{"id":449,"date":"2010-02-12T09:09:32","date_gmt":"2010-02-12T12:09:32","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2010\/02\/use_camisinha\/"},"modified":"2010-02-12T09:09:32","modified_gmt":"2010-02-12T12:09:32","slug":"use_camisinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2010\/02\/12\/use_camisinha\/","title":{"rendered":"Use camisinha!"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"camisinha_418147_3262.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/camisinha_418147_32621.jpg\" width=\"500\" height=\"375\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">Ao som da Timbalada, o VQEB entra em recesso de carnaval fazendo coro para a anual campanha do sexo seguro contando um pouco da hist\u00f3ria do acess\u00f3rio mais importante da folia. Afinal, como diz o ditado popular, <em>&#8216;o que n\u00e3o mata, engorda&#8217;!<\/em><br \/>\nEssas hist\u00f3rias est\u00e3o no cap\u00edtulo &#8220;o sexo e seus inconvenientes&#8221; do livro &#8220;A assustadora hist\u00f3ria da medicina&#8221;, que eu comentei no post anterior.<br \/>\nNo texto, <em>Richard Gordon<\/em> fala que a diverg\u00eancia entre o entusiasmo do ser humano pelo prazer do sexo e a id\u00e9ia da reprodu\u00e7\u00e3o humana sempre provocou um &#8216;debate acalorado&#8217;, j\u00e1 que o mundo todo ama o amor, mas ele pode ter inconveni\u00eancias desagrad\u00e1veis: a doen\u00e7a e, as vezes, a gravidez.<br \/>\nO primeiro grande defensor da camisinha foi o ingl\u00eas <em>James Boswell<\/em>, que ao longo da vida teve 19 crises de gonorr\u00e9ia, a primeira aos 22 anos em 1763. Ele usava camisinhas de tripa de carneiro ou cabra, temperadas, perfumadas, com 20 cent\u00edmetros de comprimento, delicadamente fabricadas em moldes de vidro pelas m\u00e3os da propriet\u00e1ria, a senhora <em>Phillips<\/em>, que tinha uma loja em <em>Leicester Square<\/em>. As de melhor qualidade, <em>Baudruches<\/em> (bal\u00f5es) superfinas, eram amarradas na extremidade superior com fitas nas cores da bandeira da Inglaterra.<br \/>\nTinha tamb\u00e9m o &#8220;Duplo superfino&#8221; para os fregueses mais cautelosos, feito com a superposi\u00e7\u00e3o e a colagem de dois <em>cecos<\/em>, a extremidade fechada do intestino grosso do carneiro.<strong> &#8220;Essa tripa ovina profil\u00e1tica foi pela primeira vez anunciada como <em>&#8216;um aparelho para a preven\u00e7\u00e3o dos inconvenientes das aventuras amorosas&#8217;<\/em>, no jornal <em>The Tatler<\/em>, em 12 de maio de 1709.&#8221;<\/strong><br \/>\nMuitos achavam que as camisinhas eram &#8220;Armaduras&#8221; que dim\u00ednuia o prazer com as Lizzies, Nannies, Louisas, Megs&#8230; e alguns preferiam as feitas de linho, que precisavam ser molhadas antes de usar. <em>&#8220;Elas ainda eram mais econ\u00f4micas que as <em>Baudruches<\/em> da senhora Phillips, porque podiam ser lavadas na lavanderia de camisinhas em St. Martin Lane&#8221;<\/em><br \/>\nLavanderia de camisinhas? Meu&#8230; Deus&#8230;<br \/>\nA vulcaniza\u00e7\u00e3o da borracha, em 1843, permitiu um salto de qualidade nas camisinha e na d\u00e9cada de 1920 as eram t\u00e3o resistentes quanto os pneus (guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es), al\u00e9m de n\u00e3o formarem volumes vergonhosos nos bolsos dos cavalheiros.<br \/>\n\u00c9, parece que sempre houve pudor na obtens\u00e3o do utens\u00edlio, porque a hist\u00f3ria diz que elas eram colocadas em lugares invis\u00edveis pelos farmac\u00eauticos, obrigando o consumidor a um ritual de leitura dos r\u00f3tulos de fortificantes, comida para crian\u00e7as e pastilhas para a tosse at\u00e9 a farm\u00e1cia ficar vazia. Mas elas eram distribu\u00eddas mais abertamente \u00e0 alta sociedade pelos os barbeiros: <em>&#8220;E alguma coisa de uso pessoal, senhor?&#8221;<\/em><br \/>\nReza a lenda que as camisinhas receberam seu nome em ingl\u00eas, <em>condom<\/em>, por causa do doutor ou possivelmente coronel Condom, um ingl\u00eas, ou talvez franc\u00eas, mas que tamb\u00e9m pode nunca ter existido. Em latim &#8216;condo&#8217; significa &#8220;inserir, enfiar&#8221;, mas no dicion\u00e1rio de Oxford, &#8216;condoma&#8217; \u00e9 um ant\u00edlope listrado com chifres em espiral: em quem acreditar? Condom tamb\u00e9m \u00e9 uma cidade de 6.781 habitantes na Fran\u00e7a, entre Bordeaux e Toulouse.<br \/>\nA origem do nome &#8216;camisinha&#8217; em portugu\u00eas, eu n\u00e3o sei, mas tenho certeza que algum dos meus bem informados leitores deixar\u00e1 essa valiosa contribui\u00e7\u00e3o nos coment\u00e1rios. Os portugueses eu sei que falam condoms (sem sotaque ingl\u00eas), ainda que na verdade, ningu\u00e9m chame as camisinhas de &#8216;condons&#8217;. Os americanos chamam de borracha (rubber) e os ingleses usam algo parecido com FL, que \u00e9 a sigla em ingl\u00eas de <em>Free Love<\/em> &#8211; Amor Livre.<br \/>\nClaro que com a p\u00edlula e os antibi\u00f3ticos, a camisinha parecia fadada ao esquecimento, e ainda que ela proteja de muitas, muitas outras coisas, foi a AIDS que a trouxe glamurosa de volta a cena.<br \/>\nIndependentemente do nome, hoje as camisinhas s\u00e3o distribu\u00eddas gratuitamente nos postos de sa\u00fade. Tenha uma sempre com voc\u00ea no carnaval. Como diz o outro ditado:<strong> &#8220;\u00c9 melhor ter e n\u00e3o precisar, do que precisar e n\u00e3o ter&#8221;.<\/strong><br \/>\nMas fique alerta, ela n\u00e3o protege de amor transmiss\u00edvel sexualmente.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao som da Timbalada, o VQEB entra em recesso de carnaval fazendo coro para a anual campanha do sexo seguro contando um pouco da hist\u00f3ria do acess\u00f3rio mais importante da folia. Afinal, como diz o ditado popular, &#8216;o que n\u00e3o mata, engorda&#8217;! 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