Papéis ao vento…

Pensei… antes de escrever este post… Na realidade, antes de confessar, pela primeira vez, que eu faço uma coisa que alguns poderiam considerar ridícula. Cá entre nós – que ninguém nos ouça: “Eu escrevo poesias, citações ou frases como ‘tenha um bom dia’ em papéis que por ‘n’ motivos não seriam utilizados pela reciclagem e os coloco dentro do ‘lixo’ de coleta seletiva”. Falei!
Tudo começou quando estava revendo algumas matérias jornalísticas minhas do passado. Ainda na faculdade, fiz uma reportagem para a TV Mackenzie sobre os catadores que trabalham em uma cooperativa instalada na Luz. Apurei, entrevistei, fiz a passagem – momento em que o repórter fala olhando para a câmera – e acompanhei a edição.
Durante a entrevista, os catadores contaram suas histórias de vida. A maioria deles se dizia muito feliz por ter um trabalho – lembro-me de um homem dizendo que, com o emprego, conseguia pagar o aluguel, ter onde morar. E, claro, entendiam que seu papel ajudava a preservar o meio ambiente. O que dava uma satisfação pessoal.
Aliás, que papéis lindos eles criavam! Além de separar o coletado para vender para as fábricas de reciclagem, eles produziam blocos, cadernos, folhas de papel reciclado. Indiquei para um primo. Que adorou e lá encomendou o convite de casamento – por sinal, bem mais barato do que as empresas cobravam. Noivas, anotem a ideia.
Passados alguns anos, separando o lixo para a reciclagem, tive uma luz. Ô bom humor! Escrevi algumas mensagens como “desejo um lindo dia” e coloquei na coleta seletiva. Discretamente. Sem ninguém em casa perceber. Repeti a ação outras vezes.
Será que alguém leu? Será que o recado tornou o dia da pessoa mais feliz? Será que estimulou a leitura no outro? Porque me senti sorrindo por dentro. Agora, percebo que isso remete a algo da Amélie Poulain. “São tempos difíceis para os sonhadores”, citaram durante o filme.

15 comentários em “Papéis ao vento…”

  1. Isso me lembra de algumas histórias da Segunda Guerra (sim, eu *não* lutei a SGM).
    A Alemanha Nazista estava usando mão de obra escrava de judeus poloneses em suas fábricas de torpedos e bombas.
    Navios aliados atingidos por esses torpedos sofriam algum dano, mas não vinha a explosão que normalmente deveria ocorrer. Os poloneses estavam sabotando as armas – desativando os mecanismos de detonação. Em alguns torpedos recuperados havia bilhetes como: “isso é tudo o que podemos fazer por vocês”. (Li isso no “Decifradores de Código” de Michael Paterson.)
    []s,
    Roberto Takata

  2. Meu bem, a sua ideia não tem nada de ridícula. Muito pelo contrário. Quem achou algum desses papéis certamente entendeu o seu recado e mentalmente te agradeceu, também sorrindo por dentro. Pequenas coisas como essa têm, sim, o poder de mudar para melhor o dia de qualquer um. Parabéns pela atitude. Muito positiva.

  3. que bacana! claro que alguém leu e deve ter gostado!! Lembrei de uma brincadeira que fiz uma fez com uma ficha de votaçao.Sem que ninguém percebesse, para anular meu voto, encontrei a saída boa: colei uma tirinha do Laerte, pq na hora que a pessoa fosse ver a cédula anulada, ao menos ia rir!! =D

  4. Idéia ridícula nada ….
    Excelente idéia ….
    Fazer uma pessoa se sentir feliz, mesmo que não seja por todo o dia , sendo apenas enquanto ela lê o papel , ja me sentiria muito bem….

  5. Uma bela ideia, e duplos parabéns: por ela e por dispersá-la aqui – quem sabe mais pessoas a repitam?
    Uma vez, aconteceu algo parecido comigo, mas na via inversa: abri um pacote de meias de nylon recém compradas, e qual minha surpresa quando deparei-me não com uma, mas com duas meias cuidadosamente dobradas, e ao desdobrá-las, vi um bilhetinho, escrito com letras inseguras: “Sorria: você tem sorte!” 😀

  6. Sim, Isis, sempre haverá pessoas que acharão tudo isso uma babaquice, como essa do comentário 7…
    Mas não ligue. O importante é você se sentir bem fazendo isso, imaginando que algum de seus bilhetinhos será mesmo lido, fazendo alguém sorrir.

  7. Diria eu, que essa é uma atitude linda… certa vez, fui conquistado por uma moça, que me deixava bilhetinhos diários… no inicio, era simplesmente uma brincadeira, mas enfim. Já vi fazerem isso em uma empresa que trabalhei também, onde um anônimo colocava bilhetinhos com frases entusiastas no mural .. e o que todos faziam ao chegar? ..iam direto ao mural ler a nova frase… 😉
    Dar bom dia ou trocar duas palavras com a “moça da limpeza” ou o “vigia do estacionamento”, tem o mesmo bom efeito… para quem recebe, e a quem se presta a dar tal pequena e tão gratificante atenção… no lo cres?

  8. Dar um Bom Dia, Boa Tarde, Boa Noite, deixar bilhetes desejando um Ótimo Final de Semana..
    O que isso custa?? NADA…
    Comcerteza com esses gestos deixará o leitor, mais feliz, será motivador para continuar no Trabalho…
    Apoiado essa ideia…
    Parabéns..

  9. Oraora, moça Isis… Idéia bacana, essa tua!!!
    Isso me fez lembrar outra idéia bacana que vi, que tem a ver com poesia e papel: o projeto Pão e Poesia, que é tocado por um cara lá nas Minas Gerais, e que consiste na impressão de poemas em embalagens de pão.
    Bjão! =*

  10. J.F. de Souza, legal essa de poesia em papel de pão… aqui em Porto Alegre, a prefeitura (ou quem seja) criou o “Poemas no Onibus”, e podemos ler poesia em todos os onibus da empresa municipal de transporte… bueno, no?

  11. Muito legal essa sua atitude de distribuir boas coisas de multos meios, o mais interessante é que muitas pessoas fazem isso de vários modos, há tempos atráz eram as mensagens nas notas (algumas bem imbecis algumas ótimas), os pára-choques de caminhão, aqueles bloquinhos amarrados nos pontos de ônibus – alguns eram propagandas mas achei um um dia que era uma HQ, ótima, a turma fazia fila para ler…….. é isso. Quem disse que delicadeza, educação, bons modos, palavras doces são um saco, são não.
    Adorei seus bilhetinhos, vou copiar !!!!!
    abrcs e parabéns

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