{"id":3522,"date":"2021-10-12T20:27:26","date_gmt":"2021-10-12T23:27:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/?p=3522"},"modified":"2023-08-26T16:28:30","modified_gmt":"2023-08-26T19:28:30","slug":"no-zero-a-gente-leu-einstein-o-que-voce-quer-saber-de-robert-snedden","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/3522\/","title":{"rendered":"No Zero a gente leu \u201cEinstein: o que voc\u00ea quer saber?\u201d de Robert Snedden"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" eplus-wrapper\">Lembro dos muros de uma escola em que trabalhei um grafite de Einstein e a f\u00f3rmula E = mc\u00b2. Parece que as pessoas simplesmente adoram essa figura e essas letras associadas, sem mesmo entender o que isso significa ou quem foi esse homem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Ent\u00e3o&#8230; admito que sabia muito pouco sobre ele, o que estudei na gradua\u00e7\u00e3o envolvia F\u00edsica Mec\u00e2nica, Termodin\u00e2mica e Eletromagnetismo. S\u00f3 fui rever um pouco de F\u00edsica depois do Mestrado quando montei um projeto de Doutorado envolvendo o Ensino de Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica (j\u00e1 mencionei isso em alguns posts). Enfim, para montar esse projeto o professor Aguinaldo (da Unesp de Bauru) me passou suas notas de aula dessa disciplina e comecei a estudar bastante esse assunto (mas porque estou falando de Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica?).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Pois bem, no final do s\u00e9culo XIX as teorias F\u00edsicas passavam por uma s\u00e9rie de problemas. V\u00e1rios pontos em que os modelos davam errado come\u00e7aram a aparecer. A princ\u00edpio s\u00e3o tratados como exce\u00e7\u00f5es, ou criam-se regras espec\u00edficas para aquele comportamento. Mas a medida que o n\u00famero de exce\u00e7\u00f5es observadas aumenta, parece que a teoria atual j\u00e1 n\u00e3o serve mais, e faz-se assim necess\u00e1rio adotar novos modos de enxergar as coisas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Nesse sentido, as leis de Newton para o movimento pareciam apresentar graves problemas quando aplicadas a dist\u00e2ncias micros e macros. No caso das dist\u00e2ncias micros, t\u00ednhamos o movimento de mol\u00e9culas, \u00e1tomos, el\u00e9trons&#8230; enquanto que nas dist\u00e2ncias macros t\u00ednhamos os corpos celestes. No sentido de explicar o movimento em dist\u00e2ncias micros, temos a Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica. J\u00e1 para explicar o movimento em dist\u00e2ncias macros, temos a Teoria da Relatividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Einstein est\u00e1 ligado \u00e0 Teoria da Relatividade ao propor um movimento no qual a velocidade da Luz \u00e9 uma constante inalterada independente do observador. Indo na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 ideia de que possamos acelerar um objeto de maneira constante at\u00e9 que ele ultrapasse a velocidade da luz (vis\u00e3o Newtoniana). Pois, como a velocidade da Luz na Teoria da Relatividade \u00e9 constante, temos que um objeto acelerado chegar\u00e1 a um ponto em que em vez de ganhar velocidade, come\u00e7ar\u00e1 a ganhar massa!<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Pois a energia (E) de sua acelera\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser interrompida (dado que estamos acelerando o objeto), ent\u00e3o, como a velocidade da Luz (c) \u00e9 sempre a mesma, temos que a energia se converte em Massa (m). Ou seja, objetos pr\u00f3ximos da velocidade da Luz v\u00e3o se tornando cada vez mais pesados, e consequentemente mais dif\u00edceis de acelerar. Precisar\u00edamos de cada vez mais energia, e essa energia ia se convertendo em Massa&#8230; da\u00ed, aquela f\u00f3rmula &#8220;E = mc\u00b2&#8221;, ou, Energia \u00e9 igual \u00e0 massa vezes velocidade da luz ao quadrado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Uma consequ\u00eancia dessa f\u00f3rmula (e talvez por isso t\u00e3o famosa) \u00e9 que a massa de um \u00e1tomo pode ser convertida em energia! Da\u00ed o princ\u00edpio para a bomba at\u00f4mica&#8230; mas esse assunto j\u00e1 \u00e9 complicado demais para eu tentar explicar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Enfim, n\u00e3o fiquei comentando sobre Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica no come\u00e7o desse post a toa. Apesar de Einstein ter trabalhado diretamente pouco nesse campo da F\u00edsica, ele foi um severo cr\u00edtico dessa \u00e1rea. Einstein vivia em discuss\u00e3o contra essa \u00e1rea justamente por n\u00e3o acreditar que a aleatoriedade pudesse existir no universo, e que fosse apenas uma falta de precis\u00e3o dos nossos instrumentos na hora de inferir que algo ocorreu de forma aleat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Com isso, Einstein colaborou bastante ao se opor com experimentos mentais que tentariam desestruturar a Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica e a medida que cada experimento mental era refutado, essa \u00e1rea ia se fortalecendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Acho esse na verdade o ponto mais interressante que esse livro todo trouxe a tona. Pois a cr\u00edtica e oposi\u00e7\u00e3o racional a um tema, tem muitas vezes mais a fortalec\u00ea-lo do que o apoio e incentivo ing\u00eanuo. Por exemplo, meu trabalho com demonstra\u00e7\u00f5es de teoremas, eu adoro isso, acho que \u00e9 uma coisa inovadora e que pode auxiliar muito a aprendizagem&#8230; mas sei que preciso de cr\u00edticos muito duros para me for\u00e7arem a enxergar aspectos que at\u00e9 ent\u00e3o por meu otimismo e paix\u00e3o pelo tema, venho ignorando (e sequer percebo). Nesse sentido, por mais que a gente goste de uma teoria, ter quem a critique n\u00e3o \u00e9 ruim (desde que as cr\u00edticas sejam s\u00e9rias). E se por ventura sua teoria n\u00e3o resistir a alguma cr\u00edtica ou contraposi\u00e7\u00e3o a ela, isso tamb\u00e9m \u00e9 bom, pois indica que sua teoria talvez n\u00e3o fosse forte o bastante ou at\u00e9 mesmo, n\u00e3o fosse verdade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Assim, em meio ao que estudei de Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica vi bastante desse universo micro, das suas f\u00f3rmulas e a medida que lia esse livro (\u201cEinstein: o que voc\u00ea quer saber?\u201d de Robert Snedden) enxergava um pouco dos pontos que a princ\u00edpio a gente pensa em criticar (se sentindo inovadores por termos essa ideia) nos experimentos mentais propostos. Realmente, nem Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica e nem Relatividade s\u00e3o assuntos f\u00e1ceis de se entender a primeira vista, talvez eu tenha entendido esse livro um pouquinho mais f\u00e1cil pois j\u00e1 tinha em m\u00e3os v\u00e1rias das pe\u00e7as desse quebra-cabe\u00e7as que envolveu a ruptura da F\u00edsica no final do s\u00e9culo XIX. Mas acredito que \u00e9 uma leitura com um n\u00edvel de dificuldade &#8220;aceit\u00e1vel&#8221; para a maioria das pessoas (provavelmente se perder\u00e3o em v\u00e1rios momentos, mas nem por isso o prazer que o livro proporciona diminuir\u00e1).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Acredito que o livro tenha feito um bom apanhado n\u00e3o s\u00f3 da teoria e do trabalho de Einstein, como tamb\u00e9m do cen\u00e1rio social, hist\u00f3rico e pol\u00edtico que girou em torno desse homem. Que apesar de ter cometido alguns erros cient\u00edficos, o maior dos erros que ele se arrepende, foi ter sugerido ao presidente dos Estados Unidos, a criar uma bomba at\u00f4mica. <\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Agrade\u00e7o \u00e0 <strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.mbooks.com.br\/\" target=\"_blank\">Editora M.Books<\/a><\/strong> pelo livro cortesia \u201cEinstein: o que voc\u00ea quer saber?\u201d de Robert Snedden, que possibilitou a produ\u00e7\u00e3o desse texto.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\" wp-block-separator has-css-opacity eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<p class=\" has-text-align-left eplus-wrapper\">Como referenciar este conte\u00fado em formato ABNT (baseado na norma NBR 6023\/2018):<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">SILVA, Marcos Henrique de Paula Dias da. No Zero a gente leu \u201cEinstein: o que voc\u00ea quer saber?\u201d de Robert Snedden. <em>In<\/em>: UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. <strong><strong><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Zero &#8211; Blog de Ci\u00eancia da Unicamp<\/a><\/strong>. <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/category\/v-6-ed-1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Volume 6. Ed. 1. 2\u00ba semestre de 2021<\/a><\/strong>. Campinas, 12 out. 2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/3522\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/3522\/<\/a>. Acesso em: &lt;data-de-hoje&gt;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entender um pouco de F\u00edsica ajuda a ler este livro, mas n\u00e3o \u00e9 pr\u00e9-requisito.<\/p>\n","protected":false},"author":434,"featured_media":3523,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[1219],"tags":[],"class_list":["post-3522","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-v-6-ed-1"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3522","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/users\/434"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3522"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3522\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5316,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3522\/revisions\/5316"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3523"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3522"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3522"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3522"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}