{"id":6151,"date":"2025-12-06T15:07:41","date_gmt":"2025-12-06T18:07:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/?p=6151"},"modified":"2025-12-06T15:49:06","modified_gmt":"2025-12-06T18:49:06","slug":"teorema-de-bayessauro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/6151\/","title":{"rendered":"Teorema de Bayessauro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" eplus-wrapper\">Por muitos semestres precisei explicar pra minhas de gradua\u00e7\u00e3o e m\u00e9dio o que \u00e9 o Teorema de Bayes. Isoladamente cada conceito atrelado a ele n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de ser compreendido, por\u00e9m quando juntamos tudo em um enunciado essa aparente simplicidade vira puro caldo de caos&#8230; Principalmente quando come\u00e7amos a tentar us\u00e1-lo desconexo de seu sentido, ou seja, s\u00f3 aplicando a f\u00f3rmula como se fosse m\u00e1gica. <\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Mas nesse semestre achei um jeito que parece estar funcionando e ele envolve dinossauros!<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">No mundo existem dois tipos de ovos de dinossauros, os vermelhos e os azuis. E dois tipos de dinossauros, os pesco\u00e7udos e os narigudos (ambos podem vir em ovos vermelhos ou azuis). Os ovos s\u00e3o encontrados na natureza com uma distribui\u00e7\u00e3o de X% de ovos vermelhos, e (1-X%) de ovos azuis. Dos ovos vermelhos temos em Y% das vezes um dinossauro pesco\u00e7udo, e em (1 &#8211; Y%) um dinossauro narigudo. J\u00e1 dos ovos azuis temos em Z% das vezes um dinossauro pesco\u00e7udo, e em (1 &#8211; Z%) um dinossauro narigudo. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image aligncenter size-large eplus-wrapper\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"461\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-content\/uploads\/sites\/187\/2025\/12\/bayessauro-1024x461.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6152\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-content\/uploads\/sites\/187\/2025\/12\/bayessauro-1024x461.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-content\/uploads\/sites\/187\/2025\/12\/bayessauro-300x135.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-content\/uploads\/sites\/187\/2025\/12\/bayessauro-768x346.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-content\/uploads\/sites\/187\/2025\/12\/bayessauro-500x225.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-content\/uploads\/sites\/187\/2025\/12\/bayessauro-800x360.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-content\/uploads\/sites\/187\/2025\/12\/bayessauro-1280x576.png 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-content\/uploads\/sites\/187\/2025\/12\/bayessauro.png 1302w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Ent\u00e3o um dia aparece o Pavel com um dinossauro pesco\u00e7udo, ele disse que ganhou esse dinossauro mas n\u00e3o sabe de onde ele veio (isto \u00e9, de um ovo vermelho ou azul). Para determinar a chance dele ter vindo de um ovo vermelho, fazemos os casos favor\u00e1veis Y%*X% dividido pelos casos totais (Y%*X% + (1 &#8211; Y%)*(1 &#8211; X%)). O complementar desse resultado \u00e9 a chance do dinossauro pesco\u00e7udo ter vindo de um ovo azul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">De modo an\u00e1logo, se o Pavel tivesse aparecido com um dinossauro narigudo, pra determinar a chance dele ter vindo de um ovo vermelho, fazemos os casos favor\u00e1veis Z%*X% dividido pelos casos totais (Z%*X% + (1 &#8211; Z%)*(1 &#8211; X%)). O complementar desse resultado \u00e9 a chance do dinossauro narigudo ter vindo de um ovo azul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O conceito \u00e9 bem simples, mas bastante \u00fatil. Pense assim, existe uma doen\u00e7a que afeta X% da popula\u00e7\u00e3o, um sintoma que Y% das pessoas com a doen\u00e7a apresentam, mas que Z% das pessoas sem a doen\u00e7a tamb\u00e9m apresentam. Dado que voc\u00ea tem o sintoma, qual a chance de voc\u00ea ter a doen\u00e7a? E dado que voc\u00ea n\u00e3o tem o sintoma qual a chance de voc\u00ea ter a doen\u00e7a?<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Esse problema \u00e9 exatamente o mesmo dos ovos de dinossauros. Substitua a doen\u00e7a pelos ovos vermelhos e azuis. Agora troque ter ou n\u00e3o ter o sintoma pelos dinossauros pesco\u00e7udos e narigudos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Da minha experi\u00eancia em sala de aula, com provas e livros, o que eu sinto que afeta\/atrapalha o entendimento do teorema de Bayes s\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\" wp-block-list eplus-wrapper\">\n<li class=\" eplus-wrapper\"><strong>Uso exagerado de s\u00edmbolos sem um preparo pr\u00e9vio: <\/strong>trabalha-se muito com probabilidade usando linguagem comum, e quando chega nesse conceito \u00e9 comum meter logo sua nota\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica de um evento est\u00e1 para a ocorr\u00eancia do outro patatimbas a intersec\u00e7\u00e3o dos eventos&#8230; Ok, podemos trabalhar com probabilidade usando nota\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, mas \u00e9 preciso que seja um processo gradual, e n\u00e3o cair de paraquedas exatamente quando entra nesse assunto, e depois nunca mais usar ap\u00f3s mostrar sua linda forma simb\u00f3lica.<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\"><strong>Omiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es no enunciado:<\/strong> \u00e9 certo que se sabemos a probabilidade de um evento, sabemos tamb\u00e9m a probabilidade de seu evento complementar. Por\u00e9m para fins did\u00e1ticos n\u00e3o custa deixar claro quais s\u00e3o suas probabilidades complementares&#8230; mas n\u00e3o \u00e9 isso que acontece, geralmente vemos um enunciado com o m\u00ednimo de informa\u00e7\u00f5es, esperando que a pessoa deduza as demais a partir do que \u00e9 dado. Se fosse um processo seletivo, ok, mas em um momento de aprendizagem inicial, isso \u00e9 p\u00e9ssimo.<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\"><strong>Preocupa\u00e7\u00e3o com aplicabilidade: <\/strong>de tantos assuntos curriculares que est\u00e3o l\u00e1 por mero formalismo, parece que esse em particular traz uma responsabilidade de &#8220;mostrar servi\u00e7o&#8221; aos estudantes, de justificar porque foi necess\u00e1rio aprender tanta coisa at\u00e9 agora, para finalmente chegarmos em algo \u00fatil, e dai vem uma s\u00e9rie de contextos. Fala-se por exemplo de testes de exames m\u00e9dicos com resultados falso-positivo, falso-negativo, contextualiza\u00e7\u00e3o com testes de gravidez, teste de COVID&#8230; novamente, n\u00e3o vejo erro algum nisso, somente que h\u00e1 uma quebra no ritmo com que os contextos ultra-realistas aparecem, vindo uma montanha desses contextos de uma s\u00f3 vez, e logo mais desaparecendo, voltando para os contextos fict\u00edcios ou sequer,descontextualizados.<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\"><strong>Dificuldade interpretativa:<\/strong> dinossauros vem de ovos, sabendo o dinossauro, queremos determinar a chance dele ter vindo de um tipo espec\u00edfico de ovo! Nesse contexto fict\u00edcio (exceto para os adeptos da sociedade reptiliana), temos claro o que \u00e9 o resultado, e que buscamos descobrir a chance dele ter vindo de uma determinada situa\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, em problemas envolvendo o Teorema de Bayes, vemos enunciados que requerem uma interpreta\u00e7\u00e3o do que \u00e9 cada parte, e interpretar errado, leva a um erro na resolu\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\"><strong>Mistura de representa\u00e7\u00f5es: <\/strong>esse \u00e9 um conceito por vezes tratado de forma textual, com os valores de probabilidade dados, outras vezes por tabelas, e ainda algumas vezes por ambas as formas combinadas. N\u00e3o acho errado o exerc\u00edcio de variar as representa\u00e7\u00f5es, por\u00e9m em fase de aprendizagem, essa varia\u00e7\u00e3o deve ser a princ\u00edpio did\u00e1tica, de prefer\u00eancia sem o conceito do Teorema de Bayes atrelado, para depois de consolidado as mudan\u00e7as de representa\u00e7\u00e3o, utiliz\u00e1-las com o Teorema de Bayes.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\" has-text-align-center eplus-wrapper\"><em>Enfim, s\u00e3o algumas das minhas reflex\u00f5es sobre esse assunto, que estavam querendo escapar da minha cabe\u00e7a (pelo nariz, em forma de uma subst\u00e2ncia verde rsrsrs).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n\n\n\n<hr class=\" wp-block-separator has-alpha-channel-opacity eplus-wrapper\" \/>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Como referenciar este conte\u00fado em formato ABNT (baseado na norma NBR 6023\/2018):<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">SILVA, Marcos Henrique de Paula Dias. Teorema de Bayessauro.&nbsp;<em>In<\/em>: UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS.&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Zero \u2013 Blog de Ci\u00eancia da Unicamp<\/a>.&nbsp;<\/strong><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/category\/v-14-ed-1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Volume 14. Ed. 1. 2\u00ba semestre de 2025<\/a>. Campinas, 6 de dezembro de 2025. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/6151\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/6151\/<\/a>. Acesso em: &lt;data-de-hoje&gt;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por muitos semestres precisei explicar pra minhas de gradua\u00e7\u00e3o e m\u00e9dio o que \u00e9 o Teorema de Bayes. 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