Sim à obrigatoriedade do diploma de jornalista!

O Supremo Tribunal Federal (STF) caminha para derrubar, ainda neste semestre, a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. Dos 11 ministros que fazem parte da Corte, seis já se manifestaram de alguma forma contra a exigência de formação específica em jornalismo. Número suficiente para decidir o julgamento.
“A contestação do diploma vem há muito tempo sendo levantada pelos grandes jornais, especialmente a Folha de S. Paulo. Quebrar a exigência do diploma vai significar transferir das universidades para as empresas a prerrogativa de dizer quem vai ser jornalista, como vai ser o jornalismo e como devem atuar esses profissionais”, avalia o coordenador do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo, Edson Spenthof, professor da Universidade Federal de Goiás (UFG). Leia mais aqui.
Injustiça!!!! Eu estudei – e ainda estudo – para exercer a profissão e o jornalismo científico. Tive matérias de teoria da comunicação, discurso, entre outras de humanas. Isso irá saturar, ainda mais, um mercado que já é difícil. Sem contar os outros problemas que gerará, como enfraquecer ainda mais a nossa categoria. Qualquer um que escreve bem que pode ser jornalista? Se for assim, ao treinar repetidamente as técnicas cirúrgicas, posso ser uma cirurgiã?!?

37 comentários em “Sim à obrigatoriedade do diploma de jornalista!”

  1. por que não aplicar isso a classe médica… quem vai ser o primeiro a ser operado por alguém sem diploma… a regra de se ter estudo para atuar é, a meu ver o caminho correto a toda sociedade que tem uma estrutura educacional como base, abrir precedentes é desqualificar estudantes, profissionais e autorizar novamente o pistolão!

  2. Vou polemizar.
    Ao se escrever um texto sobre Ciências, ou sobre Medicina (ou outra área técnica). Quem é melhor, o jornalista ou o especialista?
    O jornalista deverá ser melhor na forma, por causa de sua formação. No entanto, o especialista tenderá a ser melhor no conteúdo.
    Um especialista contartado por um jornal já deve ter mostrado domínio da língua e deve escrever o suficientemente bem para estar em um jornal (mesmo que sua técnica não seja a melhor). Neste caso teríamos um ótimo conteúdo com um texto passável, não?
    Não seria melhor do que um ótimo texto com conteúdo passável?
    É claro que há ótimos jornalista que sabem MUITO mais que especialistas mas estes já têm emprego garantido, uma vez que são ótimos!

  3. Levantando a bola para uma discussão:
    O que é mais essencial num texto científico, a forma ou acurácia do conteúdo? E o que é mais provável, que um cientista adquira técnicas de escrita ou que um jornalista adquira conhecimento científico? Acho que ambos são possíveis e conheçço bons exemplos dos dois, mas não sei qual a porcentagem de “quese sucessos” em cada caso…

  4. Carlos e Átila,
    Concordo que existem pessoas, que não possuem o diploma, e exercem a função de jornalistas melhor que inúmeros diplomados. Do mesmo modo, devem existir pessoas que sabem de biologia melhor que inúmeros biólogos, por exemplo. Também concordo que existem os autodidatas.
    Porém nem todos que escrevem bem – ou entendem completamente sobre um assunto – sabe passar a informação para o leitor. Ou percebe a melhor maneira de fazê-lo e as devidas mensagens que possam existir nas entrelinhas. Muito menos o que significa tudo isso.
    Outro detalhe… Se o jornalista não sabe sobre o assunto da matéria, ele deve pesquisar. Aliás, essa ação – chamada APURAÇÃO – faz parte da profissão “jornalismo”.
    O problema é que generalizar – de forma que todos que escrevam recebam o diploma – apenas enfraquece a minha profissão que já é tão fraca.
    Além disso, existem interesses políticos embutidos nessa ação que irá para o STF. Inclusive, relacionados à Lei da Impressa… Que podem trazer problemas para todos os jornalistas – com diploma ou não – muito mais sérios.

  5. Desculpe, Isis, mas eu sou contrário a qualquer “exigência de diploma específico” para o exercício de uma profissão. Sou, sim, a favor de que os órgãos classistas realizem “exames de suficiência” para qualquer um que queira praticar um profissão. (Eu nem precisava citar exemplo, mas a OAB está aí mesmo… O diploma, por si só, não é garantia de capacidade (eu já auxiliei um Médico a montar seu Currículo e reparei que, na Faculdade, ele não teve uma nota sequer superior a 6… foi um diploma bem “vá lá que seja…”).
    Evidentemente quem tem um Curso Superior de Jornalismo leva uma enorme vantagem sobre quem não tem. Então, por que temer a concorrência dos “leigos”?…

  6. João,
    Aí é que está. Então, temos que avaliar as instituições de ensino em si e o papel das empresas dentro da formação dos profissionais. Concordo que as pessoas deveriam seguir o caminho em que possui mais aptidão. No entando, por que esse assunto só é debatido com relação a minha profissão?
    Não sei o quanto conhece do “mercado do jornalismo”, dos representantes da categoria e dos problemas que jornalistas enfrentaram com relação aos políticos e à Lei da Imprensa. Mas é curioso que, bem quando se decide extinguir lei tão ditatorial, discute-se o final da necessidade do diploma.

  7. Então agora qualquer um pode ser qualquer coisa que queira? Só no Brasil mesmo…
    Sem generalizar, mas temos observado uma imprensa nacional não muito comprometida, inclusive por conta de comunicadores que não são jornalistas; penso que com essa atitude do STF a situação tende a piorar. A busca pelo escândalo, tão vivenciada nos dias de hoje, só tende a aumentar. Eu, particularmente, gosto muito de escrever, mas tenho outros espaços para expressar minha opinião, como esse blog, por exemplo. Não acho que eu tenha que desfrutar dos mesmos direitos de alguém que passou anos fazendo o curso de jornalismo. Eu sou bióloga e professora e minha classe é muito prejudicada, pois um médico, um bioquímico, um engenheiro, etc… podem responder por cargos que deveriam ser exercidos por biólogos; mas um biólogo não pode clinicar, mesmo tendo muitas matérias em comum com o curso de medicina. Enfim, acho que nesse assunto, vale o velho ditado: “cada macaco no seu galho”.

  8. Sendo um não-jornalista que escreve bem, eu jamais poderia concorrer no mercado de trabalho com profissionais formados, apenas por que alguem gostou do meu texto ou por qualquer que seja a razão… Para que existem uiversidades??? ..assim como disse o João logo acima, se por acaso o camarada for um autodidata e realmente é bom naquilo, seja lá o que for, primeiro terá que passar em uma prova de proficiência do orgão de classe da referida profissão, e então poderia viver daquilo profissionalmente. ..aliás, porque todos os profissionais não passam por estas provas como as da OAB??? (e mesmo assim, ta cheio de advogado medíocre por aí)… Já não basta tratarem a educação como produto apenas para encher os bolsos dos donoss de universidades privadas, que geram apenas “formados” ao invés de “profissionais”, ainda querem desqualificar os profissionais que estão aí no mercado, dizendo que seu diploma não vale nada??? Pra onde vamos com isso??

  9. Montando no que João Carlos disse e distorcendo até o ponto de irreconhecimento: eu já fui músico, estudei e vivi disso e tive que passar num exame da Ordem dos Músicos para ter o “direito” de me apresentar e mesmo assim precisava dividir espaço com pré-adolescentes e suas bandas com dois ensaios, porque eles tocavam de graça e eu não. Exames de sufiência devem existir, mas não para todas as profissões. Pelo menos não para profissões artísticas cujo “exercício ilegal” não pode causar mal além de desconforto auditivo/visual momentâneo. Eu tocava rock mas minha prova da OMB consistiu em tocar marcha-rancho e frevo, o que não mediu minha competência no que eu realmente tocava, assim como um bacharel em direito pode fazer uma prova da OAB de direito trabalhista (a mais fácil, até onde eu sei) só para passar e virar um advogado de família.
    The whole f*cking system is out of order!
    Gostaria de fazer coro com Atila e Carlos, mas não sou cientista assim como não sou jornalista, então é melhor ficar calado para não chamar atenção para mim mesmo…

  10. É um assunto delicado esse Isis. No caso da minha profissão, sou formado em Ciência da Computação, passamos pelo mesmo impasse só que no sentido contrário. Pra você ser um Programador, Analista de Sistema, DBA ou qualquer coisa que o valha não é necessário um diploma, sendo que nem existe um Conselho Regional de Computação, pra você ter uma idéia.
    O que acontece no nosso ramo, em que o diploma não é obrigatório, é que os empregadores exigem o diploma e/ou aplicam provas para poder avaliar o conhecimento do candidato. Ou seja, o diploma é um grande diferencial no mercado de trabalho, mesmo não sendo obrigatório, mas só isso não te garante…
    Daí tem o outro lado da moeda – o que não tem o diploma mas tem experiência profissional ou talento nato pra coisa. Estesm que conseguem entrar no mercado sem o diploma, no fim acabam fazendo a faculdade – isso é realmente o que se observa, uma vez que ninguém vai pagar bem pra alguém que não tem diploma, daí a pessoa precisa ir atrás de entrar na academia para poder fundamentalizar seu conhecimento.
    Um diploma, ultimamente com tantas faculdades que praticamente vendem eles e cada vez exigindo menos tempo de curso, não anda significando muito (claro que com algumas universidades isso não é verdade, e pra essas instituições o que estou dizendo não se aplica)… O lance é fazer com que suas experiências seja relevantes e que demonstrar que suas bases são sólidas (que é bem mais complicado pra quem não curso uma faculdade).
    É minha opinião. Eu pensava igual você, mas agora já vejo com outros olhos e sei como que a coisa acaba se balanceando na competição por um emprego.
    []s
    Douglas.

  11. Faculdade é uma enganação e não presta pra nada. Só come o nosso tempo e a nossa paciência. Não faz ninguém jornalista, nem fodendo. Mas pra exercer a profissão eu tive de cursar, então sou a favor de que todos façam — apesar da inutilidade. Só como penitência; como uma prova à obstinação dos candidatos a jornalistas.

  12. eu estudei (formalmente) e estudo (o tempo todo) para trabalhar com jornalismo de ciência. mas não fiz uma graduação de jornalismo. onde você traça a linha, isis?
    meu trabalho não é impecável, mas já vi gente com diploma fazer pior.
    não sei qual é a solução.
    mas sei que, por enquanto, meu ganha-pão depende de eu trabalhar bem sempre.

  13. @ Isis:
    Procure a Comunidade (Moderada) de Física no Orkut e você vai ver o que os físicos acham de uma tentativa que está sendo feita para “regulamentar” a “profissão” de Físico…
    No “meu tempo” (êita coisa chata de dizer), não existiam cursos de Jornalismo. Haviam as (recentes) Faculdades de Comunicação que formavam toda a gama de “comunicólogos”… Da mesma forma, não havia Faculdades de Informática, Turismo, Relações Internacionais, etc. Eu me habituei a ver os primeiros experts nesses ramos vindos de outras formações acadêmicas (apenas para constar: alguém aqui sabe o que era um “Prático Dentista”?… Havia muitos deles no meio do século passado…)
    E as “ciências” em geral andam se entrecruzando tanto, ultimamente, que a tendência geral é uma espécie de “Renascentismo” onde a multidisciplinaridade é quem “manda”. Eu – com toda a franqueza – acho que “Regulamentações de Profissões” são contraproducentes. Como disse a Michelle, “um biólogo não pode clinicar”, mas, na hora do aperto, eu já vi gente sendo salva por Veterinários (não cabe a descrição do caso; basta saber que foi em Forte de Coimbra, MS); se o CRM soubesse!… 👿
    Faço minha a pergunta da Maria: onde você traça a linha divisória?…

  14. O problema da comparação com os médicos é que todos crescemos utilizando formas de comunicação, a escrita inclusive. O mesmo não ocorre com a cirurgia. Sabendo-se disso, é complicado exigir um diploma para exercer uma profissão que envolve comunicação.
    A tal APURAÇÃO que muitos jornalistas usam como argumento também é fraca. Sou um cientista. Meu ofício é APURAR! Investigar, checar fontes, ter senso crítico, etc. é rotineiro para mim.
    Também uso da comunicação e da escrita como ferramentas básicas em meu trabalho.
    Continuo achando que o bom jornalista tem vantagens em relação aos outros por ser bom comunicador, bom apurador, além de aliar aptidão à técnica adquirida na faculdade. Os não-jornalistas apenas tirariam o emprego dos jornalistas “menos bons”. O resultado, neste caso, é o fortalecimento da profissão, que tem a quantidade de maus profissionais diminuída.
    No fim, os meios de comunicação só sobreviverão se tiverem bom conteúdo (e incluo boa forma nisso). Por isso acho que eles deveriam conseguir este conteúdo onde ele estiver, dentro ou fora do universo de jornalistas formados.

  15. Acredito que deva existir limites, para quem não possua diploma. Ao mesmo tempo, assuntos os quais tenho conhecimento, vejo diplomados transmitirem informações distorcidas para a massa de leitores e pessoas que “assistem” o Jornal Nacional e outras mídias. Quem sabe mais de medicina é um médico e não William Bonner, ainda que ele saiba editar e escrever um jornal. O diploma deve ser exigido a todos e uma pessoa especializada em um assunto, deve se comprometer a realizar um curso de jornalismo, again hoje pela facilidade de Unip e semelhantes, muitos podem dizer que tem “nível supeiror”
    ao post de Einstein, foi provado no último anos por cientistas que o Universo é finito 😉

  16. Colocando o comentário do Alexandre Abdo, que para mim resume bem minha opinião:

    Sobre o assunto, os jornalistas poderiam especializar-se na verificação e organização de informações, e esquecer essa história de produção de conteúdo (com a nobre excessão de correspondentes de guerra e outras situações extremas).
    Já dispomos de tecnologia para que veículos de informação construam até suas pautas através dos usuários, e tornam-se mais legítimos os que se aproveitam disso.
    As faculdades de jornalismo deveriam unir-se às de biblioteconomia e formar um curso único de “gestão e comunicação de informação e conhecimento”
    Num mundo onde crescentemente indivíduos comunicam-se autônomos e irrestritos e todo o conhecimento da humanidade cabe no bolso, o jornalismo faria bem em reinventar-se dentro dessa nova lógica. Faria bem, sobretudo, a si mesmo.

    Também gosto do post do jornalista Marcelo Soares, sobre o assunto, Debate seguro.
    O que sei é que quando vejo matéria escrita por jornalista, relacionado a física, em geral só sai bobagem. Até sobre biologia, que não sei quase nada, já consegui achar falando bobagem!
    Enfim, a cultura de idolatria ao diploma vai demorar para mudar nesse país.
    Sobre quem deve ou não praticar uma profissão, que vençam os melhores, independente do canudo da pessoa. Se alguém com diploma de ‘aromaterapia’ pudesse passar num concurso que exige diploma de física e se saísse melhor que eu, acharia justo.

  17. Caros,
    Dois são os principais problemas dessa história: a classe fica mais fraca e desunida – o que acarreta problemas com salário e processos – e a responsabilidade da profissão. Ser jornalista não é apenas escrever bem, correto ou de forma atraente. Um jornalista possui responsabilidade sobre o que está publicando. Se algo der errado, por algum motivo, quem responde? Sugiro que leiam o Código de Ética dos Jornalistas: http://www.sjsp.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=14&Itemid=30 . E as argumentações da Fenaj: http://www.fenaj.org.br/diploma/FENAJ%20Flyer%20Eletr%F4nico%20Campanha%20Diploma.jpg .
    Meu namorado deu uma boa idéia. Sugeriu que as pessoas, não formadas em jornalismo e que trabalham como, tivesse uma espécie de MTB temporário.
    Everton,
    Se as informações foram publicadas erradas, o entrevistado tem o direito de resposta. Segundo, isso mostra uma série de problemas que o jornalismo brasileiro enfrenta em maior instância. Terceiro, que o jornalista poderia ter pesquisado ou consultado mais fontes antes de escrever. Quarto, que todo ser humano está sujeito a erros. Quinto, todo veículo pode ter consultores para verificar se o conteúdo publicado é verídico. Eu, por exemplo, já trabalhei em diversos lugares assim.
    Por fim, AMO minha profissão, mas ela possui uma série de problemas alheios a tudo isso. Não tem nada de glamour como muitos imaginam. Quem trabalha na área entende, perfeitamente, o que estou dizendo.

  18. Temor por ficar desempregado, reclamação da má faculdade que cursou, considerar que o jornalista é u fazedor de textos, que pode ser substituido pelo próprio objeto em foco (no caso um técnico da área abordada) tudo isso não altera que a sociedade (da qual fazemos parte) evolui e obriga a cada um de nós sermos os melhores no que fazemos.
    O estudo acadêmico começa no jardim de infância e vai (atualmente) até o Pós Doutorado,não vejo como alguém que goste de sua profissão não invista no estudo da mesma, isso é, descaso e em último caso um mal profissional…
    Exigir bons profissionais em todas as áreas passa por critérios iguais… termos determinadas idades, termos determinados cursos, termos determinadas obrigações com a sociedade…
    Abrir mão disso é não fazer força alguma contra tudo o que esta de errado, é darmos um: ok a coisa não vai mudar então aceitamos o errado como certo… a faculdade é ruim .. bom não vou mudar pois estou me formando, o trabalho é ruim, mas não vou sair pois ganho o meu ganha pão… Vamos mudar a lei pois o errado tem que virar certo?
    Em fim, o que quero expor… qual caminho devemos tomar… abrir mão dos estudos… não vejo justificativa alguma para este caminho, mas vejo inúmeros motivos para fortalece-lo…
    Mais um…
    Os grandes jornalistas com quem trabalhei não tinham formação acadêmica… eram da época do regime militar, a maioria participou de guerrilha, foram presos e nunca puderam voltar aos estudos, atualmente são grandes diretores de jornais e atuam somente com bons jornalistas… formados nas melhores faculdades brasileiras, são defensores do estudo acadêmico, pois é o único meio de se criar uma estrutura de melhora e evolução para a carreira e para o País.
    Acho que lutamos muito pouco por melhoras… e gastamos muita energia para “deixar as coisas como estão…”

  19. Bem, Isis,
    Como o diploma obrigatório vai unir os profissionais do jornalismo na luta contra os abusos das empresas do ramo da comunicação? Precisamos de um papelzinho pendurado na parede para exigir que os empregadores nos tratem com respeito? O que os jornalistas e todos os prestadores de serviço realmente precisam não é uma justiça do trabalho mais eficaz?
    Para conseguir o diploma, o jornalista vai precisar (1) pagar quatro anos de faculdade (2) fazer parte de um sindicato, pagando taxa de inscrição e mensalidades.
    Em um mundo ideal, concordaria com a obrigação de fazer (1) e (2). Agora, no mundo real, os empresários da educação e os líderes sindicais não fazem bem o tipo que você gostaria que entrasse para a sua família, fazem?
    Quem fez minha cabeça sobre o assunto foi o Maurício Tuffani, excelente jornalista, sem diploma nenhum:
    http://laudascriticas.wordpress.com/2008/08/03/obrigatoriedade-avilta-jornalismo/
    O excesso de faculdades de jornalismo, a maioria de péssima qualidade, é a causa da degradação da profissão. Aliás, é a causa da degradação de profissões regulamentadas e de diploma obrigatório, como o direito e a medicina.
    O exercício da medicina exige um conhecimento extremamente especializado, que não dá para aprender sozinho ou na prática, a menos que você consiga estágio em um campo de concentração secreto, e tenha liberdade total para infringir os direitos humanos. Sendo filho de médico e folheador ocasional dos jornalzinhos da APM e da AMB, sei que a preocupação maior da classe médica é o excesso de faculdades de péssima qualidade no país.
    Contra o mesmo problema, os advogados têm o seu “exame de ordem”. Seria a solução para os jornalistas? Resolveu o problema dos advogados ou o dos donos de cursinhos preparatórios?
    Sou formado em física. Não existe regulamentação para o diplomado em física, e a maiorias dos diplomados em física é contra. O motivo é que os poucos indivíduos que sobrevivem sem sequelas mentais desabilitantes aos quatro anos de assédio moral, tortura psicológica e estupro intelectual que constituem a graduação em física ganham um traquejo mental semelhante ao dos veteranos do Vietnã. São capazes de se adaptar a qualquer trabalho que exiga a solução de problemas. Tem físico trabalhando em banco, em hospital e até em redação de jornal!
    A (boa) formação em jornalismo pode tornar a pessoa tão versátil quanto a formação em física. Uma pessoa que estudou com afinco por quatro anos em uma faculdade de jornalismo séria pode se tornar excelente empresária, diplomata, funcionária pública em geral e muito mais. A regulamentação da profissão vai acabar com essa liberdade…

  20. Inverdades….
    Sr. Igor, li o texto de referência dado por si por Maurício Tuffani, expremamente tendencioso… me deixou profundamente irritado a afirmaçnao, listando países (Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Chile, China, Costa Rica, Dinamarca Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Japão, Luxemburgo, Peru, Polônia, Reino Unido, Suécia, Suíça) como não tendo lei similares a Brasileira… sou americano, trabalho na europa e posso afirmar categoricamente: sem diploma não se trabalha!
    os demais países, tem a lei pois não tem sindicatos fortes…
    Australia, alemanha, Estado Unidos, Finlandia, França, (União Européia) – o sindicato é forte, para ser do sindicato tem que ter diploma, e para trabalhar tem que ser do sindicato… fim de História, para trabalhar tem que ter diploma!
    pessoas de outras formações são convidadas e um jornalista é o responável… recebem menos que um jornalista e tudo mais… todos os trabalhadores de um segmento em como base sua formação academica!…
    Me irritou seu texo pois o senhor recebeu bolsa do governo brasileiro (como consta no seu site) para ser um bom Físico e atua em outro setor (duble de jornalista) como esta no seu site… no final vc lesou a faculdade de fisica, que gastou dinheiro e tempo e o que recebeu de retorno….
    desculpe meu portugues, não é dos melhores, mas estou absmado com estes comentários daqui!
    David Morton (USA – Espanha)

  21. Me irritou seu texo pois o senhor recebeu bolsa do governo brasileiro (como consta no seu site) para ser um bom Físico e atua em outro setor (duble de jornalista) como esta no seu site… no final vc lesou a faculdade de fisica, que gastou dinheiro e tempo e o que recebeu de retorno….

    *roflmao*

  22. Sei que não é de bom tom mudar o foco da discussão mas essa história de: “formou-se em física temq ue ser físico senão foi desperdício de dinheiro” que o David Morton escreveu é antiquada demais.
    Faculdades nos ensinam muito mais do que conhecimento de livros. Nos ensinam, por exemplo, analisar dados, organizar pesquisas, admnistrar grandes projetos, etc. O Igor usa estas habilidades, adquiridas com a ajuda do governo, para divulgar Ciências de forma brilhante!
    Eu não entendo por que um jornalista é responsável e um não-jornalista não. Que poderes especiais são adquiridos com o diploma?

  23. A lei é mais uma para apenas distração, ação diversiva. Nem perderia meu tempo examinando essa proposta. Os jornalistas de qualidade que trabalham sem diploma continuariam trabalhando, pois arranjaria “de alguma forma” um diploma apenas para dizer se tem ou não. Um jornalista diplomado também de qualidade não teria sua vida mudada, pois a concorrência dentro do mercado iria compelir à “eliminação” dos jornalistas não-diplomados e com diplomas de faculdades de menor renome.
    O excesso de jornalista no mercado faria com que se valorisasse ainda mais um jornalista com boa formação e boa experiência. A curto prazo, causaria uma redução de salário dos jornalistas iniciantes, pois haveria muito mais concorrência. Mas a longo prazo, as empresas teriam que desenvolver técnicas (vulgo “entrevistas e dinâmicas de grupo”) para empregar pessoas que tenham uma qualidade maior, causando uma maior valia aos jornalistas, podendo até mesmo aumentar o salário daqueles que tem um bom diploma para prometer uma carreira melhor.
    eu comentei essas coisas mas sem ler as opiniões de outros leitores, portanto não sei se isso já foi comentado.

  24. Sr. David Morton,
    As informações de meu texto que o Sr. contesta se baseiam em fontes devidamente referenciadas. Além disso, elas foram confirmadas também por outro jornalista (favorável à obrigatoriedade do diploma e ex-diretor do sindicato de SP), que se dispôs a pesquisá-las junto às embaixadas desses países. (Vide http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=335JDB004 e http://laudascriticas.wordpress.com/2008/08/05/diploma)
    O fato de o Sr. trabalhar “na Europa” não implica que suas informações sbre o exercício profissional nesse continente sejam verdadeiras. Prove o que diz apontando suas referências. O debate que o tema exige dispensa argumentos de autoridade.

  25. Que idiotice! Hahahaha, comparar o jornalismo com um sacerdócio como a MEDICINA.
    Você acha que o que você escreve salva vidas? Você prestou um juramento quando de formou, por acaso, de empregar sua própria vida para salvar a de outros?
    Se liga, minha filha, está comparando alhos com bugalhos! Completamente destemperada sua comparação!
    A obrigatoriedade do diploma de jornalismo é tão necessário quanto uma bicicleta para um peixe.
    Você sabia que Nelson Rodrigues, sim, aquele famoso escritor e jornalista NUNCA se sentou numa carteira de universidade na vida? Tampouco Paulo Francis, nem mesmo Bóris Casoy, nem Marcelo Coelho (que é sociólogo e não jornalista)…e você, uma zé-ninguém, por ter estudado um punhado de anos se acha mais capaz do que eles? Ora, faça-me o favor!
    Eu sou jornalista e estudei jornalismo por acaso, porque aos 16 anos já trabalhava na mídia e acabei escolhendo pela profissão.
    Hoje tenho 35 anos e continuo na mídia, satisfeita com minha posição eprofissão e em todos esses anos no ofício me deparei com IDIOTAS feito você, recém-saídos da faculdade que não conseguiam colocar ao menos uma vírgula no lugar correto.
    Pessoas sem o menor estilo, sem o menor tino jornalístico, sem rapidez de pensamento, sem o mínimo de cultura geral.
    Papagaios que repetiam o que os editores falavam, meros escrivães medíocres cujas matérias eram todas praticamente IGUAIS, com exceção dos dados, que naturalmente variavam. Lead básico, e nada mais. O que, convenhamos, QUALQUER UM consegue fazer.
    E também convivi com pessoas que tinham talento NATO para escrever. E que não precisaram estudar “teoria da comunicação e discurso”, simplemente sentavam na frente do computador e davam à luz a uma matéria belíssima, informativa, esclarecedora, inspiradora, cheia de estilo, verdade, bem apurada, bem escrita, puramente “jornalística”.
    A obrigatoriedade do diploma em jornalismo é mera muleta para os sem-talento.

  26. Gabriela, você tem o direito de achar o que quiser. Como todos aqui têm. Mas que jornalista é essa que ofende os outros no blog deles? Que preconceito é esse? Aliás, saiba você que desde os 15 anos eu também escrevia para jornais, sendo que estudava em colégio público de um péssimo ensino. Então, antes de falar das outras pessoas, procure saber um pouco de quem se diz. Aliás, esse um preceito do jornalismo.

  27. Olá, Isis!
    Não tive tempo de ler todos os cometários, por isso posso estar chovendo no molhado.
    Acho que as porfissões que devem ser regulamentadas são somente aquelas em que o público não tem capacidade de medir a qualidade. Um médico, professor de escola regular, engenheiro ou piloto de avião, por exemplo. No caso deles, também é importante a regulamentação porque suas profissões estão muito atreladas à segurança das pessoas.
    No caso dos jornalistas, músicos, desenhistas, programadores, designers, professores de cursos livres, filósofos ou escritores, o exercício da profissão deveria ser liberado, pois o próprio público consegue julgar a qualidade de seu trabalho, sem que se coloque a segurança das pessoas em perigo.
    Em relação aos advogados, eles que me desculpem, mas acho que qualquer cidadão deveria poder advogar. E nem deveria precisar de exame da ordem.
    Tanto no caso do jornalismo quanto do direito, julgo a defesa do diploma como reserva de mercado.
    Bjos, e parabéns pelo blog, que continua sempre muito bom!
    Iberê
    PS: Mas que falta de classe dessa Gabriela, né?

  28. acho um tremenda falta de consideração com aqueles que ESTUDAM para exercer a profição de jornalista,pois o estudo serve para passar a sociedade aquilo que aprendemos dentro de uma faculdade, lutando para conseguir ser um proficional qualificado. E se caso a obrigatoriedade do diploma for derrubado(linguagem popular) qualquer um vai poder seguir essa profição e naun irá existir mas um “BOM JORNALISTA”.

  29. Ai meu Deus espero que a Leila não seja uma estudante de jornalismo , pois com a decisão do STJ ela não vai precisar mais concluir a faculdade e já está apta a exercer a sua “profiÇão” .

  30. Depois desta decisão esmagadora, o que fazer? O que será das Universidades com seus cursos de Jornalismo? o que vou fazer com meu diploma de jornalista e o registro profissonal depois de quatro anos e meio em uma faculdade? e o suor do meu trabalho nestes anos dedicados para pagar a faculdade em busca de aprimoramento e qualificação profissional? E as empresas de comunicação que estavam contratando profissionais formados e mudando a concepção de um jornalismo sem “a fórmula de releases ou control C e V”? Onde ficará a matéria-prima do jornalismo, a notícia de forma clara e objetiva, sem exacerbações e sensacionalismos? Queremos apenas exercer nossa profissão de forma justa e com poder de conhecimento e reflexão, sem convencimento e amadorismo. ESTOU PERDIDA NESTE MUNDO SURREAL!!

  31. michelle, não é só no brasil. na verdade, acho que nos países onde se tem um melhor jornalismo, não existe a exigência do diploma. não adianta nada termos um monte de jornalistas formados nessas faculdades “di gênios” que temos no brasil. e, na verdade, acho que vocês, defensores da obrigatoriedade, apenas têm medo da própria incapacidade.

  32. Bem, acho que não estão claras as razões para se exigir diploma de alguém ou não. Até agora tem me parecido que o caso do jornalismo é mera reserva de mercado mesmo (a argumentação baseada em se ter consideração pela pessoa que estuda 4 anos, ou ainda que o mercado ficará saturado, é um indício disso). Olhando a questão assim, exigir o diploma é um mero interesse egoísta por parte dos que conseguiram o diploma (e estes provavelmente não coincidam com os “competentes”). Se de fato é isto o que se passa, então não vejo razão em se exigir o diploma. Penso que o mínimo que um formado tem que garantir é que exerça melhor a sua função do que um não formado. Se o curso de jornalismo não garantir isso seria melhor que fechassem as portas.
    Para o comentário da Iberê:
    Você diz:
    “Acho que as porfissões que devem ser regulamentadas são somente aquelas em que o público não tem capacidade de medir a qualidade. Um médico, professor de escola regular, engenheiro ou piloto de avião, por exemplo.” e depois
    “No caso dos jornalistas, músicos, desenhistas, programadores, designers, professores de cursos livres, filósofos ou escritores, o exercício da profissão deveria ser liberado, pois o próprio público consegue julgar a qualidade de seu trabalho, sem que se coloque a segurança das pessoas em perigo.”
    Essas profissões que você diz que deveriam ter seu exercício “liberado” podem estar ligadas à educação (música, desenho e filosofia, p. ex.). Acho problemático um professor de matemática dar filosofia, ou um de ed. física ensinar desenho, como exemplos. E acredito também que os formados nessas áreas tem competências exclusivas de suas áreas, necessárias para o seu ensino, que formados em outras áreas não terão. Neste caso (estas profissões sendo ensinadas) defendo que deva ser exigida formação na área ou, mehor ainda, uma prova que seja capaz de separar habilitados de não-habilitados. A razão para um não-formado em filosofia não ser autorizado a ensinar filosofia é que ele não sabe filosofia ou, no mínimo, não saberá ensinar. E isto é algo que uma boa prova de seleção pode distinguir. Neste caso não se quer apenas garntir mercado: apresenta-se uma justificativa, uma razão para a exigência.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.