um bi\u00f3logo I &#8211; Homenagem ao dia do bi\u00f3logo"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"peladonalagoadespa.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/peladonalagoadespa1.jpg\" width=\"540\" height=\"528\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" \/><\/span><br \/>\n<span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/som\/VQEB.audioedition_trajetoria_biologo_i.mp3\"><img decoding=\"async\" alt=\"blog.falado.png\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/blog.falado2.png\" width=\"300\" height=\"103\" class=\"mt-image-none\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><strong>Hoje \u00e9 dia do Bi\u00f3logo.<\/strong> E apesar dos v\u00e1rios textos que est\u00e3o inacabados, esperando que eu me debruce sobre eles para, o que segundo Lobo Antunes e outros grandes autores te torna um escritor &#8211; reescrever, eu hoje n\u00e3o posso deixar de falar desse dia especial.<br \/>\nE que esse ano ainda \u00e9 mais especial para mim, porque esse m\u00eas serei homenageado pelo Conselho Regional de Biologia no XVIII ENBio (Encontro Nacional de Bi\u00f3logos) pelas contribui\u00e7\u00f5es a profiss\u00e3o.<br \/>\nFiquei pensando nas minhas &#8216;contribui\u00e7\u00f5es a profiss\u00e3o&#8217;. Pensei que a indica\u00e7\u00e3o pode ser porque vou com a mesma disposi\u00e7\u00e3o falar para doutores em um congresso internacional, professores de 2o grau em um curso de reciclagem, um audit\u00f3rio lotado de alunos de uma universidade privilegiada, ou uma sala incompleta de alunos de uma faculdade menos favorecida. Mas talvez n\u00e3o seja porque eu fa\u00e7o isso, mas sim o porqu\u00ea eu fa\u00e7o isso: porque nenhuma das minhas contribui\u00e7\u00f5es \u00e9 maior que o amor que tenho pela biologia e por ser bi\u00f3logo. Tor\u00e7o para que tenha sido essa, ainda que seja um vari\u00e1vel pouco anal\u00edtica, a raz\u00e3o da indica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nLembrei de um texto que escrevi para a revista do Instituto de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da UFRJ a convite da minha querida amiga Mar\u00edlia Zaluar, sobre o que \u00e9 ser bi\u00f3logo. O texto se chamou &#8216;A trajet\u00f3ria de um bi\u00f3logo&#8217; e eu coloco ele aqui pra voc\u00eas.<br \/>\n<strong>Feliz 3 de setembro!<\/strong><br \/>\n<em>&#8220;Comecei a ser bi\u00f3logo como os antigos naturalistas: catando bichinhos por a\u00ed. Tamb\u00e9m tem aqueles que come\u00e7aram catando plantinhas, mas dessas eu nunca gostei muito. No meu caso espec\u00edfico, eram os peixes da Lagoa de Araruama, em S\u00e3o Pedro da Aldeia. Pegava-os nadando de bobeira pela margem e colocava no meu baldinho. \u00c0s vezes tentava levar para casa achando que poderia guard\u00e1-los at\u00e9 ficarem grandes, para descobrir sempre no dia seguinte que eles n\u00e3o sobreviviam \u00e0 \u00e1gua da bica.<br \/>\nGanhei meu primeiro aqu\u00e1rio com 8 anos, que foi tamb\u00e9m meu primeiro laborat\u00f3rio. Aprendi sobre as necessidades especiais de cada peixe, sobre a temperatura, pH e oxig\u00eanio da forma tradicional: tentativa e erro. Infelizmente sacrifiquei muitos peixinhos e tamb\u00e9m toda a minha mesada nessa empreitada.<br \/>\nQuando chegou o fat\u00eddico momento de marcar a cruzinha na quadricula de &#8216;op\u00e7\u00e3o de carreira&#8217; do vestibular, eu n\u00e3o tinha d\u00favida, queria ser bi\u00f3logo.<br \/>\nMas o que \u00e9 ser bi\u00f3logo? Naquela \u00e9poca eu certamente n\u00e3o sabia. Na verdade, para o que eu achava que era, aquariofilista estava muito bem. Tanto que quando meu pai me perguntou: &#8220;Mas como voc\u00ea vai ganhar a vida como bi\u00f3logo, meu filho?&#8221; Eu respondi que ia trabalhar com cria\u00e7\u00e3o comercial de peixes e camar\u00f5es, que significava, trocando em mi\u00fados, trabalhar em um grande aqu\u00e1rio. Mas v\u00e1 l\u00e1, a \u00fanica refer\u00eancia que eu tinha, e que qualquer um durante muito tempo sempre tem de bi\u00f3logo, eram os professores de biologia, e n\u00e3o era exatamente isso que eu queria ser.<br \/>\n\u00c9 bem verdade que nos idos de 1988, a engenharia gen\u00e9tica j\u00e1 estava dando o que falar. Come\u00e7avam a aparecer as primeiras ratazanas que produziam leite de vaca e coisas desse tipo. Muito impressionantes para um adolescente que achava at\u00e9 ent\u00e3o que ser bi\u00f3logo era ser como o seu professor do 2\u00ba grau.<br \/>\nNa faculdade, a vis\u00e3o rom\u00e2ntica do bi\u00f3logo que fica o tempo todo coletando bichinhos e plantinhas desmoronou. No primeiro per\u00edodo, t\u00ednhamos C\u00e1lculo, Qu\u00edmica e F\u00edsica. Depois, Bioqu\u00edmica e Biof\u00edsica. O curso da UFRJ tem uma s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Natural, heran\u00e7a do tempo em que esse era o nome da faculdade, com quatro zoologias e quatro bot\u00e2nicas, mas que significa estudar animais e plantas que voc\u00ea nunca encontrar\u00e1 pela frente, pelo resto da vida.<br \/>\nCom toda a import\u00e2ncia que eu reconhe\u00e7o hoje na Taxonomia, n\u00e3o posso deixar de concordar que a sistem\u00e1tica \u00e9 um desafio para o aprendiz de bi\u00f3logo, e motivo suficiente para um sem n\u00famero de desist\u00eancias. A biologia n\u00e3o era para qualquer um (que o digam as meninas na aula de dissec\u00e7\u00e3o de baratas). E tinha que estudar. Tinha que estudar muito!<br \/>\nA\u00ed entra outro fator, que eu n\u00e3o acredito que possa ser generalizado, mas que vale a pena comentar. Minha turma era uma turma especial. S\u00f3 tinha cr\u00e2nio. Eram de diferentes idades, cidades e classes sociais, mas todos eram muito inteligentes. Eu percebi nas primeiras festinhas que se bobeasse ficaria para tr\u00e1s. Os papos eram sobre livros que eu nunca tinha lido e filmes que nunca tinha assistido. Descobri que, como eu n\u00e3o gostava do col\u00e9gio onde estudava, nunca gostei de estudar. Nunca tinha sido um aluno aplicado e isso agora estava fazendo falta. Mas a minha decis\u00e3o foi firme: recuperaria o tempo perdido! Passei a ler mais e descobri que tinha a habilidade de prestar aten\u00e7\u00e3o no que os outros diziam e a aprender com isso. Servia para aulas, palestras, mas tamb\u00e9m para hist\u00f3rias. Aprendi muito ouvindo as hist\u00f3rias dos meus amigos.<br \/>\nBom, e havia as festas. Uso &#8216;festas&#8217; como um termo gen\u00e9rico que al\u00e9m do sentido estrito, inclui encontros estudantis e congressos cient\u00edficos. Eu fui a todos as festas, excurs\u00f5es, acampamentos, ENEBs, EREBs, Interbios, etc. Fiz amigos bi\u00f3logos em todo o Brasil e v\u00e1rias dessas amizades, cultivadas anos a fio com cartas escritas a m\u00e3o, antes do e-mail, permanecem at\u00e9 hoje. Fui Dj, campe\u00e3o de truco, delegado de comitiva, chefe de torcida e at\u00e9 ganhei uma medalha no Interbio de 1990 correndo 5000 m (n\u00e3o tinha mais ningu\u00e9m que quisesse participar da prova), j\u00e1 que nunca fui uma maravilha nos esportes coletivos. E sim, namorei bastante tamb\u00e9m.<br \/>\nMeu primeiro est\u00e1gio foi realmente em uma fazenda de cultivo de camar\u00e3o. Fiquei l\u00e1 tempo suficiente para aprender que ganhava dinheiro quem comprava e vendia camar\u00e3o, mas n\u00e3o quem criava. E que esses cultivos de moda (r\u00e3s, avestruzes, minhocas&#8230;) s\u00f3 servem para dar dinheiro a quem d\u00e1 curso e escreve livro.<br \/>\nDespido da minha fantasia de bi\u00f3logo infantil, tive que arranjar uma outra. Enquanto todos os meus amigos tinham est\u00e1gios em laborat\u00f3rios na universidade, eu respondi a um anuncio que dizia &#8216;est\u00e1gio com bolsa&#8217; na Bayer do Brasil. Descobri que havia um mercado de trabalho para bi\u00f3logos que era grande e crescente. Ser bi\u00f3logo n\u00e3o era s\u00f3 ser professor afinal, nem ser o cara das plantinhas e dos bichinhos. O trabalho consistia em avaliar a toxicidade de efluentes industriais e produtos qu\u00edmicos comerciais. Trabalhar com polui\u00e7\u00e3o era instigante, mas trabalhar em uma ind\u00fastria n\u00e3o. Depois de quatro meses, n\u00e3o tinha mais nada para aprender e o trabalho virou um eterno repetir. Eu, que nunca tinha gostado muito de estudar, estava sentindo falta de teoria, de estudo e de descobertas. Descobri que meu lugar n\u00e3o era ali, eu era da academia. E se eu queria seguir a carreira acad\u00eamica n\u00e3o havia tempo a perder.&#8221; <\/em>(continua)\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje \u00e9 dia do Bi\u00f3logo. E apesar dos v\u00e1rios textos que est\u00e3o inacabados, esperando que eu me debruce sobre eles para, o que segundo Lobo Antunes e outros grandes autores te torna um escritor &#8211; reescrever, eu hoje n\u00e3o posso deixar de falar desse dia especial. 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