{"id":873,"date":"2011-11-19T18:47:33","date_gmt":"2011-11-19T21:47:33","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/vqeb\/?p=873"},"modified":"2011-11-19T18:47:33","modified_gmt":"2011-11-19T21:47:33","slug":"viagens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/vqeb2\/2011\/11\/19\/viagens\/","title":{"rendered":"Viagens"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">Contemplativo. Linda essa palavra, n\u00e3o \u00e9?! No final de semana em que completei 40 anos, viajei pra serra. Enquanto caminhava pelas trilhas e rios, admirava a paisagem e, de vez em quando, parava em algum lugar mais bonito para observar. Quem me via de longe poderia pensar: &#8220;que rapaz contemplativo&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas que nada. Minha mente estava agitada. Do mesmo jeito que a bela imagem da queda d&#8217;\u00e1gua \u00e9 constru\u00edda pelo inexor\u00e1vel fluxo de mol\u00e9culas de H2O coordenados pelas leis da f\u00edsica e regidos pelas leis do acaso geram a imagem da cachoeira, a passagem de ions de s\u00f3dio e pot\u00e1ssio atrav\u00e9s da membrana plasm\u00e1tica dos meus neur\u00f4nios geravam a agita\u00e7\u00e3o intelectual que n\u00e3o podia ser percebida por quem me via ali&#8230; hipnotizado por uma cachoeira&#8230; da mesma forma que ficamos hipnotizados pelo fogo da fogueira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Inexor\u00e1vel. Outra bela palavra, dessa vez pela sua for\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E o que deveria me acalmar, me angustiou. Simplesmente algumas mol\u00e9culas de \u00e1gua v\u00e3o pela direita na bifurca\u00e7\u00e3o, empurradas por uma massa de mol\u00e9culas de \u00e1gua exatamente iguais a ela, sem que haja nenhuma chance dela mudar seu rumo. Outras mol\u00e9culas&#8230; seguem tem o mesmo destino, mas pela esquerda. O destino dessas mol\u00e9culas foi determinado metros atr\u00e1s, quando (pelo menos) algumas delas poderiam estar lado a lado uma da outra. Mas para outras mol\u00e9culas de \u00e1gua, o destino direita\/esquerda \u00e9 determinado apenas ap\u00f3s o choque com a rocha. Um choque de uma fra\u00e7\u00e3o de tempo infinitamente pequena. E que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, se d\u00e1 entre \u00e1tomos de um lado (\u00e1gua) e \u00e1tomos do outro (rocha). Um n\u00famero incont\u00e1vel de vezes. Talvez um n\u00famero inimagin\u00e1vel de vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 por isso que tenho que assistir filmes do Steven Segal para relaxar. A contempla\u00e7\u00e3o \u00e9 algo quase imposs\u00edvel para mim. Uma bela cachoeira me transporta para um mundo qu\u00e2ntico onde a paz n\u00e3o existe. Mas que \u00e9 o mesmo mundo do vis\u00edvel, onde a \u00e1gua inexor\u00e1vel e o rio se bifurca a cada nova rocha que encontra pela frente. Um rio que corre independente do mundo invis\u00edvel, que somos n\u00f3s: nossos pensamentos, de nossas ang\u00fastias e de nossas vontades. E que agora mesmo, meses depois, continua l\u00e1: correndo contra o tempo e se chocando nas rochas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esses foram 15 minutos na vida do Mauro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E depois me pergunto porque as pessoas n\u00e3o acreditam quando eu digo que n\u00e3o uso, nem nunca usei, drogas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Contemplativo. Linda essa palavra, n\u00e3o \u00e9?! No final de semana em que completei 40 anos, viajei pra serra. Enquanto caminhava pelas trilhas e rios, admirava a paisagem e, de vez em quando, parava em algum lugar mais bonito para observar. 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