{"id":598,"date":"2011-05-03T07:38:11","date_gmt":"2011-05-03T10:38:11","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2011\/05\/corrida_por_bom-bom\/"},"modified":"2011-05-03T07:38:11","modified_gmt":"2011-05-03T10:38:11","slug":"corrida_por_bom-bom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2011\/05\/03\/corrida_por_bom-bom\/","title":{"rendered":"Corrida por bom-bom"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"exclusao competitiva tilman et al 1981.jpg\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/files\/2011\/08\/exclusao%20competitiva%20tilman%20et%20al%2019811.jpg\" width=\"500\" height=\"324\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">Como dar uma aula diferente? Divertida? N\u00e3o tem receita. Pode ser um sucesso ou pode ser um fracasso, mas voc\u00ea tem que tentar.<br \/>\nPra mim, o maior problema das aulas de hoje \u00e9 a destila\u00e7\u00e3o de defini\u00e7\u00f5es. Todo mundo que d\u00e1 aula adora dar defini\u00e7\u00f5es para as coisas, ainda que elas raramente tragam uma significa\u00e7\u00e3o imediata para o aluno.<br \/>\nOlha essa defini\u00e7\u00e3o aqui:<em>&#8220;<strong>Mat\u00e9ria<\/strong> e <strong>Energia<\/strong> s\u00e3o dois estados diferentes de uma mesma <strong>qualidade fundamental<\/strong>: A <strong>Mat\u00e9ria<\/strong> se caracteriza pela massa de in\u00e9rcia, a <strong>Energia<\/strong> \u00e9 capaz de produzir trabalho. Esse conceito de <strong>Mat\u00e9ria<\/strong> (<strong>corpos<\/strong>) e <strong>Energia<\/strong> (<strong>campos<\/strong>), est\u00e1 contido na teoria dos campos.&#8221;<\/em><br \/>\nVoc\u00ea entendeu? Nem eu! Como posso ent\u00e3o explicar pros alunos?! N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Algumas coisas s\u00e3o simplesmente dif\u00edceis e a gente tem que ir aprendendo aos poucos, com muitos, muitos exemplos.<br \/>\nFelizmente, hoje tenho um coisa mais f\u00e1cil pra explicar: competi\u00e7\u00e3o: <em>&#8220;A ess\u00eancia da competi\u00e7\u00e3o interespec\u00edfica \u00e9 que indiv\u00edduos de uma esp\u00e9cie sofrem redu\u00e7\u00e3o na fecundidade, sobreviv\u00eancia ou crescimento como resultado da explora\u00e7\u00e3o de recursos ou interfer\u00eancia de indiv\u00edduos de outras esp\u00e9cies.&#8221;<\/em><br \/>\nAinda assim a defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o te diz muita coisa, n\u00e3o \u00e9? Vamos tentar de novo: <em>&#8220;No contexto da competi\u00e7\u00e3o por explora\u00e7\u00e3o, o competidor de maior sucesso \u00e9 aquele que explora mais efetivamente os recursos compartilhados. Duas esp\u00e9cies que explorem dois recursos podem competir e ainda coexistir quando cada esp\u00e9cies mantiver um dos recursos num n\u00edvel que seja muito baixo para a explora\u00e7\u00e3o efetiva pela outra esp\u00e9cie.&#8221;<br \/>\n<\/em><br \/>\nAjudou? N\u00e3o pra mim. Eu preciso ler esse trecho pelo menos umas 5 vezes antes dele come\u00e7ar a significar realmente alguma coisa. Mas pode ser pior: <em>&#8220;Um nicho fundamental \u00e9 a combina\u00e7\u00f5es de condi\u00e7\u00f5es e recursos que permitem a uma esp\u00e9cie existir quando considerada em isolamento de qualquer outra esp\u00e9cie. J\u00e1 o seu nicho realizado \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o condi\u00e7\u00f5es e recursos que permitem a ela existir na presen\u00e7a de outra esp\u00e9cie que pode ser prejudicial a sua exist\u00eancia.&#8221;<\/em><br \/>\nAff&#8230; j\u00e1 estou cansado s\u00f3 de me escutar dizendo isso. S\u00f3 pra terminar: <em>&#8220;O princ\u00edpio da exclus\u00e3o competitiva sup\u00f5e que, se duas esp\u00e9cies de competidores coexistirem em um ambiente est\u00e1vel, elas o fazem como um resultado da diferencia\u00e7\u00e3o de seus nichos realizados. Entretanto, se n\u00e3o existir tal diferencia\u00e7\u00e3o ou se esta for impedida pelo habitat, uma das esp\u00e9cies competidoras eliminar\u00e1 ou excluir\u00e1 a outra. Contudo, sempre quando vemos esp\u00e9cies em coexist\u00eancia apresentando nichos diferentes, n\u00e3o \u00e9 racional aceitar prontamente a conclus\u00e3o de que tal princ\u00edpio encontra-se em opera\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/em><br \/>\nPronto, cansei das defini\u00e7\u00f5es, vou ensinar competi\u00e7\u00e3o de outro jeito: com uma competi\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<img decoding=\"async\" alt=\"chokito.jpg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/chokito.jpg\" width=\"448\" height=\"336\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" \/><br \/>\nVou dar cinco perguntas para os meus alunos e publicar essas perguntas aqui no blog, agora, na mesma hora que a aula come\u00e7a. Quem, na turma, responder uma das perguntas primeiro, ganha um chocolate. Um Chokito pra ser mais espec\u00edfico. Mas pra competi\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser apenas intraespec\u00edfica, eu vou publicar esse post exatamente no mesmo momento em que a aula come\u00e7ar, e qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, pode tentar responder as 5 perguntas. Coloque o seu nome e endere\u00e7o e se voc\u00ea acertar, eu mando o <strong>Chokito<\/strong>. Al\u00e9m disso, se algu\u00e9m na internet responder antes dos meus alunos em sala de aula, eles, meus alunos, perdem um ponto na nota final.<br \/>\nAs 5 perguntas s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>1 &#8211; A competi\u00e7\u00e3o interespec\u00edca pode ser um resultado da explora\u00e7\u00e3o dos recursos ou da interfer\u00eancia direta. D\u00ea um exemplo de cada e compare suas consequ\u00eancias para as esp\u00e9cies envolvidas.<\/li>\n<li>2 &#8211; Explique como os conceitos de nicho especializado e nicho fundamental nos ajudam a entender os efeitos de competidores.<\/li>\n<li>3 &#8211; Porque \u00e9 imposs\u00edvel provar a exist\u00eancia de um efeito evolutivo da competi\u00e7\u00e3o interespec\u00edfica?<\/li>\n<li>4 &#8211; Quando vemos esp\u00e9cies com nichos diferentes coexistirem \u00e9 razo\u00e1vel concluir que este \u00e9 o princ\u00edpio da exclus\u00e3o competitiva em a\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>5 &#8211; Explique como a heterogeneidade do ambiente pode permitir que um competidor aparentemente fraco coexista com uma esp\u00e9cie que pode exclu\u00ed-lo.\n<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Agora eu quero ver se eles v\u00e3o ou n\u00e3o v\u00e3o entender o que \u00e9 exclus\u00e3o competitiva!<\/strong><br \/>\nPS: Ahhh&#8230; n\u00e3o aguento&#8230;. tenho que colocar mais uma defini\u00e7\u00e3o: <em>&#8220;A competi\u00e7\u00e3o intraespec\u00edfica \u00e9 um dos fen\u00f4menos mais fundamentais em ecologia, afetando n\u00e3o apenas a distribui\u00e7\u00e3o atual e o sucesso de esp\u00e9cies, mas tamb\u00e9m sua evolu\u00e7\u00e3o. Contudo, muitas vezes \u00e9 extremamente dif\u00edcil estabelecer a exist\u00eancia e os efeitos da competi\u00e7\u00e3o interespec\u00edfica, sendo necess\u00e1rio, para tanto, um arsenal de t\u00e9cnicas de observa\u00e7\u00e3o, experimenta\u00e7\u00e3o e modelagem.&#8221;<\/em> Que saco!<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como dar uma aula diferente? Divertida? N\u00e3o tem receita. Pode ser um sucesso ou pode ser um fracasso, mas voc\u00ea tem que tentar. Pra mim, o maior problema das aulas de hoje \u00e9 a destila\u00e7\u00e3o de defini\u00e7\u00f5es. 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