Existe gravidade na órbita da Terra

Já entrevistei muita gente interessante – “famosas” ou “desconhecidas” – que admiro. Rui Ohtake, Tomie Ohtake, Ana Niemeyer, Mauro de Salles Villar, Evanildo Cavalcante Bechara, diversos cientistas e por aí vai. Essa semana, conversar com Thyrso Villela, diretor de Satélites e Aplicações da Agência Espacial Brasileira (AEB), teve um gostinho diferente.
A entrevista foi amena, sobre conhecimentos que, para ele, deve ser como 1 + 1 = 2 para qualquer pessoa. Mas, poxa, se eu tivesse dinheiro pagaria para fazer uma viagem espacial. Queria dar uma voltinha na Terra e dizer: “Ela é azul”. Sei lá, bateu algo nacionalista e de astronauta em mim.
Durante a conversa tive uma “revelação” – óbvia -, mas que matuta na minha cabeça. Parece algo mágico. Quando se está em órbita na Terra, a gravidade do planeta é sentida sim. Ela é apenas, no máximo, 10% menor do que a em solo. “A sensação de estar flutuando é porque a nave, nesse caso, está em queda constante com relação ao solo, mas sempre em movimento acompanhando a rotação da Terra”, disse o pesquisador. (errei!) “A sensação de estar flutuando é porque a nave, nesse caso, está acompanhando a curvatura da Terra”, disse o pesquisador. Estou com a cena das estrelas do filme “2001: Uma odisséia no espaço” na cabeça. E a música…
Foto: Nasa.

7 comentários em “Existe gravidade na órbita da Terra”

  1. Fiz um cálculo cheio de simplificações que mostra que a 350 km de altitude, que é onde se encontra a Estação Espacial Internacional, a aceleração da gravidade é de 8,78 m/s² aproximadamente, uma unidade apenas menor do que o valor de 9,78 m/s² que já obtive aqui em Curitiba com a experiência do pêndulo simples.

  2. Isis, acho que o entrevistado queria dizer ” movimento acompanhando a redondeza da Terra ” ou outra expressão sinônima. Apenas os satelites geossincronos avompanham a rotação da Terra, a maior parte dos satelites tem periodos orbitais bastante curtos. Calcule ai: o periodo da Estação Espacial, a 350 km de altura, será T = 2 pi raiz(R/ g) onde R = (Raio da Terra em km + 350) x 1000 (para dar em metros) . Use o valor do Sandro, 8,78 m/s^2. Vc obterá o periodo orbital em segundos. Divida por 3600 para obter em horas.

  3. Um esclarecimento a respeito da “afirmação” abaixo a mim atribuída:
    “A sensação de estar flutuando é porque a nave, nesse caso, está em queda constante com relação ao solo, mas sempre em movimento acompanhando a rotação da Terra”,
    Eu não disse isso. Eu disse “acompanhando a curvatura da Terra”, não “rotação”, como aparece no texto.

  4. Isis, de acordo com um dos principais estudiosos e divulgadores da Teoria da Relatividade Geral, John Archibald Wheeler -falecido em abril deste ano-, ao lidarmos com a interação de um corpo perante a deformação espaço-temporal, como por exemplo a existente no entorno da Terra, podemos abrir mão do conceito de força newtoniana. Tomemos o caso do astronauta em órbita da Terra: ele flutua em relação às paredes de sua nave sem sentir a ação de qualquer força ou aceleração (muito embora exista, como mencionado pelo Osame, g~8,78 m/s2). Isto se dá por causa do princípio da equivalência em que a massa gravitacional é não só numérica- mas também -conceitualmente igual à massa inercial. Nesse caso o referencial acelerado (do ponto de vista de um observador na Terra) pode perfeitamente ser comparado -e percebido- como um referencial inercial, livre de qualquer força ou aceleração (do ponto de vista do astronauta).

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