{"id":386,"date":"2009-09-04T22:35:00","date_gmt":"2009-09-05T01:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2009\/09\/blogs_de_ciencia_e_inclusao_di\/"},"modified":"2009-09-04T22:35:00","modified_gmt":"2009-09-05T01:35:00","slug":"blogs_de_ciencia_e_inclusao_di","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2009\/09\/04\/blogs_de_ciencia_e_inclusao_di\/","title":{"rendered":"Blogs de ci\u00eancia e Inclus\u00e3o digital"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\"><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"Sonia Rodrigues e Mauro Rebelo na noite de aut\u00f3grafos do livro dela 'Meu nome \u00e9 Maria'\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/DSC001211.jpg\" width=\"375\" height=\"500\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: justify;margin: 0 auto 20px\" \/><\/span>Vers\u00e3o completa da entrevista a Sonia Rodrigues no <a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/blogs\/inclusaodigital\/posts\/2009\/08\/31\/internet-por-fio-blog-de-ciencias-tudo-ver-218924.asp\">Blog Inclus\u00e3o Digital<\/a> de O Globo.<br \/>\nQueria come\u00e7ar agradecendo \u00e0 Sonia o convite para a entrevista. Ainda h\u00e1 muito preconceito no meio acad\u00eamico quanto aos blogs, e acredito que haja 3 raz\u00f5es: primeiro o p\u00e2nico dos  acad\u00eamicos em colocar seus dados em qualquer outra m\u00eddia que n\u00e3o sejam os tradicionais artigos cient\u00edficos em revistas indexadas; segundo que apenas essas revistas contabilizam para o curr\u00edculo do CNPq e outras ag\u00eancias; e terceiro, um preconceito maior ainda com novas ferramentas que s\u00e3o usadas na internet, principalmente, para entretenimento.<br \/>\n<strong>Sonia: Queria que voc\u00ea falasse um pouco sobre blogs cient\u00edficos. O que \u00e9 mesmo um blog cient\u00edfico?<\/strong><br \/>\n<strong>Mauro: <\/strong>S\u00e3o blogs que falam de descobertas cient\u00edficas (tanto as novas quanto as hist\u00f3ricas), a vida e obra de cientistas, mas principalmente, sobre a ci\u00eancia no cotidiano das pessoas. Est\u00e1 todo mundo ouvindo falar na TV de genoma, terapia celular, c\u00e9lulas tronco, clonagem, nanotecnologia, computadores qu\u00e2nticos, mas sem que haja uma verdadeira &#8216;tradu\u00e7\u00e3o&#8217; do que significam esses termos, e o que as tecnologias desenvolvidas a partir dessas descobertas cient\u00edficas podem realmente trazer de benef\u00edcios para a sociedade. Os blogs cient\u00edficos oferecem uma possibilidade do cidad\u00e3o comum se informar ou se esclarecer sobre essas coisas, que \u00e9 verdade, podem ser muito complicadas. O mais importante \u00e9 que os blogueiros cient\u00edficos possuem um compromisso com a ci\u00eancia do que eles est\u00e3o divulgando, mas que com a not\u00edcia. Nem sempre um jornal ou programa de TV pode valorizar isso. \u00c9 claro que nesse processo os blogs acabam falando de outros assuntos ligados direta ou indiretamente a ci\u00eancia como educa\u00e7\u00e3o, pol\u00edtica, tecnologia, sa\u00fade e religi\u00e3o. Houve, por exemplo, um grande esfor\u00e7o na comunidade de blogs cient\u00edficos para explicar o que os cientistas realmente sabiam sobre a gripe H1 para tentar amenizar o sensacionalismo das not\u00edcias. Ainda s\u00e3o poucos, infelizmente, os blogs cient\u00edficos especializados, que fazem o que chamamos &#8216;cadernos de protocolo&#8217;, onde cientistas divulgam os resultados de suas pesquisas para o publico diretamente do laborat\u00f3rio para a grande rede. Para quem quiser saber mais sobre o que \u00e9 um blog cient\u00edfico, nos dias 25 a 27 de Setembro realizaremos o II encontro de blogs cient\u00edficos em Arraial do Cabo (RJ).<br \/>\n<strong>Sonia: De que maneira esse movimento de blogs cient\u00edficos se relaciona com inclus\u00e3o digital?<\/strong><br \/>\n<strong>Mauro: <\/strong>De diversas maneiras. Acredito que a melhor forma de desmistificar a tecnologia, \u00e9  desmistificar a ci\u00eancia por tr\u00e1s dela. A exclus\u00e3o digital que observamos hoje \u00e9 resultado da exclus\u00e3o cient\u00edfica que vimos observando h\u00e1 muito tempo. Hoje tudo de importante que acontece aparece na televis\u00e3o, no computador, no celular. Mas quando eu entro na sala de aula e pergunto quem foi Maxwell, o f\u00edsico escoc\u00eas que descobriu que campos el\u00e9tricos variando rapidamente deveriam gerar ondas eletromagn\u00e9ticas que se propagariam no espa\u00e7o, o que \u00e9 a base da tecnologia de todos esses aparelhos, todo mundo acha que ele \u00e9 s\u00f3 o nome de uma marca de CDs. As equa\u00e7\u00f5es de Maxwell s\u00e3o realmente dif\u00edceis, mas ningu\u00e9m precisa aprender elas pra saber o que elas explicam. \u00c9 verdade tamb\u00e9m que ningu\u00e9m precisam saber o que elas explicam para poderem usar um celular, mas se soubessem, saberiam que um v\u00eddeo na internet que coloca um ovo sendo cozido entre dois celulares que se comunicam s\u00f3 pode ser uma montagem. Para mim, sem inclus\u00e3o cient\u00edfica, n\u00e3o h\u00e1 inclus\u00e3o digital. E os blogs de ci\u00eancia ajudam na inclus\u00e3o cient\u00edfica.<br \/>\nMas tamb\u00e9m h\u00e1 o oposto: n\u00e3o h\u00e1 como fazer inclus\u00e3o cient\u00edfica hoje sem inclus\u00e3o digital. Vivemos em um mundo saturado de informa\u00e7\u00e3o (em boa parte produzida pela ci\u00eancia) e precisamos muito da tecnologia para acessar essa informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Algu\u00e9m que quisesse se informar sobre ci\u00eancia h\u00e1 50 anos, ia a uma biblioteca, hoje tem que ir a internet. Se ela n\u00e3o sabe usar o computador&#8230; Isso tamb\u00e9m prejudica os futuros cientistas. Hoje, as metodologias da ci\u00eancia s\u00e3o todas de alta tecnologia. Antigamente os estudantes precisavam aprender a misturar l\u00edquidos em frascos, usar uma balan\u00e7a, uma pipeta. Hoje tem de operar espectr\u00f4metros de massas, cit\u00f4metros de fluxo, microsc\u00f3pios confocais e outros aparelhos, todos digitais, que s\u00e3o delicados e complexos. Tudo passa pelo computador.<br \/>\n<strong>Sonia: Voc\u00ea conhece a ferramenta &#8220;Google Wave&#8221; em teste? Poderia falar um pouco sobre isso?<br \/>\nMauro: <\/strong>Essa me parece uma nova ferramenta para uma velha id\u00e9ia: colocar os cientistas para colaborar online. Antes mesmo da WEB 2.0 j\u00e1 existiam programas capazes de fazer isso. O pr\u00f3prio PUBLIQUE!, software nacional utilizado para gerenciar o conte\u00fado WEB de dezenas de empresas publicas e privadas, ficou famoso mais de 10 anos atr\u00e1s justamente por ser colaborativo. \u00c9 maravilhoso que um documento possa ser editado por diferentes autores e que o conte\u00fado n\u00e3o seja limitado ao texto. Imagina clicar no nome de uma prote\u00edna (e eu trabalho com uma que se chama metalotione\u00edna) e ver n\u00e3o s\u00f3 a foto ao lado da sua estrutura molecular, mas tamb\u00e9m abrir uma janela para movimentar a sua estrutura em 3D? Mas eu vejo dois problemas: o primeiro, como diz a pr\u00f3pria entrevista, \u00e9 a dificuldade para usar essas ferramentas. O segundo, \u00e9 que os cientistas realmente n\u00e3o est\u00e3o pedindo por elas. Eles ainda n\u00e3o sentem a necessidade disso. Entre em um departamento de uma universidade e tente explicar a um professor s\u00eanior, que at\u00e9 5 anos atr\u00e1s mal usava e-mail, que ele agora tem que escrever os artigos dele online de forma colaborativa. Voc\u00ea vai ouvir todo o tipo de resist\u00eancias. Mas ai \u00e9 que entram os alunos. Eles est\u00e3o gerando a demanda. Minhas alunas no laborat\u00f3rio mandam &#8216;presentes virtuais&#8217; umas para as outras, da loja de &#8216;presentes para bi\u00f3logos moleculares&#8217; do facebook. Eles usam as comunidades virtuais e est\u00e3o dominando as ferramentas de colabora\u00e7\u00e3o. Os professores e pesquisadores v\u00e3o ter de acompanhar.<br \/>\n<strong>Sonia: Gostaria que voc\u00ea comentasse tamb\u00e9m como o software livre e as ferramentas colaborativas funcionam na produ\u00e7\u00e3o ou extens\u00e3o no campo da ci\u00eancia.<br \/>\nMauro: <\/strong>Acredito que o conhecimento cient\u00edfico deve ser p\u00fablico e gratuito. Para isso o cientista passa pro 3 etapas: a produ\u00e7\u00e3o do conhecimento, a sua verifica\u00e7\u00e3o e a divulga\u00e7\u00e3o. O software livre tem participa de todas elas.<br \/>\nPara gerar conhecimento, a an\u00e1lises de muitos dados cient\u00edficos s\u00e3o poss\u00edveis apenas atrav\u00e9s de programas de computador, por softwares muito espec\u00edficos e utilizados por poucas pessoas. Esses programas geralmente foram subsidiados (direta ou indiretamente) e por isso s\u00e3o livres e de c\u00f3digo aberto.<br \/>\nO principal mecanismo de corre\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia \u00e9 a discuss\u00e3o, a avalia\u00e7\u00e3o pelos pares. Essa verifica\u00e7\u00e3o \u00e9 feita principalmente no momento da publica\u00e7\u00e3o dos dados e por isso ambos se misturam. Ainda hoje o sistema de comunica\u00e7\u00e3o de dados cient\u00edficos formal ainda s\u00e3o as revistas impressas. A discuss\u00e3o funciona, mas \u00e9 muito, muito lenta. Os autores escrevem artigos, enviam para os editores, esses enviam para revisores, esses enviam de volta para o editor, que retorna para o autor. Quando publica, um leitor precisa escrever uma carta ao editor para poder fazer um coment\u00e1rio. D\u00e1 pra acreditar? Mas isso est\u00e1 mudando. Na revista cient\u00edfica especializada PLoS One o leitor pode dar nota e fazer coment\u00e1rios online em um artigo cient\u00edfico. No Brasil, a revista eletr\u00f4nica Bioletim (www.bioletim.org), publica os estudantes de biologia em fase de revis\u00e3o em um blog, para que possam ser revisados pelos colegas antes mesmo da publica\u00e7\u00e3o. O Bioletim \u00e9 na verdade um portal de servi\u00e7os pra comunidade acad\u00eamica com muitas outras ferramentas colaborativas e foi todo constru\u00eddo com o software de c\u00f3digo aberto DRUPAL (drupal.org). Ele \u00e9 gratuito, modular, extremamente flex\u00edvel e possui uma comunidade de desenvolvedores enorme, que produzem m\u00f3dulos para praticamente qualquer facilidade que voc\u00ea queira introduzir no seu portal. Hoje um cientista tem a sua disposi\u00e7\u00e3o um grande arsenal de software livre para realizar qualquer uma das suas atividades e isso tem favorecido a divulga\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e a inclus\u00e3o cient\u00edfica.<br \/>\n<strong><br \/>\nSonia: Gostaria que voc\u00ea sugerisse alguns links, se poss\u00edvel com uma linha de identifica\u00e7\u00e3o de cada um.<br \/>\nMauro: <\/strong>A melhor dica para conhecer um blog de ci\u00eancia \u00e9 visitar o Roda de Ci\u00eancia (http:\/\/rodadeciencia.blogspot.com) onde diversos blogueiros publicam sobre um tema diferente a cada m\u00eas. Cada um tem o seu blog e publica nele o texto sobre o tema do m\u00eas, e direciona os coment\u00e1rios para a roda. O Blogs de Ci\u00eancia (http:\/\/divulgarciencia.com) \u00e9 um site portugu\u00eas que repete os artigos publicados em v\u00e1rios blogs de ci\u00eancia em l\u00edngua portuguesa cadastrados. Pra quem l\u00ea ingl\u00eas uma boa dia \u00e9 o Science Blogs (http:\/\/scienceblogs.com). E \u00e9 claro, o Science Blogs Brasil, onde est\u00e1 o meu blog &#8216;Voc\u00ea que \u00e9 bi\u00f3logo&#8230;&#8217;  (http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb) na ilustre companhia de v\u00e1rios colegas blogueiros da maior qualidade.\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vers\u00e3o completa da entrevista a Sonia Rodrigues no Blog Inclus\u00e3o Digital de O Globo. Queria come\u00e7ar agradecendo \u00e0 Sonia o convite para a entrevista. 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