As etapas da separação

Sabia que toda a separação entre casais, sem exceção, são iguaizinhas? Por mais incrível que possa parecer, todo mundo de todo o mundo passa pelos mesmos passos. A diferença está na intensidade para cada pessoa.
As etapas são muito curiosas, duvido que não se identifique. Só não vale chorar se estiver passando por isso. A idéia é refletir para superar. Conheça as etapas na ordem cronológica – o texto pode ser grande, mas é rapidinho de ler:
1. A decisão
As insatisfações se tornam visíveis. Não existe mais diálogo, companheirismo, prazer de estar junto e as discussões que eram mensais começam a ser quase diárias. Pesa-se novamente os prós e contras e decide-se adiar a ruptura, apostando no resgate da relação. O processo de decisão, por qualquer uma das partes, é lento. É assustadora a idéia de construir uma vida sozinha e triste admitir que o relacionamento acabou. Há muito medo e dúvida envolvidos, seja por questões financeiras ou emocionais. Essa fase pode ser aberta e conhecida pelo casal, se eles optam por discutir os problemas e encontrar soluções, ou silenciosa. Passa o tempo e as coisas pioram novamente, com uma carga cada vez mais insuportável. A relação se transforma numa guerra ou num tédio completo. A tensão é tanta que não há mais saída. O momento de decisão fica mais claro quando ao invés de questionar o tempo todo “como está o meu casamento?”, você começa a perguntar “como eu estou?” É hora de encarar a separação de frente, sem jogar nada sob o tapete.
2. A negação
Há uma fase inicial em que se começa a negar que as coisas estavam tão ruins assim. Você acha que está exagerando, jogando uma relação longa e legal pela janela por besteira, que é só uma crise que passa como as outras. A negação é comum e pode vir tanto de quem decidiu pela separação ou pelo outro. Afinal, separar é doloroso, difícil e tendemos a esquecer as coisas ruins do relacionamento para tentar aplacar a dor da ruptura. O ser humano é ambivalente e os sentimentos também. Portanto, você vai demorar um tempo para ter certeza de que tomou a decisão certa (ou se ele tomou). É possivelmente perfeito querer sair fora da relação e ao mesmo tempo sofrer um medo danado de concretizar a perda.
3. O fracasso
Porque o divórcio representa o fim de um projeto de vida, cujo o investimento emocional foi muito grande. Afinal, ninguém casa pensando em separar. Por mais prática e realista que seja, você sempre acha que vai ser para sempre, que vai sempre ser amada e amar aquele homem. E mais, o outro conhece tudo da sua vida, é seu porto seguro e muitas vezes, seu único amigo. Você fica descrente nos relacionamentos como um todo, acha que nunca mais vai se apaixonar e casar. Acha que todos são descartáveis e nada é duradouro. E que você não é capaz de fazer alguém te amar novamente.
4. A culpa
Aparece em consequência da incapacidade que sentimos por não conseguirmos salvar esse projeto (onde eu errei, por que o outro não gosta mais de mim, o que aconteceu, por que eu?).
5. A rejeição
Se a separação foi pedida pelo outro, é inevitável. Uma das coisas mais difíceis de ouvir é que você não é mais amado. A auto-estima cai, você se sente feio/feia, desinteressante. Cuidado para não se humilhar ou transformar esse sentimento em rancor, principalmente quando o outro começar a namorar de novo.
6. O medo
Em menor ou maior grau, sempre está presente. Medo de não conseguir ser feliz de novo, da solidão, de reconstruir a vida financeiramente e emocionalmente.
7. Os altos e baixos
No meio disso tudo, há dias em que você está se sentindo uma pessoa ótima, livre, poderosa e corajoso e dias em que não consegue dar um sorriso, acha que o mundo vai acabar, que é vítima de todo o sofrimento, a mais feia. Não se desespere. É normal. Vai chegar um momento em que os altos serão cada vez maiores que os baixos.
8. Manter a amizade ou querer vingança
É difícil quebrar o vínculo com quem se foi tão íntimo, amado e que te conhece tão bem. Quase impossível. O tempo cura isso e o distanciamento é inevitável, mesmo que a separação tenha sido amigável. É, acima de tudo, essencial para o recomeço da sua vida. Não fique se sentindo  na obrigação de entender tudo, compreender o que o outro sente, o que está acontecendo e não se culpe por ataques de ciúmes e posse. Tente ser amigavel, sim, mas respeite seus limites. Se você sofre ao ouvir que o outro saiu com amigos, não pergunte e não procure saber. Do lado oposto, não nutra ódio ou revanche. No fundo esses sentimentos também são a maneira, negativa, de não cortar o vínculo, um processo lento, doloroso e necessário. Melhor não falar com o “ex” que ficar brigando e tramando vingança. Melhor para você.
9. Começar de novo
É difícil, e no começo muito desanimador. Há a excitação de cair no mundo, solteira(o), fazer o que quiser, decorar a casa como bem entender. Mas há o medo, a solidão, o vazio. A cama que antes tinha dois agora só tem você, coisas que estava acostumado a fazer não tem mais graça sem a companhia do outro. É preciso ter coragem e estrutura emocional nessa hora. Reúna os amigos, a família, tenha sempre gente por perto para os momentos de solidão. Mas não fique empurrando os sentimentos para debaixo do tapete. Devagar, vá se acostumando com o tempo que tem para você. Ele também é precioso.
10. A perda definitiva
Acontece quando o outro começa um novo relacionamento. Tristeza, acessos de ciúme e posse são inevitáveis. Afinal, ele era exclusivo seu e vê-lo com outra pessoa dói porque você inevitavelmente se compara à nova parceira e porque é um sinal definitivo – ou quase – de que você perdeu, que a relação acabou mesmo e, principalmente, que você foi substituída.
Ontem à noite, conversei com a psicóloga Jacy Torres Lima – autora do texto acima que publico na íntegra. Ela é especialista em separação de casais – não, não me separei ou estava em consulta. Apenas conversamos. Durante o bate-papo, ela passou o material acima que achei bem curioso. Duvido que, quem já passou por uma situação dessas, não tenha se reconhecido no texto… Ah, e ele é científico.
Há mais de 20 anos a psicóloga montou um Grupo de Orientação para Descasados (Godes). Segundo a Jacy, foi uma atitude pioneira – na época o povo não se separava como hoje. Ela forma grupos de pessoas separadas para aprenderem a lidar melhor com a situação, como uma espécie de Alcoólatras Anônimos (AA). Aliás, Jacy procura parceiros para montar grupos em outras cidades, que não seja São Paulo. Os psicólgos que tiverem interesse entrem em contato com ela pelo telefone (11) 5575-0815. Veja o site aqui. E deixo a dica.
Obs.: No blog Roda de Ciência, destinado à discutir o assunto, todo mês fazemos votação para escolher qual tema será debatido. Clique aqui para ecolher o do próximo.

12 comentários em “As etapas da separação”

  1. Oi, Isis,
    Também acabei de me separar e foi exatamente assim, etapa por etapa. Estou na fase 8, indo pra 9. É bem difícil, mas me trouxe um alivio muito grande. um beijo,

  2. Olha, eu é que tô numa dúvida cruel, pois acho que meu casamento acabou, mas nenhum de nós dois ainda não se deu conta disso… Aliás, a “ficha” já começou a “cair” pra mim, mas não sei o que fazer. Quando me vejo interessada em assuntos como esse na net, entendo que no fundo pelo menos pra mim, acho que o casamento acabou… Mas não sei. Preciso de ajuda.

  3. Jane,
    Vou dar umas sugestões. Para ter certeza, fique um tempo longe dele. Vá viajar, passe uma semana ao menos fora… Procure não ter muito contato. Aí vocês vão sentir – ou não – falta um do outro.
    Outra coisa, se você acha isso, deve ter alguma causa… Será que você não está insatisfeita? Desiludida? Ou, ele te passa sinais de que não está mais tão afim? Tente sentar para conversar com ele, seja sincera.
    Por fim, seja sincera consigo mesma. Veja o que quer, às vezes são alguns detalhes que precisamos “arrumar”. Outros, é porque não gostamos mais dele mesmo…
    Boa sorte! Depois volte contar como foi!

  4. Oi Isis gostei bastante da postagem sobre os passos da separacao, já estou na fase 3 e entrando na fase 4, cada vez vai ficando mais didifil, pois meu marido nao quer a separacao, fala que me ama muito, porem nao vai me impedir de ir embora, chega momentos de me sentir culpada e com pena dele, mas infelizmente ele destruiu minha confianca. Estamos tentando da maneira amigavel oq já é positivo para mantermos um bom dialogo no futuro, pois temos uma filha q precisa de nos.
    Beijos e ate a proxima!!!

  5. ESTOU nas fases de 2 a 6..pense num vazio, numa dor, numa sensação de incapacidade. é o que estou sentindo! Medo de não gostar mais de ninguem de não ser tão bom como foi com ele, antes é claro de piorar tudo. Ainda o amo, mas acho que foi melhor. Brigávamos demais. O que devo fazer para ocupar a mente?!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *