{"id":384,"date":"2009-09-03T17:54:48","date_gmt":"2009-09-03T20:54:48","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2009\/09\/a_trajetoria_de_um_biologo_ii\/"},"modified":"2009-09-03T17:54:48","modified_gmt":"2009-09-03T20:54:48","slug":"a_trajetoria_de_um_biologo_ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2009\/09\/03\/a_trajetoria_de_um_biologo_ii\/","title":{"rendered":"A trajet\u00f3ria de um bi\u00f3logo II &#8211; Homenagem ao dia do bi\u00f3logo"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\"><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"lab-genetica2.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/lab-genetica21.jpg\" width=\"540\" height=\"390\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" \/><\/span><br \/>\n<span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/som\/VQEB.audioedition_trajetoria_biologo_II.mp3\"><img decoding=\"async\" alt=\"blog.falado.png\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/blog.falado2.png\" width=\"300\" height=\"103\" class=\"mt-image-none\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" \/><\/a><\/span><br \/>\n<strong>Bem na foto &#8211;<\/strong> Turma de 89\/1 no laborat\u00f3rio de gen\u00e9tica em 1990. Do alto \u00e0 esquerda para baixo: Reo, Ana Paula Falc\u00e3o, Mar\u00edlia, Vivi morena, Ricardo Barney e Helena. Ricardo Mai\u00f4, Rodrigo Magoo, Carla de Carli Silvia e Gisela. Deia, Mauro, Renato, Ronald, Betina e Marcos Vin\u00edcius (com a prof. Vera no estereosc\u00f3pio).<br \/>\n<em>(Continua\u00e7\u00e3o)<br \/>\n&#8220;Colei grau \u00e0s 10h da manh\u00e3 de uma ter\u00e7a-feira como bi\u00f3logo marinho, e \u00e0s 13h estava num \u00f4nibus para Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Tinha sido aprovado no mestrado em Oceanografia Biol\u00f3gica e passaria naquela fria e chuvosa cidade dois anos de grande crescimento pessoal e profissional.<br \/>\nMorar sozinho pela primeira vez foi um desafio. Ao meu lado tinha o benef\u00edcio de ter a melhor bolsa de mestrado que esse pa\u00eds j\u00e1 viu. Eram os idos de 1994 e, com o Plano Real, R$ 800,00 equivaliam a U$ 800. Consegui at\u00e9 economizar um dinheirinho. Mas na Oceanografia as demandas que Qu\u00edmica e F\u00edsica alcan\u00e7aram um novo patamar e tive que estudar muito para superar minhas defici\u00eancias em Matem\u00e1tica e C\u00e1lculo.<br \/>\nO mesmo aconteceu quando precisei aprender Estat\u00edstica de verdade para poder fazer minha tese. Descobri com meu colega de laborat\u00f3rio Jos\u00e9 Monserrat o qu\u00e3o interessante, \u00fatil e poderosa \u00e9 a Estat\u00edstica e hoje tenho certeza que \u00e9 ela, e n\u00e3o a F\u00edsica, que explica o mundo. Minha tese foi com o efeito de am\u00f4nio na osmorregula\u00e7\u00e3o do caranguejo Chasmagnathus granulata (ainda hoje me lembro o nome de cor) e tenho muito a agradecer pelo que aprendi com todas as pessoas do departamento de Ci\u00eancias Fisiol\u00f3gicas da Furg.<br \/>\nDe volta ao Rio, n\u00e3o entrei para o doutorado direto. O CNPq havia lan\u00e7ado um novo programa chamado Desenvolvimento Cient\u00edfico Regional (DCR) para estimular a ida de pesquisadores para o Nordeste. Assim escrevi um projeto para trabalhar com a Dra. Iracema Nascimento na UFBA. Mas o CNPq perdeu o projeto e ca\u00ed no temido limbo entre mestrado e doutorado.<br \/>\nEm 1996, acontecia um evento que mudaria a cara da sociedade: a internet saiu das universidades e come\u00e7ou a ser oferecida a popula\u00e7\u00e3o por provedores comerciais. Al\u00e9m de biologia, eu s\u00f3 sabia mexer com computadores. Ainda que superqualificado, comecei a trabalhar como estagi\u00e1rio em um provedor de internet. Foi muito divertido e aprendi muito sobre computadores (como abrir, montar e desmontar) e sobre inform\u00e1tica (a l\u00f3gica da m\u00e1quina, protocolos, algoritmos, etc.). Ambos os conhecimentos seriam de suma import\u00e2ncia quando entrasse no doutorado, seis meses depois.<br \/>\nSim, ainda que eu pudesse muito bem trabalhar com inform\u00e1tica a vida toda, isso teria de ter acontecido em outra vida, onde eu n\u00e3o tivesse tido contato com a ci\u00eancia. Entrar no doutorado n\u00e3o tem a ver com ser bi\u00f3logo, mas com se tornar cientista. Muitas pessoas n\u00e3o veem essa distin\u00e7\u00e3o. Termine o mestrado e se a tese foi um sacrif\u00edcio para voc\u00ea, v\u00e1 trabalhar na Bayer. O doutorado \u00e9 um forte treinamento em ci\u00eancia, mas tamb\u00e9m o estabelecimento de uma rela\u00e7\u00e3o mais \u00edntima com o meio acad\u00eamico que, c\u00e1 entre n\u00f3s, n\u00e3o \u00e9 para qualquer um.<br \/>\nEntrei para o doutorado do Instituto de Biof\u00edsica da UFRJ. A primeira coisa que aprendi no doutorado foi que ele \u00e9 um caminho para alguma coisa e n\u00e3o um fim. Isso significa que a tese \u00e9 um projeto de pesquisa e n\u00e3o um projeto de vida. Entender isso com clareza ajuda a poupar um monte de frustra\u00e7\u00f5es.<br \/>\nMas provavelmente a decis\u00e3o que mais influenciou minha vida acad\u00eamica foi participar de uma reuni\u00e3o dos estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o onde me elegeram, por total falta de outro candidato, representante dos alunos no conselho deliberativo do IBCCF. Logo nas primeiras reuni\u00f5es com os representantes dos departamentos (chamados de programas l\u00e1) e com os professores titulares, percebi o que era a academia no seu dia-a-dia. Foi bom, porque eu pude escolher e me preparar para o que me esperava: pol\u00edtica e egos, como em qualquer outra profiss\u00e3o ou reparti\u00e7\u00e3o, ainda que menos nobre.<br \/>\nAinda no primeiro ano, a Capes e CNPq fizeram uma s\u00e9ria de visitas para avaliar os programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, algumas vezes com comiss\u00f5es externas. Em uma dessas visitas, participei de uma reuni\u00e3o que ajudou a determinar minha rela\u00e7\u00e3o com a academia. Eu, como muitos outros alunos de PG, j\u00e1 estava cansado de viver de bolsa por tantos anos e ansiava pelos concursos para professor assim que terminasse o doutorado. Mas o CNPq disse que n\u00e3o, que n\u00e3o queriam perder a nossa fase mais produtiva e por isso estimulariam a sa\u00edda do pa\u00eds para o p\u00f3s-doc logo ap\u00f3s o doutorado, adiando ainda mais o nosso &#8216;projeto de vida&#8217;. Aprender a se resignar com o que voc\u00ea n\u00e3o pode mudar \u00e9 uma coisa muito importante se voc\u00ea deseja ser uma pessoa produtiva.<br \/>\nDurante o doutorado, al\u00e9m da tese, preparei meu curr\u00edculo, cuidando com muito carinho de publica\u00e7\u00f5es, cursos e congressos. Criei la\u00e7os com professores e laborat\u00f3rios, aprendi outras l\u00ednguas e busquei um p\u00f3s-doutorado. Mais uma vez as discuss\u00f5es com meus amigos eram, sen\u00e3o o principal , o mais constante desafio intelectual que eu participava. Meus amigos cientistas s\u00e3o parte da raz\u00e3o pela qual eu sou cientista.<br \/>\nEm 2002, fui para a It\u00e1lia viver outro desafio: trabalhar em um laborat\u00f3rio moderno, com todos os recursos que precisava para fazer ci\u00eancia de alta qualidade e competitividade. Pa\u00eds, l\u00edngua, cultura, comida e costumes diferentes, ainda tendo que fazer ci\u00eancia no meio: ser\u00e1 que eu ia dar conta? Dei. E quando voltei para o Brasil, em 2004, tinha muito mais do que alguns trabalhos na bagagem. Eu era um cientista.<br \/>\nQuando passei no concurso para professor no IBCCF naquele mesmo ano, realizei o sonho da crian\u00e7a que catava os peixes com baldinhos na lagoa. Era bi\u00f3logo e cientista e meu projeto de vida estava s\u00f3 no come\u00e7o. Hoje, os desafios s\u00e3o outros, mas de certa forma s\u00e3o os mesmos: aprender a reconhecer o que podemos mudar e o que n\u00e3o podemos e coragem para fazer o que tem de ser feito.<br \/>\nCoordeno o laborat\u00f3rio intermedi\u00e1rio de biologia molecular ambiental, onde pesquisamos o efeito e o mecanismo de toxicidade de subst\u00e2ncias poluentes em organismos aqu\u00e1ticos. Voc\u00ea sabia que ostras t\u00eam c\u00e2ncer? Que camar\u00f5es t\u00eam intoxica\u00e7\u00e3o alimentar e param de crescer? E que o ditado &#8216;a \u00e1gua n\u00e3o est\u00e1 pra peixe&#8217; \u00e9 justamente porque quando ela est\u00e1 suja eles fogem? N\u00f3s pesquisamos tudo isso.<br \/>\nMas al\u00e9m da pesquisa, eu, como disc\u00edpulo de Carlos Chagas Filho, acredito mais do que nunca no seu lema: &#8216;na universidade se ensina porque se pesquisa&#8217;. Minhas atividades did\u00e1ticas cresceram e continuam crescendo, dentro e fora da universidade. Dentro tenho duas disciplinas na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e coordeno as disciplinas de Biof\u00edsica para a Biologia, um curso moderno e din\u00e2mico, com um ambiente virtual pr\u00f3prio e um programa renovado. Fora, estou envolvido com a capacita\u00e7\u00e3o de docentes em EAD para a Universidade Aberta do Brasil.<br \/>\nCompletando o trip\u00e9 da universidade, coordeno um ambicioso projeto de extens\u00e3o que envolve divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e treinamento de jovens cientistas. O portal Bioletim (www.bioletim.org) foi montado para recuperar a revista de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica hom\u00f4nima que nasceu no \u00e2mago da nossa turma (DRE: 891), quando \u00e9ramos todos alunos de gradua\u00e7\u00e3o do Instituto de Biologia da UFRJ, em 1993. Al\u00e9m da proposta inicial, hoje o portal \u00e9 um poderoso gestor de conte\u00fados, com uma plataforma de EAD que atende atualmente a 10 disciplinas e com uma estrutura de rede social que j\u00e1 lhe valeu o carinhoso apelido de Orkut cient\u00edfico. Mas a menina dos olhos do projeto \u00e9 o roteiro que ajuda os autores novatos a organizarem as informa\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o online, em poucas horas, de um artigo que pode ser submetido a revistas.<br \/>\nMas essa experi\u00eancia n\u00e3o veio do ber\u00e7o. Escrever \u00e9 treino e pr\u00e1tica. Noventa e nove por cento transpira\u00e7\u00e3o e um por cento inspira\u00e7\u00e3o. Por isso tenho um blog com quase 200 textos cient\u00edficos para leigos e amantes da ci\u00eancia: o &#8216;Voc\u00ea que \u00e9 bi\u00f3logo&#8230;&#8217; (scienceblogs.com.br\/vqeb ).<br \/>\nPara quem est\u00e1 come\u00e7ando agora a sua trajet\u00f3ria na biologia e na ci\u00eancia, eu diria que a f\u00f3rmula do sucesso na academia est\u00e1 na regra do 80:10:10, inventada por uma americana que preferiu n\u00e3o citar o seu nome. A regra diz que 80% do seu tempo voc\u00ea deve trabalhar da melhor forma poss\u00edvel, 10% do seu tempo deve investir em desenvolvimento pessoal e nos conhecimentos que ser\u00e3o importantes nos pr\u00f3ximos 5-10 anos e 10% do seu tempo voc\u00ea passa dizendo para o maior n\u00famero poss\u00edvel (e importante) de pessoas o quanto voc\u00ea trabalha bem e \u00e9 competente. E \u00e9 claro, \u00e9 bom contar com um pouco de sorte.&#8221;<\/em><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bem na foto &#8211; Turma de 89\/1 no laborat\u00f3rio de gen\u00e9tica em 1990. Do alto \u00e0 esquerda para baixo: Reo, Ana Paula Falc\u00e3o, Mar\u00edlia, Vivi morena, Ricardo Barney e Helena. Ricardo Mai\u00f4, Rodrigo Magoo, Carla de Carli Silvia e Gisela. Deia, Mauro, Renato, Ronald, Betina e Marcos Vin\u00edcius (com a prof. Vera no estereosc\u00f3pio). 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