{"id":75,"date":"2016-05-20T06:42:10","date_gmt":"2016-05-20T09:42:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/xaoquadrado\/?p=75"},"modified":"2016-05-25T15:15:42","modified_gmt":"2016-05-25T18:15:42","slug":"quando-eu-crescer-quero-ser-churrasqueiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/xaoquadrado\/2016\/05\/20\/quando-eu-crescer-quero-ser-churrasqueiro\/","title":{"rendered":"Quando eu crescer, quero ser churrasqueiro!"},"content":{"rendered":"<p>Desde que a minha filha mais velha nasceu, h\u00e1 10 anos atr\u00e1s, eu passei a ter o privil\u00e9gio de estar frequentemente rodeada por crian\u00e7as: primos, coleguinhas de escola, garotada da vizinhan\u00e7a&#8230; Nessas ocasi\u00f5es, uma das minhas maiores divers\u00f5es \u00e9 fazer perguntas incomuns a eles, tais como: &#8220;Estou com vontade de ler um livro, voc\u00ea tem algum para me indicar?&#8221;, &#8220;Estou um pouco entediada porque n\u00e3o descobri nada novo essa semana, voc\u00ea descobriu alguma coisa que pudesse dividir comigo?&#8221;.<\/p>\n<p>As respostas nuncam me decepcionam e sempre tornam meu dia mais feliz.<\/p>\n<p>Existe por\u00e9m uma pergunta (a mais sem gra\u00e7a de todas, devo admitir) cuja resposta sempre me deixa inquieta. Estou falando da cl\u00e1ssica pergunta: o que voc\u00ea gostaria de ser quando crescer?<\/p>\n<p>A minha inquieta\u00e7\u00e3o vem do fato que nos \u00faltimos 10 anos conheci futuros jogadores de futebol, bombeiros, cantores e cantoras, modelos de revista, m\u00e9dicos, professores, crian\u00e7as que almejavam ser m\u00e3e, crian\u00e7as que almejavam ser pai, soldados, policiais, super-her\u00f3is e hero\u00ednas, detetives, guitarristas, artistas, jornalistas e at\u00e9 um garoto simp\u00e1tico que queria ser churrasqueiro, pois adorava carne, ele dizia.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, nunca tive a oportunidade de conhecer futuros cientistas&#8230; Ok, eu j\u00e1 admiti que essa pergunta \u00e9 sem gra\u00e7a pr\u00e1 caramba e eu sei que para a maioria das crian\u00e7as a palavra &#8220;cientista&#8221; \u00e9 um &#8220;palavr\u00e3o&#8221; abstrato. Mas, pensando bem, ser\u00e1 que isso n\u00e3o \u00e9 mesmo um grande problema? Principalmente para um pa\u00eds como o Brasil?<\/p>\n<h4>Incentivando a busca pelo conhecimento cient\u00edfico desde a inf\u00e2ncia<\/h4>\n<p>Nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo 19 a educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica formal para jovens n\u00e3o era algo comum ou amplamente disseminado. \u00c0quela \u00e9poca viveu um gigante cientista que, apesar da origem humilde e de ter interrompido seus estudos aos 13 anos de idade, foi respons\u00e1vel por in\u00fameros estudos em eletricidade e magnetismo, cujas conclus\u00f5es possibilitaram o desenvolvimento do mundo moderno e suas tecnologias avan\u00e7adas.<\/p>\n<p><figure style=\"width: 421px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/a\/a0\/Faraday_Michael_Christmas_lecture_detail.jpg\" width=\"421\" height=\"276\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Por Alexander Blaikley (1816 &#8211; 1903) [dom\u00ednio p\u00fablico], via Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>Considerando sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e ciente da import\u00e2ncia dos estudos cient\u00edficos para a sociedade, em 1825 Michael Faraday deu a primeira &#8220;Palestra de Natal&#8221; da <a href=\"http:\/\/www.rigb.org\/\">Royal Institution<\/a>; um espet\u00e1culo cient\u00edfico, totalmente dedicado ao p\u00fablico infantil, no per\u00edodo t\u00edpico de f\u00e9rias escolares no hemisf\u00e9rio Norte. Desde 1825, as Palestras de Natal s\u00e3o oferecidas todos os anos (tendo sido interrompidas apenas durante os anos de guerra, entre 1939 e 1942, quando era considerado perigoso levar as crian\u00e7as at\u00e9 Londres). Atualmente, as Palestras de Natal da Royal Society s\u00e3o tamb\u00e9m transmitidas pela TV brit\u00e2nica, facilidade tecnol\u00f3gica que repousa sobre os alicerces cient\u00edficos constru\u00eddos por Faraday.<\/p>\n<p>Coincid\u00eancia ou n\u00e3o, a Gr\u00e3-Bretanha, uma ilha com territ\u00f3rio quarenta vezes menor que o brasileiro e aproximadamente um quarto de nossa popula\u00e7\u00e3o, tem um n\u00famero de patentes depositadas anualmente aproximadamente 50% maior que o Brasil.<a href=\"#anc2\">*<\/a><\/p>\n<h4>Brasileiros &#8220;desconfiam&#8221; que Ci\u00eancia seja importante, mas n\u00e3o interagem com ela<\/h4>\n<p>Em 2015, o Centro de Gest\u00e3o e Estudos Estrat\u00e9gicos (CGEE) e o Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI) divulgaram os resultados da <a href=\"http:\/\/percepcaocti.cgee.org.br\/\">Pesquisa de Percep\u00e7\u00e3o P\u00fablica de Ci\u00eancia e Tecnologia no Brasil.<\/a><\/p>\n<p>Segundo a pesquisa, a maioria dos brasileiros,\u00a0 73% dos entrevistados, carrega a intui\u00e7\u00e3o que Ci\u00eancia &amp; Tecnologia trazem benef\u00edcios \u00e0 humanidade. Adicionalmente, 61% dizem ter interesse neste tema.<\/p>\n<p>No entanto, surpreendentes 87.2% dos entrevistados n\u00e3o foi capaz de se lembrar do nome de alguma institui\u00e7\u00e3o que se dedique a fazer pesquisa cient\u00edfica no pa\u00eds. O resultado \u00e9 ainda pior para a faixa et\u00e1ria dos 16 aos 18 anos, em que 96% dos entrevistados n\u00e3o soube nomear nenhuma institui\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira. <a href=\"#anc1\">**<\/a><\/p>\n<p>Pausa na leitura! Pense r\u00e1pido no nome de um grande cientista brasileiro!<\/p>\n<p>Se voc\u00ea n\u00e3o chegou \u00e0 uma resposta em menos de 10 segundos, n\u00e3o fique envergonhado. Dentre os entrevistados da pesquisa, 93.3% disseram n\u00e3o lembrar do nome de algum cientista brasileiro importante. Mais uma vez, o resultado entre os jovens de 16 a 18 anos foi pior: 98% dos entrevistados afirma n\u00e3o se lembrar de nenhuma personalidade da ci\u00eancia brasileira, ainda que talvez sejam capazes de recitar escala\u00e7\u00f5es inteiras de times de futebol do Brasil e do exterior.<\/p>\n<p>Um outro dado interessante da pesquisa, talvez jogue um pouco de luz sobre a minha inquieta\u00e7\u00e3o de nunca ter encontrado um aspirante a cientista. A maioria dos entrevistados, acima de 73%, n\u00e3o visitou nenhum zool\u00f3gico, museu cient\u00edfico, ou feira de ci\u00eancias no \u00faltimo ano. Em bom portugu\u00eas, infelizmente, as crian\u00e7as brasileiras n\u00e3o t\u00eam tido a oportunidade de brincarem com a ci\u00eancia.<\/p>\n<h4>Fa\u00e7a parte da revolu\u00e7\u00e3o!<\/h4>\n<p>A import\u00e2ncia da Ci\u00eancia em nossas vidas pode n\u00e3o ser \u00f3bvia mas, na realidade, o exerc\u00edcio contr\u00e1rio \u00e9 mais dif\u00edcil: tentar imaginar algo em nossas vidas que n\u00e3o tenha o impacto da Ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Do alimento que seus filhos comem ao pre\u00e7o do etanol no posto de combust\u00edvel, a Ci\u00eancia sempre est\u00e1 l\u00e1. Da falta de \u00e1gua que vimos enfrentando nos \u00faltimos anos ao n\u00famero de infectados pela Dengue, a aus\u00eancia da Ci\u00eancia pode ser catastr\u00f3fica. Estar informado sobre as pol\u00edticas p\u00fablicas de Ci\u00eancia e Tecnologia \u00e9 importante n\u00e3o porque elas impactam diretamente a perspectiva futura da riqueza do pa\u00eds mas porque ela, primordialmente, impacta a SUA vida.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que voc\u00ea esteja lendo este post de maneira totalmente descompromissada e talvez n\u00e3o tenha notado que est\u00e1 sendo convocado para iniciar uma revolu\u00e7\u00e3o: a de contribuirmos para a forma\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito de crian\u00e7as e jovens interessados nas \u00e1reas de ci\u00eancias e tecnologia.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que n\u00e3o precisa ser um especialista para promover esta revolu\u00e7\u00e3o e voc\u00ea \u00e9 uma parte importante dela. Quer saber como? N\u00e3o mude de esta\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<hr \/>\n<p><a id=\"anc2\"><\/a>*O n\u00famero de patentes geradas por um pa\u00eds \u00e9 uma das m\u00e9tricas que avaliam sua capacidade de transformar investimentos em ci\u00eancia em riqueza econ\u00f4mica para o pa\u00eds.<\/p>\n<p><a id=\"anc1\"><\/a>** Esses dados me fazem lembrar do jovem que, durante a UPA (&#8220;Unicamp de Portas Abertas&#8221;), me confessou que n\u00e3o sabia que a Unicamp era algo mais que seu Hospital das Cl\u00ednicas (o HC, como \u00e9 conhecido na cidade). Outro me perguntou quanto tinha que pagar para estudar na Unicamp.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que a minha filha mais velha nasceu, h\u00e1 10 anos atr\u00e1s, eu passei a ter o privil\u00e9gio de estar<\/p>\n","protected":false},"author":90,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[17,13,15,11,16,12,18,14],"class_list":["post-75","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ct-para-criancas-e-jovens","tag-adolescentes","tag-ciencia","tag-criancas","tag-educacao","tag-jovens","tag-percepcao","tag-revolucao","tag-tecnologia"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/xaoquadrado\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/xaoquadrado\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/xaoquadrado\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/xaoquadrado\/wp-json\/wp\/v2\/users\/90"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/xaoquadrado\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/xaoquadrado\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":96,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/xaoquadrado\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75\/revisions\/96"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/xaoquadrado\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/xaoquadrado\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/xaoquadrado\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}