{"id":429,"date":"2010-01-16T16:52:11","date_gmt":"2010-01-16T19:52:11","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2010\/01\/tsn_totalmente_sem_nocao\/"},"modified":"2010-01-16T16:52:11","modified_gmt":"2010-01-16T19:52:11","slug":"tsn_totalmente_sem_nocao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2010\/01\/16\/tsn_totalmente_sem_nocao\/","title":{"rendered":"T.S.N. Totalmente Sem No\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"teacup_1214621_59423895.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/teacup_1214621_594238951.jpg\" width=\"500\" height=\"375\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" \/><br \/>\n<em>&#8220;Ele \u00e9 m\u00f3 TSN!&#8221; <\/em><br \/>\nAssim nos refer\u00edamos durante a faculdade aquelas pessoas que, mas do que n\u00f3s (j\u00e1 que todos somos um pouco, ou eventualmente muito, TSN), tinham enorme falta de crit\u00e9rio.<br \/>\n\u00c9 verdade que o problema as vezes n\u00e3o \u00e9 a falta de crit\u00e9rio para avaliar uma informa\u00e7\u00e3o, mas a falta de ferramentas para aplicar esse crit\u00e9rio, mas isso \u00e9 uma hist\u00f3ria para outro dia. Vou me ater agora a discuss\u00e3o da falta de crit\u00e9rio mesmo.<br \/>\nO problema come\u00e7a quando tentamos definir crit\u00e9rio. Quando penso nele, me lembro da m\u00e1xima que uma vez ouvi sobre o &#8216;bom senso&#8217;:<br \/>\n<em>&#8220;Bom senso \u00e9 a \u00fanica coisa que todo mundo acha que j\u00e1 tem o suficiente e que n\u00e3o precisa de mais&#8221;.<\/em><br \/>\nSeria um mundo melhor se fosse verdade, n\u00e3o \u00e9 mesmo?!<br \/>\nNo livro &#8220;<a href=\"http:\/\/www.submarino.com.br\/produto\/1\/1959528\/cinco+mentes+para+o+futuro\/?franq=284021\">Cinco mentes para o futuro<\/a>&#8221; de <em>Howard Gardner<\/em>, (presente da Soninha que eu terminei de ler no ano passado), ele sugere que precisamos de 5 &#8216;mentes&#8217; para podermos viver bem no mundo contempor\u00e2neo:<br \/>\n<em>&#8220;Com (&#8230;) elas, uma pessoa estar\u00e1 bem equipada para lidar com aquilo que se espera, bem como com o que n\u00e3o se pode prever. Sem elas, estar\u00e1 \u00e0 merc\u00ea de for\u00e7as que n\u00e3o consegue entender, muito menos controlar.&#8221; <\/em><br \/>\nNa descri\u00e7\u00e3o da primeira mente, a disciplinada, ele apresenta um mecanismo, ou uma atitude, que \u00e9 aquela atrav\u00e9s da qual eu acredito que consigamos adquirir &#8216;crit\u00e9rio&#8217;:<br \/>\n<em>&#8220;A mente disciplinada \u00e9 aquela que dominou pelo menos uma forma de pensar &#8211; um modo distintivo de cogni\u00e7\u00e3o que caracteriza uma determinada disciplina acad\u00eamica, um of\u00edcio ou uma prodiss\u00e3o. Muitas pesquisas confirmam que leva at\u00e9 10 anos para se dominar uma disciplina. A mente disciplinada tamb\u00e9m sabe como trabalhar de forma permanente, ao longo do tempo, para melhorar a habilidade e o conhecimento (&#8230;). Sem pelo menos uma disciplina em sua bagagem, um indiv\u00edduo estar\u00e1 fadado a dan\u00e7ar conforme a m\u00fasica dos outros&#8221;<\/em><br \/>\nE sem ela, n\u00e3o ter\u00e1 chance de alcan\u00e7ar duas das outras &#8216;mentes&#8217; importantes: a sintetizadora e a criativa (justamente porque lhe faltar\u00e1&#8230; crit\u00e9rio).<br \/>\nVejamos um exemplo* da falta que o crit\u00e9rio faz. Voc\u00ea sentou no buteco com os seus amigos que come\u00e7aram a contar hist\u00f3rias.<br \/>\n1 &#8211; Milton conta impressionado que um amigo de um amigo seu, especialista em hist\u00f3ria da m\u00fasica, afirma que pode identificar se uma p\u00e1gina de partitura \u00e9 da autoria de <em>Haydn<\/em> ou <em>Mozart<\/em>. E que quando \u00e9 submetido a um teste, em 10 tentativas, ele acerta todas.<br \/>\n2 &#8211; Barbosa conta que quando morou na Inglaterra, ouviu o zelador falar da <em>Mrs. Surewater<\/em>, que s\u00f3 tomava ch\u00e1 com leite, e que afirmava que podia identificar numa x\u00edcara que lhe fosse servida, se o leite ou o ch\u00e1 foram despejados primeiro. E que quando foi submetida ao teste, em 10 tentativas, ela acertou todas.<br \/>\n3 &#8211; Por fim Fernandinho contou que o seu amigo Richard, b\u00eabado em fim de festa, afirmava ter a capacidade para predizer o resultado do lan\u00e7amento de uma moeda honesta. E que quando foi submetido ao teste, em 10 tentativas, ele acertou todas.<br \/>\nEm qual dessas hist\u00f3rias voc\u00ea acredita? E em qual delas pode acreditar?<br \/>\nA explica\u00e7\u00e3o necessitaria de um outro post (ou de uma s\u00e9rie de posts). Mas vou tentar resumir a duas respostas.<br \/>\nA estat\u00edstica cl\u00e1ssica diz que voc\u00ea pode confiar em todas, que n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para duvidar de nenhuma das 3. Porque ela \u00e9 o que chamamos de &#8216;frequentista&#8217; e trata esses eventos como &#8216;estat\u00edsticos&#8217;, ou, melhor ainda, &#8216;repetitivos&#8217;. Assim, basta confrontar os resultados com a hip\u00f3tese de que eles acertaram por pura sorte (<em>h0<\/em>: p=0,5) e verificar que, com base nesses resultados, eles s\u00e3o capazes de fazer o que dizem (e assim rejeitamos <em>h0<\/em>). Mas voc\u00ea fica tranquilo com essa conclus\u00e3o? Voc\u00ea apostaria dinheiro que seu amigo acertar\u00e1 na pr\u00f3xima moeda lan\u00e7ada? Ou que poder\u00e1 enganar <em>Mrs. Surewater<\/em> na proxima xicar\u00e1 de ch\u00e1 que lhe oferecer?<br \/>\nMinha experi\u00eancia pr\u00e9via, que construiu o meu crit\u00e9rio, me diz para apostar apenas na habilidade do amigo do Milton, especialista em hist\u00f3ria da m\u00fasica, em identificar corretamente a pr\u00f3xima partitura. Ainda que eu n\u00e3o saiba hist\u00f3ria da m\u00fasica a ponto avaliar se ele \u00e9 realmente um bom especialista, capaz de acertar sempre, minha experi\u00eancia com a minha disciplina, me diz que se voc\u00ea estudar bastante um assunto, \u00e9 capaz de acertar (quase) sempre. Os meus parcos conhecimentos de teoria do Caos e mec\u00e2nica de fluidos me dizem que \u00e9 imposs\u00edvel que Mrs. Surewater saiba o que est\u00e1 fazendo, assim como os conhecimentos de estat\u00edstica que o cotidiano nos d\u00e1 j\u00e1 s\u00e3o suficientes para saber que o Richard n\u00e3o tem a capacidade de adivinhar a moeda, n\u00e3o importa o que diga o resultado do <em>teste t<\/em>.<br \/>\nO dilema aqui est\u00e1 relacionado com a diferen\u00e7a entre l\u00f3gica indutiva e l\u00f3gica dedutiva. N\u00e3o podemos propor essa quest\u00e3o a estat\u00edstica cl\u00e1ssica, por isso a resposta dela n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida. Como s\u00e3o problemas de l\u00f3gica indutiva, como os s\u00e3o as hip\u00f3teses cient\u00edficas e a maioria das nossas situa\u00e7\u00f5es do cotidiano, n\u00e3o h\u00e1 como a conclus\u00e3o ser obrigatoriamente verdadeira a partir das premissas, ainda que, verdadeiras. E isso j\u00e1 \u00e9 problema demais para resolver. N\u00e3o avaliar corretamente nossas premissas, as informa\u00e7\u00f5es para chegar a uma decis\u00e3o, \u00e9 desperdi\u00e7ar todo esse esfor\u00e7o.<br \/>\nAlgumas decis\u00f5es s\u00e3o simples: &#8216;sim&#8217; ou &#8216;n\u00e3o&#8217;, (o que n\u00e3o quer dizer que elas sejam f\u00e1ceis, dados o alcance e a magnitude das consequencias) e voc\u00ea n\u00e3o precisa de mecanismos sofisticados de decis\u00e3o. Por isso (e mesmo quando as op\u00e7\u00f5es de escolha s\u00e3o mais complexas), vale muito mais a pena investir em informa\u00e7\u00e3o para eliminar incertezas.<br \/>\nNo <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2010\/01\/vai_que_da.php\">texto anterior<\/a> eu falei do mundo saturado de informa\u00e7\u00e3o em que vivemos, e que a Internet facilita o acesso a ela, mas n\u00e3o nos ajuda a seleciona-la. Isso significa que sem voc\u00ea na interface, o <em>Google<\/em> tem muito pouca utilidade.<br \/>\n<strong>O Google n\u00e3o \u00e9 uma refer\u00eancia! \u00c9 preciso investir em voc\u00ea, e no seu crit\u00e9rio.<\/strong><br \/>\nS\u00f3 que agora voc\u00ea est\u00e1 pensando: <em>&#8220;Que saco!&#8221;<\/em>, ou <em>&#8220;Socorro!&#8221;<\/em> ou simplesmente que tudo isso d\u00e1 muito trabalho. E d\u00e1 mesmo. Ainda conseguimos sobreviver sem ter de aplicar m\u00e9todos estat\u00edsticos para as decis\u00f5es do nosso dia-a-dia. Mas cada vez mais precisaremos avaliar informa\u00e7\u00e3o para tomar decis\u00f5es importantes. Aquelas que afetam a n\u00f3s e as pessoas a nossa volta.<br \/>\nPor isso, exercite sempre o seu crit\u00e9rio. Ou voc\u00ea pode virar o pr\u00f3ximo TSN.<br \/>\n*Adaptado do exemplo no livro de &#8220;Introdu\u00e7\u00e3o a estat\u00edstica Bayesiana&#8221; do professor Paul Kinas (FURG).<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Ele \u00e9 m\u00f3 TSN!&#8221; Assim nos refer\u00edamos durante a faculdade aquelas pessoas que, mas do que n\u00f3s (j\u00e1 que todos somos um pouco, ou eventualmente muito, TSN), tinham enorme falta de crit\u00e9rio. \u00c9 verdade que o problema as vezes n\u00e3o \u00e9 a falta de crit\u00e9rio para avaliar uma informa\u00e7\u00e3o, mas a falta de ferramentas para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":553,"featured_media":430,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[150,343,366,505,801,1106],"class_list":["post-429","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","tag-bayesiana","tag-criterio","tag-decisao","tag-estatistica","tag-logica","tag-razao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/429","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/553"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=429"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/429\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/media\/430"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=429"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=429"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=429"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}