Estudo para prevenir algas na Guarapiranga

“Descobri” um oásis em São Paulo. Nem parece a cidade. Tem água, muita água, um pouco ainda de fauna e flora preservada e esportes – claro – aquáticos. Fiquei encantada com a Represa Guarapiranga – em tupi-guarani significa “garça vermelha”.
A primeira vez que fui lá, este ano, fiquei com nojo daquela água azul meio marrom. Mesmo assim, pisei no lodo do fundo da represa para entrar em um veleiro. E rezei para não pegar uma pereba. Até agora nada apareceu…
A água é meio sujinha, sim, e existem invasões ilegais de terra. Mas para as pessoas lutarem contra ambos, creio que precisam conhecer o problema – e a beleza – de perto. Esses dias voltei lá. Para piorar a situação, notei que a água está repleta de algas!
Para cuidar desse mais um problema, a Sabesp disse que fechou uma parceria com a Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). O contrato, de R$ 1, 15 milhão, tem validade de um ano. No acordo, caberá à Sabesp fornecer relatórios da qualidade da água da Guarapiranga. A Ufscar, que já possui estudos relacionados ao tema, deverá desenvolver o modelo de previsão de crescimento compatível com a realidade da represa.
Trata-se de um método matemático que leva em conta uma série de variáveis, como insolação, temperatura, aspectos físicos e biológicos do manancial. Com o cruzamento dessas informações, será possível apontar quais partes da represa tendem a contar com o florescimento das algas. A partir daí, a Sabesp deverá combater esses organismos nos pontos de maior intensidade.
O que são algas?
São cianobactérias – microorganismos que tem estrutura celular como de uma bactéria e fazem fotossíntese. Ao entrar em contato com materiais orgânicos – como esgoto -, podem liberar compostos como a geosmina e o metilisoborneol. O primeiro, também encontrado em alguns vegetais como a beterraba, está associado ao odor de mofo. O segundo, ao cheiro e gosto de terra. Apesar de não causar risco à saúde, o tratamento da água não consegue remover essas sensações. Confesso que não sou muito fã de algas…
Pobreza, menos saúde e menos preservação ambiental
Por sofrer com as ocupações irregulares, que despejam o esgoto in natura no manancial, o problema é recorrente na Guarapiranga. Como disse acima, esses organismos se alimentam dos nutrientes presentes nos dejetos. O sol forte e a ausência de chuvas contribuem para o surgimento das algas.
Obs.: A foto tirei em uma marina da represa. Charmosos os veleiros, não?

8 comentários em “Estudo para prevenir algas na Guarapiranga”

  1. Detalhes,
    Nem toda microalga é cianobactéria. Na verdade a maior parte das algas não são cianobactérias (que são consideradas um meio termo, nem alga nem bactéria). As cianobactérias são as mais abundantes em ambientes eutrofizados, que apresentam grande concentração de nutrientes. Se perguntar para um botânico ele dirá que não existem cianobactérias, mas sim cianofíceas.
    A principal questão quando a blooms de cianobactérias em ambientes aquáticos eutrofizados está ligado a liberação de toxinas, principalmente do grupo das neurotoxinas. As cianobactérias não liberam compostos devido ao contato com o esgoto. A função original das toxinas é para defesa contra animais filtradores, mas devido a grande proliferação das algas pode causar sérios problemas em represas e lagos que servem para abastecimento de água para humanos.

  2. Olá, adorei seu blog!
    Sobre o seu post, algas não são apenas cianobactérias, têm também vários outros criptógamos. E alguns, também com potêncial toxico, como os dinoflagelados.

  3. Olá, Ísis.
    Interessante o assunto, mas há uma imprecisão no texto. “Algas” é um termo geral, de uso comum. As cianobactérias são um tipo de alga, mas nem toda alga é cianobactéria.
    As algas são organismos aquáticos e que realizam fotossíntese (e que não são plantas). As algas compreendem as cianobactérias (antigo reino Monera) e vários grupos do reino Protista (incluindo organismos flagelados, unicelulares coloniais e multicelulares sem tecidos organizados).
    É comum haver florações de algas em ambientes aquáticos (grande crescimento de algas, por exemplo as marés vermelhas nos oceanos), porém a maior preocupação em relação a lagos e reservatórios são com as cianobactérias porque elas são capazes de produzir toxinas letais (tem informações sobre elas no link que você colocou e também na wikipedia).
    Por fim, não há como “prevenir algas na Guarapiranga”, nem em qualquer outro lugar (elas são produtores nas cadeias alimentares nas águas e em sua maioria são microscópicas), mas sim como tentar “prevenir florações ou crescimento de algas tóxicas”.
    A Sabesp utiliza uma estratégia de manejo que consiste em usar quilos de sulfato de cobre (sem estudos ou cuidados quanto a possíveis efeitos tóxicos disso nas pessoas e no ambiente) ou grandes quantidades de peróxido de hidrogênio para provocar rompimento das células das algas e diminuir a contagem de células de cianobactérias nas amostras de água (para a água ficar de acordo com a Portaria N.º 518 do Ministério da Saúde sobre a potabilidade da água). Só que o problema de fazer isso é que, se existirem algas tóxicas na água e você estourar suas células, as toxinas são liberadas na água e o padrão de tratamento atual não remove as toxinas da água. Um problemão de saúde pública.

  4. Perfeitas as explicações! E entendido a preocupação da Sabesp com esse tipo de organismo. Espero que consigam, ao menos, diminuir o número delas na Guarapiranga. Este final de semana me contaram que a quantidade desse tipo de alga era bem maior do que um mês atrás.

  5. Oi Isis, reconheci o hagar do clube pela foto…
    Estamos sendo vitimados nas águas da represa pela proliferação desenfreada de vegetais que não são microorganismos,e sim de (desculpem-me mas não sou cientista e sim velejador e remador)vegetais que se assemelham a pés de alface, que ficam boiando na água e que são levados de um lugar para o outro pelo vento.
    Como eles já invadiram o rio Pinheiros não é dificil identificá-los.
    Este me parece ser o problema mais urgente da represa pois não conseguimos dar andamento às nossas atividades de laser, sem ficarmos presos em imensas ‘ilhas’ destes ‘pés de alface’ aquáticos…

  6. Oi Isis,
    Há alguns dias, conseguimos chamar a atenção da mídia para os problemas que esta vegetação traz aos usuários da Guarapiranga (acompanhe neste link: http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/miltonjung/page/5/).
    A mídia continua reverberando este assunto (http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/miltonjung/).
    Agora já temos um nome para os vilões ou melhor, vilãs: Macrófitas (como os cientistas não se pronunciaram, alguém tomou a dianteira).
    Será que conseguimos apurar junto à comunidade científica quais seriam os procedimentos adequados para controlar esta ‘praga’?

  7. Concordo com o Neto, pois tambem sou velejador. O que não entendi é se vocês estão se referindo às enormes aglomerações de vegetais flutuantes com raizes compridas, que se enroscam em qualquer embarcação que navegue na represa, ou se as algas são outra coisa (microorganismos invisiveis ao olho humano) – De qualquer forma precisamos de uma solução urgente para os vegetais grandes também.
    Estes vegetais seguram e grudam em qualquer sujeira e formam grandes ilhas flutuantes que viajam ao sabor do vento.

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