Eu vi pinguim

Este ano, o número de pinguins – sem acento, Acordo Ortográfico – que apareceram na costa brasileira foi recordista. Não tenho o total, mas esse dado biologistas me passaram. Todo inverno, as aves viajam da Patagônia em busca de alimento. Fogem do frio rigoroso de lá, porque falta comida. Como o mar de alguns estados do Nordeste, como a Bahia, estava com dois graus a menos na temperatura, eles conseguiram nadar além de Salvador.
Dentro do oceano, existem correntes de água – lembra-se do filme “Procurando Nemo”?. Eles pegam “carona” nelas e sobem para o Brasil. Alguns, geralmente os mais fracos – seleção natural -, se perdem do bando e param nas praias. Machucados, mordidos, famintos são cuidados por especialistas que, em seguida, mandam eles de volta para o mar. Veja aqui um infográfico bem engraçado dos bichinhos que serão colocados no mar de Rio Grande do Sul hoje mesmo. A corrente marítima para volta à “casa” passa perto do Brasil. Acredito que em poucos dias eles estarão na Argentina novamente.
Há alguns anos, no inverno gélido e coberto de ventos, fui para Pontal do Sul, no embarque para a Ilha do Mel, Paraná. Estava eu, só, caminhando pelas pedras onde os pescadores lançam seus anzóis. Pasmando com os olhos descansados no mar agitado, observei algo estranho na água. “Ué”, cocei a cabeça. “Acho que vi um pato no mar”, pensei. “Pato… No mar?”, foquei com mais atenção.
Era um… PINGUIM! Se eu não me engano, da espécie pinguim-de-magalhães. Ah, que gracinha! Ele mergulhava e “boiava” calmamente. Até que, uma hora mergulhou e o perdi de vista. Sai contente, pô, já tinha visto golfinho no verão da Ilha do Mel, mas pinguim era novidade! Voltando para contar aos meus parentes, mais uma surpresa. E não é história de pescador.
Uma foquinha bebê! Ela subiu nas mesmas pedras, toda machucada. Acho que estava cega de um olho. Muito debilitada mesmo – e agitada. Cheguei perto, ela se virou para mim. A minha idéia – coisa de Felícia – foi fazer “carinho” na sua pele. Ah tá que ela iria deixar. Começou a rosnar, como um cachorro. Ameaçava morder – claro, bem. Logo em seguida, fugiu. Quando surgiu no Iate Club, chamamos os biólogos da região que trataram o animal. Disseram que, provavelmente, ela foi ferida por pescadores, por tentar comer o peixe das redes. Se ambos os animais sobreviveram? Espero que sim. Leia aqui um post de Uma Malla Pelo Mundo sobre as aves.
Foto: Centro de Recuperação de Animais Marinhos (CRAM).

6 comentários em “Eu vi pinguim”

  1. Realmente foram muitos pingüins este ano, eu costumo mergulhar no Rio de Janeiro, nas Cagarras e em um destes mergulhos fomos recebidos por um destes curiosos animais a 10 metros de profundidade, valeu o mergulho inteiro.

  2. Nhé, nhé, nhé! 😛 Eu via pingüins (o Acordo só entre em vigor no ano que vem – e over my dead body…) o tempo todo no Cabo Frio (lá é a ressurgência da corrente submarina das Malvinas…). Mas sabe que isso é um péssimo sinal?… Significa que mais icebergs estão se soltando da Antártica… e os pingüins vêm “de carona”…

  3. No mesmo dia em que você publicou esse post, o Washington Post publicou, online, a matéria On the Sunny Beaches of Brazil, A Perplexing Inrush of Penguins (mas eu só vi hoje… :P)
    O artigo do WP fala, em certo ponto, da corrente das Malvinas (Falkland) e da corrente de Benguela, mas eu pensei que era ponto pacífico que a principal ressurgência da corrrente das Malvinas era no Cabo Frio (ou acharam que o nome era por acaso?…) E é mais preocupante, ainda, se a corrente das Malvinas está ganhando força e a de Benguela, perdendo… O tempo neste início de Primavera tem estado uma chuvarada só… Imagine só o Verão… 😯

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