{"id":634,"date":"2011-07-14T03:29:08","date_gmt":"2011-07-14T06:29:08","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2011\/07\/sorriso_maracana\/"},"modified":"2011-07-14T03:29:08","modified_gmt":"2011-07-14T06:29:08","slug":"sorriso_maracana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2011\/07\/14\/sorriso_maracana\/","title":{"rendered":"Sorriso Maracan\u00e3"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"DSCN0692.JPG\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/DSCN06921.jpg\" width=\"500\" height=\"333\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">Apesar do brilhantismo vocal da nossa esp\u00e9cie, tamb\u00e9m apresentamos os mesmos padr\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o b\u00e1sicos de outras. Eles est\u00e3o relacionados com emo\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias e s\u00e3o prontamente reconhecidos pelo seu prop\u00f3sito. E ao contr\u00e1rio das l\u00ednguas e idiomas, esses sinais s\u00e3o independentes de ra\u00e7a ou cultura. Eles s\u00e3o o choro, o riso e o sorriso.<br \/>\nO choro \u00e9 partilhando pela maioria das esp\u00e9cies. Gritos, lam\u00farios e guinchos e chios s\u00e3o uma forma clara de transmitir susto ou dor. Tristeza tamb\u00e9m, mas principamente nos adultos. Quando somos pequenos choramos tamb\u00e9m pela aus\u00eancia de necessidades imediatas, pela perda de apoio f\u00edsico ou frente ao desconhecido. Pensando bem, quando somos adultos tamb\u00e9m. Al\u00e9m da verbaliza\u00e7\u00e3o, o choro \u00e9 acompanhado por uma s\u00e9rie de sinais visuais, manifestados principalmente na face: tens\u00e3o muscular, vermelhid\u00e3o, abertura da boca, retra\u00e7\u00e3o dos l\u00e1bios, lacrimejar e exagero na respira\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO choro poderia at\u00e9 ser um riso. E \u00e9. Ou melhor, o riso \u00e9 que \u00e9 um choro. Sabe quando dizem que<em> &#8216;rimos at\u00e9 chorar&#8217;<\/em>? O mais correto seria dizer que <em>&#8216;choramos at\u00e9 rir&#8217;<\/em>, porque aparentemente o riso \u00e9 que se origina do choro.<br \/>\nEnquanto o choro est\u00e1 presente desde o momento do nascimento, o riso aparece apenas por volta do 3 m\u00eas de vida, quando come\u00e7amos a reconhecer nossos pais. E mais precisamente, nossa m\u00e3e. <em>&#8220;Antes de aprender a identificar o rosto da m\u00e3e e a distingu\u00ed-lo de outros adultos, um bebe pode gorgolejar e balcuciar, mas n\u00e3o ri. Quando come\u00e7a a conhecer a pr\u00f3pria m\u00e3e, come\u00e7a tamb\u00e9m a ter medo dos outros adultos.&#8221;<\/em> E ai o riso ser\u00e1 importante.<br \/>\nConforme come\u00e7a a perceber o mundo a sua volta, o beb\u00ea aperfei\u00e7oa o seu sentimento de medo. Convenhamos: \u00e9 um mundo assustador! A m\u00e3e \u00e9 a principal (sen\u00e3o \u00fanica) fonte de conforto e seguran\u00e7a. Por\u00e9m, como tamb\u00e9m a m\u00e3e \u00e9 capaz de fazer coisas que assustam ao beb\u00ea, ele tem de administrar um conflito: chorar porque est\u00e1 assustado ou gorgojear e balbuciar porque est\u00e1 feliz? Perdido entre os dois, o beb\u00ea ri. Com o tempo (e a sele\u00e7\u00e3o natural), o riso se tornou uma resposta independente.<br \/>\nO riso \u00e9 uma resposta dram\u00e1tica, que indica que um perigo existe, mas n\u00e3o \u00e9 real. \u00c9 um aval para uma brincadeira continuar, um sinal de confian\u00e7a. Se a brincadeira causar maior desconforto, o riso vira choro e a resposta da m\u00e3e passa a ser de prote\u00e7\u00e3o. O riso indica que a pessoa est\u00e1 pronta para ultrapassar seus limites e explorar o mundo a sua volta.<br \/>\nN\u00e3o somos apenas n\u00f3s que rimos. O famoso \u00fau-\u00fau-\u00fau dos chimpanz\u00e9s tamb\u00e9m \u00e9 o resultado da mistura da sua cara-de-felicidade (l\u00e1bios projetados o m\u00e1ximo para frente) com a cara-de-medo (l\u00e1bios retra\u00eddos com os dentes a mostra), que transforma o grunhido nesse som. S\u00f3 que a medida que o tempo passa, os chimpanz\u00e9s ficam mais s\u00e9rios e brincam pouco quando se tornam adultos. N\u00f3s, por outro lado, continuamos brincalh\u00f5es, e transformamos o &#8216;riso&#8217; em uma importante arma social. <strong><em>&#8220;Rir \u00e9 um duplo insulto, porque indica que o outro \u00e9 assustadoramente esquisito e, ao mesmo tempo, que n\u00e3o vale a pena lev\u00e1-lo a s\u00e9rio&#8221;<\/em><\/strong> afirma <em>Desmond Morris<\/em> no excelente livro <em>&#8216;O Macaco Nu&#8217;<\/em>.<br \/>\nJ\u00e1 o sorriso se diferenciou a partir do riso para se tornar uma resposta espec\u00edfica, um sinal de sauda\u00e7\u00e3o entre membros da esp\u00e9cie. Enquanto uma sauda\u00e7\u00e3o com um riso pode ser desconfort\u00e1vel (afinal, est\u00e3o te chamando de esquisito) a sauda\u00e7\u00e3o com o sorriso indica apenas amabilidade. Um beb\u00ea de 7 meses \u00e9 incapaz de diferenciar um quadrado de um tri\u00e2ngulo, mas reconhece perfeitamente esse leve al\u00e7ar dos cantos da boca que configuram o sorriso.<br \/>\n<em>&#8220;Todos os contatos sociais provocam pelo menos um certo medo. O comportamento do outro indiv\u00edduo na ocasi\u00e3o do encontro \u00e9 sempre uma inc\u00f3gnita. Tanto o riso quanto o sorriso indicam a exist\u00eancia desse medo, associado com sentimentos de atra\u00e7\u00e3o e bom acolhimento. (&#8230;) O sorriso m\u00fatuo assegura aos que sorriem que ambos est\u00e3o num estado de esp\u00edrito ligeiramente apreensivo, mas com atra\u00e7\u00e3o rec\u00edproca. Estar ligeiramente receoso significa estar n\u00e3o agressivo e estar n\u00e3o agressivo significa estar amig\u00e1vel; dessa maneira, o sorriso constitui um dispositivo de atra\u00e7\u00e3o amig\u00e1vel.&#8221;<\/em><br \/>\nA chave para entender o sorriso parece estar na nossa pele sem pelos (ao menos comparado aos outros primatas). Um beb\u00ea que come\u00e7a a se desgarrar da m\u00e3e para explorar o mundo, quando quer voltar a seguran\u00e7a do conv\u00edvio materno, tem sempre dois desafios: chamar a aten\u00e7\u00e3o da m\u00e3e e manter essa aten\u00e7\u00e3o. O primeiro \u00e9 f\u00e1cil, basta chorar. Qualquer m\u00e3e que esteja tentando dormir sabe disso. O segundo \u00e9 mais dif\u00edcil. Os macacos n\u00e3o precisavam se preocupar com isso, porque j\u00e1 nasciam fortes e quando a m\u00e3e se aproximava atendendo ao chamado do choro, eles logo se agarravam nela segurando no pelo. Pra n\u00e3o desgrudar mais. Como n\u00f3s nascemos fracos e nossas m\u00e3es n\u00e3o tem pelos, temos que usar uma outra estrat\u00e9gia para manter o foco da aten\u00e7\u00e3o da m\u00e3e: \u00e9 ai que entra o sorriso. A m\u00e3e fica t\u00e3o feliz de ver aquela coisinha sorrindo, que n\u00e3o consegue mais deix\u00e1-la. E sorri. O beb\u00ea fica t\u00e3o feliz de estar com a m\u00e3e e v\u00ea-la sorrindo, que sorri mais ainda.<br \/>\n<img decoding=\"async\" alt=\"DSCN0834.JPG\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/08\/DSCN0834.jpg\" width=\"500\" height=\"375\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" \/>O sorriso diz para ambas as partes <em>&#8220;Eu sou amig\u00e1vel, fique comigo&#8221;<\/em>. Um gesto que d\u00e1 origem a uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia de felicidade. Que ningu\u00e9m sabia provocar como Danielli Pureza (<em>in memoriam<\/em>).<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar do brilhantismo vocal da nossa esp\u00e9cie, tamb\u00e9m apresentamos os mesmos padr\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o b\u00e1sicos de outras. Eles est\u00e3o relacionados com emo\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias e s\u00e3o prontamente reconhecidos pelo seu prop\u00f3sito. E ao contr\u00e1rio das l\u00ednguas e idiomas, esses sinais s\u00e3o independentes de ra\u00e7a ou cultura. Eles s\u00e3o o choro, o riso e o sorriso. 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