{"id":3464,"date":"2021-09-01T22:38:58","date_gmt":"2021-09-02T01:38:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/?p=3464"},"modified":"2023-08-26T16:24:06","modified_gmt":"2023-08-26T19:24:06","slug":"cubo-instantaneo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/3464\/","title":{"rendered":"Cubo instant\u00e2neo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" eplus-wrapper\"><em>N\u00e3o lhes pe\u00e7o que aceitem nada, se acharem que n\u00e3o h\u00e1 base para tanto. Em breve ir\u00e3o todos concordar com as minhas premissas. Todos sabem, imagino, que uma linha geom\u00e9trica, uma linha de espessura igual a zero, n\u00e3o tem exist\u00eancia real. Estudaram isso, n\u00e3o \u00e9? Assim como um plano geom\u00e9trico tamb\u00e9m n\u00e3o existe. Tais coisas s\u00e3o meras abstra\u00e7\u00f5es.<\/em> <em>Do mesmo modo, um cubo que possua apenas altura, largura e profundidade n\u00e3o pode ter uma exist\u00eancia real.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Nesse ponto talvez voc\u00ea discorde, afinal corpos s\u00f3lidos existem. Podem n\u00e3o ser perfeitos como cubos, mas os objetos ao nosso redor s\u00e3o corpos s\u00f3lidos com altura, largura e profundidade. Essa foi a mesma quest\u00e3o que o senhor Filby fez para o Viajante no Tempo do livro A M\u00e1quina do Tempo de H. G. Wells publicado originalmente em 1895, do qual o primeiro par\u00e1grafo foi extra\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Como resposta o Viajante no Tempo questiona o senhor Filby sobre cubos instant\u00e2neos existirem? Ou seja, se temos um cubo com altura, largura e profundidade, mas que dure apenas um infinit\u00e9simo de tempo, podemos dizer que esse objeto ainda assim \u00e9 uma exist\u00eancia real?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Nesse sentido, o Viajante no Tempo explica que: <em>qualquer objeto real deve se estender em quatro dire\u00e7\u00f5es: ele deve ter Altura, Largura, Espessura e Dura\u00e7\u00e3o. Mas devido a uma limita\u00e7\u00e3o natural dos nossos sentidos, que j\u00e1 explicarei, temos uma tend\u00eancia a desprezar este \u00faltimo aspecto. Existem na verdade quatro dimens\u00f5es, tr\u00eas que constituem os tr\u00eas planos do Espa\u00e7o e uma dimens\u00e3o adicional, o Tempo. Temos, no entanto, uma tend\u00eancia que nos faz estabelecer uma distin\u00e7\u00e3o irreal entre as tr\u00eas primeiras dimens\u00f5es e a \u00faltima, porque nossa consic\u00eancia se move de maneira intermitente em uma dire\u00e7\u00e3o s\u00f3, ao longo desta \u00faltima do come\u00e7o ao fim das nossas vidas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Parece um conceito estranho, talvez at\u00e9 mesmo sem muita relev\u00e2ncia para nosso dia a dia. Mas certamente aqueles que j\u00e1 se colocaram a escrever algum c\u00f3digo de computador, em dado momento devem ter criado objetos de dura\u00e7\u00e3o infinitesimal.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"eplus-wrapper wp-block-list\">\n<li class=\" eplus-wrapper\">Pense comigo, estou aqui escrevendo o c\u00f3digo que gerar\u00e1 a aplica\u00e7\u00e3o de um cubo;<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">Defino um v\u00e9rtice e dele obtenho 3 vetores linearmente independentes;<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">Dou para o computador essa informa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 suficiente para gerar um cubo;<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">O computador compila e d\u00e1 tudo certo, por\u00e9m n\u00e3o vejo aparecer cubo nenhum.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">De fato o computador gerou uma representa\u00e7\u00e3o de um Cubo com as 3 dimens\u00f5es espaciais (altura, largura, profundidade). Por\u00e9m, sem dura\u00e7\u00e3o, desse modo, o computador logo ap\u00f3s gerar o Cubo, j\u00e1 encerrou o c\u00f3digo. O Cubo gerado obedecia a todas as caracter\u00edsticas de um Cubo no espa\u00e7o tridimensional, mas algu\u00e9m o viu? Sabemos que esse objeto existiu por apenas um instante de tempo, um Cubo Instant\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Assim, retomando a discuss\u00e3o do Viajante no Tempo para nosso contempor\u00e2neo. Embora esse Cubo Instant\u00e2neo tenha um sentido para a realidade de quem programa, para a realidade sens\u00edvel e tang\u00edvel na qual vivemos, esse Cubo teria ainda algum sentido?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Dessa forma, o Viajanta no Tempo defende que os objetos tenham tamb\u00e9m sua dura\u00e7\u00e3o. Por exemplo, um cubo de gelo, ele tem uma per\u00edodo de exist\u00eancia. Nem sempre ele foi aquele cubo de gelo e um dia ele n\u00e3o ser\u00e1 mais. Ent\u00e3o, al\u00e9m da Altura, Largura e Comprimento, temos o tempo que o objeto existe naquela forma. Um cubo de gelo quando come\u00e7a a derreter, j\u00e1 n\u00e3o pode mais ser considerado o mesmo cubo de antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Assim como um programa que compila os dados e gera um Gr\u00e1fico com apenas Altura e Largura e ent\u00e3o desaparece. A fun\u00e7\u00e3o do Gr\u00e1fico que \u00e9 facilitar a interpreta\u00e7\u00e3o dos dados pelo usu\u00e1rio n\u00e3o pode ser concretizada, visto que a dimens\u00e3o tempo n\u00e3o estava presente nesse objeto. Assim, para que algu\u00e9m visualize o Gr\u00e1fico e ele cumpra seu papel de fazer parte da nossa realidade, mesmo esse objeto de estrutura aparentemente bidimensional (Altura e Largura) tamb\u00e9m precisa de uma terceira dimens\u00e3o (tempo), ou seja, computacionalmente falando, este seria um Gr\u00e1fico tridimensional \ud83d\ude1b<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Gostou dessa discuss\u00e3o esquisita? Fica a dica de livro, A M\u00e1quina do Tempo, de H. G. Wells, \u00e9 uma leitura bem curta e com um estilo de descri\u00e7\u00e3o que explora bem o indescrit\u00edvel, te dando muita liberdade para imaginar as coisas imposs\u00edveis!<\/p>\n\n\n\n<p class=\" has-text-align-center eplus-wrapper\">Cr\u00e9dito da imagem de capa \u00e0 <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/piro4d-2707530\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2366483\">PIRO4D<\/a> por <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2366483\">Pixabay<\/a><\/p>\n\n\n\n<hr class=\" wp-block-separator has-css-opacity eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<p class=\" has-text-align-left eplus-wrapper\">Como referenciar este conte\u00fado em formato ABNT (baseado na norma NBR 6023\/2018):<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">SILVA, Marcos Henrique de Paula Dias da. Cubo instant\u00e2neo. <em>In<\/em>: UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. <strong><strong><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Zero &#8211; Blog de Ci\u00eancia da Unicamp<\/a><\/strong>. <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/category\/v-6-ed-1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Volume 6. Ed. 1. 2\u00ba semestre de 2021<\/a><\/strong>. Campinas, 01 set. 2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/3464\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/3464\/<\/a>. Acesso em: &lt;data-de-hoje&gt;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se considerarmos um cubo de apenas tr\u00eas dimens\u00f5es, ele existiria por um instante, como um software executado sem condi\u00e7\u00e3o de parada.<\/p>\n","protected":false},"author":434,"featured_media":3470,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[1219],"tags":[],"class_list":["post-3464","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-v-6-ed-1"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3464","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/users\/434"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3464"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3464\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5311,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3464\/revisions\/5311"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3470"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3464"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3464"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3464"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}