{"id":41,"date":"2002-06-17T01:07:00","date_gmt":"2002-06-17T04:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2002\/06\/qual-a-idade-da-vida-da-serie-minha-mae-a-chita-ou-o-que-e-a-selecao-natural\/"},"modified":"2002-06-17T01:07:00","modified_gmt":"2002-06-17T04:07:00","slug":"qual-a-idade-da-vida-da-serie-minha-mae-a-chita-ou-o-que-e-a-selecao-natural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2002\/06\/17\/qual-a-idade-da-vida-da-serie-minha-mae-a-chita-ou-o-que-e-a-selecao-natural\/","title":{"rendered":"Qual a idade da vida? (Da s\u00e9rie: Minha m\u00e3e, a Chita, ou o que \u00e9 a Sele\u00e7\u00e3o Natural?)"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8220;O homem se desenvolveu de um \u00f3vulo com um di\u00e2metro de aproximadamente 1\/125 polegadas, que em nenhum aspecto difere dos \u00f3vulos de outros animais [&#8230;] O pr\u00f3prio embri\u00e3o, em um per\u00edodo muito inicial, n\u00e3o pode ser distinguido do de outros membros do reino dos vertebrados [&#8230;] As fendas na lateral do pesco\u00e7o permanecem [&#8230;] e os ossos do c\u00f3ccix projeta-se como uma verdadeira cauda, que estende-se consideravelmente alem das pernas rudimentares [&#8230;] Descobrimos que o homem descende de um quadr\u00fapede peludo, dotado de cauda e orelhas pontudas &#8230;&#8221; (Charles Darwin em A ancestralidade humana)<br \/><\/em><br \/>At\u00e9 Darwin, o homem era algo especial. Basicamente diferente dos outros animais. O mundo e o universo tinham sido criados por Deus para o Homem e por nenhuma outra raz\u00e3o. Em a origem das esp\u00e9cies, Darwin falava pouco sobre o ser humano. Foi apenas 12 anos depois, com sua teoria bastante reconhecida, que ele tomou coragem para publicar &#8220;A ancestralidade humana&#8221;, um calhama\u00e7o de mais de 1000 paginas tentando explicar com todas as suas for\u00e7as de onde viemos. Como na \u00e9poca de Darwin n\u00e3o existiam f\u00f3sseis, foram \u00e0s observa\u00e7\u00f5es do desenvolvimento de embri\u00f5es que forneceram as principais provas da descend\u00eancia humana.<\/p>\n<p>Mas Darwin n\u00e3o conseguiu explicar como os caracteres heredit\u00e1rios eram transmitidos de pais para filhos e, conseq\u00fcentemente, como as pequenas mudan\u00e7as que acarretavam na transforma\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie em outra eram adquiridas. Foi na cidade de Brno, na atual Rep\u00fablica Checa, que os (hoje cl\u00e1ssicos) experimentos com ervilhas que explicam a transmiss\u00e3o dos caracteres gen\u00e9ticos foram realizados pelo monge Gregor Mendel.<\/p>\n<p>Mendel n\u00e3o se interessava por gen\u00e9tica. Na verdade a gen\u00e9tica n\u00e3o existia. Filho de camponeses pobres, ele se interessou por agricultura desde pequeno. Depois de se ordenar padre e estudar hist\u00f3ria natural, matem\u00e1tica e estat\u00edstica. Ele cruzou milhares de p\u00e9s de ervilhas para estudar as propor\u00e7\u00f5es num\u00e9ricas resultantes entre cruzamentos de uma classe e outra. Seu interesse era, por exemplo, se cruzando plantas altas e baixas o resultado seriam plantas altas, baixas ou m\u00e9dias. Depois de analisar milhares de ervilhas ele descobriu que algum tipo de part\u00edcula, que existiam aos pares nos seres vivos, era respons\u00e1vel pelos caracteres observados nos organismos. A altura, a cor da pele dos olhos e dos cabelos, o sexo etc. Hoje sabemos que essas &#8220;part\u00edculas&#8221; s\u00e3o os genes.<\/p>\n<p>Apesar das 5 regras que Mendel descreveu, e que valem at\u00e9 hoje, para todos os seres vivos, seu trabalho foi tido primeiramente como estat\u00edstico e apenas no come\u00e7o do s\u00e9c XX foi redescoberto por Hugo De Vries (que descobriu as muta\u00e7\u00f5es) e teve sua imensa import\u00e2ncia reconhecida.<br \/>A partir da\u00ed, foram necess\u00e1rios apenas mais 50 anos para a descoberta de estrutura em dupla h\u00e9lice do DNA e outros 50 para a clonagem da ovelha Dolly.<\/p>\n<p>A 4 bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s, na era pr\u00e9 cambriana, da famosa sopa primordial, emerge a vida, na forma de uma c\u00e9lula bacteriana. Durante os 3 bilh\u00f5es de anos seguintes as bact\u00e9rias colonizam a terra e apenas h\u00e1 600 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s a 1a forma de vida multicelular apareceu.<\/p>\n<p>Durante a era Paleoz\u00f3ica a vida explode. H\u00e1 545 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s a vida aqu\u00e1tica se diversifica; a 425 milh\u00f5es de anos aparecem os moluscos com conchas e a 395 milh\u00f5es de anos os animais terrestres. H\u00e1 280 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s aparecem os r\u00e9pteis. Depois de um devastador evento de extin\u00e7\u00e3o a 250 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, os r\u00e9pteis evoluem e dominam a terra, at\u00e9 65 milh\u00f5es de anos quando se extinguem (muito provavelmente devido ao tal meteoro que todo mundo j\u00e1 ouviu falar).<\/p>\n<p>O clima da terra muda e se resfria um pouco e as florestas pluviais d\u00e3o lugar a prados e bosques. Os mam\u00edferos se diversificam e 4 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s aparecem os primeiros membros da fam\u00edlia humana dos primatas. A cerca de apenas 50 mil anos apareceu o primeiro Homo sapiens.<\/p>\n<p>\u00c9 pouqu\u00edssimo intuitivo pensar em termos de bilh\u00f5es e milh\u00f5es, ou mesmo milhares de anos. S\u00e3o certamente escalas de tempo que escapam a nossa percep\u00e7\u00e3o e dificultam a nossa compreens\u00e3o. Mesmo assim, o ser humano \u00e9 uma esp\u00e9cie muito nova, com uma grande capacidade de modificar o ambiente para promover sua adapta\u00e7\u00e3o, mas que ainda tr\u00e1s consigo marcas fortes de sua origem menos evolu\u00edda e que provavelmente ainda sofrera grandes transforma\u00e7\u00f5es em sua estrutura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O homem se desenvolveu de um \u00f3vulo com um di\u00e2metro de aproximadamente 1\/125 polegadas, que em nenhum aspecto difere dos \u00f3vulos de outros animais [&#8230;] O pr\u00f3prio embri\u00e3o, em um per\u00edodo muito inicial, n\u00e3o pode ser distinguido do de outros membros do reino dos vertebrados [&#8230;] As fendas na lateral do pesco\u00e7o permanecem [&#8230;] e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":553,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[687,850,899,1262],"class_list":["post-41","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livro","tag-humano","tag-mendel","tag-mutacao","tag-tempo-geologico"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/553"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}