{"id":2543,"date":"2021-01-08T15:03:20","date_gmt":"2021-01-08T18:03:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/?p=2543"},"modified":"2023-08-25T20:05:51","modified_gmt":"2023-08-25T23:05:51","slug":"uma-historia-do-movimento-negadoisnista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/2543\/","title":{"rendered":"Uma hist\u00f3ria do movimento negaDOISnista"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" eplus-wrapper\">A algum tempo na cidade de Larkinstrongner na Alemanha, come\u00e7avam grandes avan\u00e7os nas Ci\u00eancias Sociais. <\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Os pesquisadores dessas \u00e1reas estavam obtendo fortes resultados a partir de seus estudos e considerando deles algumas estrat\u00e9gias para pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes pro desenvolvimento da popula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Nem todos os resultados eram do agrado dos pesquisadores ou seguiam a tend\u00eancia que eles desejavam inicialmente, por\u00e9m sua \u00e9tica com a Ci\u00eancia lhes fazia divulgar esses resultados com a maior integridade poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Contudo, os pesquisadores estavam t\u00e3o focados em seu trabalho para o bem da sociedade, que consideravam ser mais ben\u00e9fico trabalhar para a melhoria da sociedade, do que tentar explicar para a sociedade aquilo que eles estavam fazendo. Essa forma de pensar seguia predominante, afinal suas investiga\u00e7\u00f5es utilizavam pressupostos e teorias bem complexas para se explicar numa linguagem corriqueira. <\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">At\u00e9 mesmo os pesquisadores que tentavam fazer essa comunica\u00e7\u00e3o, acabavam mais assustando as pessoas, pois pareciam falar de coisas absurdas, ou mesmo se passavam por loucos, cheios de termos, nomes, e dados que dificilmente eram entendidos, mas quanto mais o pesquisador tentava explicar, menos as pessoas se julgavam capazes de entender, e diziam que aquilo tudo era coisa de outro mundo. E nessa tend\u00eancia os estudos seguiram, a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o queria saber o que acontecia l\u00e1, e os pesquisadores queriam propor pol\u00edticas p\u00fablicas melhores para a popula\u00e7\u00e3o&#8230; parecia que nessa simbiose todos estavam ganhando, mesmo sem se entenderem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Contudo, um grupo decide se opor ao atual governo da regi\u00e3o, eles n\u00e3o tem um plano, n\u00e3o tem metas, seu objetivo era simplesmente derrubar o atual poder e assum\u00ed-lo. Mas \u00e9 claro que n\u00e3o poderiam dizer com essas palavras quais eram suas inten\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o come\u00e7aram a incitar a d\u00favida na popula\u00e7\u00e3o, usar de met\u00e1foras e analogias para trazer inseguran\u00e7a sobre aquilo que os pesquisadores faziam. E tomar de exce\u00e7\u00f5es, regras para invalidar seus resultados. Com essas a\u00e7\u00f5es, eles batiam de frente contra as pol\u00edticas p\u00fablicas, e conseguiam convencer a popula\u00e7\u00e3o de que estavam perdendo com tudo aquilo, afinal todas as pesquisas ficavam centradas na ideia de coletivos, quando &#8216;a verdade \u00e9 \u00f3bvia&#8217;, n\u00e3o existem coletivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Diziam que os cientistas trabalhavam em cima de uma mentira, afinal eles tiravam conclus\u00f5es sobre pessoas inventadas, afinal, cada pessoa \u00e9 \u00fanica, n\u00e3o pode ser generalizada, cada um deveria ser tratado como um ser unit\u00e1rio, e n\u00e3o como um conjunto. Ainda que estranha, essa ideia era refor\u00e7ada a partir de &#8216;hist\u00f3rias&#8217; sobre exce\u00e7\u00f5es, sobre exemplos com que as pesquisas n\u00e3o funcionaram, sobre casos nos quais esses resultados se mostraram &#8216;mentirosos&#8217;, e assim ignorando todo o conceito de fazer-se ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O movimento cresceu e foi aos poucos pressionando a gest\u00e3o p\u00fablica, as universidades come\u00e7aram a ser intimidadas, os pesquisadores se viram em um contexto de medo. Se esfor\u00e7avam para n\u00e3o mencionar grupos nos seus estudos, tentavam ampliar a forma de trabalho para analisar cada indiv\u00edduo como um caso \u00fanico, e com isso as generaliza\u00e7\u00f5es que possibilitavam seus resultados aplic\u00e1veis, foram diminuindo. As pol\u00edticas p\u00fablicas fomentadas pelas pesquisas foram se enfraquecendo e o movimento que negava a exist\u00eancia de nada al\u00e9m da unicidade de pessoas foi crescendo. Muitas fam\u00edlias aderiam a esse pensamento, afinal, n\u00e3o d\u00e1 para comparar seus filhos, nem consider\u00e1-los iguais aos dos vizinhos, quanto mais compar\u00e1-los com filhos de desconhecidos, um absurdo, eles s\u00e3o cada um, um ser \u00fanico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A for\u00e7a desse movimento de negar o estudo humano como grupos foi crescendo, e seus apoiadores foram se tornando mais hostis nos argumentos. Eles pressionavam cortes nas pesquisas, justificando a falta de resultados realmente importantes, diziam que os pesquisadores n\u00e3o trabalhavam de verdade, e sustentavam suas mentiras baseadas na ideia de coletivos humanos, apenas para se alimentar dos impostos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">As mobiliza\u00e7\u00f5es foram t\u00e3o intensas a ponto desse grupo atingir seus objetivos, alcan\u00e7ando o poder acompanhado de multid\u00f5es que os idolatravam como aqueles que os salvaram das garras dos pesquisadores e do antigo governo que lhes for\u00e7ava a pagar seus custos de vida e suas pesquisas sem sentido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Ap\u00f3s v\u00e1rios anos no poder, esse grupo quase n\u00e3o trouxe melhorias a popula\u00e7\u00e3o, mas associavam regularmente suas a\u00e7\u00f5es como positivas dados os benef\u00edcios de considerar cada pessoa como \u00fanica. O tempo passou, e as gest\u00f5es foram mudando, a hist\u00f3ria do que ocorreu l\u00e1 atr\u00e1s j\u00e1 n\u00e3o era mais t\u00e3o v\u00edvida nas pessoas, elas sabiam que algo tinha sido feito, que elas haviam vencido uma dura batalha, mas n\u00e3o se lembravam ao certo o que, e nem conseguiam dizer o que conquistaram com tudo aquilo, mas sabiam que era bom.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Novas gera\u00e7\u00f5es foram surgindo, e velhas pesquisas foram retomadas com cautela, guardando uma li\u00e7\u00e3o aprendida pelos mais velhos e passada aos que come\u00e7avam essa jornada. Levar o conhecimento do que ocorre na universidade para a popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 gastar tempo, \u00e9 um investimento na Ci\u00eancia. Uma forma de evitar que fal\u00e1cias se espalhem, e que novos movimentos baseados em argumentos fracos ou falsos, cres\u00e7am novamente e que levem lideran\u00e7as sem planejamento algum ao poder. <\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\" has-text-align-center eplus-wrapper\"><em>Essa \u00e9 uma hist\u00f3ria totalmente inventada, a tal cidade mencionada nem existe. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O motivo de trazer essa hist\u00f3ria inventada nesse blog de matem\u00e1tica, \u00e9 discutir a import\u00e2ncia das quantidades. N\u00fameros s\u00e3o inven\u00e7\u00f5es, duas bananas ser\u00e3o sempre diferentes, podemos cham\u00e1-las de B1 e B2, e qualquer terceira banana (B3) ser\u00e1 diferente de B1 e B2. Pois se olharmos de forma suficientemente ampliada qualquer objeto, veremos que de fato ele \u00e9 algo \u00fanico, seus \u00e1tomos est\u00e3o arranjados de forma que se diferenciam em algum aspecto um do outro. Quanto mais se tratando de pessoas, quaisquer duas pessoas ser\u00e3o sempre duas unidades diferentes, P1 e P2, n\u00e3o podemos dizer que s\u00e3o iguais para querer analis\u00e1-las em conjunto sem que isso tenha alguma perda. Quanto mais analisar milh\u00f5es de pessoas? Isso tem um custo, tem uma s\u00e9rie de dados que ser\u00e3o perdidos para aderir a um modelo simplificado de ser humano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Contudo, pensar nas pessoas dentro de grupos traz um potencial de generalizar os dados do estudo maior do que quando pensamos cada indiv\u00edduo como um caso particular. Por exemplo, nos question\u00e1rios socioeconomicos do ENEM, temos milh\u00f5es de concluintes do Ensino M\u00e9dio todo ano respondendo-os, analisar isso de forma individual, considerando cada estudante como um ser \u00fanico \u00e9 por um lado coerente, contudo invi\u00e1vel. Uma an\u00e1lise ignorando v\u00e1rios aspectos do indiv\u00edduo para consider\u00e1-los dentro de grupos, permite chegar em resultados que nos fazem pensar sobre v\u00e1rios assuntos, como por exemplo a influ\u00eancia da forma\u00e7\u00e3o dos pais no desempenho do estudante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Ao pensarmos em um grupo, pensamos em um perfil de ser humano imagin\u00e1rio, mas cuja conclus\u00e3o que atingirmos a esse indiv\u00edduo imagin\u00e1rio deve atingir parte dos integrantes daquele grupo. Haver\u00e3o sempre exce\u00e7\u00f5es, esse \u00e9 um pre\u00e7o a se pagar por generaliza\u00e7\u00f5es, por\u00e9m tal forma de pensar nos possibilita propor mudan\u00e7as maiores, pensar em formas de gest\u00f5es e de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" has-text-align-center eplus-wrapper\">Cr\u00e9dito da imagem de capa a <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/sarah_loetscher-4248505\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2500990\">Sarah L\u00f6tscher<\/a> por <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2500990\">Pixabay<\/a><\/p>\n\n\n\n<hr class=\" wp-block-separator has-css-opacity eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<p class=\" has-text-align-left eplus-wrapper\">Como referenciar este conte\u00fado em formato ABNT (baseado na norma NBR 6023\/2018):<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">SILVA, Marcos Henrique de Paula Dias da. Uma hist\u00f3ria do movimento negaDOISnista. <em>In<\/em>: UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. <strong><strong><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Zero &#8211; Blog de Ci\u00eancia da Unicamp<\/a><\/strong>. <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/category\/v-5-ed-1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Volume 5. Ed. 1. 1\u00ba semestre de 2021<\/a><\/strong>. Campinas, 08 jan. 2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/2543\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/2543\/<\/a>. Acesso em: &lt;data-de-hoje&gt;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nada \u00e9 igual, mas sem generaliza\u00e7\u00f5es as coisas tamb\u00e9m n\u00e3o funcionam.<\/p>\n","protected":false},"author":434,"featured_media":2544,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[1217],"tags":[],"class_list":["post-2543","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-v-5-ed-1"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2543","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/users\/434"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2543"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2543\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5275,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2543\/revisions\/5275"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2544"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2543"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2543"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2543"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}