{"id":502,"date":"2010-11-29T14:10:58","date_gmt":"2010-11-29T17:10:58","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2010\/11\/tu_sabes_quanto_tu_vales\/"},"modified":"2010-11-29T14:10:58","modified_gmt":"2010-11-29T17:10:58","slug":"tu_sabes_quanto_tu_vales","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2010\/11\/29\/tu_sabes_quanto_tu_vales\/","title":{"rendered":"Tu sabes quanto tu vales?"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"mt-image-none\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/I_Want_To_Believe_500px1.jpg\" alt=\"I_Want_To_Believe_500px.jpg\" width=\"500\" height=\"375\" \/><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Uma querida amiga, que faz anivers\u00e1rio hoje, fez um pronunciamento inflamado em uma discuss\u00e3o entre amigos na semana passada:<em><\/em><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><em>&#8220;(&#8230;) \u00e9 sim uma necessidade de deixar bem claro, que n\u00f3s mulheres, exatamente por sermos fortes, bonitas e independentes, n\u00e3o estamos na prateleira esperando que um homem nos escolha (coitadinhas) e nos d\u00ea a honra de sua f\u00e1lica companhia.&#8221;<\/em><br \/>\nMeus amigos que n\u00e3o tem treinamento em ci\u00eancia s\u00e3o facilmente iludidos pelo que os cientistas chamam de &#8216;<strong>sele\u00e7\u00e3o de observa\u00e7\u00e3o<\/strong>&#8216;, que \u00e9 quando prestamos aten\u00e7\u00e3o nos eventos que confirmam nossas expectativas, quaisquer que elas sejam, e ignoramos (ou desconhecemos) aqueles que negam. Eles s\u00e3o literatos, inteligentes e observadores perspicazes, mas por causa disso, acabam por encontrar padr\u00f5es onde eles n\u00e3o existem, como no movimento das estrelas (astrologia) ou nas a\u00e7\u00f5es das outras pessoas (conspira\u00e7\u00e3o).<\/div>\n<p><!--more O texto completo desse post est\u00e1 no livro do blog 'a verdade sobre c\u00e3es e gatos', a venda ao lado--><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><strong>Abre par\u00eanteses:<\/strong> Vale a pena lembrar que o risco associado a acreditar em alguma coisa que n\u00e3o \u00e9 verdade (erro do tipo I), \u00e9 geralmente menor que o risco de n\u00e3o acreditar em algo que \u00e9 real (erro do tipo II). Nas situa\u00e7\u00f5es do cotidiano, o primeiro pode te fazer se atrasar um pouco, gastar um pouco mais de energia ou de neur\u00f4nios, enquanto o segundo pode te custar a vida. Se voc\u00ea ainda n\u00e3o captou a mensagem, pode querer dar uma olhada nessa apresenta\u00e7\u00e3o TED do Michael Sherman, diretor da revista Skeptics. Ela \u00e9 muito ilustrativa. <strong>Fecha par\u00eanteses.<\/strong><br \/>\nNossos sentidos s\u00e3o facilmente desativados pelo que \u00e9 lugar comum. Mais do que isso, a capacidade de nos auto-iludirmos \u00e9 uma habilidade fundamental para a importante capacidade de iludirmos os outros, o que, segundo pesquisadores importantes como Robert Trivers e Noam Chomsky, traz grandes vantagens evolutivas.<br \/>\nMas nem sempre podemos seguir nos enganando, seja com o erro do tipo I como com o erro do tipo II. Ou pelo menos n\u00e3o sem que isso cause grandes preju\u00edzos (materiais, psicol\u00f3gicos ou evolutivos). <strong>O maior impedimento para nos auto-iludirmos s\u00e3o &#8220;os outros&#8221;<\/strong>. As outras pessoas. O &#8216;papel&#8217;, como sempre repete o meu querido amigo <strong>Jo\u00e3o Paulo<\/strong>, \u00e9 a maior inven\u00e7\u00e3o de todos os tempo, pois aceita qualquer coisa que voc\u00ea coloque nele, sem cr\u00edtica ou reclama\u00e7\u00e3o. Mas as outras pessoas podem n\u00e3o aceitar com tanta facilidade que voc\u00ea engane a si mesmo, principalmente quando agir de acordo com uma realidade que n\u00e3o existe afeta a elas.<br \/>\nUma das coisas quanto a qual mais nos enganamos \u00e9 o nosso valor. &#8216;Valor&#8217; entendido aqui de uma maneira ampla. Aquilo que podemos agregar aos outros ou ao mundo.<br \/>\nUm fator complicador para medir o &#8216;valor&#8217; \u00e9 que ele depende das circunst\u00e2ncias, como todo mundo que j\u00e1 ficou em uma festa at\u00e9 o final sabe: a menina mais bonita do final da festa raramente \u00e9 a mais bonita do in\u00edcio (a n\u00e3o ser que ela chegue e v\u00e1 embora com voc\u00ea). A primeira coisa a aprender \u00e9 que no processo evolutivo \u00e9 que a \u00fanica estrat\u00e9gia boa o tempo todo \u00e9 n\u00e3o ter nenhuma estrat\u00e9gia fixa e constantemente reavaliar que estrat\u00e9gia boa o tempo todo.<br \/>\nTodos queremos ser especiais. \u00c9 compreens\u00edvel: nossos sentidos n\u00e3o s\u00e3o facilmente despertados pelo que \u00e9 comuns. Mas a verdade nua e crua \u00e9 que poucos de n\u00f3s somos. E quem \u00e9 que decide o nosso valor? S\u00e3o os outros. Voc\u00ea pode reclamar, espernear, negar, emburrar&#8230; n\u00e3o adianta. \u00c9 assim e ponto. (Tente se contentar pelo menos com o fato de que voc\u00ea ajuda a determinar o valor dos outros)<br \/>\nTodo mundo, tanto homens quanto mulheres, est\u00e3o em busca de beleza. \u00c9 muito f\u00e1cil dizer que os homens querem casar com mulheres bonitas e as mulheres querem casar com homens ricos e poderosos, mas a verdade paradoxal \u00e9 que a maioria de n\u00f3s nunca ter\u00e1 chance. Como vivemos em uma sociedade monog\u00e2mica, a maioria das mulheres bonitas j\u00e1 est\u00e3o casadas com homens dominantes. E o <em>Sr. e Sra. &#8220;bonitinho&#8221; <\/em>(que as m\u00e1s l\u00ednguas dizem que s\u00e3o os feios arrumadinhos)? Eles ficam com a 2a op\u00e7\u00e3o! Mas e os outros, os feinhos? Esses tem que ficar com a 3a, 4a, 5a op\u00e7\u00f5es.<br \/>\nAh, voc\u00ea vai me falar agora de um amigo seu, feio e pobre, que casou com uma mulher bonita e jovem. Bom, \u00e9 poss\u00edvel, mas \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande, que fala a verdade, todo mundo fica perguntando<em> &#8220;O que sera que ela viu nele?&#8221;<\/em><br \/>\nMas o mais prov\u00e1vel, nesse caso, \u00e9 o que ela N\u00c3O viu em si pr\u00f3pria. N\u00f3s somos preparados para avaliar, ainda que inconscientemente, as rea\u00e7\u00f5es das outras pessoas a n\u00f3s, e assim conhecermos, instintivamente, nosso valor relativo. Bom, a n\u00e3o ser que voc\u00ea seja como o <strong>Hal,<\/strong> que mesmo sendo o <strong>Jack Black<\/strong>, s\u00f3 se apaixonava por mulheres perfeitas. N\u00e3o, O amor n\u00e3o \u00e9 cego.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"mt-image-none\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/shallow_hall_500px.jpg\" alt=\"shallow_hall_500px.jpg\" width=\"500\" height=\"336\" \/><br \/>\nVoc\u00ea n\u00e3o concorda comigo? Acha que todos s\u00e3o iguais aos &#8216;olhos de Deus&#8217;? Mas o pesquisador <strong>Bruce Ellis<\/strong> mostrou que \u00e9 bem como eu estou dizendo. Ou melhor, eu que estou bem dizendo como ele mostrou que \u00e9. E voc\u00ea pode repetir o mesmo exerc\u00edcio que ele fez com trinta volunt\u00e1rios para verificar como funciona o nosso <strong>modelo de pareamento associativo<\/strong>.<br \/>\nEle deu a cada participante um cart\u00e3o numerado que deveria ficar grudado em suas testas. Cada um podia ver o n\u00fameros dos outros, mas ningu\u00e9m sabia o seu pr\u00f3prio. A instru\u00e7\u00e3o seguinte era simples: eles deveriam formar um par com o maior n\u00famero que conseguissem encontrar. Ent\u00e3o, assim que o jogo come\u00e7ou, a a pessoa com o 30 em sua testa foi cercada por um grande grupo. Isso fez com que ela ajustasse suas expectativas para cima, se recusando a parear com qualquer um, sendo bastante seletivo e eventualmente se pareando com algu\u00e9m com um vinte e tantos na testa. J\u00e1 a pessoa com o n\u00famero 1, depois de tentar em v\u00e3o convencer o n\u00famero 30 de seu valor, foi mirando em n\u00fameros mais baixos na escala, at\u00e9 que acabou pareando com a primeira pessoa que o aceitou, provavelmente o n\u00famero 2.<br \/>\nJ\u00e1 estou vendo os soci\u00f3logos todos arrepiados. Bom, posso dizer de outro jeito. Ou melhor, usar as palavras de <strong>Vin\u00edcius de Moraes<\/strong>:<br \/>\n<em>&#8220;As feias que me perdoem, mas beleza \u00e9 fundamental&#8221;.<\/em><br \/>\nQuando \u00e9 o poeta que fala, tem bem menos reclama\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA natureza se preocupa bem pouco com as frustra\u00e7\u00f5es das pessoas. Mas isso n\u00e3o quer dizer que voc\u00ea n\u00e3o precise se preocupar. <em>&#8220;Tamb\u00e9m, n\u00e3o queria mesmo&#8221;<br \/>\n<\/em><br \/>\nVoc\u00ea n\u00e3o pode virar o<strong> Brad Pitt<\/strong> de um dia para o outro (ou dia algum) mas pode fazer algumas coisas que al\u00e9m de bem pra sa\u00fade (como a gin\u00e1stica) ou pra cabe\u00e7a (como ler), podem te fazer galgar uns dois ou tr\u00eas degraus na escala de <strong>Ellis<\/strong>. Mas quanto mais cedo voc\u00ea se convencer da sua posi\u00e7\u00e3o, mais frustra\u00e7\u00f5es conseguir\u00e1 evitar.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma querida amiga, que faz anivers\u00e1rio hoje, fez um pronunciamento inflamado em uma discuss\u00e3o entre amigos na semana passada: &#8220;(&#8230;) \u00e9 sim uma necessidade de deixar bem claro, que n\u00f3s mulheres, exatamente por sermos fortes, bonitas e independentes, n\u00e3o estamos na prateleira esperando que um homem nos escolha (coitadinhas) e nos d\u00ea a honra de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":553,"featured_media":503,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"editor_plus_copied_stylings":"{}","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[6,14,20],"tags":[153,336,601,972,973,1314],"class_list":["post-502","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-comportamento","category-evolucao","category-livro","tag-beleza","tag-crenca","tag-frustracao","tag-parceiro","tag-pareamento","tag-valor"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/502","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/553"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=502"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/502\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/media\/503"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=502"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=502"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=502"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}