Os velhos costumes permanecem…

praia.jpgEstava eu, esta semana na praia – uma das vantagens de ser frila -, tomando sol e lendo revistas. O dia estava perfeito. Céu quase sem nuvens. Pouca maresia. Calor na medida certa. Pouco vento. Água morninha. O mar uma piscina. Cinco pessoas na praia – contando comigo. Marias-farinha, siris pintados, cardumes coloridos, moluscos, bolachas-do-mar, andorinhas, quero-queros e uns passarinhos que não sei o nome dividiam a restinga e o mar comigo. Tudo na santa paz e harmonia. Até que… o bicho homem resolveu mostrar ao mundo suas garras.
Enquanto eu pasmava naquele ecossistema, duas pessoas caminhavam na beira da água. Uma estava com a mão cheia. Fiquei observando. O cara catava as conchinhas, restos de corais e sei lá mais o que da beira da água! Todo-mundo-sabe que não se deve tirar nada da praia, apenas observar sua beleza. No máximo, tirar uma foto.
concha.jpgTive que contar até cem para não ser desagradável e ir falar com ele. Ao mesmo tempo, não me conformava! Como pode? Você via que não era uma pessoa sem estudo que estava caminhando na beira da água. Mas nem por isso deixava de ser ignorante, no sentido literal da palavra. Sugiro que as prefeituras coloquem placas na praia dizendo o que não é permitido – em Fernando de Noronha é assim. Ou alertando sobre os riscos dessas ações. Seria mais uma educação ambiental.
Ainda bem que o molusco, dono dessa concha da foto, era esperto, pois estava no mar. Caso contrário, tenho certeza que o rapaz pegaria para levar para a casa. Mesmo habitada! Deixei o bichinho na beira da água para tirar essa foto – teria que dividir essa beleza aqui no blog. Depois, devolvi no lugarzinho que encontrei. Aliás, me arrependo de não ter colocado lá no fundão do mar. Assim, a chance de alguém levar a concha para casa seria menor.
É, minha gente. É preciso saber admirar.

4 comentários em “Os velhos costumes permanecem…”

  1. Do ponto de vista ético, não temos o direito de retirar nada da natureza para apreciação, prazer pessoal ou outra atividade qualquer que seja dispensável para a nossa sobrevivência.
    Mas muitas pessoas ainda acreditam que o homem é dono da natureza, e não parte dela. No entanto, e felizmente, creio que, aos poucos, essa mentalidade está mudando.

  2. assim… numa boa…
    imagino que vc não seja consumidora de nenhum tipo de carne, leite, bolsas de couro, sapatos de couro, nem de qualquer outro derivado de animais… certo?
    e também não tenha móveis de madeira na sua casa.
    do contrário, sua postagem ficaria, no mínimo, estranha.
    aliás, seguindo o seu ponto de vista, como fica a questão as frutas, legumes e verduras que tiramos da natureza?
    ou a água?
    não que eu seja a favor, ou contra, a retirada de conchinhas, ou qualquer outra coisa, da natureza.
    só achei o ponto de vista, espresso nesta postagem, um pouco exagerado, já que direta ou indiretamente TODOS estamos constantemente retirando algo da natureza.
    e, no meu ponto de vista, temos inumeras questões morais muito mais urgentes do que o, ‘quase’ inofensivo, furto de conchinhas.
    por exemplo, a falta de paciência com a ‘ignorância’ alheia não seria também uma maneira de ‘o bicho homem mostrar ao mundo suas garras’?
    desculpe se soa agressivo, não é esta a intenção.
    só pra refletirmos até que ponto somos assim ‘tão’ diferentes do cara que pega conchinhas, a ponto de nos acharmos no direito de criticá-lo..
    abs.
    C.

  3. Chloe, seu argumento (ou seria um sofisma?) é interessante, mas muitíssimo perigoso. Ele simplesmente tira o direito de qualquer ser humano alertar o outro para a degradação do meio ambiente. Pelo seu raciocínio, nem mesmo a Marina Silva teria esse direito. Afinal, ela usa móveis, bolsas e sapatos, não é mesmo? Aliás, quer dizer então que apenas um peladão que se alimenta de luz e dorme na rua teria esse direito?

  4. Olá Gustavo,
    meu ponto de vista: se a gente for entrar nas questões filosoficas e de direito, o assunto vai longe e nem é o local adequado.
    então vou me ater a parte moral que foi o que me chamou atenção no texto e por isso comentei acima.
    com relação a sua ultima frase (questão), penso que ‘deveria’ ser exatamente isso.
    diz a lenda (não li o livro não posso citar referencia, mas vale a idéia), que Gandhi recebeu uma mãe com seu filho, e esta pediu que ele dissesse para o garoto não mais comer açucar. E Gandhi pediu que a mãe retornasse após 2 semanas, pois ‘primeiro’ ele teria que deixar de comer açucar para ‘só depois’ poder dizer para o outro o que fazer.
    e, diz a lenda novamente, que também é dele a frase: ‘Seja a mudança que vc quer para o mundo’, ou algo assim.
    posso estar ‘viajando’ querendo um mundo ideal, mas por que não?
    a mudança é pessoal mesmo, não tem como ser diferente.
    e por fim, realmente acredito que enquanto continuarmos acusando uns aos outros pelos ‘seus’ atos egoistas, estamos perdendo tempo precioso de analise e mudança dos ‘nossos’.
    se pensarmos, cada um de nós tem muuuita coisa pra mudar em si mesmo, antes de querer mudar o outro ou o mundo.
    o que também diminuiria a necessidade viciosa e constante de mostrarmos ao mundo os defeitos-vicios-paixões, alheios.
    enfim… isso é só uma opinião pessoal e não tem NADA de cientifico.
    desculpe Isis e blogueiros do SBB por fugir tanto do foco.
    abçs.
    C.

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