{"id":469,"date":"2010-07-06T03:13:29","date_gmt":"2010-07-06T06:13:29","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2010\/07\/a_raiva_tem_logica\/"},"modified":"2010-07-06T03:13:29","modified_gmt":"2010-07-06T06:13:29","slug":"a_raiva_tem_logica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2010\/07\/06\/a_raiva_tem_logica\/","title":{"rendered":"A raiva tem l\u00f3gica"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"127744_6416_rage2.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/127744_6416_rage21.jpg\" width=\"500\" height=\"299\" class=\"mt-image-none\" \/><br \/>\n<span style=\"float: left;padding: 5px\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\"><img decoding=\"async\" alt=\"ResearchBlogging.org\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_large_gray.png\" style=\"border:0\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">(Essa \u00e9 uma postagem colada e talvez voc\u00ea queira ler primeiro o <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2010\/07\/a_logica_da_raiva.php\">artigo anterior<\/a>)<br \/>\n<em><br \/>\n&#8220;Os seres humanos diferem da maioria das esp\u00e9cies no n\u00famero, intensidade e dura\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es de colabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3ximas&#8221;<\/em><br \/>\nBiologicamente, a raiva de baseia na habilidade das pessoas de mudarem o peso que d\u00e3o ao bem estar alheio em fun\u00e7\u00e3o de uma rea\u00e7\u00e3o raivosa. Mas claro, essa habilidade n\u00e3o responde apenas a isso, principalmente em uma esp\u00e9cie t\u00e3o social como a nossa. <strong>Reciprocidade<\/strong> e <strong>troca<\/strong> s\u00e3o outros fatores que se somam a <strong>formidabilidade<\/strong> e <strong>conferibilidade<\/strong> e aos que comentamos anteriormente, capazes de influenciar no processo de decis\u00e3o.<br \/>\nSim, mas apesar desse papo todo bonitinho de colabora\u00e7\u00e3o, o que conta, no fim das contas, \u00e9 mesmo o tamanho do bra\u00e7o.<br \/>\nSim, os pesquisadores correlacionaram as respostas do question\u00e1rio (que, n\u00e3o canso de repetir, inclu\u00eda perguntas como: Voc\u00ea encara os outros? Desde os 14 anos voc\u00ea esteve em quantas brigas? A viol\u00eancia resolve problemas pra voc\u00ea?) com o a circunfer\u00eancia do biceps e a carga de peso levantada no supino. O resultado n\u00e3o poderia ser outro: uma correla\u00e7\u00e3o significativa com a propens\u00e3o a raiva e com o hist\u00f3rico de brigas.<br \/>\nN\u00e3o poderia ser outro porque na verdade estamos falando de uma heran\u00e7a ancestral. A for\u00e7a da parte superior do corpo sempre conferiu habilidade a um homem de infligir dor aos seus oponentes. Esse \u00e9, tamb\u00e9m, um dos principais crit\u00e9rios cognitivos para despertar atra\u00e7\u00e3o das mulheres. Logicamente, ent\u00e3o, a for\u00e7a muscular aumenta o &#8216;\u00edndice de formidabilidade&#8217; de um indiv\u00edduo.<br \/>\n<strong>Abre par\u00eanteses. <\/strong>Curiosamente, n\u00e3o havia correla\u00e7\u00e3o com a capacidade de <strong>ruminar<\/strong>. N\u00e3o, n\u00e3o estou chamando os fort\u00f5es da academia de ruminantes. Ruminar \u00e9 o termo, tamb\u00e9m nomeado no Ingl\u00eas, para o tempo que uma pessoa <strong>permanece<\/strong> com raiva. Na verdade, nenhum dos par\u00e2metros avaliados pelo estudo apresentou rela\u00e7\u00e3o com a rumin\u00e2ncia. <strong>Fecha par\u00eanteses. <\/strong><br \/>\nMas se a for\u00e7a na parte superior do corpo de um homem pode servir de argumento para que ele espere que as outras pessoas atendam as seus caprichos (ou sofram as consequ\u00eancias), ser\u00e1 que esse argumento tamb\u00e9m funcionaria para as mulheres? \u00c9 verdade que quando a minha fisioterapeuta me pegava pelo trap\u00e9zio com apenas o polegar e o indicador, a dor era tanta que eu seria capaz de qualquer coisa. Ela nem precisaria dar um<em> pitty<\/em>.<br \/>\nMas para as mulheres o crit\u00e9rio \u00e9 outro: a beleza! Quanto mais atraente uma mulher, maior tamb\u00e9m o seu \u00edndice de formidabilidade e, principalmente, de conferibilidade.<br \/>\nVoc\u00ea acha estranho? N\u00e3o, n\u00e3o acredito. Depois de tudo que eu j\u00e1 falei <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2010\/01\/a_evolucao_da_moda_-_parte_i.php\">aqui<\/a> e <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2010\/01\/a_evolucao_da_moda_-_parte_ii.php\">aqui<\/a>?! Mas se precisar ainda de um argumento, o artigo traz v\u00e1rios: A beleza \u00e9 um importante crit\u00e9rio de juventude e pessoas mais bonitas s\u00e3o mais valorizadas como parceiros sexuais, companheiros, aliados, tem sal\u00e1rios maiores, maiores probabilidades de assumirem posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a, para serem eleitas para cargos p\u00fablicos e, at\u00e9 mesmo, recebem penas menores do sistema judici\u00e1rio.<br \/>\nE ainda que as mulheres reclamem da quantidade de outras mulheres e de homens gays no mercado, o acesso sexual as f\u00eameas \u00e9 um fator muito, mas muito mais limitante para os homens do que o acesso sexual aos homens \u00e9 para as mulheres. E assim, mesmo uma pequena habilidade de oferecer acesso a sexualidade, garante um grande poder de barganha para uma mulher. N\u00e3o me massacrem, por favor. A culpa \u00e9 da sele\u00e7\u00e3o natural.<br \/>\nDe fato, os autores encontraram que as mulheres mais bonitas (ou melhor, as que se percebem &#8211; e s\u00e3o percebidas &#8211; como mais bonitas &#8211; por fotos ou ent\u00e3o por perguntas de question\u00e1rio como: <em>eu mere\u00e7o mais do que uma pessoa comum? Eu sou melhor do que a maioria das pessoas?)<\/em> s\u00e3o mais eficientes em resolver conflitos, tem maiores expectativas com rela\u00e7\u00e3o ao que os outros devem oferecer a elas, e tem uma propens\u00e3o significativamente maior a acessos de raiva.<br \/>\nNovamente, a beleza n\u00e3o se correlacionou com a rumina\u00e7\u00e3o. Mas porque o tempo que ficamos com raiva n\u00e3o se correlaciona com a propens\u00e3o a raiva? A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 l\u00f3gica. Se o papel da raiva \u00e9 atrair aten\u00e7\u00e3o (e energia, e esfor\u00e7o) para os nossos problemas (ainda que caprichos), ent\u00e3o ela deveria se dissipar logo depois do objetivo ter sido atingido. A &#8216;rumina\u00e7\u00e3o&#8217; acontece quando alguma coisa nos impede de tomar uma a\u00e7\u00e3o direta enquanto estamos com raiva, e temos que avaliar se essa a\u00e7\u00e3o considerando as consequ\u00eancias. Que podem ser pol\u00edticas, sociais ou at\u00e9 criminais. E como as leis se aplicam a fortes e fracos, feios e bonitos, a rumina\u00e7\u00e3o n\u00e3o se correlaciona com nenhum dos fatores medidos nesse estudo.<br \/>\nO artigo termina mostrando que a for\u00e7a muscular \u00e9 fator mais relevante para avaliar a propens\u00e3o a raiva do que a pr\u00f3pria testosterona, que a propens\u00e3o a raiva est\u00e1 ligada tamb\u00e9m a uma atitude mais conivente com a agress\u00e3o (j\u00e1 que homens fortes e mulheres bonitas tendem a aceitar melhor que o seu pa\u00eds entre em guerra com um oponente) e que a propens\u00e3o a raiva tem um componente filogen\u00e9tico (ancestral e evolutivo) mais forte do que o ontogen\u00e9tico (hist\u00f3rico e desenvolvido).<br \/>\n<strong>Ao que tudo indica, <em>&#8220;o crime n\u00e3o compensa&#8221;<\/em>, mas a raiva sim.<\/strong><\/div>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Proceedings+of+the+National+Academy+of+Sciences+of+the+United+States+of+America&amp;rft_id=info%3Apmid%2F19666613&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Formidability+and+the+logic+of+human+anger.&amp;rft.issn=0027-8424&amp;rft.date=2009&amp;rft.volume=106&amp;rft.issue=35&amp;rft.spage=15073&amp;rft.epage=8&amp;rft.artnum=&amp;rft.au=Sell+A&amp;rft.au=Tooby+J&amp;rft.au=Cosmides+L&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Biology%2CEcology%2C+Evolutionary+Biology%2C+Molecular+Biology%2C+Behavioral+Biology%2C+Biochemistry%2C+Biological+Anthropology%2C+Cognitive+Psychology%2C+Comparative+Psychology%2C+Career%2C+Education%2C+Policy\">Sell A, Tooby J, &amp; Cosmides L (2009). Formidability and the logic of human anger. <span style=\"font-style: italic\">Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, 106<\/span> (35), 15073-8 PMID: <a rev=\"review\" href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/19666613\">19666613<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Essa \u00e9 uma postagem colada e talvez voc\u00ea queira ler primeiro o artigo anterior) &#8220;Os seres humanos diferem da maioria das esp\u00e9cies no n\u00famero, intensidade e dura\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es de colabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3ximas&#8221; Biologicamente, a raiva de baseia na habilidade das pessoas de mudarem o peso que d\u00e3o ao bem estar alheio em fun\u00e7\u00e3o de uma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":553,"featured_media":470,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[50,149,155,295,303],"class_list":["post-469","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-livro","tag-agressao","tag-barganha","tag-beneficios","tag-comportamento-2","tag-conflito"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/127744_6416_rage2.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/469","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/553"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=469"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/469\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/media\/470"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=469"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=469"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=469"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}