Com emoção, o Museu da Fiocruz

“Você deu trabalho para seu anjo da guarda!”, me disse um simpático diretor de escola de samba do Rio. Tudo porque eu tentei duas vezes – consegui na segunda – visitar o Museu da Vida da Fiocruz, no Rio de Janeiro (RJ). Entrar no museu, em si, foi o problema relevante para mim. Mas, primeiramente, o diretor da escola de samba se referia ao bairro Manguinhos, onde está localizada a atração turística-científica.
Antes de ir, minha tia fez uma interessante pergunta: “Você quer com emoção ou sem?” – uma referência aos fabulosos bugues do Nordeste. Como não pedi para ela me levar de carro, optei pelo “com emoção” de ônibus. Por lá, Manguinhos, um monte de camelô vende nos pontos de ônibus desde pilhas até pastéis. Os prédios comerciais tem os vidros, as persianas, os batentes blindados. Para chegar ao museu, temos que atravessar a Av. Brasil por uma passarela pendenga e pendendo a tomar uma bala encontrada – se ela te achou, não pode ser perdida! Por essas e outras, o agradecimento ao meu corajoso anjo da guarda.
Fui no último feriado emendado, na sexta-feira. Ao chegar, dei a cara no vidro verde contra balas. A mocinha da recepção explicou: “Hoje o museu não abre. Apesar de ser dia útil, o pessoal resolveu tirar folga”. “O jornal publicou que ele estaria aberto e disponibiliza um trem para andar pela propriedade”, eu disse. “Sinto muito. Tente voltar amanhã, mas ligue antes para confirmar”. Bárbaro. Lembrando que a Fiocruz está ligada ao Governo Federal.
No dia seguinte… Consegui, enfim, conhecer o local a pé. O jornal esqueceu de colocar que o trenzinho está quebrado. Apesar desses imprevistos, a visita foi produtiva. O museu é lindo, cercado pela Mata Atlântica. Conferi uma exposição temporária sobre biologia, no centro de recepção – que lembra uma estação de trem inglesa. Seguindo pelo lado esquerdo, cheguei ao Parque da Ciência. Ideal para crianças, pois possui brinquedos que explicam as leis da física, da biologia e outros estudos – foto abaixo. Ao lado dele, há uma biblioteca e um teatro que estavam fechados.
Andando à direita, encontrei o Espaço Biodiversidade. Trata-se do centro de exposições que fica em uma antiga Cavalariça – era ali que no início do século passado os animais eram usados na fabricação de vacinas. Ao lado dele, está, enfim, o prédio mais lindo do local: o Castelo Mourisco – primeira foto acima.
A construção neo-mourisca – os mouros eram os árabes que invadiram para ficar na Península Ibérica – foi idealizada pelo cientista Oswaldo Cruz. O arquiteto português Luiz de Moraes Júnior projetou tendo com base os croquis do médico. Para entrar no edifício, é preciso esperar um monitor como o Bruno, que forneceu as explicações.
Além da excêntrica construção, o lugar é cheio de particularidades. Tem gente que acha que o castelo foi, um dia, habitado por um rei, nobreza ou alguém com muito dinheiro. Nada disso. Ele foi criado para a Fiocruz. Seu desenho é repleto de detalhes para que, no futuro como hoje, as pessoas não quisessem destruir o lugar da ciência. Para a ciência não ficar sem casa.
Mais curiosidades sobre o museu: o design das lâmpadas é o mesmo do tubo de ensaio; o banheiro foi construído “destacado” do prédio para que os dejetos humanos não afetassem as pesquisas; o elevador mais antigo do Rio em funcionamento está no prédio, instalado em novembro de 1909; o material para a construção chegou de outros países de barco, onde hoje é a Av. Brasil antes era o mar, havia ali um mini porto. Veja tudo isso nas fotos. Não vou contar mais para deixar um gostinho de “quero visitar” na boca. Também, porque não sou estraga-surpresas.
Obs.: Perdi horas de um lindo sol de outono na praia de Ipanema, mas o lugar é bacana e grande. Quem quiser conferir suas atrações, deve chegar na hora em que abre. A entrada é gratuita. Ah e, claro, precisa ligar antes para conferir se estará aberto e os horários dos passeios. Veja mais sobre o museu aqui. Leia sobre a Fiocruz ali.

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