{"id":459,"date":"2010-06-27T10:50:53","date_gmt":"2010-06-27T13:50:53","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2010\/06\/terminei_de_ler_a_grande_ostra\/"},"modified":"2010-06-27T10:50:53","modified_gmt":"2010-06-27T13:50:53","slug":"terminei_de_ler_a_grande_ostra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2010\/06\/27\/terminei_de_ler_a_grande_ostra\/","title":{"rendered":"Terminei de ler&#8230; A Grande Ostra"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"IMG_0027.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/IMG_00271.jpg\" width=\"375\" height=\"500\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">\nAo final de &#8220;<a href=\"http:\/\/www.submarino.com.br\/produto\/1\/21535869\/grande+ostra,+a\/?franq=284021\">&#8220;A Grande Ostra&#8221;<\/a>&#8221; de Mark Kurlansky hesitei em escrever uma resenha. Quando me encomendaram minha <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2007\/04\/eureka.php\">primeira resenha<\/a> a Sonia me disse: &#8220;se for pra meter o pau no livro, eu n\u00e3o quero. Escreva sobre o que h\u00e1 de bom nele&#8221;.<br \/>\nCertamente h\u00e1 muita coisa legal em &#8220;<a href=\"http:\/\/www.submarino.com.br\/produto\/1\/21535869\/grande+ostra,+a\/?franq=284021\">&#8220;A Grande Ostra&#8221;<\/a>&#8220;, mas a minha d\u00favida era &#8216;pra quem&#8217;?<br \/>\nPra come\u00e7ar, pra quem n\u00e3o percebeu, o t\u00edtulo \u00e9 um trocadilho com o apelido de Nova York, chamada de &#8220;a grande Ma\u00e7a&#8221; (The Big Apple) e \u00e9 um tipo de ode a cidade que nunca dorme (como diria o Sinatra). Um tipo de &#8220;<a href=\"http:\/\/www.submarino.com.br\/produto\/1\/211590\/carnaval+no+fogo\/?franq=284021\">Carnaval no Fogo<\/a>&#8221; do Ruy Castro, de Nova York.<br \/>\nO livro come\u00e7a com uma cita\u00e7\u00e3o bonitinha de <em>Eleanor Clarck<\/em>, autor de <em>&#8216;The Oysters of Locmariaquer&#8217;<\/em> (1959): <em>&#8220;Se voc\u00ea n\u00e3o ama a vida, \u00e9 claro que n\u00e3o pode gostar de ostras&#8221;.<\/em><br \/>\nE conta como o descobridor da cidade, o explorador Ingl\u00eas, Henry Hudson, que empresta nome ao Rio que margeia a cidade, se impressionou com o tamanho e a abund\u00e2ncia das ostras do porto da cidade. &#8220;Ostras do tamanho de um p\u00e9&#8221; diziam os colonizadores. O livro procura contar a hist\u00f3ria da intima rela\u00e7\u00e3o entre Nova York e o mar e o mar atrav\u00e9s das ostras. Uma hist\u00f3ria que n\u00e3o tem um final feliz.<br \/>\n<em>&#8220;Se, ao comer uma ostra provamos o gosto do mar, comer uma de Nova York era provar o gosto de seu porto, o que se tornou cada vez menos atraente. A ostra era o elo de uni\u00e3o entre Nova York e o mar, e isso eventualmente se rompeu. Hoje os nova-iorquinos comem menos ostras, mas ainda assim as comem, ainda que vindas de outros locais, e quando pensam no  mar, imaginam outros lugares&#8221;.<\/em><br \/>\nO autor conta v\u00e1rias hist\u00f3rias de Nova York desde o seu descobrimento. Claro, privilegiando as tabernas, restaurantese e o in\u00edcio da cultura culin\u00e1ria e gastron\u00f4mica. Mas junto com os h\u00e1bitos alimentares, vem os h\u00e1bitos de vida e a despreocupa\u00e7\u00e3o com a limpeza e a higiene mostram o nascimento de uma cidade que s\u00f3 iria se preocupar os danos, depois que eles j\u00e1 estavam feitos.<br \/>\nO livro conta um pouco dos Sambaquis, dep\u00f3sitos arqueol\u00f3gicos de conchas de moluscos enterradas pr\u00f3ximas a costa e que s\u00e3o importantes para estudar os h\u00e1bitos de vida e h\u00e1bitos alimentares das antigas popula\u00e7\u00f5es. E ali aprendi que a preocupa\u00e7\u00e3o do homem com o tamanho \u00e9 mais antigo do que podemos imaginar:<br \/>\n<em>&#8220;\u00c9 fato conhecido que quanto mais fundo os arque\u00f3logos cavam, maiores s\u00e3o as conchas que encontram. As grandes conchas da base da pilha s\u00e3o mais antigas que as menores do topo, o que demonstra que, contrariando a cren\u00e7a popular, antes da chegada dos europeus, os povos da regi\u00e3o j\u00e1 esgotavam os viveiros. As conchas maiores encontradas no fundo, descritas como &#8220;ostras gigantes&#8221;, medem de 20 a 30 cent\u00edmetros. Isso sugere que os relatos holandeses de ostras medindo o mesmo que um p\u00e9 eram apenas ligeiramente exagerados.&#8221;<\/em><br \/>\nEle d\u00e1 uma bela aula da biologia das ostras, com informa\u00e7\u00f5es que eu, estudando esse bicho a mais de 10 anos, ainda n\u00e3o havia lido em nenhum lugar, entre elas, uma receita para &#8216;alimentar&#8217; as ostras, uma coisa que se voc\u00eas j\u00e1 tentaram ter uma em casa, descobriram que n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil.<br \/>\n<em>&#8220;<strong>Para alimentar as ostras<\/strong>: Coloque-as na \u00e1gua, limpe com uma escova feita de galhos de b\u00e9tula at\u00e9 que estejam bem limpas; depois as ponha com o fundo para baixo numa panela, pulverize com farinha ou aveia esal e cubra com \u00e1gua. Fa\u00e7a a mesma coisa todos os dias e elas ir\u00e3o engordar. A \u00e1gua deve ser bem salgada.&#8221;<\/em><br \/>\nAs ostras eram abundantes e baratas e podiam ser vendidas em barraquinhas na rua (muito antes dos &#8216;hot dogs&#8217;), nos grandes mercados ou nos restaurantes chics, como o <em>Domenico&#8217;s<\/em>. A explora\u00e7\u00e3o dos viveiros naturais gerou a cria\u00e7\u00e3o de leis e quando mesmo assim eles come\u00e7aram a esgotar, os nova-iorquinos se tornaram os primeiros e os melhores criadores de ostras do mundo, exportando n\u00e3o s\u00f3 para todos os Estados Unidos, como para a Europa.<br \/>\n<em>&#8220;Para acrescentar ainda mais \u00e0 arrog\u00e2ncia do ser humano, no s\u00e9culo XIX se descobriu que o homem podia fazer ostras melhor do que a natureza. Isso \u00e9 extraordin\u00e1rio. Acria\u00e7\u00e3o de peixes e a domestica\u00e7\u00e3o de animais, na opini\u00e3o de muitos epicuristas, cria produtos inferiores. Isso porque os animas de cria\u00e7\u00e3o, e nisso inclu\u00edmos os peixes, ficam mantidos em vidas sedent\u00e1rias e s\u00e3o alimentados em vez de procurar seus alimentos. Mas n\u00e3o \u00e9 isso o que acontece com a ostra cultivada. Em seu estado natural, a primitiva \u00e9 t\u00e3o ativa quanto uma planta, e a cultivada vive o mesmo tipo de vida, se alimenta dos mesmos nutrientes e no mesmo ritmo que sua antecessora.&#8221;<\/em><br \/>\nMas os barcos a vapor, os corti\u00e7os, o lixo, o esgoto, tudo ia parar no porto de Nova Iorque e a competi\u00e7\u00e3o foi demais para as ostras, que desapareceram.<br \/>\n<em>&#8220;A verdade \u00e9 que milh\u00f5es de pessoas produzem detritos demais para coexistir com milh\u00f5es de ostras. O esgoto em estado bruto continuou a ser jogado no porto, apesar de a esta\u00e7\u00e3o de tratamento de Coney Island ter sido modernizada em 1935. As modernas esta\u00e7\u00f5es de tratamento de lixo como essa e 15 outras constru\u00eddas nos 50 anos seguintes produziram um subproduto chamado &#8220;lama residual&#8221;, um poluente menos t\u00f3xico que o esgoto bruto, mas despejado a apenas 6 quil\u00f4metros do litoral.&#8221;<\/em><br \/>\nFicaram pelo menos as receitas, que s\u00e3o muitas ao longo de todo livro:<br \/>\n<strong>Ostras quentes na meia concha<br \/>\n<em>Abra as ostras como na receita &#8220;Ostras frias na meia concha&#8221;, arrume a concha funda numa assadeira e coloque no forno bem quente ou no fogo alto at\u00e9 que estejam bem quentes. Depois, coloque sobre cada uma colher de ch\u00e1 de manteiga, uma pitada de pimenta-de-caiena e uma ostra crua. Ponha a assadeira no forno um minuto, vire a ostra na manteiga e sirva na concha Imediatamente, quatro ou cinco no prato de cada convidado. Osucesso depende da rapidez com que for preparado. P\u00e3o preto e manteiga, ou bolachas de \u00e1gua e sal, s\u00e3o servidos com as ostras, seja no almo\u00e7o ou jantar.&lt;\/<\/em>strong&gt;<br \/>\nO livro \u00e9 uma curiosidade e a n\u00e3o ser que voc\u00ea seja um amante de ostras e de Nova Iorque eu n\u00e3o consigo imaginar exatamente porque voc\u00ea teria interesse neste livro. Mas eu tive e quem sabe voc\u00ea tamb\u00e9m pode ter.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao final de &#8220;&#8220;A Grande Ostra&#8221;&#8221; de Mark Kurlansky hesitei em escrever uma resenha. Quando me encomendaram minha primeira resenha a Sonia me disse: &#8220;se for pra meter o pau no livro, eu n\u00e3o quero. Escreva sobre o que h\u00e1 de bom nele&#8221;. 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