{"id":2092,"date":"2013-02-18T12:15:02","date_gmt":"2013-02-18T15:15:02","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/xisxis\/?p=2092"},"modified":"2013-02-18T12:15:02","modified_gmt":"2013-02-18T15:15:02","slug":"2092","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/xisxis\/2013\/02\/18\/2092\/","title":{"rendered":"Entrevista: astrof\u00edsica fala sobre meteoritos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/xisxis\/wp-content\/uploads\/sites\/242\/2013\/02\/meteoro.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-thumbnail wp-image-2093 alignright\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/xisxis\/wp-content\/uploads\/sites\/242\/2013\/02\/meteoro-300x199.jpg\" width=\"300\" height=\"199\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Fiquei impressionada com o meteorito que caiu na regi\u00e3o dos montes Urais, na R\u00fassia, na sexta-feira (15)<\/strong>. Filha de ge\u00f3logo, cresci aprendendo sobre os diversos tipos de rochas, inclusive sobre essas que &#8220;caem do c\u00e9u&#8221;. E, justamente por ca\u00edrem do c\u00e9u, sempre chamaram mais a minha aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 quando o mundo joga na nossa frente o fato de que h\u00e1 um universo (infinito?) em nossa volta e que somos menor que um gr\u00e3o de areia dentro desse gigante, relativamente, pouco conhecido. Por isso, exceto pelos feridos, fiquei em \u00eaxtase. Voltei ao meu tempo de crian\u00e7a em que viajava observando ora as rochas, ora o c\u00e9u.<\/p>\n<p>Para saber mais sobre esse meteorito e compartilhar com voc\u00ea essas incr\u00edveis informa\u00e7\u00f5es, pedi para a\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/twitter.com\/TaniaDominici\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">T\u00e2nia Dominici<\/a>, astrof\u00edsica e pesquisadora do Laborat\u00f3rio Nacional de Astrof\u00edsica (MCTI\/LNA)<\/strong>, responder algumas d\u00favidas. Atenciosa, T\u00e2nia topou na hora dedicando um pouquinho do seu precioso tempo para nos ajudar a entender o que aconteceu na sexta-feira. <strong>Leia a entrevista abaixo e levante seus olhos ao c\u00e9u!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Primeiro de tudo: o que \u00e9 um meteorito?<\/strong><\/p>\n<p>Os meteoritos s\u00e3o o material que sobrevive \u00e0 entrada de um meteoro na atmosfera terrestre e chega at\u00e9 o solo. O meteoro, por sua vez, pode ser originado por peda\u00e7os de asteroides ou restos de cometas. S\u00e3o os eventos que, \u00e0s vezes, observamos durante a noite e popularmente chamamos de \u201cestrelas cadentes\u201d.<\/p>\n<p>Ou seja, o que se registrou na R\u00fassia foi a queima de um meteoro na atmosfera durante o dia, sendo os meteoritos os restos que chegaram ao solo e est\u00e3o sendo procurados e recolhidos desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Recolher e estudar os meteoritos em laborat\u00f3rio \u00e9 muito importante, porque eles s\u00e3o resqu\u00edcios dos prim\u00f3rdios da forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar. Assim, nos ajudam a entender como os planetas foram formados.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 comum meteoritos ca\u00edrem na Terra?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, ocorrem todos os dias (tanto meteoros quanto meteoritos). O que acontece \u00e9 que a maior parte da superf\u00edcie terrestre \u00e9 coberta por oceanos ou \u00e1reas desabitadas. Assim, eventos como o da R\u00fassia, que ocorreu em uma \u00e1rea urbana, raramente s\u00e3o registrados.<\/p>\n<p>Os meteoros podem ser originados por peda\u00e7os de material extraterrestre t\u00e3o pequenos quanto um gr\u00e3o de areia e, de fato, o evento russo parece ter sido causado pelo maior meteoro desde o Tunguska em 1908 que, estima-se, tinha cerca de 100 metros (contra 15 metros estimados do meteoro que queimou sobre os Montes Urais). Por este ponto de vista, o evento da \u00faltima semana foi extremamente raro.<\/p>\n<p><strong>Existe algum lugar atingido por meteoritos com mais frequ\u00eancia, por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Eles podem cair em qualquer local. A probabilidade de um evento como o do dia 15 de fevereiro ocorrer na R\u00fassia \u00e9 a mesma de que seja em S\u00e3o Paulo ou Itajub\u00e1&#8230;<\/p>\n<p><strong>O que acontece quando um meteorito atinge a atmosfera e o solo terrestres? Ele sempre explode ao entrar em contato com ambos?<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, ele n\u00e3o explode. O material se queima pelo atrito com a atmosfera e contato com o oxig\u00eanio. O que vimos na R\u00fassia, com os vidros estourando, portas e telhados sendo arrancados foram ocorr\u00eancias causadas pela onda de choque provocada pelo deslocamento do ar durante a queima do meteoro na atmosfera, uma vez que ele entrou com velocidade superior a 50 mil km\/h. Ou seja, as pessoas n\u00e3o foram feridas por meteoritos, mas sim pelos estilha\u00e7os provocados pela onda de choque.<\/p>\n<p><strong>Em quanto tempo, desde que avistado na atmosfera, um meteorito pode atingir o solo? D\u00e1 para termos uma ideia?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 bastante dif\u00edcil prever. Depende do tamanho do meteoro, da velocidade de entrada, da altitude da atmosfera onde ocorre a queima&#8230; De qualquer modo, ao avistar um meteoro como o da \u00faltima sexta, o m\u00e1ximo que as pessoas poderiam fazer seria rapidamente tentar se afastar das janelas e portas de vidro que poderiam se estilha\u00e7ar.<\/p>\n<p><strong>Seria poss\u00edvel identificar quando um meteoro desse tamanho vai atingir a Terra?<\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong><span style=\"line-height: 1.6em\">Neste momento, v\u00e1rios telesc\u00f3pios mundo afora est\u00e3o dedicados \u00e0 descoberta e acompanhamento de asteroides e cometas. Observat\u00f3rios profissionais e astr\u00f4nomos amadores trabalham de forma coordenada para isso. Praticamente todos aqueles asteroides muito grandes (centenas de metros a quil\u00f4metros) j\u00e1 s\u00e3o catalogados e possuem suas \u00f3rbitas muito bem calculadas. Ou seja, a possibilidade de qualquer ocorr\u00eancia potencialmente fatal para o planeta seria conhecida com muita anteced\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p>J\u00e1 objetos menores como o que atingiu a R\u00fassia s\u00e3o os mais dif\u00edceis de serem descobertos e monitorados. Segundo os estudos iniciais, ele tinha cerca de 15 metros de comprimento e 10 toneladas. As observa\u00e7\u00f5es desses corpos s\u00e3o feitas, principalmente, por meio da an\u00e1lise das suas varia\u00e7\u00f5es de posi\u00e7\u00e3o e brilho utilizando telesc\u00f3pios ou, ainda, por meio de medidas de radar.<\/p>\n<p><strong>De maneira geral, como se descobre um asteroide?<\/strong><\/p>\n<p>Em uma sequ\u00eancia de imagens de uma mesma regi\u00e3o do c\u00e9u, os astr\u00f4nomos procuram por objetos que estejam se movimentando em rela\u00e7\u00e3o ao campo de estrelas (\u201cno olho\u201d, comparando as imagens ou por programas de computador especialmente desenvolvidos). Uma vez encontrado um objeto potencialmente interessante e calculadas as suas efem\u00e9rides, os dados s\u00e3o cruzados com as bases de dados mantidas pela comunidade astron\u00f4mica internacional. Assim, verifica-se se o objeto celeste j\u00e1 era conhecido ou n\u00e3o. No caso de j\u00e1 ser conhecido, \u00e9 poss\u00edvel que a \u00f3rbita j\u00e1 seja bem determinada ou que ele tenha sido perdido e esteja sendo redescoberto. Cada nova observa\u00e7\u00e3o vai sendo utilizada para refinar o c\u00e1lculo da \u00f3rbita de cada asteroide ou, mais raramente, de cometas.<\/p>\n<p>Existem sistemas de alerta que avisam os observadores quando algum objeto novo \u00e9 descoberto, para que eles direcionem os seus telesc\u00f3pios e ajudem a monitor\u00e1-lo. Inclusive, j\u00e1 temos telesc\u00f3pios rob\u00f3ticos que recebem os alertas autom\u00e1ticos e se posicionam imediatamente, sem precisar de interfer\u00eancia humana.<\/p>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o da varia\u00e7\u00e3o do brilho ao longo do tempo oferece outras informa\u00e7\u00f5es al\u00e9m da trajet\u00f3ria desses corpos celestes como a forma, dimens\u00f5es e pistas sobre a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica. Ent\u00e3o, se o objeto \u00e9 muito pequeno, a luz (do Sol) que ele ir\u00e1 refletir ser\u00e1 mais t\u00eanue e, por isso, mais dif\u00edcil de ser detectada pelos nossos telesc\u00f3pios. Outro ponto em rela\u00e7\u00e3o ao meteoro que atingiu a R\u00fassia foi o fato de que o evento ocorreu durante o dia, portanto inacess\u00edvel aos telesc\u00f3pios \u00f3pticos. Apenas radares poderiam registrar a aproxima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil, o <a href=\"http:\/\/www.on.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Observat\u00f3rio Nacional<\/a> (MCTI\/ON) est\u00e1 desenvolvendo o projeto <a href=\"http:\/\/www.on.br\/impacton\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">IMPACTON<\/a>. \u00c9 um telesc\u00f3pio de opera\u00e7\u00e3o remota, com espelho prim\u00e1rio de um metro de di\u00e2metro instalado em Itacuruba (PE) e totalmente dedicado \u00e0 observa\u00e7\u00e3o de pequenos corpos do Sistema Solar.\u00a0<span style=\"line-height: 1.6em\">Al\u00e9m disso, v\u00e1rios grandes projetos internacionais que ajudar\u00e3o a suprir as lacunas para a detec\u00e7\u00e3o de objetos muito t\u00eanues est\u00e3o em desenvolvimento como, por exemplo, a <\/span><a style=\"line-height: 1.6em\" href=\"http:\/\/sci.esa.int\/science-e\/www\/area\/index.cfm?fareaid=26\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">miss\u00e3o europeia Gaia<\/a><span style=\"line-height: 1.6em\"> ou o <\/span><a style=\"line-height: 1.6em\" href=\"http:\/\/www.lsst.org\/lsst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">telesc\u00f3pio LSST<\/a><span style=\"line-height: 1.6em\"> de oito metros de di\u00e2metro a ser instalado no Norte do Chile e que ser\u00e1 dedicado a monitorar todo o c\u00e9u com profundidade e detalhamento sem precedentes.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Obs.: A\u00a0T\u00e2nia Dominici tem um <a href=\"http:\/\/poluicaoluminosa.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">blog sobre polui\u00e7\u00e3o luminosa<\/a><a href=\"http:\/\/poluicaoluminosa.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0&#8211; clique aqui para conhecer &#8211;<\/a>, um problema que nos impede de vermos as estrelas no c\u00e9u (e atrapalha as pesquisas).<\/strong><\/p>\n<p>Foto:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/azuaje\/4883763454\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">El coleccionista de instantes<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fiquei impressionada com o meteorito que caiu na regi\u00e3o dos montes Urais, na R\u00fassia, na sexta-feira (15). 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