{"id":516,"date":"2010-11-26T23:19:22","date_gmt":"2010-11-27T02:19:22","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2010\/11\/pra_saber_realmente_o_que_quer\/"},"modified":"2010-11-26T23:19:22","modified_gmt":"2010-11-27T02:19:22","slug":"pra_saber_realmente_o_que_quer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2010\/11\/26\/pra_saber_realmente_o_que_quer\/","title":{"rendered":"Pra saber realmente &quot;o que querem as mulheres&quot;"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/blog_molho_tomate1.jpg\" alt=\"blog_molho_tomate.jpg\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">Abri o jornal, n\u00e3o pra saber sobre a guerra contra o tr\u00e1fico de drogas no Rio, mas para procurar propaganda de colch\u00f5es. Voc\u00ea sabia que pode comprar um colch\u00e3o excelente em S\u00e3o Paulo, com frete gr\u00e1tis, pela metade do pre\u00e7o do mesmo colch\u00e3o no Rio? Vi essa propaganda na revista do Globo semanas atr\u00e1s e fui procurar de novo.<br \/>\nMas n\u00e3o \u00e9 disso que eu quero falar. Com eu tinha visto a propaganda do colch\u00e3o em uma revista do <em>Globo<\/em> fui olhar o caderno Zona Sul, que era revista do dia no jornal. E nem precisei folhear para me deparar com a grande bobagem que era a reportagem da capa: <strong><em>&#8220;Palavra Feminina&#8221;<\/em><\/strong>.<br \/>\nA reboque da pouco-s\u00e9ria mini-s\u00e9rie que a <em>Globo<\/em> est\u00e1 transmitindo, a revista perguntava a v\u00e1rias mulheres da Zona Sul, o que elas queriam.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 que os depoimentos fossem banais, do tipo que <em>Miss<\/em> daria em concurso, como:<br \/>\n<em>&#8220;Dinheiro no bolso e bumbum sem celulite&#8221;<\/em> ou <em>&#8220;Equil\u00edbrio espiritual, mental e f\u00edsico&#8221;<\/em> ou ainda, <em>&#8220;Independ\u00eancia financeira, sucesso profissional e amor&#8221;<\/em>. \u00c9 que toda essa id\u00e9ia por tr\u00e1s de &#8220;o que \u00e9 que as mulheres querem, \u00e9 furada.<br \/>\nExplico o porqu\u00ea. Primeiro, <strong>o que as mulheres realmente querem, \u00e9 que ningu\u00e9m saiba o que elas querem. <\/strong><br \/>\n<!--more-->Esque\u00e7am os poderes sobrenaturais do <em>Mel Gibson<\/em>, ou o talento liter\u00e1rio do <em>Jack Nicholson<\/em>, esque\u00e7am tamb\u00e9m, por favor, o seriado da <strong>Globo.<\/strong> Os estudos de psicologia evolutiva tem mostrado que o <strong>a confus\u00e3o \u00e9 a principal estrat\u00e9gia das mulheres para avaliar a dedica\u00e7\u00e3o dos homens. Quanto mais ele tentar, e quanto menos conseguir, e quanto mais ele continuar tentando, mais interessante ele se torna.<\/strong><br \/>\nAutores como<em> Robin Baker <\/em>mostraram que at\u00e9 mesmo a variedade da morfologia feminina, que \u00e9 o nome cient\u00edfico para o formato do clit\u00f3ris, \u00e9 importante para gerar essa confus\u00e3o nos homens. Isso porque o tamanho e a forma do clit\u00f3ris, associado a outros fatores, est\u00e1 relacionado com a capacidade das mulheres de alcan\u00e7arem o orgasmo. Os especialistas classificam o orgasmo feminino em 3 tipos. Aquele obtido sem nenhuma estimula\u00e7\u00e3o (os orgasmos noturnos que acontecem, por exemplo, nos sonhos), com estimula\u00e7\u00e3o direta do clit\u00f3ris (que elas alcan\u00e7am com a masturba\u00e7\u00e3o) e o orgasmo vaginal (alcan\u00e7ado apenas com a penetra\u00e7\u00e3o do p\u00eanis). Um pequeno percentual de mulheres, em torno de 5%, n\u00e3o s\u00f3 consegue alcan\u00e7ar o orgasmo em qualquer uma das 3 modalidades, como \u00e9 capaz de alcan\u00e7ar sempre. At\u00e9 m\u00faltiplas vezes. Outros pequenos percentual, outros 5%, coitadas, nunca, de forma alguma, alcan\u00e7am o orgasmo. E existe todo o tipo de percentuais entre umas e outras.<br \/>\nEssas distribui\u00e7\u00e3o de tipos e formas, entre afortunadas e pobres coitadas, tem apenas um objetivo: impedir que um homem consiga determinar (e aprender), de forma gen\u00e9rica, o que deixa uma mulher satisfeita. Assim, cada mulher que um homem encontra deveria ser um novo desafio para ele. Pode at\u00e9 ser que ele acerte de cara usando o que j\u00e1 aprendeu, mas se quiser mesmo ter sucesso, vai ter que come\u00e7ar do zero aprendendo como fazer &#8216;aquela&#8217; mulher alcan\u00e7ar o orgasmo. E essa dedica\u00e7\u00e3o (ou n\u00e3o) \u00e9 um fator important\u00edssimo para diferenci\u00e1-lo de outros homens.<br \/>\n<strong>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 que as mulheres n\u00e3o sabem o que querem. Elas foram preparadas pela sele\u00e7\u00e3o natural para n\u00e3o saberem.<\/strong><br \/>\nAcabei me estendendo na primeira raz\u00e3o, mas quem n\u00e3o gosta de falar de clit\u00f3ris e orgasmo feminino?<br \/>\nA segunda raz\u00e3o \u00e9 mais simples. E talvez por isso, mais poderosa. A verdade \u00e9 que, tantas vezes, ningu\u00e9m sabe o que quer.<br \/>\nIsso ficou claro na interessant\u00edssima <a href=\"http:\/\/www.ted.com\/talks\/lang\/eng\/malcolm_gladwell_on_spaghetti_sauce.html\">palestra de Malcolm Gladwell no TED<\/a>: <em>&#8220;O que podemos aprender com o molho de tomate?&#8221;<\/em><br \/>\nEle fala sobre um estat\u00edstico, especialista em pesquisas de opini\u00e3o, que trabalhou para (e revolucionou) a ind\u00fastria de alimentos nos EUA. <strong>A diferen\u00e7a do cara foi que ele resolveu fazer pesquisas de opini\u00e3o SEM PERGUNTAR para as pessoas qual era a opini\u00e3o delas. <\/strong>Ele pediu para um monte de cozinheiros prepararem molho de tomate de todas as maneiras que pudessem imaginar, e descobriu por experimenta\u00e7\u00e3o, que 1\/3 dos entrevistado preferiam o molho extra-suculento. Antes, perguntavam as pessoas: <em>&#8220;O que voc\u00ea espera em um molho de tomate?&#8221;<\/em> e a resposta era sempre boba, como:<br \/>\n<em>&#8220;Queremos amor, no amplo sentido da palavra&#8221;<\/em><br \/>\nEis o que <em>Malcolm<\/em> disse:<br \/>\n<em>&#8220;O pressuposto n\u00famero um da ind\u00fastria de alimentos, era que o caminho para descobrir o que as pessoas queriam comer &#8211; o que as faria felizes &#8211; era perguntar-lhes. E durante anos e anos e anos e anos (&#8230;) colocaram todos voc\u00eas sentados e perguntavam: <\/em>&#8220;O que voc\u00ea quer em um molho de tomate? Diga-nos o que voc\u00ea quer em um molho de tomate?&#8221; <em>E (&#8230;) em 20, 30 anos, ningu\u00e9m, nunca, disse que queria extra-grosso. Ainda que, pelas estat\u00edstica, pelo menos um ter\u00e7o deles, no fundo de seus cora\u00e7\u00f5es, realmente quisesse um molho extra-suculento. As pessoas n\u00e3o sabem o que querem!<\/em> &#8216;A mente n\u00e3o sabe o que a l\u00edngua quer.&#8217;<em> \u00c9 um mist\u00e9rio! E um passo extremamente importante na<strong><\/strong> compreens\u00e3o nossos pr\u00f3prios desejos e gostos \u00e9 perceber que nem sempre podemos explicar o que, no fundo, realmente queremos.&#8221;<\/em><br \/>\nAprender isso n\u00e3o \u00e9, infelizmente, o caminho para compreender o que querem as mulheres. Mas sim o caminho para uma compreens\u00e3o maior, a de que dificilmente poderemos satisfazer os outros, simplesmente, porque eles n\u00e3o sabem o que os satisfaz.<br \/>\nDe alguma forma, acho que isso pode salvar nossas vidas, mais do que ficar em casa com medo de arrast\u00e3o com hora marcada.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abri o jornal, n\u00e3o pra saber sobre a guerra contra o tr\u00e1fico de drogas no Rio, mas para procurar propaganda de colch\u00f5es. 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