{"id":4375,"date":"2022-07-09T16:56:40","date_gmt":"2022-07-09T19:56:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/?p=4375"},"modified":"2023-08-26T19:42:07","modified_gmt":"2023-08-26T22:42:07","slug":"no-zero-a-gente-leu-a-relacao-entre-a-filosofia-mecanica-e-os-experimentos-alquimicos-de-robert-boyle-de-kleber-cecon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4375\/","title":{"rendered":"No Zero a gente leu &#8220;A rela\u00e7\u00e3o entre a filosofia mec\u00e2nica e os experimentos alqu\u00edmicos de Robert Boyle&#8221; de Kleber Cecon"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" eplus-wrapper\">Acredito que muitos de n\u00f3s s\u00f3 viemos a conhecer a palavra <strong>Alquimia<\/strong> devido ao anime <strong>Fullmetal Alchemist<\/strong>. Nesse anime vemos os personagens transmutarem materiais com a ajuda de estranhos c\u00edrculos desenhados. \u00c9 um \u00f3timo anime, se voc\u00ea n\u00e3o viu, super recomendo que assista (de prefer\u00eancia o <strong>Brotherhood<\/strong>)! Mas eis que bisbilhotando a sess\u00e3o de livros para doa\u00e7\u00e3o de uma das bibliotecas da Unicamp, este daqui falando sobre experimentos alqu\u00edmicos me chamou a aten\u00e7\u00e3o, pois recentemente tenho ouvido esta palavra ganhando t\u00f4nus em diferentes sentidos um tanto exot\u00e9ricos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O livro traz diversas discuss\u00f5es muito interessantes e acess\u00edveis ao p\u00fablico leigo, situando-as sempre no aspecto hist\u00f3rico enquanto ampara o leitor sobre os experimentos do s\u00e9culo XVII com paralelos aos conceitos da Qu\u00edmica moderna. N\u00e3o chega a ser uma leitura voltada para o lazer, contudo achei relativamente leve de se ler e cumpre tanto o papel de informar com clareza quanto de instigar o leitor sobre como parece &#8220;divertido&#8221; os ent\u00e3o chamados experimentos alqu\u00edmicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Uma das coisas que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o e que me sinto no dever de compartilhar com voc\u00ea, \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o sobre o dilema entre Qu\u00edmica e Alquimia. A terminologia anterior \u00e0 grega n\u00e3o \u00e9 clara, assim, na Gr\u00e9cia este trabalho recebia o nome de CHEMEIA. Depois a palavra foi incorporada pelo \u00e1rabe e recebeu um sufixo &#8220;AL&#8221;, sendo assim transliterado como &#8220;AL-KIMIYA&#8221;. Ent\u00e3o, algum tempo depois de se estabelecer no vocabul\u00e1rio europeu, houve um movimento de eliminar as terminologias \u00e1rabes das palavras, o que transformou &#8220;AL-KIMIYA&#8221; na palavra &#8220;QU\u00cdMICA&#8221;. Vemos com isso, e pela pr\u00f3pria descri\u00e7\u00e3o que o autor faz, que ambas as palavras at\u00e9 antes do s\u00e9culo XVII tinham o mesmo sentido e eram usadas por vezes como sin\u00f4nimos. Uma confus\u00e3o contudo come\u00e7ou com uma interpreta\u00e7\u00e3o equivocada do termo &#8220;AL&#8221;, como significando uma caracter\u00edstica de superioridade que alguns substantivos recebiam, levando que alguns grupos considerassem a ALQUIMIA como um ramo voltado para investigar\/responder quest\u00f5es superiores do mundo, enquanto a pr\u00f3pria QU\u00cdMICA ficaria restrita \u00e0 processos mais simples e de finalidades pr\u00e1ticas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A parte triste desta hist\u00f3ria, \u00e9 vermos como ocorreu um esfor\u00e7o para repelir a palavra ALQUIMIA da hist\u00f3ria ap\u00f3s o s\u00e9culo XVII, tentando faz\u00ea-la associada \u00e0 investiga\u00e7\u00f5es mais subjetivas e menos precisas, carregada e estere\u00f3tipos ligados \u00e0 bruxaria, misticismo e principalmente &#8220;imprecis\u00e3o&#8221;, o que n\u00e3o fazia jus \u00e0 maneira como os alqu\u00edmicos trabalhavam. Uma consequ\u00eancia dessa tentativa de &#8220;apagar&#8221; a ALQUIMIA da hist\u00f3ria acaba contribuindo para que 2 s\u00e9culos depois durante um movimento de resgate das chamadas &#8220;ci\u00eancias proibidas&#8221; (aquelas rejeitadas pelo academicismo) viessem a tomar ideias superficiais da alquimia e fazer a partir delas suas deriva\u00e7\u00f5es mais exot\u00e9ricas e que falham ao tentar se relacionar com o que foi a Alquimia at\u00e9 o s\u00e9culo XVII. <\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O legal desse texto, \u00e9 observar como Robert Boyle e outros contempor\u00e2neos a ele investigavam as propriedades da mat\u00e9ria, e como formulavam hip\u00f3teses e constructos para seu funcionamento a partir do que entendiam do mundo. Fica claro inclusive porque estas investiga\u00e7\u00f5es eram um tanto subjetivas, visto que mesmo hoje com laborat\u00f3rios e equipamentos avan\u00e7ados, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil dizer como certas rea\u00e7\u00f5es ocorrem, quanto mais a s\u00e9culos atr\u00e1s onde a observa\u00e7\u00e3o era apenas num cen\u00e1rio macrosc\u00f3pio. Desse modo, vemos que interpreta\u00e7\u00f5es diversas s\u00e3o realizadas historicamente e a medida que novos resultados v\u00e3o sendo obtidos e replicados, procuram-se explica\u00e7\u00f5es adequadas para tais. Isto gradativamente leva a uma maior objetividade das interpreta\u00e7\u00f5es em concord\u00e2ncia com as ideias filos\u00f3ficas sobre a mat\u00e9ria. O autor do livro (Kleber Cecon) realiza um excelente paralelo com a Qu\u00edmica moderna e os principais experimentos discutidos, explicando a partir de f\u00f3rmulas o que viriam a ser os significados mais subjetivos de diversos procedimentos realizados no s\u00e9culo XVII a partir de suas descri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O livro segue com discuss\u00f5es sobre a possibilidade de se traduzir conceitos alqu\u00edmicos para a qu\u00edmica moderna, e porque as vezes somente podemos interpret\u00e1-las (sem traduzi-las). Para isso o autor utiliza o conceito de Flogisto, que n\u00e3o pode ser traduzido para nenhum termo da Qu\u00edmica moderna (visto que essa teoria se mostra errada), embora o que seria um &#8220;anti-flogisto&#8221; pode ser traduz\u00edvel. Essa acaba sendo uma quest\u00e3o interessante do ponto de vista matem\u00e1tico, uma vez que se existisse uma tradu\u00e7\u00e3o para todos os termos, logo, n\u00e3o seria necess\u00e1ria uma interpreta\u00e7\u00e3o (falamos disso em <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/3807\/\">Existe sim tradu\u00e7\u00e3o 100%, mas ela \u00e9 in\u00fatil<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">V\u00e1rios aspectos me chamaram a aten\u00e7\u00e3o neste livro, principalmente a maneira como as investiga\u00e7\u00f5es alqu\u00edmicas ocorriam, realizando experimentos, replica\u00e7\u00f5es e testando conjecturas. Penso que diferente da Matem\u00e1tica na qual somos capazes de abstrair o comportamento de fun\u00e7\u00f5es e estud\u00e1-la no plano imagin\u00e1rio, a qu\u00edmica carrega um &#8220;Q&#8221; (piada infame, mas n\u00e3o resisti) de investiga\u00e7\u00e3o e formula\u00e7\u00e3o de hip\u00f3teses.  Sendo este, o tipo de literatura que poderia ter me despertado um maior interesse em Qu\u00edmica durante o Ensino M\u00e9dio (principalmente se tivesse o acompanhamento em sala de aula).<\/p>\n\n\n\n<hr class=\" wp-block-separator has-css-opacity eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Como referenciar este conte\u00fado em formato ABNT (baseado na norma NBR 6023\/2018): <\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">SILVA, Marcos Henrique de Paula Dias da. No Zero a gente leu &#8220;A rela\u00e7\u00e3o entre a filosofia mec\u00e2nica e os experimentos alqu\u00edmicos de Robert Boyle&#8221; de Kleber Cecon. <em>In<\/em>: UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. <strong><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Zero \u2013 Blog de Ci\u00eancia da Unicamp<\/a>. <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/category\/v-8-ed-1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Volume 8. Ed. 1. 2\u00ba semestre de 2022<\/a><\/strong>. Campinas, 9 jul. 2022. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4375\/\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/4375\/<\/a>. Acesso em: &lt;data-de-hoje&gt;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alquimia e Qu\u00edmica, uma quest\u00e3o sem\u00e2ntica mudou todo seu sentido.<\/p>\n","protected":false},"author":434,"featured_media":4377,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[1224],"tags":[],"class_list":["post-4375","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-v-8-ed-1"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-content\/uploads\/sites\/187\/2022\/07\/IMG_20220709_141711102-scaled.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4375","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/users\/434"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4375"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4375\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5343,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4375\/revisions\/5343"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4377"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}