{"id":427,"date":"2010-01-16T13:28:41","date_gmt":"2010-01-16T16:28:41","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2010\/01\/vai_que_da\/"},"modified":"2010-01-16T13:28:41","modified_gmt":"2010-01-16T16:28:41","slug":"vai_que_da","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2010\/01\/16\/vai_que_da\/","title":{"rendered":"Vai que d\u00e1&#8230;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"porta_armario_171096_9668.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/porta_armario_171096_96681.jpg\" width=\"500\" height=\"333\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" \/><br \/>\nMinha irm\u00e3 precisava de um arm\u00e1rio pro seu quarto e comprou um nas &#8216;Casas Bahia&#8217;. Como mora em uma casa de dois andares, com uma escada em espiral para o quarto, foi enf\u00e1tica com a vendedora: <em>&#8220;Por favor, mande o arm\u00e1rio desmontado, sen\u00e3o ser\u00e1 imposs\u00edvel passar pela escada.&#8221;<\/em> No dia seguinte, pela manh\u00e3, chega o caminh\u00e3o na casa dela levando o arm\u00e1rio&#8230; montado. O caminh\u00e3o voltou com o arm\u00e1rio, que n\u00e3o passou pela escada espiral. Ela voltou a loja, procurou a vendedora, argumentou que foi enf\u00e1tica quanto a necessidade de mandar o arm\u00e1rio desmontado, ao que a vendedora respondeu:<br \/>\n<em>&#8220;\u00c9 que quando eu cheguei de manh\u00e3, os rapazes j\u00e1 haviam montado o seu arm\u00e1rio. Ai eu pensei: &#8216;vai que d\u00e1?!&#8217; e falei pra eles entregarem&#8221;.<\/em><br \/>\nTodos temos de tomar decis\u00f5es todos os dias, claro, mas porque alguns de n\u00f3s insistimos em tomar decis\u00f5es que v\u00e3o contra todas as possibilidades de sucesso?<br \/>\nJ\u00e1 escrevi <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2006\/07\/incoerente-eu.php\">aqui<\/a> sobre coer\u00eancia e propens\u00e3o ao risco, que s\u00e3o elementos fundamentais para explicar a din\u00e2mica da tomada de decis\u00e3o, mas hoje eu queria falar sobre &#8216;avaliar&#8217; a incerteza. Acho que isso est\u00e1 na ra\u00edz desse &#8216;mal&#8217;. E tem a ver com um tema recorrente nesses tempos de internet e satura\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o: a qualidade da informa\u00e7\u00e3o que temos.<br \/>\nVeja, antigamente (e estou falando de 1993, a era pr\u00e9 internet), havia, realmente, pouca informa\u00e7\u00e3o. E essa informa\u00e7\u00e3o nem sempre era dispon\u00edvel, j\u00e1 que o esfor\u00e7o para chegar a ela era quase sempre infrut\u00edfero ou simplesmente n\u00e3o valia a pena.<br \/>\nAtualmente, a quantidade de informa\u00e7\u00e3o produzida em um ano, supera a quantidade de informa\u00e7\u00e3o produzida por toda a humanidade nos \u00faltimos 40.000 anos. Claro que nem toda essa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, ou \u00fatil, mas com os meios digitais, toda ela est\u00e1 ao alcance dos nossos teclados e monitores. O que nos traz um novo problema: como separar a informa\u00e7\u00e3o que \u00e9 boa, daquela que n\u00e3o \u00e9 boa.<br \/>\nDeixa eu dar um exemplo. Eu posso querer saber se um aluno que chega na sala de aula feliz, aprende mais do que aquele que chega na aula infeliz. Como vou avaliar se meus alunos s\u00e3o\/est\u00e3o felizes? A melhor forma seria perguntar a eles. Ent\u00e3o coloco uma folha de papel na mesa de cada um, com uma pergunta simples de m\u00faltipla escolha: Voc\u00ea est\u00e1 feliz? Marque uma op\u00e7\u00e3o de 1 a 5 com 1 sendo &#8216;muito infeliz&#8217; e 5 sendo &#8216;muito feliz&#8217;. Analiso rapidamente os resultados e decido se a minha aula pode &#8216;pegar mais pesado &#8216; ou tem que pegar mais leve. Certo? Errado!<br \/>\nQual a qualidade, a credibilidade, da resposta das pessoas a pergunta &#8216;voc\u00ea est\u00e1 feliz&#8217;? Mesmo n\u00e3o tendo forma\u00e7\u00e3o em psicologia, posso imaginar umas 100 raz\u00f5es para que uma pessoa responda essa pergunta com vi\u00e9s para o &#8216;muito infeliz&#8217; ou para o &#8216;muito feliz&#8217; e que n\u00e3o tenham nada a ver com o real estado de esp\u00edrito dela.<br \/>\nSe voc\u00ea opta por utilizar a informa\u00e7\u00e3o fornecida por esse question\u00e1rio, n\u00e3o importa o qu\u00e3o bom seja o seu m\u00e9todo de tomada de decis\u00e3o (como por exemplo o m\u00e9todo estat\u00edstico Bayesiano): sua decis\u00e3o n\u00e3o ter\u00e1 sido melhor do que um chute.<br \/>\nEnt\u00e3o como saber se uma informa\u00e7\u00e3o \u00e9 boa? Na falta de um mecanismo de verifica\u00e7\u00e3o, temos que confiar no nosso crit\u00e9rio.<br \/>\nPara ter certeza, a vendedora das &#8216;Casas Bahia&#8217; poderia ter ido at\u00e9 a casa da minha irm\u00e3 com uma trena, tomado as medidas da escada e da porta, e confrontado com as medidas do arm\u00e1rio: montado e desmontado. Assim, tomaria uma decis\u00e3o sem nenhuma d\u00favida. Em n\u00e3o tendo essa confirma\u00e7\u00e3o, ela tem de confiar na palavra da minha irm\u00e3, que conhece a pr\u00f3pria casa melhor do que a ela (vendedora), contando que, ao contr\u00e1rio dos meus alunos na sala de aula, minha irm\u00e3 n\u00e3o tenha nenhum motivo psicol\u00f3gico (conhecido \ud83d\ude09 para fornecer uma informa\u00e7\u00e3o duvidosa.<br \/>\nMas ainda assim, ela toma a decis\u00e3o contr\u00e1ria a l\u00f3gica e a raz\u00e3o. Porque?<br \/>\nOk, primeiro escrevi uma longa resposta para essa pergunta (que vai virar o pr\u00f3ximo texto), falando sobre crit\u00e9rio (e a falta dele) mas depois pensei bem, apliquei a &#8216;navalha de Occam&#8217; nas minhas id\u00e9ias, e cheguei a conclus\u00e3o mais simples (que mostrou que na verdade o meu exemplo inicial da vendedora foi ruim, mas agora vou responder do mesmo jeito).<br \/>\nA vendedora foi contra a l\u00f3gica por pregui\u00e7a! N\u00e3o tem nada a ver com falta de instrumentos estat\u00edsticos ou crit\u00e9rios. Foi pregui\u00e7a e falta de responsabilidade. N\u00e3o foi ela quem montou o arm\u00e1rio \u00e0-toa, n\u00e3o era ela quem pilotaria o caminh\u00e3o ou descarregaria o arm\u00e1rio \u00e0-toa, nem era ela que ficaria mais um dia sem arm\u00e1rio. A sua responsabilidade era de mandar o arm\u00e1rio naquele dia (ainda que montado, o que acrescenta falta de \u00e9tica as suas qualidades).<br \/>\nA conclus\u00e3o \u00e9 que a pregui\u00e7a n\u00e3o \u00e9 um bom crit\u00e9rio de decis\u00e3o.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minha irm\u00e3 precisava de um arm\u00e1rio pro seu quarto e comprou um nas &#8216;Casas Bahia&#8217;. 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