{"id":857,"date":"2011-09-20T08:22:56","date_gmt":"2011-09-20T11:22:56","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/?p=857"},"modified":"2011-09-20T08:22:56","modified_gmt":"2011-09-20T11:22:56","slug":"bela_demais_nao_ser_verdadeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2011\/09\/20\/bela_demais_nao_ser_verdadeira\/","title":{"rendered":"&quot;Bela demais para n\u00e3o ser verdadeira&quot;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/09\/pavao_1259078_30723069.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-863\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/09\/pavao_1259078_30723069.jpg\" alt=\"\" width=\"545\" height=\"409\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/09\/pavao_1259078_30723069.jpg 545w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/09\/pavao_1259078_30723069-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/wp-content\/uploads\/sites\/223\/2011\/09\/pavao_1259078_30723069-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 545px) 100vw, 545px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Estou lendo novamente <strong>&#8216;O Fim da Ci\u00eancia&#8217;<\/strong> de <em>John Horgan<\/em>. Como editor da <strong>Scientific American<\/strong> durante muitos anos, <em>Horgan<\/em> teve de entrevistar algumas das maiores mentes cient\u00edficas do s\u00e9culo XX. E a todas elas fez a pergunta: <em>&#8220;Voc\u00ea acha que a ci\u00eancia j\u00e1 acabou?&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Logo nas primeiras p\u00e1ginas, ele fala que foi entrevistar <em>Roger Penrose<\/em>. <em>Penrose<\/em> havia acabado de escrever <strong>&#8216;A mente nova do emperador&#8217;<\/strong> um livro que ele pr\u00f3prio (<em>Horgan<\/em>) classificou como denso e dif\u00edcil. Eu confesso que a primeira vez que vi o tijolo que \u00e9 esse livro, fiquei assustado. Foi durante o mestrado, em Rio Grande, nas m\u00e3os do meu amigo Andr\u00e9 &#8216;Batata&#8217; Barreto. O Batata, Nerd mais gente boa que j\u00e1 conheci, falou sobre o qu\u00e3o viajante, doido e dif\u00edcil era o livro. E se o Batata tinha achado dif\u00edcil&#8230; \u00e9 porque realmente era.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas o que <em>Horgan<\/em> fala \u00e9 que <em>Penrose<\/em>, desiludido com o que o panorama da ci\u00eancia tinha a oferecer naquele momento para explicar o que ele definia como &#8216;a \u00faltima fronteira do conhecimento&#8217;, a consci\u00eancia, se permite criar toda uma teoria para explicar o pensamento, sem nenhuma evid\u00eancia para suas especula\u00e7\u00f5es. Claro&#8230; ele simplesmente estava propondo uma maneira de realizar a t\u00e3o sonhada unifica\u00e7\u00e3o da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica com a relatividade geral de <em>Einstein<\/em> (em cuja interface residiria a consci\u00eancia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A base cient\u00edfica dos argumentos \u00e9 um dos principais crit\u00e9rios quando avalio uma tese ou quando um artigo meu \u00e9 avaliado por um <em>referee<\/em>. Sem essa base, tudo vira especula\u00e7\u00e3o. Ou imagina\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 que uma (especula\u00e7\u00e3o) tem conota\u00e7\u00e3o negativa enquanto a outra (imagina\u00e7\u00e3o) tem conota\u00e7\u00e3o positiva. Mas ser\u00e1 que elas s\u00e3o diferentes? E de quanta especula\u00e7\u00e3o precisa a ci\u00eancia para crescer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Enquanto escrevo minha mente n\u00e3o para. <em>&#8220;Ser\u00e1 que na verdade a diferen\u00e7a est\u00e1 em &#8216;quem&#8217; especula?&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sim, porque, pensem comigo, quando um cientista desinformado especula por pregui\u00e7a de ler, a chance dessa especula\u00e7\u00e3o ser criativa e trazer nova luz a problemas sem solu\u00e7\u00e3o \u00e9 muito pequena. A maior chance \u00e9 que ele re-invente a roda. J\u00e1 se um cientista como <em>Penrose<\/em> esgota as possibilidades de explica\u00e7\u00e3o com base nas evid\u00eancias existentes e come\u00e7a a especular sem base nas evid\u00eancias, ai pode ser que algo de produtivo apare\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda assim, essa nova especula\u00e7\u00e3o deve ter algum tipo de crit\u00e9rio. <em>&#8220;Penrose \u00e9 um plat\u00f4nico confesso&#8221;<\/em> Diz <em>Horgan<\/em>, <em>&#8220;Os cientistas n\u00e3o inventam a verdade, eles as descobrem. Das verdades genu\u00ednas emana uma beleza, uma corre\u00e7\u00e3o, uma qualidade evidente por si mesma, que lhes d\u00e1 o poder da revela\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/em> Para <em>Penrose<\/em>, a &#8216;beleza&#8217; \u00e9 o crit\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A beleza n\u00e3o \u00e9 um crit\u00e9rio totalmente subjetivo: simetria, ordem, padr\u00e3o, s\u00e3o todos crit\u00e9rios de beleza que podem ser medidos e avaliados. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 novidade e diversidade e esses&#8230; s\u00e3o crit\u00e9rios dif\u00edceis de serem avaliados, porque dependem de contexto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Apesar da subjetividade, a beleza est\u00e1 presente no m\u00e9todo cient\u00edfico. E de uma maneira muito&#8230; bonita. \u00c9 a beleza (ou como quer que voc\u00ea queira determinar um crit\u00e9rio est\u00e9tico) que vai determinar, entre duas perguntas similares, qual \u00e9 aquela que o pesquisador vai escolher para estudar. Para aplicar o m\u00e9todo cient\u00edfico. E a escolha&#8230; na minha opini\u00e3o, \u00e9 o que diferencia o cientista espetacular do cientista bom, ou muito bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>&#8220;\u00c9 bela demais para n\u00e3o ser verdadeira&#8221;<\/em> disse <em>Rosalin Franklin<\/em> ao ver o esquema da estrutura da dupla h\u00e9lice do DNA proposto por <em>Watson<\/em> e <em>Crick<\/em>, enquanto o modelo proposto por ela, respons\u00e1vel pelas imagens de difra\u00e7\u00e3o de raios X de alta qualidade que os dois outros pesquisadores usaram para fazer sua descoberta, n\u00e3o se sustentava. A beleza n\u00e3o pode ser considerada uma evid\u00eancia, mas parece que elas andam lado a lado. Uma evid\u00eancia de qualidade \u00e9 sempre bonita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Agora, lendo essas coloca\u00e7\u00f5es de <em>Horgan<\/em> e <em>Penrose<\/em>, penso que existe mais uma brecha no m\u00e9todo cient\u00edfico onde a beleza se encaixa: na especula\u00e7\u00e3o da discuss\u00e3o. Mas com muito cuidado. A beleza s\u00f3 pode ser utilizada como argumento quando todas as outras evid\u00eancias tiverem se esgotado. Mas quando podemos considerar que esgotamos todas as evid\u00eancias e podemos come\u00e7ar a utilizar a beleza como argumento?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando voc\u00ea descobrir, vai conseguir diferenciar um cientista ruim de um bom.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estou lendo novamente &#8216;O Fim da Ci\u00eancia&#8217; de John Horgan. Como editor da Scientific American durante muitos anos, Horgan teve de entrevistar algumas das maiores mentes cient\u00edficas do s\u00e9culo XX. E a todas elas fez a pergunta: &#8220;Voc\u00ea acha que a ci\u00eancia j\u00e1 acabou?&#8221; Logo nas primeiras p\u00e1ginas, ele fala que foi entrevistar Roger Penrose. 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