Primeiro trabalho de humanas sobre nanotecnologia

Muita gente ouve por aí esse palavrão, mas não tem a menor idéia do que se trata. Para discutir o tema com a sociedade e como objeto de ciências humanas, Paulo Martins – do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) do Estado de São Paulo – criou a Rede de Pesquisa em Nanotecnologia, Sociedade e Meio Ambiente (Renanosoma) em outubro de 2004. Assim, conversei rapidamente com o pesquisador para esclarecer as dúvidas mais simpróoorias sobre o tema. Aprenda um pouquinho mais de nanotecnologia:
Isis, eu: Mas o que é essa tal de nanotecnologia?
Paulo Martins: Na verdade, devemos falar ou escrever no plural. Porque trata-se de conjuntos de técnicas que possibilitam a manipulação da matéria em escala de átomos e moléculas. “Nano” é um prefixo que expressa uma medida. Um nano é igual a bilionésima parte de um metro. Fazemos referência a nanotecnologia quando trabalhamos na dimensão de 1 a 1oo nanômetros (nm).
I: E, onde ela está? Produtos do dia-a-dia contém essa nanotecnologia?
PM: Já existem mais de 700 produtos no mercado feitos com o processos e/ou que são nanotecnológicos. Há cosméticos, máquina de lavar roupa, geladeiras, protetores solar, raquete de tênis, carros, etc. Neste site é possível encontrar ou pesquisar vários produtos que já estão no mercado.
I: Como estão as pesquisas sobre nanotecnologia no Brasil?
PM: Nosso livro “A revolução invisível” tem a resposta detalhada de como estão as pesquisas no Brasil. Resumindo, de 2001 a 2005 existiram quatro redes de pesquisas em nanotecnologia. A partir de 2005, elas foram substituídas por outras 10 redes. Todas são da área de ciências exatas e naturais. A única rede de pesquisa da área das ciências humanas é a nossa. A rede de pesquisa em Nanotecnologia, Sociedade e Meio Ambiente (Renanosoma) que não conta com nenhum recurso governamental.
I: O que vocês já desenvolveram?
PM: Não há uma publicação indicando o que já fizemos. Os nosso chats – clique aqui para ler as entrevistas e ver a programação – estão se tornando uma referência para sabermos o que está sendo desenvolvido. Também, nosso livro “Nanotecnologia, Sociedade e Meio Ambiente nos Estados de SP, MG e DF” traz informações sobre o que está sendo feito de pesquisas em nanotecnologia e que envolve as empresas e editais públicos. Mas, para exemplificar, no Brasil, já foram feitas pesquisas com nanopartículas de prata para roupas, aparelhos domésticos, tintas, polímeros – moléculas gigantes que apresentam unidades que se repetem -, língua eletrônica, entre outros. Todos já foram usados em produtos que são comercializados.
I: Qual a importância da nanotecnologia?
PM: A maior é que ela deve prespassar – fazer parte – por todos os tipos de indústrias existentes. Assim, seus impactos sociais, ambientais, econômicos e éticos serão imensos.
I: O que vocês pesquisam?
PM: Temos as seguintes linhas de pesquisas: impactos sociais, ambientais e econômicos da nanotecnologia; nano e ética; nano e agricultura; e, nano e comunicação. Nosso intuito é tornar a nanotecnologia um objeto de estudos das ciências sociais, além de informar e discutir sobre nanotecnologia com o público que não é especialista.
I: Como a nanotecnologia pode ajudar a melhorar a qualidade de vida no Brasil?
PM: Essa não seria uma questão apenas para a nano. A questão central é como se dá a decisão do que pesquisar – quais as prioridades de pesquisa – e quem será o proprietário dos resultados delas. A decisão sobre essas duas questões, que são políticas, mostrará como as pesquisas poderão melhorar a qualidade de vida no Brasil.
Para saber mais sobre o tema e o Renanosoma, clique aqui. O site contém vídeo, agenda com os próximos eventos, livros e por aí vai.

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