{"id":4283,"date":"2022-06-20T15:00:47","date_gmt":"2022-06-20T18:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/?p=4283"},"modified":"2023-08-26T17:42:39","modified_gmt":"2023-08-26T20:42:39","slug":"a-aventura-de-atalia-uma-narrativa-de-rpg-sincera-parte-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4283\/","title":{"rendered":"A aventura de Atalia \u2013 uma narrativa de RPG sincera \u2013 parte 3"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"eplus-wrapper\">De volta \u00e0 estrada, Atalia segue caminhando sem saber direito para onde estava indo. Seu ritmo era lento e sua apar\u00eancia era p\u00e1lida, seus curativos n\u00e3o eram trocados a mais de um dia, dormiu sentada na floresta (e na noite anterior sequer dormiu), estava se alimentando de coisas que encontrava no caminho e n\u00e3o sabia o quanto seu corpo resistiria daquela maneira, mas pelo menos os raios de sol davam-lhe uma revitalizada. Ap\u00f3s algum tempo caminhando, ouve ao longe uma carro\u00e7a se aproximando na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria da qual caminhava. Tinha receio de acabar voltando para onde veio, mas seu estado era complicado demais para ignorar aquela oportunidade. Quando a carro\u00e7a se aproximou, Atalia acenou e eles pararam.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"eplus-wrapper wp-block-list\">\n<li class=\" eplus-wrapper\"><strong>Momento do teste!<\/strong> Atalia aparentava uma andarilha em uma situa\u00e7\u00e3o lament\u00e1vel, bastante fraca e p\u00e1lida, perguntou se poderiam lhe dar uma carona para qualquer destino que estivessem indo. De 0.01 &#8211; 0.20 convence as pessoas na carro\u00e7a a ajud\u00e1-la, dando-lhe inclusive algo para comer, de 0.21 &#8211; 0.40, as pessoas da carro\u00e7a aceitam lev\u00e1-la sem oferecer mais assist\u00eancia, de 0.41 &#8211; 0.60 eles questionam o que ela poderia dar-lhes em troca da carona, de 0.61 &#8211; 1.00 eles simplesmente recusam ajud\u00e1-la: <strong>0.56.<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\"><strong>Resultado:<\/strong> As pessoas na carro\u00e7a hesitam em ajud\u00e1-la, questionando-a sobre como ela poderia retribuir a da carona que pedia.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"eplus-wrapper wp-block-list\">\n<li class=\" eplus-wrapper\"><strong>Momento do teste!<\/strong> Atalia estava n\u00e3o sabia como responder, ela carregava somente sua roupa do corpo e aquele cobertor, mas sabia que se o entregasse, viria a sucumbir de frio. Tentou ent\u00e3o oferecer sua for\u00e7a de trabalho, dizendo que tinha sido por anos limpadora de est\u00e1bulo, que se dispunha a ajud\u00e1-los em quaisquer que fossem as atividades que viriam a desempenhar. Como ela estava bastante fraca, sua apar\u00eancia n\u00e3o inspirava seguran\u00e7a, assim, de 0.01 &#8211; 0.15 ela os convence que pode trabalhar para pagar sua carona, de 0.16 &#8211; 1.00 eles recusam a oferta: <strong>0.27<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\"><strong>Resultado:<\/strong> Atalia n\u00e3o os inspira confian\u00e7a o bastante, e eles acham que ela possa vir a causar mais problemas do que ajud\u00e1-los, assim, recusam sua oferta e seguem o caminho.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Atalia sabia que n\u00e3o podia fazer nada, ent\u00e3o segue seu curso na estrada, andando com dificuldade e procurando sempre algo que pudesse ser comest\u00edvel em seu caminho. Ap\u00f3s mais algum tempo v\u00ea outra carro\u00e7a passar, dessa vez no mesmo sentido que ela seguia, dessa vez quando se aproximam ela, ela acena e eles param.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"eplus-wrapper wp-block-list\">\n<li class=\" eplus-wrapper\"><strong>Momento do teste!<\/strong> Atalia se esfor\u00e7a para que mostrar uma apar\u00eancia forte mesmo diante de todo aquele cansa\u00e7o, dessa vez tendo em mente a rejei\u00e7\u00e3o da \u00faltima carro\u00e7a que passou, j\u00e1 prop\u00f5e que possam lhe dar uma carona em troca dela ajud\u00e1-los em quaisquer que fossem as atividades que viriam a desempenhar. Assim, de 0.01 &#8211; 0.25 ela os convence que pode trabalhar para pagar sua carona, de 0.16 &#8211; 1.00 eles recusam a oferta: <strong>0.66<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\"><strong>Resultado:<\/strong> Atalia n\u00e3o os inspira confian\u00e7a o bastante, e eles acham que ela possa vir a causar mais problemas do que ajud\u00e1-los, assim, recusam sua oferta e seguem o caminho.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">O desespero come\u00e7ava a bater no cora\u00e7\u00e3o de Atalia, se sentia p\u00e9ssima pela situa\u00e7\u00e3o, com muito medo de sucumbir ali naquela tentativa infantil de fuga. Suas m\u00e3os geladas, com vertigem ela caminhava com muita dificuldade, j\u00e1 era de tarde quando come\u00e7a a avisar outra carro\u00e7a. Quando a carro\u00e7a se aproximou, Atalia acenou e eles pararam.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"eplus-wrapper wp-block-list\">\n<li class=\" eplus-wrapper\"><strong>Momento do teste!<\/strong> Atalia estava exausta, mesmo tentando se esfor\u00e7ar para mostrar uma apar\u00eancia forte, seu cansa\u00e7o ficava n\u00edtido, ela ent\u00e3o implora que possam lhe dar uma carona em troca dela ajud\u00e1-los em quaisquer que fossem as atividades que viriam a desempenhar. Assim, de 0.01 &#8211; 0.15 ela os convence que pode trabalhar para pagar sua carona, de 0.16 &#8211; 1.00 eles recusam a oferta: <strong>0.62<\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\"><strong>Resultado:<\/strong> Atalia n\u00e3o os inspira confian\u00e7a o bastante, e eles acham que ela possa vir a causar mais problemas do que ajud\u00e1-los, assim, recusam sua oferta e seguem o caminho.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Atalia sentia que era o fim, n\u00e3o tinha mais o que fazer e nem mesmo l\u00e1grimas para chorar, somente um suspiro seco de quem sentia a morte se aproximando. Ap\u00f3s caminhar mais um pouco, encontrou o que aparentava ser uma casa queimada e se aproximou para ver melhor. O teto da casa j\u00e1 havia desabado, a maioria da madeira tinha virado carv\u00e3o, mas ainda havia uma parte da parede que resistiu parcialmente ao fogo, aquilo n\u00e3o era de longe nenhum abrigo, mas pelo menos seria melhor do que dormir na floresta. Se escorou e cobriu-se por completo, sentia-se muito fraca e triste, quando a escurid\u00e3o chegou, novamente aquela sensa\u00e7\u00e3o de breu completo e solid\u00e3o que acompanhava um medo horripilante. Desolada no escuro, lembrou-se do seu vaga-lume, e tirou-o do envelope, desejando veemente ver um pouco de luz tal como ocorreu na noite anterior e lhe trouxe paz.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"eplus-wrapper wp-block-list\">\n<li class=\" eplus-wrapper\"><strong>Momento do teste!<\/strong> A exaust\u00e3o f\u00edsica e mental era extrema, Atalia se sentia a beira de um colapso emocional, o que lhe mantinha firme no seu objetivo j\u00e1 estava se perdendo por completo, pois parecia t\u00e3o melhor ter morrido de pressa ao fio daquela espada, do que esta falsa esperan\u00e7a que criou ao tentar fugir. De 0.01 &#8211; 0.70 o desespero se apodera de Atalia, e seu cora\u00e7\u00e3o desmorona em l\u00e1grimas, de 0.71 &#8211; 0.90 ela se enche de l\u00e1grimas mas consegue manter-se firme de que tomou a decis\u00e3o correta, de 0.91 &#8211; 1.00 ela resiste ao desespero e encontra for\u00e7as para resistir \u00e0quela situa\u00e7\u00e3o: <strong>0.07.<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\"><strong>Resultado:<\/strong> Atalia come\u00e7a a chorar seco, pois n\u00e3o tinha l\u00e1grimas, estava com muita sede, medo e sentia um vazio sem fim no peito, sua cabe\u00e7a roda e o medo lhe domina por completo, sentindo toda sua energia esvaindo do seu corpo at\u00e9 que n\u00e3o soubesse se continuava acordada ou n\u00e3o, quando dentro daquela coberta, surge uma luz verde <strong>(Habilidade adquirida: reanimar cole\u00f3pteros)<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Atalia sem entender, mal conseguia enxugar suas l\u00e1grimas para olhar com nitidez, mas aquele brilho come\u00e7ou a preencher o vazio de seu cora\u00e7\u00e3o. Ela se alegrou, pois parece que seu vaga-lume n\u00e3o tinha morrido, ele devia estar somente dormindo e havia acordado. Isso lhe deu paz, agradecendo-o por sua exist\u00eancia, contudo seu cansa\u00e7o rapidamente a fez cair em profundo sono.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\"><strong>STATUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\"><strong>Nome:<\/strong> Atalia, filha de Galieu da regi\u00e3o de Farhes<br><strong>Apar\u00eancia:<\/strong> Mesti\u00e7a indiana\/europeia<br><strong>Idade: <\/strong>16 anos<br><strong>Profiss\u00e3o:<\/strong> Limpadora de est\u00e1bulos<br><strong>Equipamentos:<\/strong><br>Roupa do corpo<br>Cajado (galho)<br>Cobertor<br><strong>Situa\u00e7\u00e3o:<\/strong><br>Sa\u00fade muito debilitada<br><strong>Caracter\u00edsticas:<\/strong><br>Forte odor<br>N\u00e3o sente nojo<br>N\u00e3o se incomoda com odores<br>Pouco comunicativa<br>Gosta de ficar sozinha<br>Sa\u00fade forte<br>Afinidade com animais<br>\u00c1gil e flex\u00edvel<br>L\u00edngua dos mortos<br>Reanimar cole\u00f3pteros<br><strong>Inimigos:<\/strong><br>Duquesa de Mancini<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"eplus-wrapper wp-block-separator has-css-opacity\" \/>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper has-text-align-center\"><strong>RPG e habilidades gen\u00e9ricas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Realmente eu n\u00e3o fazia ideia de como as coisas sucederiam na aventura de hoje. Pensei primeiro que a carona poderia ser uma boa forma de Atalia conhecer pessoas, vir a se envolver em outro trabalho, avan\u00e7ar em uma jornada coletiva&#8230; por\u00e9m foram tr\u00eas oportunidades perdidas, deixando-a novamente naquela situa\u00e7\u00e3o trevosa. J\u00e1 tinha pensado que a pr\u00f3xima habilidade dela ligada \u00e0 magias necromantes seria ligada a reanimar o vaga-lume, mas achava que isso n\u00e3o ocorreria, afinal embora n\u00e3o pare\u00e7a, tinha cerca de 25% de chances disso ocorrer e n\u00e3o 70% como parece na hora do teste. Para entender isso, vamos lembrar de probabilidade condicional, a chance dela n\u00e3o conseguir uma carona \u00e9 dada pelo produto da falha nas 3 oportunidades que apareceram:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper has-text-align-center\">(0.40 + 0.20*0.85)*(0.75)*(0.85) = 0.44<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Nesse mesmo sentido, a chance dela adquirir a habilidade para reanimar seu vaga-lume dependia dela n\u00e3o conseguir carona. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper has-text-align-center\">(0.40 + 0.20*0.85)*(0.75)*(0.85)*(0.70) = 0.25<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Contudo, at\u00e9 o momento do teste, tinha claro na minha mente que a habilidade seria &#8220;reanimar inseto&#8221;. Por\u00e9m, isso come\u00e7ou a me parecer um tanto gen\u00e9rico demais, algo que muitas vezes ocorre em RPG&#8217;s e de certo modo gera um desbalanceamento no jogo, que ser\u00e1 o tema da discuss\u00e3o deste post.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Para come\u00e7ar, cole\u00f3pteros \u00e9 a ordem de insetos que inclui os besouros, um grupo que ao meu ver \u00e9 bastante \u00fatil a um aventureiro, afinal, temos besouros de fun\u00e7\u00f5es muito variadas e que permitem usos bem criativos (como espero ter a oportunidade de explorar nas pr\u00f3ximas aventuras). A decis\u00e3o sobre essa habilidade em vez da habilidade reanimar &#8220;insetos&#8221; se deu ao entender melhor o que seria a habilidade reanimar. Em discuss\u00e3o com um amigo que gosta de RPG, est\u00e1vamos tentando compreender se uma criatura simples como um inseto mereceria ser considerado morto-vivo ou simplesmente voltaria a vida plena. A quest\u00e3o em si nos levou a perceber que a habilidade necromante n\u00e3o deveria estar ligada \u00e0 curar o inseto, mas sim, em faz\u00ea-lo funcionar \u00e0 for\u00e7a. Seria como se houvesse uma corrente de energia m\u00e1gica que compensasse o organismo da criatura fazendo-o funcionar. Analogamente seria como se fossem substitu\u00eddas as partes danificadas, permitindo a m\u00e1quina mover-se, mas essas partes substitutas s\u00f3 existem enquanto a energia m\u00e1gica existir. Quando as partes forem retiradas, o corpo volta a ser inanimado, pois precisava daquelas partes substitutas para funcionar. Enfim, a quest\u00e3o nisso tudo, \u00e9 que existem diferen\u00e7as fisiol\u00f3gicas entre insetos, tais como existem diferen\u00e7as mec\u00e2nicas entre carros. Uma pe\u00e7a de uma marca espec\u00edfica pode n\u00e3o funcionar em outra (as vezes na pr\u00f3pria marca pode n\u00e3o funcionar variando o modelo). Assim, reanimar uma estrutura de inseto como besouro, n\u00e3o \u00e9 o mesmo que reanimar uma estrutura como louva-deus. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Temos isso muito claro por exemplo na Universidade. Pesquisadores de mesmas \u00e1reas, colegas de turma de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, pessoas que basicamente tem forma\u00e7\u00f5es bem parecidas, se deparam com os trabalhos uma das outras, e sentem que n\u00e3o compreendem boa parte do que foi feito. N\u00e3o por uma falta de estudo, interesse ou capacidade, mas porque os campos de especializa\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito espec\u00edficos, e v\u00e3o se afunilando a medida que avan\u00e7amos mais em uma dire\u00e7\u00e3o (seja qual for). Contudo, nos RPG&#8217;s costumamos ver um desenvolvimento gen\u00e9rico de habilidades que indica a &#8220;tend\u00eancia&#8221; do sistema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Por exemplo, em um sistema cujo foco sejam os combates, se esperam que a maioria dos conflitos sejam resolvidos no calor da batalha. Seria at\u00e9 mesmo mal visto pelo grupo, um jogador que tente resolver as coisas a partir de outros m\u00e9todos. Digo isso por experi\u00eancia pr\u00f3pria, pois em alguns sistemas que j\u00e1 joguei em v\u00e1rios grupos, esse tipo de situa\u00e7\u00e3o se repetia. Por mais que estrat\u00e9gias e ideias criativas fossem utilizadas para evitar ou at\u00e9 mesmo encerrar o problema sem sangue, o contexto geral pedia que isso fosse levado \u00e0 batalha. Nesses casos, v\u00edamos que o sistema tinha regras e m\u00e9tricas bastante desenvolvidas e t\u00e9cnicas para definir quem acertou o golpe, quanto de dano cada golpe gerou, qual a iniciativa durante a luta, se haveria direito a contragolpes&#8230; tamb\u00e9m v\u00edamos que havia um refinamento elevado nas habilidades de combate, como por exemplo, lutar com espada curta, lutar com espada larga, esquivar, usar escudo, usar duas espadas, lutar com a m\u00e3o oposta, lutar com espada longa, lutar no cavalo&#8230; assim, o jogador investia quase todos os seus pontos iniciais nestas habilidades para ser algu\u00e9m mediano. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Por outro lado, algumas habilidades que teriam menor import\u00e2ncia naquele contexto eram meio gen\u00e9ricas, por exemplo, &#8220;Primeiros socorros&#8221;. Basicamente o personagem tinha a habilidade e saia &#8220;curando&#8221; todo mundo, seja l\u00e1 o que tivessem e com o que tivesse ao alcance. Faziam-se as gambiarras e opa, curamos o sujeito, ou pelo menos minimizamos o dano sofrido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Mas se a habilidade n\u00e3o tivesse import\u00e2ncia alguma naquele contexto, ela era totalmente gen\u00e9rica, por exemplo, &#8220;Moda&#8221;. Um personagem com essa habilidade, mesmo que investisse poucos pontos, viria a ser um especialista em todas as situa\u00e7\u00f5es envolvendo todas as \u00e9pocas, contextos, grupos, estilos&#8230; algo que simplesmente n\u00e3o condiz com a realidade de algu\u00e9m que estuda esse assunto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">\u00c9 nessa perspectiva que afirmo ser poss\u00edvel identificar o perfil do sistema a partir daquilo que \u00e9 mais &#8220;denso&#8221; no desenvolvimento das suas regras. No sistema Daemon por exemplo, com o qual tive muita afinidade na adolesc\u00eancia e juventude, o foco \u00e9 claramente combate e magia. H\u00e1 pilhas e pilhas de regras, detalhes, condi\u00e7\u00f5es e observa\u00e7\u00f5es para definir como funcionar\u00e1 as magias (principalmente ligadas \u00e0 combate). Enquanto em outros sistemas vemos que as magias (mesmo de combate) s\u00e3o bem mais simples, sendo o foco propriamente no combate sem magias. Temos inclusive alguns sistemas que o di\u00e1logo e intelig\u00eancia do personagem \u00e9 atribu\u00eddo ao jogador, sendo de certo modo ignorados os pontos investidos nesses atributos (falamos um pouco disso no post anterior).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Ent\u00e3o, porque n\u00e3o fazemos tudo de maneira bastante espec\u00edfica? Isso seria mais parecido com a vida real. Essa certamente n\u00e3o \u00e9 uma ideia nova, mas o problema que enxergo nisso, \u00e9 o tamanho das ramifica\u00e7\u00f5es e intersec\u00e7\u00f5es que existem na pr\u00f3pria vida real que extrapolariam uma descri\u00e7\u00e3o curta para qualquer personagem. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Por exemplo, pratiquei por algum tempo Kung Fu, mas para quem conhece um pouco mais dessa arte marcial me perguntaria, ok, mas era do Norte ou do Sul? Ent\u00e3o respondo que era do Norte. Mas a conversa n\u00e3o termina ai, a pessoa pode ent\u00e3o perguntar, qual era o estilo? Ent\u00e3o respondo que era Garra de \u00c1guia. Mas a conversa n\u00e3o termina ai, a pessoa pode perguntar qual \u00e9 a ramifica\u00e7\u00e3o do Garra de \u00c1guia que eu treinei? Ai eu respondo que era a da gr\u00e3-mestre Lily Lau.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Percebe como mesmo uma habilidade descrita simplesmente numa ficha, pode apresentar ramifica\u00e7\u00f5es bastante distintas. Isso porque n\u00e3o pensamos ainda nas intersec\u00e7\u00f5es, por exemplo, treinei tamb\u00e9m Capoeira, Karat\u00ea, Jud\u00f4, Kend\u00f4, Jiu Jitsu, Boxe Chin\u00eas, Jud\u00f4 Chin\u00eas. Cada uma com suas ramifica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas mas todas elas com intersec\u00e7\u00f5es que de certo modo contribuiriam para uma habilidade relacionada \u00e0 combate corpo-a-corpo. V\u00ea como \u00e9 dif\u00edcil dizer que existam habilidades gen\u00e9ricas e tampouco descrev\u00ea-las de forma espec\u00edfica? <\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Uma regra que considero a &#8220;solu\u00e7\u00e3o&#8221; para estes conflitos \u00e9 dar um grau de liberdade ao personagem do jogador, deixando-o definir estes detalhes a medida que os eventos ocorrem. Por exemplo, o personagem tem alguma experi\u00eancia com lutas desarmadas, ent\u00e3o em determinado contexto ele se encontra com um grupo de Capoeiristas, e diz que o personagem tenha bastante experi\u00eancia com Capoeira. Ok, ele tem! A \u00fanica condi\u00e7\u00e3o \u00e9 que no futuro ele n\u00e3o poder\u00e1 encontrar-se com um grupo de Caratecas e dizer que tamb\u00e9m tem bastante experi\u00eancia com Karat\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\"><strong>A aventura de Atalia \u2013 uma narrativa de RPG sincera<\/strong><br>parte 0: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/3826\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/3826\/<\/a><br>parte 1: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/3832\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/3832\/<\/a><br>parte 2: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4247\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4247\/<\/a><br>parte 3: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4283\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4283\/<\/a><br>parte 4: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4579\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4579\/<\/a><br>parte 5: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4700\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4700\/<\/a><br>parte 6: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4703\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4703\/<\/a><br>parte 7: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4708\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4708\/<\/a><br>parte 8: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4716\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4716\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\" has-text-align-right eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"eplus-wrapper wp-block-separator has-css-opacity\" \/>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Como referenciar este conte\u00fado em formato ABNT (baseado na norma NBR 6023\/2018):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">SILVA, Marcos Henrique de Paula Dias da. A aventura de Atalia \u2013 uma narrativa de RPG sincera \u2013 parte 3. <em>In<\/em>: UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. <strong><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Zero \u2013 Blog de Ci\u00eancia da Unicamp<\/a>. <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/category\/v-7-ed-1\/\">Volume 7. Ed. 1. 1\u00ba semestre de 2022<\/a><\/strong>. Campinas, 20 jun. 2022. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4283\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4283\/<\/a>. Acesso em: &lt;data-de-hoje&gt;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vida de andarilha n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples, o frio e a escurid\u00e3o est\u00e3o chegando perto dela, quando uma luz aparece.<\/p>\n","protected":false},"author":434,"featured_media":4284,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[1222],"tags":[],"class_list":["post-4283","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-v-7-ed-1"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4283","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/users\/434"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4283"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4283\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5341,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4283\/revisions\/5341"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4284"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4283"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4283"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4283"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}