O quati não late, mas morde

DSC01025.JPGEstava pasmando no Parque Nacional Iguazú, parte argentina das Cataratas do Iguaçú, do lado de fora de uma lanchonete. Enquanto isso, uma gringa desavisada – não deu atenção às placas – comia seu delicioso lanche. Entre uma mordida e outra colocada no prato, num momento de distração, um quati subiu na mesa. Ele agarrou com a boca o sanduíche e correu para debaixo da mesa.
A moça nem tentou brigar por sua comida. Já gritou com medo do bichinho. O pessoal em volta tentou obter a deliciosa refeição de volta, sem sucesso. Aliás, nem os guardas florestais do parque conseguiram espantar o animal para muito longe. Os bichos se acostumaram.
DSC00633.JPGNa parte brasileira das Cataratas, os guardas usam uma varinha para espantar a espécie. Eles batem com força no chão sempre que um quati se aproxima de nós. Aqui, no Brasil, eles fogem. Porém, essa aproximação acontece porque os animais devem ter se acostumado com pessoas, no passado recente, dando comida para eles. Aí, quem quer se alimentar na floresta se ganha na boca gordura trans?
No Parque Estadual de Vila Velha – também no Paraná -, com a reformulação do lugar, os quatis ficam longe das pessoas. Hoje, eles têm medo de nós. De certa maneira, é bom para ambos. Afinal, eles seguem com uma alimentação e costumes adequados. Apesar deles serem bonitinhos, sua mordida passa raiva – uma doença infecciosa.
Recentemente, recebi em uma newsletter da ONG S.O.S. Mata Atlântica com informações interessantes: “O quati (Nasua nasua) é um mamífero comum na Mata Atlântica brasileira. Possui um nariz comprido, que utiliza para farejar suas presas, a maioria pequenos vertebrados e insetos que busca na terra e nos troncos podres. Também se alimenta de frutas e ovos, e gosta de subir em árvores. Os machos adultos vivem sozinhos. As famílias de quatis são formadas pelas fêmeas e seus filhotes, que permanecem junto da mãe até os dois anos de idade. É conhecido pelo fato de, ao se sentir ameaçado, se fingir de morto, se jogando no chão de patas para cima. Outras espécies, como o Gambá, também usam este artifício”.
Obs.: A foto acima foi tirada na Argentina; e, a ao lado, no Brasil. Boa semana!

9 comentários em “O quati não late, mas morde”

  1. O proble ma com os quatis no ParNa-Iguaçu não é nem um pouco recente. Mas também vale ressaltar que foram várias as tentativas de resolvê-lo. O uso de “XiXi” de onça borrifado nas áreas de visitação turística, o que não funcionou pois o mau cheiro incomodava mais os turistas do que espantava os quatis. As diversas tentativas de adaptar as lixeiras evitando a entrada dos bichos, o que também não estava funcionando pois sempre havia um animal que conseguia burlar o sistema. Sem falar nas diversas ferramentas de EA utilizadas. Resultado final: negativo, os animais não deixam as áreas ricas em carboidratos.
    Em 2004/2005 acompanhei um estudo que avaliava a dieta alimentar de quatis próximos das áreas de visitação. O que se observou foi uma quantidade enorme de “cemento” (não lembro se esse termo é correto) nas fezes o que indicava alta prevalência de alimentos industrializados. Lembro que em poucas amostras encontrávamos restos de artrópodes ou de frutas. Quando essas amostras foram comparadas com animais do parque de Vila Velha a diferença foi monstruosa, nestes a quantidade de cemento era muito menor e a presença de restos de artrópodes e frutas era maior, indicando uma dieta alimentar “melhor” ou pelo menos mais “natural”.
    ps: O nome científico do quati DEVE ser destacado no texto, itálico, negrito, sublinhado… o que você achar melhor. ;-p

  2. Felipe,
    Obrigada pela explicação! Nada como ler um texto de quem estudou o assunto… É a chance de nos aprofundarmos no problema.
    Abraços! Sempre que puder colaborar, agradecemos.
    Ah, quanto ao nome científico, tem razão! Copiei do texto do word – o que desconfigura tudo – esquecendo de colocá-lo em negrito. Arrumado!

  3. um vizinho achou um quati no meio da mata perto de casa
    e queria matar ele,eu pequei ele para criar mais nao fasso ideia
    de como alimenta lo,mais ele e muito fofo e docio

    1. Oi Angela,

      Sua intenção é boa, mas pode ser perigoso para você e para o bichinho por diversos motivos. Sugiro que ligue para os bombeiros da sua cidade ou para a polícia florestal e peça para eles recolherem o quati. Será melhor para vocês dois…

      Um abraço!

  4. “Outras espécies, como o Gambá, também usam este artifício”.
    Quati não é espécie de Gambá. Os Quatis( Nasua nasua, Nasua narica e Nasua nelsoni) são da família Procyonidae, a mesma dos Mão Pelada( Procyon cancrivorus) e do Racoon norte americano( Procyon lotor), dentro da infraordem Arctoidea. Gambás são nephitídeos , parentes de mustelídeos, em nada se assemelham a quatis. Se o termo gambá for referência ao Saruê, mamífero marsupial sul americano muito parecido a uma ratazana a distância de taxon é maior ainda.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *