A Terra é torta!

Não resisti. Há alguns dias estou com essa tormenta na minha cabeça… Preciso compartilhar aqui. Você sabia que existem VALES no oceano? Não debaixo dele, mas a água em forma de vale? Logo, que o mar não é retinho como vemos? Como pode ser! Estou maravilhada.
Muitas vezes, dizem que a força gravitacional na superfície da Terra possui um valor constante – lembra-se do número 9,8 que aprendemos na escola? Mas, na realidade, esse valor muda conforme o local. Vários fatores influenciam a força da gravidade – com tendência a ser mais forte ou fraca –  como a rotação do planeta, a posição das montanhas, as fendas nos oceanos e as diferentes densidades no interior terrestre.
Para mapear essa ação, no dia 10 de setembro a Agência Espacial Européia (ESA) vai lançar um satélite. Ele se chama Ocean Circulation Explorer (GOCE) – algo como Exploração Circular do Oceano. Durante 20 meses, orbitará 250 km acima da superfície do planeta – o que é baixinho. O GOCE possui equipamentos super sensíveis para pegar a aceleração gravitacional e medir a quantia. Veja galeria de fotos do satélite aqui. Confira uma animação aqui. Quer um protetor de tela do satélite? Está neste link, do lado direito em “screen saver”.
Agora, me responde uma coisa. Quem vive em lugares com menor gravidade, demora mais tempo para ter pele flácida ou rugas? As pessoas demoram mais para envelhecer nesses locais? Neles, a Lei da Gravidade perdoa, principalmente, as mulheres? Deve ter sim alguma influência… Assim que sair o resultado, vou conferir se São Paulo é um bom lugar para se viver – ao menos com relação à gravidade.

18 comentários em “A Terra é torta!”

  1. Agora, me responde uma coisa. Quem vive em lugares com menor gravidade, demora mais tempo para ter pele flácida ou rugas?
    Demora, sim… Alguns milésimos de segundo… 😀 (As variações são de ordem de grandeza praticamente desprezíveis… que azar, né?… 😉 ) E Sampa continua perdendo até nesse quesito: a altitude significa que há uma maior massa de Crosta Terrestre por baixo; ergo, mais aceleração gravitacional… 😉

  2. Olá, Isis. Há algum tempo acompanho seu blog e, dessa vez, não resisti à sua ultima indagação. Sou paulista mas moro em Natal há 11 anos. Brincando com minha namorada, que é potiguar da gema, é inevitável falarmos sobre a velha e boa “cabeça chata” dos nordestinos (com todo o respeito, claro). Ela acredita que isso pode ocorrer devido a força da gravidade, que é maior na linha do equador (corrijam-me se estiver errado), o que talvez possa ser responsável, também, pela baixa estatura da população (em torno de 1,70, deixando de lado as insuficiências de vitamina A e fatores genéticos). Lógico que isso é uma ironia, mas se analizarmos que as pessoas que moram nos pólos são mais altas…pode ser que a gravidade realmente seja benéfica com elas. Abraços.

  3. Pela Relatividade Geral de Einstein, o tempo passa mais devagar onde a gravidade é mais forte. A diferença é minúscula, mas precisa ser levada em conta, por exemplo, nos relógios dos satélites que fazem o GPS funcionar.
    Então, a resposta a sua pergunta, Isis, é NÃO. É o contrário. Onde a gravidade é maior o tempo passa mais devagar. Quem vive no primeiro andar do prédio vive milhionésimos de segundo a mais do que o vizinho da cobertura. Já é um consolo…

  4. É isso ai, Igor. =D
    Lembrando que agora que temos essas variações do campo, acho que podemos aumentar a precisão dos sistemas GPS…
    Talvez até melhorar nosso entendimento sobre o clima, correntes marítimas e mais um monte de coisas! =D

  5. Isis, se você se mudar para o térreo, vai envelhecer mais devagar porém vai enflacidecer (?) mais rápido.
    E, preciso deixar registrado, nós natalenses não temos a cabeça chata. A minha, por exemplo, é bem ovangular…

  6. Hum, isso eu aprendi em Geologia, mas é muito interessante este nosso Planeta Terra. Amo ele!!
    Grande abraço e obrigada pela visita no meu bloguinho.
    Camila – Acayrã.

  7. Oi, Isis!
    Belo post…
    Olha só, a gravidade muda ligeiramente em função da posição em que você está no planeta – e também em função do seu movimento.
    Existe o que se chama Efeito Eötvös: se você pega dois navios e aponta um para o oriente e outro para o ocidente, e mede a gravidade a que ambos se submetem, aquele que vai para o oriente tem medições menores, enquanto o que vai para o ocidente tem medições maiores. Isso se deve à rotação da Terra. E isso independe da latitude.
    Agora, quanto à latitute, ela é menor no Equador (porque a Terra é achatada nos pólos, de forma que você está mais longe do centro da Terra no Equador do que nos pólos – e porque a Terra exerce uma força centrífuga maior no Equador. A diferença de gravidade entre o Equador e os pólos é: 9,780 ms ao quadrado no Equator e 9,832 ms ao quadrado nos pólos.
    A altitute também influencia a gravidade: quanto mais alto (e portanto mais longe do centro da Terra, menor a gravidade). Só que isso muda muito pouco… Por exemplo, se você vivesse no topo do Everest (8.850m), o seu peso diminuiria só 0,28%.
    Daí, se a gente considerar São Paulo, que fica a cerca de 800 metros de altitude, a influência da gravidade sobre nosso peso (e também sobre a formação de rugas, heheh…) seria 0,028% menor do que quem vive no nível do mar… Ou seja, diferença desprezível…
    A configuração geográfica e topológica do terreno também influem (pouco) na gravidade, mas essas anomalias gravitacionais são mensuráveis.
    Aqui, por exemplo, há um gráfico interessante sobre anomalias gravitacionais na Antártida: http://www.ngdc.noaa.gov/mgg/gravity/utig_agasea.html
    E aqui tem uma porção de outros dados sobre gravidade: http://www.ngdc.noaa.gov/nndc/struts/results?op_0=l&v_0=G15&t=102759&s=15&d=10,15,11
    Bom, é isso aí. Vou calar a boca porque já ficou muito grande…
    Bjs,
    RogerZ

  8. Faltou uma palavrinha no comentário do RogerZ: “… a gravidade medida…”. A gravidade não muda pelo Efeito Eötvös e sim o valor medido para a gravidade. O valor medido deve ser corrigido por causa do Efeito!
    Uma abordagem não matemática do efeito pode ser encontrada em http://stoa.usp.br/irpagnossin/weblog/18649.html
    ———————————
    Mais um detalhe! Assumo que estou numa esfera de raio constante, com o Himalaia apenas (por simplicidade), ou no continente, ou num barco sobre o mar. Com certeza, sobre o mar, o valor de g medido seria menor, já que a massa diminuiria sob mim (a densidade da água é menor que a da rocha, no caso). Isso é simples de entender e já se sabe há muito tempo (antes do Eötvös).
    Estando alguém no Himalaia é mais complicado, já que existe mais massa sob ele afastou-se verticalmente do grosso da massa, em relação ao nível do mar. Domina o efeito da maior distância. (não é muito trivial isso. existem dois efeitos: 1) o planeta ficou mais distante, por um lado, e diminui a força sob o corpo. g diminui por conta disso. 2) A montanha é uma massa extra! Se a montanha posta debaixo tiver uma densidade elevada, isso poderia compensar a diferença de altitude. O que quase nunca deve ser o caso! E que deve ser um belo exercício de Física. 🙂 )
    De resto, o comentário do RogerZ é perfeito.
    Abraços a todos

  9. Ou viajando perto da velocidade da luz.
    Enquanto isso, no painel administrativo…
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