{"id":566,"date":"2011-02-28T19:27:05","date_gmt":"2011-02-28T22:27:05","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2011\/02\/passando_limites\/"},"modified":"2011-02-28T19:27:05","modified_gmt":"2011-02-28T22:27:05","slug":"passando_limites","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2011\/02\/28\/passando_limites\/","title":{"rendered":"Passando dos limites"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/02\/limites_-647386_45832480.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1018\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/02\/limites_-647386_45832480.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/02\/limites_-647386_45832480.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/02\/limites_-647386_45832480-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/02\/limites_-647386_45832480-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><br \/>\nNa semana passada eu fiz uma coisa, para mim, quase impens\u00e1vel: comprei uma revista na g\u00f4ndola do supermercado, enquanto esperava na fila do caixa. N\u00e3o, n\u00e3o era uma revista de <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2011\/03\/ti-ti-ti_a_fofoca_como_instrum.php\">fofoca<\/a>. Ai tamb\u00e9m seria demais! Foi a TRIP. Uma gata na capa (a ga\u00facha Annelyse Schoenberger) mostrava o mamilo esquerdo e convidava o leitor a abrir as p\u00e1ginas para o tema da reportagem principal: <strong><em>&#8220;Limites: Romper? Entender? Estender? Expandir? Como nos relacionamos hoje com os limites do nosso corpo, do planeta, da \u00e9tica, da mente e da nossa paci\u00eancia&#8221;.<\/em><\/strong><br \/>\nMe ganhou! Coloquei no carrinho e paguei os R$9,90 pra ver qual era.<br \/>\nEu j\u00e1 falei sobre limites v\u00e1rias vezes. O primeiro limite que eu me vi descobrir muito al\u00e9m do que eu realmente acreditava, foi o da minha paci\u00eancia. Achava que tinha bem menos do que realmente tenho. E foi s\u00f3 quando ela foi for\u00e7ada, esticada, amassada e mo\u00edda que eu descobri o quanto era resistente. Ainda assim, ela tamb\u00e9m tinha limite, e acabou.<br \/>\n<strong><em>&#8220;Voc\u00ea s\u00f3 pode saber realmente o quanto aguenta, depois que n\u00e3o aguenta mais&#8221;.<\/em><\/strong><br \/>\nNa \u00e9poca, o que a vida me ensinava eu ensinava pros meus alunos. E coloquei essa frase em um slide sobre homeostase nas minhas aulas de biof\u00edsica. Eu n\u00e3o tenho muita certeza, mas parecia que os alunos abriam uns olh\u00f5es quando viam isso no quadro. <em>&#8220;Cara&#8230; P\u00f4, tipo assim&#8230; \u00e9 isso messsmo?!?&#8221; <\/em>Mas talvez fossem apenas bocejos (ainda que fechem ao inv\u00e9s de abrir os olhos). Mas isso foi at\u00e9 a semana passada, quando uma aluna me disse: <em>&#8220;Eu nunca mais vou esquecer aquela parada (frase) sobre &#8216;n\u00e3o aguentar mais&#8217; que voc\u00ea disse em sala de aula&#8221;.<\/em> Tinha algu\u00e9m prestando aten\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO corpo humano, todos os organismos, cada c\u00e9lula, tem limites. Alguns s\u00e3o \u00f3bvios, como a pele, o que d\u00e1 a extens\u00e3o e o volume. Alguns outros super bem conhecidos e definidos. Nossa temperatura corporal n\u00e3o pode subir acima de 42 e nem descer abaixo de 35 que o bicho pega. A acidez do sangue, ou o pH, que \u00e9 o termo correto, esse ent\u00e3o fica em 7,4 e praticamente n\u00e3o varia. J\u00e1 alguns outros limites, como o quanto a gente aguenta de um horm\u00f4nio, de uma droga ou de determinado medicamentos, s\u00e3o menos conhecidos. E esses, n\u00e3o d\u00e1 pra gente determinar sem testar. E ver at\u00e9 onde o corpo aguenta. S\u00f3 que pra isso, tem que se sacrificar. Voc\u00ea pode decidir parar o &#8216;experimento&#8217; um pouquinho antes de sacrificar o organismo, mas assim, nunca vai ter certeza do limite. S\u00f3 observando o dano que foi causado podemos saber qual \u00e9 o limite quando ultrapassado que causa dano.<br \/>\n<strong>Abre par\u00eanteses:<\/strong> E por isso que nunca poderemos abrir m\u00e3o dos testes com animais. Pelo menos enquanto quisermos conhecer os mecanismos de toxicidade que ajudam a salvar vidas. <strong>Fecha par\u00eanteses.<\/strong><br \/>\nDizem que imagina\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem limites. Mas n\u00e3o \u00e9 verdade, n\u00e3o \u00e9 mesmo? S\u00e3o em torno de 100 bilh\u00f5es de neur\u00f4nios no c\u00e9rebro. Sua personalidade, suas mem\u00f3rias, emo\u00e7\u00f5es, inconsciente, subconsciente, t\u00e1 tudo dentro desses cem bilh\u00f5es. As conex\u00f5es que foram feitas entre eles, e como voc\u00ea associa as coisas que est\u00e3o l\u00e1, determinam se voc\u00ea \u00e9 criativo ou n\u00e3o. Voc\u00ea pode se espantar com a sua capacidade de criar coisas novas pela associa\u00e7\u00e3o das coisas que voc\u00ea sabe e conhece. Um tipo de &#8216;propriedade emergente&#8217;. Mas imaginar alguma coisa sem saber ou conhecer nenhuma outra? Isso voc\u00ea n\u00e3o pode.<br \/>\nN\u00f3s s\u00f3 conseguimos enxergar porque nossas c\u00e9lulas visuais identificam regi\u00f5es de alto contraste nas bordas dos objetos, criando os limites entre uma coisa e outra, que forma as imagens n\u00edtidas na nossa retina, que o c\u00e9rebro interpreta como uma bola de futebol, ou uma x\u00edcara de caf\u00e9.<br \/>\nUm surfista que voltou das drogas, uma bi\u00f3loga que encontrou a salva\u00e7\u00e3o pra um dist\u00farbio mental no halterofilismo, um motoboy an\u00e3o&#8230; a id\u00e9ia dos limites permeavam toda a edi\u00e7\u00e3o. Mas a melhor reportagem de todas foi a com o soci\u00f3logo Roberto DaMatta: <em><strong>&#8220;Voc\u00ea sabe com que est\u00e1 falando?&#8221;<\/strong><\/em><br \/>\n<em>&#8220;N\u00e3o gostamos de limites. Liberdade total \u00e9 causa nobre. Her\u00f3i popular \u00e9 aquele que vai al\u00e9m dos limites, expande as fronteiras, expande a juventude, expande a riqueza, expande o poder de fazer o que bem entende, sem se submeter a nada e a ningu\u00e9m Esse hero\u00edsmo ing\u00eanuo garante a efici\u00eancia da maior parte dos apelos publicit\u00e1rios. Por isso, o cart\u00e3o de cr\u00e9dito mais legal \u00e9 sem limite. Mas sem limite a vida n\u00e3o existe. Limite de tempo e espa\u00e7o definem o que \u00e9 a vida. (&#8230;) Gostar dos limites, acolh\u00ea-los, entender sua fun\u00e7\u00e3o e significado nos permite crescer para dentro 0 em qualidade, em consist\u00eancia, profundidade e criatividade&#8221;.<\/em><br \/>\nPara Roberto, o Brasil \u00e9 um pa\u00eds onde a realiza\u00e7\u00e3o dos desejos individuais se confronta com a constru\u00e7\u00e3o da vida em sociedade, criando dilemas que culminam na nossa resist\u00eancia em obedecer autoridade, at\u00e9 mesmo na hora de parar no sinal vermelho. Por outro lado, a &#8216;fila&#8217; seria o melhor exemplo de que o Brasil est\u00e1 se tornando um pa\u00eds s\u00e9rio, porque \u00e9 na fila que os limites operam em sua maior clareza e simplicidade: chegou primeiro, \u00e9 atendido primeiro. Chegou por \u00faltimo, ser\u00e1 atendido por \u00faltimo. Mas ser\u00e1 atendido tamb\u00e9m, porque se temos certeza de uma coisa, \u00e9 que a fila anda.<br \/>\nEu n\u00e3o sei se voc\u00eas percebem, mas \u00e9 de uma <strong>beleza acachapante! <\/strong><br \/>\nA primeira vez que vi o Roberto DaMatta falando foi em 2007 na FLIP, sobre como o futebol salvou o brasileiro, porque ensinou ele a import\u00e2ncia dos limites. Afinal, nenhum time pode estender a partida at\u00e9 fazer outro gol (bom, a n\u00e3o ser o flamengo na \u00faltima semana) e isso \u00e9 o que d\u00e1 gra\u00e7a ao jogo, transforma as pessoas em torcedores apaixonados e as comemora\u00e7\u00f5es de campeonatos em festas apote\u00f3ticas. Fui correndo comprar o livro dele de 1979: <em>Carnavais Malandros e Her\u00f3is<\/em>.<br \/>\nLembrei da palestra de <em>Barry Schwartz<\/em> no TED, sobre a ang\u00fastia da escolha. Ele desenvolve um argumento parecido, dizendo que a \u00e2nsia pela liberdade de escolha, que nos leva a poder optar por 175 variedades de molho para salada na prateleira do super-mercado, s\u00f3 nos trazem infelicidade:<br \/>\n<em>&#8220;Quando voc\u00ea tem mais escolhas, aumentam as suas expectativas. Quanto maior as suas expectat\u00edvas, maiores as chances de frustra\u00e7\u00e3o. Quando saio de uma loja com 47 op\u00e7\u00f5es de cal\u00e7as jeans, depois de passar 1h escolhendo, e descubro que a minha cal\u00e7a n\u00e3o era &#8216;perfeita&#8217;, n\u00e3o tenho como evitar a frustra\u00e7\u00e3o.&#8221;<br \/>\n<\/em><br \/>\n<!--copy and paste--><br \/>\nEu j\u00e1 falei sobre limites, v\u00e1rias vezes, <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2007\/06\/inconformados.php\">aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2007\/09\/posologia.php\">aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2010\/01\/terminei_de_ler_gomorra.php\">aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2008\/11\/criatividade-ou-anarquia.php\">aqui<\/a> e <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2010\/11\/comecei_a_ler_almanaque_da_red.php\">aqui<\/a>. Limite \u00e9 respeito na teoria e \u00e9tica na pr\u00e1tica. \u00c9 amor e \u00e9 vida. \u00c9 criatividade e inova\u00e7\u00e3o. <strong>Os limites, quem diria, s\u00e3o libertadores! <\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na semana passada eu fiz uma coisa, para mim, quase impens\u00e1vel: comprei uma revista na g\u00f4ndola do supermercado, enquanto esperava na fila do caixa. N\u00e3o, n\u00e3o era uma revista de fofoca. Ai tamb\u00e9m seria demais! Foi a TRIP. 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