Veja o Cerrado ameaçado pelo fogo

Tenho tanta coisa para contar sobre o Rally dos Sertões, mas algumas tarefinhas – bacanas e trabalhosas – me exigiram bastante. Bom, um dia antes de embarcar destino Palmas (TO) – de onde começou minha aventura – lembro-me de ver em um telejornal bombeiros apagando o fogo de espaços públicos dentro da cidade – como praças e canteiros. Aquela imagem ficou gravada na minha memória. Pensei: “Como pode?” Inacreditável.
Um dia depois, sobrevoando Palmas…
DSC_0017.JPGQuando observei o entorno e a cidade, já do avião, entendi. Primeiro, fiquei pasma positivamente com a cor da represa/ rio Tocantins. Era um azul-turquesa-esverdeado que lembrava Fernando de Noronha. Impressionantemente, lindo – aliás, os rios do Tocantins podem disputar a beleza com os de Bonito (MS). Agora, nas margens… A cor que prevalecia era o preto-queimada. Aí, fiquei triste.
Tudo estava queimado. As vegetações ao lado do aeroporto ainda emanavam fumaça. Inúmeros focos de fumaça preta. Na cidade, canteiros mais canteiros – fazendo divisa com as casas (!) – destruídos. Não diria que eram cinzas, porém fuligens caídas ao chão. Misturadas com tocos, troncos, folhas chamuscando.
DSC_0026.JPGEu vi o Cerrado, que já é ameaçado por nossas plantações, completamente indefeso. Suas árvores belíssimas pareciam mortas em pé. Com meus botões, surge a questão. Certa vez, ouvi um especialista dizendo que, em alguns casos, as pessoas não podem culpar o meio ambiente pelos desastres “naturais”.
Isso porque existem técnicas e estudos que tentam prever possíveis problemas. Sem contar as construções que não respeitam o ambiente que já prevalecia naquele lugar. Coisas óbvias como, por exemplo, construir casas sem fundação em encostas de morros. Um dia, com as chuvas, elas podem desmoronar.
DSC_0028.JPGTodo mundo sabe que temos no Brasil períodos de seca. Não seria possível criar algum mecanismo para conter as chamas? Pesquisei sobre técnicas como, inclusive, escavar uma pequena faixa de clareira no entorno de uma reserva para evitar que o fogo a atinja.
Em todos os quilômetros rodados de Palmas até Fortaleza, vi apenas um carro com autoridades observando as labaredas de fogo na margem da rodovia. Creio que estavam receosos delas atingirem os veículos na estrada.
Enfim, feliz Dia 21 de Setembro. O Dia da Árvore.
Observação: As fotos foram tiradas na saída de Palmas, próximo à Serra do Lajeado. Tudo o que é preto foi queimado. Onde há fumaça, há fogo. Veja mais no Flickr do Yahoo! Notícias. Também confira, em imagens, como o Tocantins resiste e é maravilhoso.

5 comentários em “Veja o Cerrado ameaçado pelo fogo”

  1. Há uma parte dos incêndios que são do ciclo natural do cerrado – muitas espécies são adaptadas ao fogo e algumas dependem de que o fogo ou limpem a área para brotar ou queimem a parte externa das sementes para germinar.
    Se o fogo é completamente evitado, a tendência é a fisionomia do cerrado dar lugar ao cerradão. E depois de anos, vai acumulando muita biomassa que pode abrir espaço para incêndios realmente infernais.
    []s,
    Roberto Takata

  2. Concordo que faça parte de um ciclo, faz sentido. O que me deixou preocupada foi um pesquisador – não lembro qual – afirmando que caso o Cerrado queime muito este ano, no próximo a queimada será pior. E demorará mais anos para se recuperar. Ele também disse que as queimadas são naturais, mas as proporções atuais são culpa da ação humana. (Interrogação na minha mente)

  3. Ah, também observei queimadas mais antigas com folhagem verde brotando. Mas não é assustador ver animais fugindo do fogo? Fico sensibilizada – mulherzinha, rs.

  4. De fato, o Cerrado apresenta um conjunto de fisionomias e algumas delas, principalmentes as mais abertas, só se mantêm do jeito que são por conta do fogo. Mas eu concordo que deveria haver mecanismos de controlar o alastramento do fogo, evitando que áreas imensas sejam destruídas de uma só vez.
    Por exemplo, no Globo Rural do dia 12 deste mês, se não me engano, foi mostrado que uma reserva administrada pelo Senai (Senai? desculpa, não lembro mais; se não era Senai, era alguma instituição similar) era separada da mata em volta por uma faixa de terra razoável – devia ter uns 10m. Além disso, a vegetação das bordas também era diariamente umedecida com o auxílio de um caminhão pipa, o qual era abastecido com água de um rio próximo. Ainda que seja um método bastante trabalhoso e custoso, imagino que ele possa ser replicado em outras reservas do país.
    Caso alguém se interesse, suponho que haja um vídeo dessa matéria no site da globo, mas eu ainda não fui verificar.

  5. Luciano, deve ser. Mas já destruímos tanto o Cerrado que sozinho se queima todo ano, que não custa nada poupar, ao menos, algumas reservas… Quer dizer, custa.

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