{"id":66,"date":"2006-07-28T01:39:00","date_gmt":"2006-07-28T04:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/2006\/07\/o-que-voce-ja-aprendeu-com-um-best-seller\/"},"modified":"2006-07-28T01:39:00","modified_gmt":"2006-07-28T04:39:00","slug":"o-que-voce-ja-aprendeu-com-um-best-seller","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2006\/07\/28\/o-que-voce-ja-aprendeu-com-um-best-seller\/","title":{"rendered":"O que voc\u00ea j\u00e1 aprendeu com um best-seller?"},"content":{"rendered":"<p>Vejam que legal. Uma amiga escritora viu o VQEB e me convidou pra escrever em uma <a href=\"http:\/\/www.autoria.com.br\/\">oficina liter\u00e1ria<\/a> onde ela orienta alunos de literatura e f\u00edsica a terem uma linguagem comum de aprendizado, a literatura. Eu ent\u00e3o, pra n\u00e3o fazer feio, pensei muito no assunto e vi que ele renderia n\u00e3o s\u00f3 um texto, mas, me arrisco a dizer, uma revolu\u00e7\u00e3o no ensino. Eis o texto que mandei para o site dela:<\/p>\n<div style=\"text-align:justify\"><a href=\"http:\/\/photos1.blogger.com\/blogger\/3223\/1360\/1600\/codiigodavinci.0.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" style=\"text-align:center;cursor:pointer;margin:0 auto 10px\" src=\"http:\/\/photos1.blogger.com\/blogger\/3223\/1360\/400\/codiigodavinci.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a><br \/>Enquanto os cientistas se aprofundam cada vez mais em descobertas inacess\u00edveis ao p\u00fablico leigo e se sentem incapazes (acham desnecess\u00e1rio ou s\u00e3o incompetentes) para transmitir o conhecimento das suas descobertas para o p\u00fablico leigo, os autores de fic\u00e7\u00e3o est\u00e3o contando hist\u00f3rias que transmitem essas informa\u00e7\u00f5es de uma forma suave e divertida.<\/p>\n<p>Atualmente se segue uma ordem compartimentalizada para comunicar a informa\u00e7\u00e3o. Primeiro se publica em formato e linguagem cient\u00edfica, os artigos cient\u00edficos; depois se divulga em linguagem para leigos, os artigos de jornais e revistas, alem de alguns programas de televis\u00e3o; em terceiro na forma de manual, o material did\u00e1tico; e por fim, a totalmente inexplorada propaganda das descobertas cient\u00edficas: o marketing cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Existem profissionais para cada uma dessas atividades, mas nenhum que passeie por todas elas. Os cientistas escrevem seus artigos chat\u00edssimos e totalmente inacess\u00edveis em revistas especializadas. Os jornalistas tentam divulgar a informa\u00e7\u00e3o para os leigos, mas a velocidade dos meios de comunica\u00e7\u00e3o como jornal e televis\u00e3o, impedem que a informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica seja verificada e transmitida com cuidado requerido pelo pesquisador que gerou essa informa\u00e7\u00e3o. A divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas equivocadas por parte da imprensa tem sido motivo de atrito entre pesquisadores e jornalistas por muito tempo, e afastado a ci\u00eancia dos notici\u00e1rios. \u00c9 verdade que muitos jornalistas, atr\u00e1s do furo, acabam tratando descobertas cient\u00edficas como se fossem fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica (ou seja, com sensacionalismo). O material did\u00e1tico por outro lado \u00e9 sempre antiquado e de renova\u00e7\u00e3o lenta. E nem de longe acompanha a velocidade das novas descobertas (e viva as iniciativas como a <a href=\"http:\/\/www.multirio.rj.gov.br\/seculo21\/\">s\u00e9culo 21<\/a>, que tentam suprir essa falha do material did\u00e1tico) e o marketing&#8230; acho que os publicit\u00e1rios nunca ouviram falar de ci\u00eancia na faculdade. Nem se interessam por isso. Enquanto para os cientistas isso parece ser a forma de transmiss\u00e3o do conhecimento menos importante, comparada as outras. Um erro que pode estar sendo fatal.<\/p>\n<p>Por que um de n\u00f3s n\u00e3o pode preencher todos os quesitos e comunicar, de uma s\u00f3 vez, a informa\u00e7\u00e3o acess\u00edvel a todos os grupos? N\u00e3o seria a narrativa a ferramenta que viabilizaria esse desafio? Se a narrativa e uma ferramenta importante para o ensino, ent\u00e3o o <span style=\"font-style:italic\">best-seller<\/span> &#8220;O C\u00f3digo da Vinci&#8221; deveria ser um livro did\u00e1tico. E \u00e9!<\/p>\n<p>Em seus 4 livros, Dan Brown comunicou mais ci\u00eancia e hist\u00f3ria (e para mais pessoas) do que todos os artigos cient\u00edficos e livros did\u00e1ticos que li no \u00faltimo ano. O mesmo vale para outros livros como &#8220;O enigma do 4&#8221; e &#8220;Aqueles malditos c\u00e3es do Arquelau&#8221;. &#8220;O mundo de Sofia&#8221; conseguiu me ensinar mais (alguma) filosofia enquanto do que todos os livros citados pelo autor que eu tentei ler. Quem nunca aprendeu sobre lei e justi\u00e7a lendo livros como &#8220;O peso da verdade&#8221;?<\/p>\n<p>Tem uma lenda urbana que diz que a primeira vez que Einstein foi comunicar sua teoria da relatividade especial, ningu\u00e9m entendeu. Ent\u00e3o ele tentou simplificar um pouco e contou a est\u00f3ria de novo. Ningu\u00e9m entendeu ainda. E ele simplificou mais e mais e mais vezes, at\u00e9 que, quando a plat\u00e9ia conseguiu entender o que era, n\u00e3o era mais a teoria da relatividade especial.<\/p>\n<p>Como estabelecer o v\u00ednculo entre a fantasia e a realidade, para que as informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas n\u00e3o sejam incorporadas erroneamente ou super simplificadas durante a narrativa? <span style=\"font-weight:bold\">O professor(!)<\/span> vira pe\u00e7a fundamental nesse processo. E na aus\u00eancia do professor, o computador e a Internet podem preencher a lacuna com aulas virtuais, acesso aos as fontes da informa\u00e7\u00e3o e criando um ambiente virtual de discuss\u00e3o dos alunos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o do aluno ser autodidata e aprender com livros de narrativa, mas do professor ensinar com esses livros. E do pesquisador &#8220;comunicar&#8221; com eles. <span style=\"font-weight:bold\">Enquanto a TV, o cinema, o computador e a Internet bombardeiam os jovens com linguagens cada vez mais din\u00e2micas e interessantes, estamos apegados a um modelo de ensino fadado a&#8230; monotonia.<\/span><\/p>\n<p>E n\u00f3s podemos perdoar um monte de coisas, mas a chatice n\u00e3o \u00e9 uma delas!<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vejam que legal. 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