Um verdadeiro relato sobre a gripe suína

Numa dessas manhãs de sábado ensolarado, tomei coragem. Encarei a multidão na rua 25 de Março – uma via onde as lojas vendem de tudo, mesmo, e mais barato que no resto de Sampa. A visão da Ladeira Porto Geral, que desemboca na rua, era desoladora. Muita, muita, muita gente se espremia entre lojas, vendedores ambulantes, carros e motos. Respirei fundo, coloquei a bolsa colada em mim e me joguei em um dos ciclos do inferno de Dante.
Eram três horas para comprar tudo o que mentalizava, antes dos estabelecimentos fecharem. Não tinha tempo para delongas. Mas, entre uma loja e outra, reparei que algumas pessoas andavam pela rua com máscaras. Sem dúvida, na esperança de naquele mar de gente não pegar a gripe suína. Como se isso adiantasse para alguma coisa.
Após duas horas no tumulto, paramos para comer – outra destemida estava comigo. Aquelas pessoas que caminhavam de máscara, por ironia, pararam para comer na mesa em frente à nossa. Isso, na praça de alimentação de um shopping da região. Praça de alimentação lotada, diga-se.
Os mascarados abaixavam a máscara para fazer o pedido. E tiravam na hora de comer, claro. Deixavam em cima da mesa. Nesse momento, me perguntei: “O que as pessoas têm na cabeça, além das máscaras?” Sem dúvida, nenhum conhecimento sobre o assunto. Se tivessem com a gripe ou com medo de pegá-la, jamais deveriam ir àquela concentração de vírus, bactérias e outras perebas tudo ao mesmo tempo.
Com um ponto de interrogação encima das minhas madeixas, voltei para as compras. E depois peguei meu carro – tinha deixado no estacionamento próximo à famosa Ladeira Porto Geral. São Paulo tem de tudo. Até mascarados na 25 de Março.

5 comentários em “Um verdadeiro relato sobre a gripe suína”

  1. Essa “swine flu” já esgotou minha cota de ridículo… …com isso tudo dá pra entender várias outras coisas, como a miserável e egoísta sociedade que a gente vive, os politicos e eleitores corruptos, a ignorancia latente e persistente, etc, etc… dá até pra pensar que educação ambiental é ensinar os virus a serem mais sociáveis e afetar menos pessoas.. enfim… ..hoje nao deu pra evitar o sarcasmo.. deixa eu ir ver onde deixei minha máscara (de bom moço)… 😉 Ciao Isis!!

  2. O mais engraçado é deixarem a máscara encima da mesa. É como deixar a comida cair nele e depois lamber. rs
    Para mim não é nenhum um pouco higiênico. Mesmo que não houvesse a gripe.
    Muito obrigado pelo comentário no blog. Você sabe onde viu a pesquisa sobre intuição?
    Búfalo

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