{"id":518,"date":"2010-12-02T11:08:25","date_gmt":"2010-12-02T14:08:25","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2010\/12\/nao_vou_terminar_de_ler_o_anjo\/"},"modified":"2010-12-02T11:08:25","modified_gmt":"2010-12-02T14:08:25","slug":"nao_vou_terminar_de_ler_o_anjo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2010\/12\/02\/nao_vou_terminar_de_ler_o_anjo\/","title":{"rendered":"N\u00e3o vou terminar de ler&#8230; O Anjo de Darwin e a Erva do Diabo"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"IMG_0458.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/IMG_04581.jpg\" width=\"500\" height=\"375\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">Quando me encomendaram uma resenha de livro pela primeira vez, me disseram:<br \/>\n<em>&#8220;Se n\u00e3o for pra falar bem, eu n\u00e3o quero. Encontre o que h\u00e1 de bom no livro.&#8221;<\/em><br \/>\nFoi um grato exerc\u00edcio, porque poderia at\u00e9 ter falado mal (como eu j\u00e1 disse aqui, a cr\u00edtica \u00e9 mais divertida que a toler\u00e2ncia) de <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2007\/04\/eureka.php\">um livro incr\u00edvel<\/a>.<br \/>\nMas como disse o <strong>Nick Hornby<\/strong> em <a href=\"http:\/\/www.submarino.com.br\/produto\/1\/289508\/31+cancoes\/?franq=284021\">31 can\u00e7\u00f5es<\/a>:<em> &#8220;aquela noite me ensinou uma coisa important\u00edssima: estamos autorizados a ir embora! Me lembro ainda o sentimento de alivio e alegria que provei entrando no bar e se non tivesse ido embora do concerto do <\/em>Led Zeppelin<em> aquela noite (depois de um solo de bateria de 20 min em uma m\u00fasica), jamais teria percebido que existe tamb\u00e9m essa possibilidade.&#8221;<\/em><br \/>\nPor isso estou deixando esses dois livros sem terminar de ler. Meu tempo \u00e9 curto, e os livros para ler, muitos.<br \/>\nGanhei &#8220;<a href=\"http:\/\/www.submarino.com.br\/produto\/1\/21468513\/anjo+de+darwin,+o\/?franq=284021\">O anjo de Darwin<\/a>&#8221; de anivers\u00e1rio do meu querido amigo <em>Richard<\/em>, com quem tenho grandes conversas filos\u00f3fico-cient\u00edficas e comprei a &#8220;<a href=\"http:\/\/links.lomadee.com\/ls\/ZnBuUDtUSTRPYlcwOTsyMzA3NDc3NTswOzE3NjszMzQwNzM1MzswO0JS.html\">Erva do Diabo<\/a>&#8221; depois que a minha querida amiga Alejandra me mandou uma cita\u00e7\u00e3o do livro, que se propunha a contar os ensinamentos de Don Juan.<br \/>\nMas <em>John Cornwell,<\/em> autor de &#8220;<a href=\"http:\/\/www.submarino.com.br\/produto\/1\/21468513\/anjo+de+darwin,+o\/?franq=284021\">O Anjo de Darwin. Uma resposta Ser\u00e1fica a Deus, um del\u00edrio&#8221;<\/a>&#8221; (de <em>Richard Dawkins<\/em>) peca pela superficialidade dos argumentos que usa para criticar <em>Dawkins<\/em>. <a href=\"http:\/\/links.lomadee.com\/ls\/bGV5RztXODJDNThUbDsyMzA3NDc3MjswOzE3NjszMzQwNzM1MzswO0JS.html\">&#8220;Deus, um del\u00edrio&#8221;<\/a> \u00e9 um de livro de 475 p\u00e1ginas, e ainda que, como tantos livros do <em>Dawkins<\/em> esteja repleto de coisas que ele j\u00e1 escreveu em outros livros, n\u00e3o se pode dizer que seja superficial.<br \/>\nPara <em>Cornwell<\/em>, podemos comparar a nossa imagina\u00e7\u00e3o a um &#8216;<em>Anjo da guarda<\/em>&#8216;, um &#8216;<em>serafim criativo<\/em>&#8216;:<br \/>\n<em>&#8220;Um dos mais belos conceitos da intelig\u00eancia mortal \u00e9 a id\u00e9ia do Anjo;  pois os anjos exemplificam, simbolizam e tornam intelig\u00edvel a capacidade mental din\u00e2mica conhecida como imagina\u00e7\u00e3o. (&#8230;) Assim como os Anjos s\u00e3o livres das restri\u00e7\u00f5es do universo f\u00edsico, assim tamb\u00e9m as mentes criativas de cientistas talentosos s\u00e3o liberadas das leis do tempo, da f\u00edsica e at\u00e9 mesmo da l\u00f3gica, para fazer conex\u00f5es unificadoras entre elementos d\u00edsptares da natureza. Invoque, portanto, a suspens\u00e3o da descrin\u00e7a para imaginar a presen\u00e7a de um anjo especial para naturalistas e bi\u00f3logos. Considere como se fosse do ponto de vista de um anjo da guarda, a imagina\u00e7\u00e3o de <\/em>Charles Darwin.<em>&#8220;<\/em><br \/>\nRealmente n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<br \/>\nEle identifica corretamente v\u00e1rios momentos em &#8220;<a href=\"http:\/\/links.lomadee.com\/ls\/bGV5RztXODJDNThUbDsyMzA3NDc3MjswOzE3NjszMzQwNzM1MzswO0JS.html\">Deus, um del\u00edrio<\/a>&#8221; onde <em>Dawkins<\/em> faz sele\u00e7\u00e3o de observa\u00e7\u00e3o para argumentar cientificamente em prol do Ateismo. Por\u00e9m, seus argumentos para rebater <em>Dawkins<\/em> s\u00e3o na melhor das hip\u00f3teses filos\u00f3ficos (n\u00e3o necessitam de evid\u00eancia) e na pior das hip\u00f3teses, uma op\u00e7\u00e3o pela liberdade de exercer o livre pensamento e a f\u00e9. Nenhum deles suficientes para uma mente anal\u00edtica como a minha. Resolvi parar no final.<br \/>\nJ\u00e1 a &#8220;<a href=\"http:\/\/links.lomadee.com\/ls\/ZnBuUDtUSTRPYlcwOTsyMzA3NDc3NTswOzE3NjszMzQwNzM1MzswO0JS.html\">Erva do Diabo. Os ensinamentos de Don Juan<\/a>&#8220;, livro publicado no final da d\u00e9cada de 60 e que deu fama ao antrop\u00f3logo CArlos Casta\u00f1eda \u00e9 eu n\u00e3o passei da p\u00e1gina 40.<br \/>\nTenho que confessar que me iludi e comprei o livro achando que o <em>Don Juan<\/em> em quest\u00e3o era o personagem do flocl\u00f3re espanhol. A cita\u00e7\u00e3o que a Ale me mandou foi:<br \/>\n<em>&#8220;Qualquer caminho \u00e9 apenas um caminho e n\u00e3o constitui insulto algum &#8211; para si mesmo ou para os outros &#8211; abandon\u00e1-lo quando assim ordena o seu cora\u00e7\u00e3o. (&#8230;) Olhe cada caminho com cuidado e aten\u00e7\u00e3o. Tente tantas vezes quantas julgar necess\u00e1rias&#8230; Ent\u00e3o, fa\u00e7a a si mesmo e a apenas a si mesmo uma pergunta: possui esse caminho cora\u00e7\u00e3o? Em caso afirmativo, o caminho \u00e9 bom. Caso contr\u00e1rio, esse caminho n\u00e3o possui import\u00e2ncia alguma&#8221;. <\/em><br \/>\nQuando vi que o livro era um tratado de antropologia, achei que poderia ser interessante ler a respeito. Mas ai me deparei com as seguintes passagens.<br \/>\n<em>&#8220;(&#8230;) o conhecimento da feiti\u00e7aria se tornava imcompreens\u00edvel decido as caracter\u00edsticas extraordin\u00e1rias dos fenomenos que ele experimentava. Pessoalmente, como ocidental, achava essas caracter\u00edsticas t\u00e3o fant\u00e1sticas que era quase imposs\u00edvel explic\u00e1-las em termos de minha pr\u00f3pria vida cotidiana, e fui for\u00e7ado a concluir que qualquer tentativa de classificar meus dados de campo em meus pr\u00f3prios termos seria in\u00fatil. Assim, tornou-se \u00f3bvio para mim que os conhecimentos de dom Juan tinha de ser examinados em termos de come ele mesmo os compreendia; e s\u00f3 nesses termos &#8216;q que poderiamo tornar-se evidentes e convincentes. (&#8230;) No sistema de cren\u00e7as de don Juan, a acquisi\u00e7\u00e3o de um aliado [conhecimento], significava exclusivamente a explora\u00e7\u00e3o dos estados de realidade n\u00e3o comum que ele produzia em mim pela utiliza\u00e7\u00e3o de plantas alucin\u00f3genas. ele acreditava que, concentrando-me nesses estados e omitindo outros aspectos do conhecimento (&#8230;) eu chegaria a uma vis\u00e3o coerente dos fen\u00f4menos (&#8230;).&#8221;<\/em><br \/>\nJamais poderei fazer isso. E para ser coerente (no m\u00ednimo), parei de ler o livro.<br \/>\nMas deve ter, por ai, quem ache v\u00e1lido o conhecimento obtido apenas atrav\u00e9s do uso de plantas alucin\u00f3genas. Ah se tem!<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando me encomendaram uma resenha de livro pela primeira vez, me disseram: &#8220;Se n\u00e3o for pra falar bem, eu n\u00e3o quero. Encontre o que h\u00e1 de bom no livro.&#8221; Foi um grato exerc\u00edcio, porque poderia at\u00e9 ter falado mal (como eu j\u00e1 disse aqui, a cr\u00edtica \u00e9 mais divertida que a toler\u00e2ncia) de um livro [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":553,"featured_media":519,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[67,123,378,1249],"class_list":["post-518","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-resenha","tag-alucinogenos","tag-ateismo","tag-descrenca","tag-superficialidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/518","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/553"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=518"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/518\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/media\/519"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=518"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=518"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=518"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}