{"id":58,"date":"2006-07-25T00:57:00","date_gmt":"2006-07-25T03:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2006\/07\/a-invasao-dos-percevejos\/"},"modified":"2006-07-25T00:57:00","modified_gmt":"2006-07-25T03:57:00","slug":"a-invasao-dos-percevejos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2006\/07\/25\/a-invasao-dos-percevejos\/","title":{"rendered":"A invas\u00e3o dos percevejos!"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">Uma das coisas que aprendemos mais duramente quando somos treinados em ci\u00eancia, \u00e9 que nem tudo tem explica\u00e7\u00e3o. Ou mesmo que tenha, algumas vezes, ela foge a nossa compreens\u00e3o. N\u00e3o fosse assim, n\u00e3o ter\u00edamos tantos mitos, deuses e folclores (que ora divertem, ora aprisionam).<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/photos1.blogger.com\/blogger\/3223\/1360\/1600\/percevejos.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"cursor:pointer;margin:0 10px 10px 0\" src=\"http:\/\/photos1.blogger.com\/blogger\/3223\/1360\/320\/percevejos.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><br \/>Uma amiga querida me perguntou, j\u00e1 que eu era o bi\u00f3logo, por que sua casa foi invadida por percevejos. Apesar de ser um bi\u00f3logo apaixonado, que de vez em quando se espanta com o quanto \u00e0s pessoas desconhecem do que \u00e9 ser bi\u00f3logo, o mais engra\u00e7ado nesse momento seria criar uma teoria mirabolante para responder a mirabolante pergunta. De acordo com um outro amigo querido, filosofo (na verdade dono de buteco, o que \u00e9 quase a mesma coisa): A vers\u00e3o verdadeira deve ser sempre aquela que for a mais engra\u00e7ada!<\/p>\n<div style=\"text-align:justify\">No entanto, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o complicada. Do ponto de vista de quem pergunta, \u00e9 uma d\u00favida pertinente. Essa amiga viu sua casa (supostamente) invadida pelo cheiro, ovos e a presen\u00e7a do pestilento inseto. Do ponto de vista de quem responde, \u00e9 uma quest\u00e3o que pode n\u00e3o ter fundamento por que <span style=\"font-weight:bold\">algumas coisas simplesmente acontecem por acaso!<\/span><\/p>\n<p>Essa amiga se interessou pelo assunto e foi a Internet (o Or\u00e1culo) a procura de informa\u00e7\u00f5es. Descobriu que os percevejos s\u00e3o insetos do filo Arthropoda; classe Insecta e da ordem Hem\u00edptera (a mesma dos besouros). Como insetos, possuem 3 pares de patas (ao contr\u00e1rio dos aracn\u00eddeos, do mesmo filo, mas de outra classe, que possuem 4 pares de patas). Os sites a assustaram, falando sobre percevejos sugadores de sangue que adoram fazer ninhos nas camas. Na verdade esses insetos s\u00e3o caseiros, mas de diferentes tipos. Alguns voam, outros n\u00e3o, e nem todos fazem ninhos nos colch\u00f5es (menos ainda nos chuveirinhos higi\u00eanicos dos banheiros) e nem todos sugam sangue. A sua principal caracter\u00edstica, o cheiro desagrad\u00e1vel, \u00e9 justamente a sua ferramenta pra espantar os outros. Por outros, leia-se, seus inimigos, competidores e predadores.<\/p>\n<p>Mas o que faz com que uma casa seja invadida por percevejos? Um desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico? \u00c9 a pergunta e tamb\u00e9m a resposta mais natural, mas n\u00e3o necessariamente a correta.<\/p>\n<p>Vemos o dano que os desequil\u00edbrios ecol\u00f3gicos vem causando por todo planeta: Aquecimento global, falta d&#8217;\u00e1gua pot\u00e1vel, furac\u00f5es e tsunamis, derretimento da calota polar, mosquitos mutantes&#8230; Mas geralmente os vemos em notici\u00e1rios leigos e sensacionalistas.<\/p>\n<p>A primeira coisa que temos de descobrir \u00e9 se realmente ouve uma invas\u00e3o de percevejos. Os ovos de muitos insetos se parecem, e podem ser confundidos. O odor caracter\u00edstico dos percevejos pode permanecer em um ou mais c\u00f4modos da casa mesmo quando os animais, que estavam de passagem, j\u00e1 foram para outro local. A segunda coisa \u00e9 saber se \u00e9 um evento isolado. Seus vizinhos foram invadidos por percevejos? A rua? Saiu na televis\u00e3o?<\/p>\n<p>O mais prov\u00e1vel \u00e9 que n\u00e3o tenha havido desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico. A maior parte dos insetos \u00e9 oportunista. Quando encontra um ambiente favor\u00e1vel, um nicho ecol\u00f3gico desocupado, sem predadores e com oferta de alimento, se instala e explora o ambiente, tentando se reproduzir rapidamente (alguns machos humanos adoram fazer o mesmo em bares!). Mas o que leva a esse nicho estar desocupado? Provavelmente nunca poderemos responder.<\/p>\n<p>Apesar disso, certamente deve existir uma raz\u00e3o: um filho que foi passear no parque trouxe ovos ou mesmo uma f\u00eamea gr\u00e1vida na roupa e, tirando a camisa na sala depois do jantar, deixou os bichinhos perto de alimento e abrigo: tudo que eles precisam pra desencadear um processo de &#8220;o ambiente est\u00e1 prop\u00edcio para novas gera\u00e7\u00f5es, vamos reproduzir&#8221;. Mas tamb\u00e9m pode ter sido o cachorro do irm\u00e3o que veio passar o final de semana, ou um p\u00e1ssaro que pousou no terra\u00e7o. Quem pode saber?<\/p>\n<p>O acaso \u00e9 uma ferramenta poderosa, mas vamos deixar pra falar dele um outro dia.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das coisas que aprendemos mais duramente quando somos treinados em ci\u00eancia, \u00e9 que nem tudo tem explica\u00e7\u00e3o. Ou mesmo que tenha, algumas vezes, ela foge a nossa compreens\u00e3o. N\u00e3o fosse assim, n\u00e3o ter\u00edamos tantos mitos, deuses e folclores (que ora divertem, ora aprisionam). 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