É preciso saber viver

“Todos têm o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à qualidade de vida, impondo-se ao poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”, artigo 255 da Constituição Federal.


Hoje é comemorado o dia do bioma mais lindo e rico em biodiversidade do planeta: a Mata Atlântica. Nem preciso dizer que é o meu preferido, certo? Mas, infelizmente, restam apenas 7% da sua cobertura original. Ela foi completamente devastada.
Tudo começou com a vinda dos europeus para o Brasil e aquela exploração – madeireira, mineira, agrária, etc – toda. Repare que, hoje em dia, as maiores cidades e mais ricas do país estão localizadas bem onde existia a Mata Atlântica. A área original da floresta também concentra pólos industriais, petroleiros e portuários, respondendo a 80% do PIB nacional!
Sabia que a United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (Unesco) declarou a Mata Atlântica como Reserva da Biosfera – local para conciliar a conservação da biodiversidade com o seu uso sustentável? Pois é… E que uma entre duas espécies nativas da região tem como habitat exclusivo o bioma – cerca de 55% das árvores estão nessas condições?
Quero fazer um protesto-proposta. É preciso saber viver. Perceber a grandiosidade das “pequenas” coisas. Observar a riqueza do que está a nossa volta, mas os olhos não veem mais. Pasmar, mesmo. Minhas sugestões para celebrar a Mata Atlântica:

  • Ao passar por um lugar com muita árvore, abra os vidros do carro. Se tiver a pé, respire fundo. Sinta o ar gelado entrar nos pulmões;
  • Quando for para a praia no Sul ou Sudeste, repare o quanto a Serra do Mar é imponente. Imagine a vida que corre dentro dela. Os animais caçando, as cachoeiras descendo em direção ao mar;
  • Sente em um parque ou praça repleto de árvores e pássaros feche os olhos. Ouça a sinfonia composta pelo canto dos pássaros, o deslizar das folhas, as falas das crianças;
  • Veja as minúcias escondidas nas borboletas pelos jardins, no centro das flores, nas veias das folhas;
  • Ouça o barulho da chuva quando estiver na cidade. Depois, perto de locais com grama, terra ou planta que absorvem a água. Perceba a diferença. Apure o olfato;
  • Perceba o brilho da fauna e da flora iluminadas pelo sol. Repare no contraste com o azul do céu, principalmente no outono;
  • Próximo aos rios ou ao mar, fique em silêncio. Escute o barulho calmante da água;
  • Dedique cinco minutos do dia para cada uma dessas ações. Depois, me diga a diferença que sentiu no seu sentido e ritmo de vida.

Obs.: A Mata Atlântica chegou a cobrir 15% do território nacional. Estava presente na região litorânea, de planaltos e de serras do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul passando pelos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Ceará e Piauí. Remanescentes mais conservados estão nas encostas inacessíveis da Serra do Mar no Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Ah… a ONG SOS Mata Atlântica está no twitter, @SOSMata. A foto foi tirada pela minha amiga Andreza em Ubatuba (SP), praia de Itamambuca, abril deste ano. Feriado lindo.

10 comentários em “É preciso saber viver”

  1. oi isis, sou sound designer (trabalho com som de cinema) e gostei muito de ler suas sugestões, principalmente as ligadas à audição. é impressionante a quantidade de sons “da natureza” que se pode ouvir numa cidade como são paulo, mesmo com toda a interferência dos ruídos urbanos, que aliás não deixam de produzir uma espécie de sinfonia da metrópole. no último verão passei férias numa casa encravada no meio da mata atlântica ao pé da serra no sertão do camburi. indescritível o som produzido por insetos e aves tanto de dia quanto à noite. parar pra ouvir os sons que estão à nossa volta é uma experiência que nos faz perceber a quantidade de vida e movimento que nos cerca a todo instante, seja na cidade, na paraia ou no campo.
    parabéns pelo blog, que eu tenho acompanhado desde que passei a te seguir no twitter (sou o @noizyman). sou um leigo ávido por conhecimento científico e esse trabalho de divulgação da ciência é extremamente importante. falando nisso, vc viu que o richard dawkins vem para a flip este ano? abraço!

  2. Entender melhor a Naureza é melhor para nós mesmos. mesmo que diretamente não vivemos nela, conservá-la e cultivá-la minimamente melhora muito nossa vida. Tanto em saúde, como tranqüilidade e felidade.
    Abraço do Búfalo

  3. Bem Isis e TODOS que leem este BLOG,
    Este discurso, como diria Cataeno é LINDO. É o discurso amplamente utilizado pelo chamados “ecologistas”, alguns dos quais considero radicais, mas me respondam sinceramente:
    – Em 500 anos, destruímos cerca de 90% da Mata Atlântica para concentrar cidades que se estabeleceram nesta região e onde moram 80% dos habitantes do Brasil.
    Muito bem!
    Quantos de vocês moram no Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre e por aí vai…
    Cada um destes moradores, ou pelo menos a grande maioria, mora em casas ou apartamentos feitos de tijolos ou madeira. Nestas cidades temos prédios comerciais, ruas, parques e etc…
    A pergunta é:
    QUEM ABDICARIA DESTAS BENESSES para morar no meio da floresta, junto com ela ?
    Em meu apartamento, o piso é de madeira, a estante é de madeira, as camas são de madeira, até a janela é de madeira! E nenhuma desta madeira é certificada!
    Tenho eletrodomésticos que me facilitam (e muito) o meu modo de vida e que consomem energia elétrica.
    E claro, também tenho meu carro, poluidor maior de uma série de itens que mencionei!
    Então, a conclusão que chego é que CADA um de nós foi responsável pelo desmatamento da floresta atlântica! CADA um de nós contribuiu para que isso acontecesse…
    Então, quando criticamos o resultado, sem olhar como foi que isto aconteceu, eu considero injusto culpar terceiros, TEMOS que assumir nossas responsabilidades e saber muito bem que fomos NÓS, SIM, FOMOS NÓS que destruímos a Floresta Atlântica. E diga-se de passagem, continuamos destruindo agora a floresta Amazônica, pois aquele cara que está lá cortando as árvores, o que transporta a madeira, o cara da serraria, SÓ fazem isso, pois existe um MERCADO solicitando, pedindo, ordenando que ele faça isso!!!!!!! E somos NÓS que estamos MANDANDO eles fazer!
    Eu recomendo a visita a um excelente vídeo que mostra excelentemente nosso modo de vida e que poderia ser mudado.
    http://video.google.com/videoplay?docid=-7568664880564855303
    Um abraço a todos,
    Abrantes

  4. Bom, Luiz, há 500 anos eu nem existia. Nem todos meus ascendentes moravam aqui – não estou querendo me redimir da culpa. Outra, a maioria da madeira que usamos, se não engano, é proveniente da Amazônia. E a questão não é ser radical, morar no meio do mato. Mesmo porque isso não resolveria o problema. Mas ter a consciência do atual problema que vivemos para buscar uma solução que possa ser colocada em prática. E, com certeza, não sou eu ou você sozinho que iremos mudar. Mas as empresas e o governo. Podemos exigir mudanças. Ah, não sou ecochata. Acho que dá para perceber. Acredito na ciência.

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