{"id":2183,"date":"2020-06-11T14:43:42","date_gmt":"2020-06-11T17:43:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/?p=2183"},"modified":"2023-08-25T16:28:58","modified_gmt":"2023-08-25T19:28:58","slug":"como-conter-um-apocalipse-zumbi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/2183\/","title":{"rendered":"Como conter um apocalipse zumbi?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" has-text-align-left eplus-wrapper\">Apocalipses zumbis s\u00e3o temas muito comuns em filmes, s\u00e9ries, animes e jogos. V\u00e1rios podem ser os motivos que levam a um apocalipse zumbi, desde um macaco-rato-da-sumatra, exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o, materiais extraterrestres, misticismo\/feiti\u00e7aria, nanorrob\u00f4s, at\u00e9 o favorito da m\u00eddia e dos f\u00e3s de Resident Evil, um fator biol\u00f3gico (como um v\u00edrus ou a cura de um v\u00edrus). Outras produ\u00e7\u00f5es simplesmente n\u00e3o mencionam (ou n\u00e3o percebi se mencionam) uma origem, por exemplo, Madrugada dos Mortos 1, 2, 3, &#8230; nestes filmes os zumbis aparecem do nada e a hist\u00f3ria segue.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Por\u00e9m vamos estragar um pouco da &#8220;divers\u00e3o&#8221; que seria viver em um apocalipse zumbi do tipo biol\u00f3gico. Sim, este \u00e9 um tema divertido e esperan\u00e7oso para v\u00e1rias pessoas que sonham sair por ai com armas em m\u00e3os, lutando contra hordas zumbis e vivendo as aventuras estilo &#8220;Walking Dead&#8221; (e \u00e9 claro, sobreviver).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Para facilitar nossa an\u00e1lise e dar uma chance pros nossos zumbis, vamos supor de forma super otimista, que a mesma energia do corpo seja aproveitada na forma de alimento por quem consome (sabemos que isso n\u00e3o \u00e9 verdade, mas mostraremos que mesmo se fosse, a coisa n\u00e3o ficaria boa para os zumbis).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Consideraremos tamb\u00e9m que eles comam apenas a carne de humanos&#8230; pois se eles comessem a carne de outros animais, seu &#8220;controle de natalidade&#8221; seria simplificado, e se eles comerem vegetais ou fungos, bom, ai j\u00e1 come\u00e7aria a virar piada (por favor, sirva um prato de br\u00f3colis com alcaparras ao vinho para este zumbi).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Sabemos que o recorde mundial de tempo sem comer, \u00e9 do ilusionista carioca Ericson Leif, que ficou 51 dias a base de \u00e1gua. Assim, podemos dizer que uma pessoa em condi\u00e7\u00f5es ideais e com metabolismo suficientemente lento, possa sobreviver este per\u00edodo com uma carga energ\u00e9tica inicial de X calorias (sendo X o n\u00famero de calorias que Ericson Leif tinha acumulado antes de ficar este per\u00edodo em jejum).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">De forma ultra otimista, diremos que todos os seres humanos antes de virarem zumbis, tenham a disposi\u00e7\u00e3o estas X calorias. E que ap\u00f3s virarem zumbis, seu metabolismo funcione de forma suficientemente lenta para manterem em atividade sem ingerirem nenhum alimento por at\u00e9 51 dias (Ericson Leif ficou em repouso, mas estamos dando uma chance aos zumbis, por isso assumimos que eles podem se mover livremente neste mesmo per\u00edodo).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Assim chegamos a nossos zumbis e dois comportamentos representativos.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"eplus-wrapper wp-block-list\">\n<li class=\" eplus-wrapper\">O zumbi apenas &#8220;mordisca&#8221; outro ser humano para que ele vire um zumbi com reserva energ\u00e9tica muito pr\u00f3xima de X;<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">O zumbi come a carne de outro ser humano at\u00e9 que sua reserva energ\u00e9tica retorne a X.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">AN\u00c1LISE DO COMPORTAMENTO 1<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Neste contexto, um zumbi n\u00e3o come para repor seu estoque energ\u00e9tico e sim para proliferar o fator biol\u00f3gico. Assim, cada zumbi come\u00e7ar\u00e1 sua jornada com X de energia, e o zumbi que mordeu a pessoa, manter\u00e1 seu Y de energia restante, sem reposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A vantagem para os sobreviventes diante este comportamento, \u00e9 que podemos determinar quanto tempo resta para os zumbis conhecendo as datas e quantidades de v\u00edtimas em cada ataque. Por exemplo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Dia 0 &#8211; Existiam 10 zumbis;<br>Dia 14 &#8211; 3 pessoas foram atacadas; (total 13 zumbis)<br>Dia 26 &#8211; 1 pessoa foi atacada; (total 14 zumbis)<br>Dia 38 &#8211; 2 pessoas foram atacadas; (total 16 zumbis)<br>Dia 42 &#8211; 15 pessoas foram atacadas; (total 31 zumbis)<br>Dia 51 &#8211; os 10 zumbis do dia 0 pararam de funcionar; (total 21 zumbis)<br>Dia 53 &#8211; 4 pessoas foram atacadas; (total 25 zumbis)<br>Dia 65 &#8211; os 3 zumbis do dia 14 pararam de funcionar; (total 22 zumbis)<br>&#8230;<br>Nessa perspectiva, diante um volume intrat\u00e1vel de zumbis localizado em uma mesma regi\u00e3o, vamos supor que toda a popula\u00e7\u00e3o da cidade de S\u00e3o Paulo virou zumbi, ou seja aproximadamente 12.195.000 de zumbis, o que fazer? <\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Uma pessoa em caminhada leve movimenta-se a 4 km\/h. Um zumbi caminhando nesta velocidade por rodovias e sem interrup\u00e7\u00f5es, percorreria 96 km ao dia, dando-lhes um pouco mais de vantagem vamos arredondar esta dist\u00e2ncia para 100 km ao dia. Em seus 51 dias de energia, ele poderia percorrer at\u00e9 5.100 km. Como zumbis n\u00e3o usam GPS, n\u00e3o se orientam com mapas e nem tem um prop\u00f3sito muito claro, estamos lidando com uma cadeia de Markov, ou seja, eles podem mover-se em qualquer dire\u00e7\u00e3o (para simplificar, digamos norte, sul, leste e oeste apenas). Assim, digamos que a cada dia um zumbi tomaria uma decis\u00e3o sobre para qual dire\u00e7\u00e3o seguir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Simulando este comportamento para um n\u00famero menor de zumbis, 243.900 (apenas 2% do total), chegamos que em seus 51 dias de caminhada, apenas 4.619 zumbis (1,8% dos 243.900 analisados) afastaram-se da origem a uma dist\u00e2ncia de pelo menos 1.500 km. <\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Aplicando o resultado desta simula\u00e7\u00e3o para o contexto de S\u00e3o Paulo capital, podemos estimar que 219.510 zumbis percorrer\u00e3o a uma dist\u00e2ncia de pelo menos 1.500 km.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Distribuindo estes zumbis pelo per\u00edmetro de um c\u00edrculo com 1.500 km de raio, temos 219.510 zumbis a serem distribu\u00eddos por 9.424 km. Isso nos d\u00e1 cerca de 23 zumbis a cada 1 km.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Assim, em cidades localizadas a 1.500 km de S\u00e3o Paulo, como por exemplo Cuiab\u00e1 (MT), que tem aproximadamente 26 km na sua maior dimens\u00e3o, poder\u00edamos esperar a apari\u00e7\u00e3o de aproximadamente 600 zumbis (pode parecer muito, mas lembre-se que estamos falando de um surto inicial na faixa de 12 milh\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">AN\u00c1LISE DO COMPORTAMENTO 2<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Neste contexto, o zumbi ao encontrar um ser humano, rep\u00f5e sua energia para X, fazendo com que o novo zumbi comece sua &#8220;jornada&#8221; com uma reserva energ\u00e9tica inferior a 51 dias. N\u00e3o h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre este comportamento e o anterior, pois se considerarmos que os zumbis s\u00e3o fisicamente iguais, quando o zumbi com Y de energia restante, encontra uma pessoa, no momento seguinte passamos a ter um zumbi com X de energia e um zumbi com Y de energia. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 igual aquela apresentada no comportamento 1 a menos de uma comuta\u00e7\u00e3o entre zumbis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">CONCLUS\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Assim, a melhor estrat\u00e9gia para sobreviver no caso de um conglomerado de zumbis de natureza biol\u00f3gica, \u00e9 nos afastarmos do epicentro, mantermos uma vigil\u00e2ncia r\u00edgida nas fronteiras e termos paci\u00eancia at\u00e9 que a quantidade de zumbis seja mais f\u00e1cil de controlar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">P\u00d3S-CONCLUS\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A ideia de viver uma pandemia zumbi na\u0303o e\u0301 incomum em conversas banais entre amigos, bem como as estrat\u00e9gias de sobrevive\u0302ncia\u2026 mas sera\u0301 que seguir\u00edamos mesmo as estrat\u00e9gias de sobrevive\u0302ncia em uma pandemia zumbi, em que contatos precisam ser evitados ao ma\u0301ximo e qualquer sa\u00edda na rua para buscar suprimentos b\u00e1sicos j\u00e1 pode ser considerado um risco potencial?<br>Ou sera\u0301 que far\u00edamos como os filmes e na\u0303o acreditar\u00edamos no que esta\u0301 acontecendo e tentar\u00edamos fingir normalidade promovendo sa\u00eddas de casa para encontrar pessoas sem saber se elas foram infectadas ou na\u0303o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Uma pandemia biol\u00f3gica requer afastamento dos epicentros, vigila\u0302ncia r\u00edgida de fronteiras, conten\u00e7\u00e3o e tratamento de doentes, no m\u00ednimo isolando-os e muita, muita paci\u00eancia para nos mantermos bem e saud\u00e1veis ate\u0301 que a quantidade de infectados por Coronav\u00edrus, digo, zumbiv\u00edrus seja poss\u00edvel de ser controlada (com vacinas, por exemplo!).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Agrade\u00e7o a meu amigo Mago do C\u00f3digo, por insistir veemente que um apocalipse zumbi do tipo biol\u00f3gico como acontecem em filmes\/s\u00e9ries\/jogos seria insustent\u00e1vel, tais discuss\u00f5es renderam a elabora\u00e7\u00e3o deste post \ud83d\ude42<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Tamb\u00e9m agrade\u00e7o \u00e0 professora Ana Arnt, pela p\u00f3s-conclus\u00e3o, que conecta o cen\u00e1rio hipot\u00e9tico de um apocalipse zumbi \u00e0s medidas de conten\u00e7\u00e3o para pandemias biol\u00f3gicas gerais, tais como aquela em que estamos vivendo pelo Coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\" wp-block-separator has-css-opacity eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<p class=\" has-text-align-left eplus-wrapper\">Como referenciar este conte\u00fado em formato ABNT (baseado na norma NBR 6023\/2018):<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">SILVA, Marcos Henrique de Paula Dias da. Como conter um apocalipse zumbi?. <em>In<\/em>: UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. <strong><strong><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Zero &#8211; Blog de Ci\u00eancia da Unicamp<\/a><\/strong>. <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/category\/v-3-ed-1\/\">Volume 3. Ed. 1. 1\u00ba semestre de 2020<\/a><\/strong>. Campinas, 11 jun. 2020. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/2183\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/2183\/<\/a>. Acesso em: &lt;data-de-hoje&gt;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como medidas para conter um epicentro com 12 milh\u00f5es de zumbis se assemelham \u00e0s estrat\u00e9gias para conter a pandemia de Covid-19?<\/p>\n","protected":false},"author":434,"featured_media":2195,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[1210],"tags":[],"class_list":["post-2183","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-v-3-ed-1"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-content\/uploads\/sites\/187\/2020\/06\/br\u00e1s-cubas.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2183","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/users\/434"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2183"}],"version-history":[{"count":19,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2183\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5255,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2183\/revisions\/5255"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2195"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2183"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2183"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2183"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}