Desenvolvimento sustentável não existe

Ontem, durante a reunião do Comitê Gestor da Rede de Pesquisas em Carvão Mineral, Guilherme Henrique Pereira, secretário e Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia (Setec/MCT), disse que o crescimento do setor de carvão mineral deve observar a sustentabilidade. “É preciso conservar a natureza, ser socialmente adequado e economicamente eficaz”, afirmou em Brasília. Não se prendendo apenas a essa questão do carvão…

Dia desses, estava conversando com um ambientalista que acompanha de perto projetos. Não resisti e perguntei. “Você acredita no desenvolvimento sustentável?”. Ele desconversou conversando, a resposta foi fácil de entender. “Não”.

Assim, será que realmente pode existir desenvolvimento sustentável? Se até uma pessoa especializada na área tem as suas dúvidas, como será possível esse tipo de desenvolvimento? Fui conversar com mais gente, claro, para esclarecer. Falei com pessoas de diversas áreas, desde médicos até administradoras-do-lar, 70% delas acreditam que não.

Aí é que está. O desenvolvimento em si requer muito do ambiente. Ele degrada. Ele explora. Ele polui. Compensar esse estrago só seria possível não o criando.

Este ano é o Ano Internacional do Planeta. Até os nutricionistas estão discutindo essa questão – citei isso no meu post sobre emagrecimento. A VII Jornada de Nutrição do Hospital Sírio-Libanês, no próximo dia 02 de agosto, trará como principal tema a relação entre a alimentação e a preservação do meio ambiente. Eles alegam que, no momento onde toda a sociedade se volta para ações mais conscientes, os serviços de alimentação e nutrição devem cuidar desde o plantio e aconservação de alimentos até a refeição pronta. Para evitar o desperdício e criar uma cadeia sustentável.

Mas, o que seria isso?  “As unidades de uso sustentável visam a compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de seus recursos naturais, ou seja, permite-se a exploração e o aproveitamento econômico direto de forma planejada e regulamentada. Nesse grupo estão incluídas as categorias de manejo Área de Proteção Ambiental, Área de Relevante Interesse Ecológico, Floresta Nacional, Reserva Extrativista, Reserva de Fauna e Reserva de Desenvolvimento Sustentável (Ibama, 2004).” Leia mais aqui.

Talvez, esse conceito de desenvolvimento sustentável seja utópico. Uma pena. Eu, particularmente, acredito que é possível se desenvolver sem degradar muito o meio ambiente. Sem estragar nada, não creio. Mesmo degradando pouco já é difícil…

Existem discussões no Orkut calorosas sobre o tema. Veja: Desenvolvimento sustentável não existe, Desenvolvimento Sustentável no Brasil, utoplia?, não existe no Brasil, provocação e é possível?.

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5 comentários em “Desenvolvimento sustentável não existe”

  1. Olha só, Isis… Eu acredito que até seja possível “desenvolvimento sustentátvel”… O que não dá é para ter é o ritmo de desenvolvimento necessário para atender toda a população, principalmente se tentarmos “nivelar por cima” esse desenvolvimento.
    Além disso, nos países tidos como “paradigmas” de desenvolvimento, existe um enorme desperdício de recursos naturais. (Só para mencionar um único aspecto: o que se gasta de energia para aquecimento de ambientes no Hemisfério Norte, é uma enormidade…)
    Está soando meio “esquerdista”?… Mas é isso mesmo!… Esse “macaquinho metido a besta” que se auto-denomina “sapiens”, só “deu certo” por ser gregário. Está mais do que na hora de estender este gregarismo além da tribo e começar a raciocinar em termos de espécie…

  2. É, diminuindo o ritmo… Pode ser que seja. Mas aí a população mais carente terá acesso a esse desenvolvimento? Não sei se daria…

  3. Olá Isis.
    Parabéns pelo blog, muito bom.
    Gosto do tema desse post e por isso resolvi deixar uma contribuição.
    Quando tratamos de sustentabilidade, devemos pensar em termos de escala, tanto temporal quanto espacial. Se consideramos uma tribo indígena isolada ou uma comunidade alternativa, estas podem se manter sustentáveis por longos períodos, em anos, décadas ou séculos. Pensando em sustentabilidade de países, temos alguns exemplos: digamos, a Mauritânia por um lado e os EUA por outro. O nível de consumo de um país como a Mauritânia é realmente baixo e pode se manter assim por muito tempo. Por outra via, os recursos utilizados pela população estadunidense é um tanto exagerado quando comparamos com a média de consumo mundial. Agora pense no povo chinês consumindo proporcionalmente o mesmo que a população dos EUA. Por quanto tempo isso seria possível?
    Entretanto, isso tudo foi dito sem considerar o desenvolvimento. Somente a sustentabilidade. Se o nível de desenvolvimento global continuar, não há condições reais de sustentabilidade. Desenvolvimento e sustentabilidade nesse caso são quase antagônicos. Desenvolvimento sustentável com dignidade e qualidade de vida para todos é uma utopia. Os mecanismos econômicos hoje nos impelem para o desenvolvimento, mas não para a sustentabilidade. Acho que vale a pena ler este artigo do Carlos Gabaglia Penna para entender melhor.
    Como sustentabilidade depende de eficiência energética, digo que temos muito a evoluir nesse quesito, principalmente se considerarmos que ainda se usa carvão para mover indústrias. Energia solar, que eu entendo como uma das maravilhas pouco aproveitadas ainda, será futuramente a principal fonte utilizada (mas bem futuramente mesmo). Aí sim vamos ao menos tender a uma sustentabilidade.

  4. Uma vez acabei um teste de uma cadeira na faculdade que se chamava “Ambiente na Europa” da seguinte forma:
    “O desenvolvimento sustentável é uma maneira de alterar as coisas deixando tudo na mesma…”

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