{"id":6428,"date":"2026-08-05T22:20:33","date_gmt":"2026-08-06T01:20:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/?p=6428"},"modified":"2026-08-08T16:29:16","modified_gmt":"2026-08-08T19:29:16","slug":"l-voce-sabe-para-que-servem-sistemas-de-equacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/6428\/","title":{"rendered":"L, voc\u00ea sabe para que servem sistemas de equa\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa semana fui com minha filha comprar ovos, e o dono do estabelecimento durante aquela conversa social comentou que o filho dele estava para come\u00e7ar a ver Equa\u00e7\u00f5es, complementando que essa parte seria dif\u00edcil e n\u00e3o sabe sequer para que serve. Pensei se valia a pena fazer uma defesa sobre o tema, pois matem\u00e1ticos s\u00e3o a 4\u00aa pior ra\u00e7a que defende com unhas e dentes a sua causa (1\u00b0 lugar \u2013 usu\u00e1rios de Linux; 2\u00b0 lugar \u2013 apreciadores de caf\u00e9 sem a\u00e7\u00facar; 3\u00b0 lugar \u2013 f\u00e3s da gera\u00e7\u00e3o I de Pokemon), mas preferi uma resposta evasiva. Disse que era dif\u00edcil se ver prop\u00f3sito em qualquer conte\u00fado quando o adolescente est\u00e1 sendo bombardeado a semana inteira por 10 disciplinas diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, com calma, e sabendo que n\u00e3o estarei jogando p\u00e9rolas aos ornitorrincos, vejo que a maior utilidade de equa\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 achar o famigerado X, e sim, para um conjunto de fatos observados e mensurados, determinar um comportamento para aquele evento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para quem j\u00e1 assistiu Death Note, deve se lembrar de como o L construiu sua \u00faltima linha de racioc\u00ednio ap\u00f3s tomar conhecimento do caderno (na verdade eu duvido que lembre, mas finja que lembra). A inoc\u00eancia do Raito era apoiada em duas situa\u00e7\u00f5es que pessoas morreram sem que ele fizesse nenhuma a\u00e7\u00e3o observ\u00e1vel. Uma delas quando haviam dezenas de c\u00e2meras em seu quarto, e dentro do pacote de batatinha frita tinha uma mini-tv, um peda\u00e7o do caderno e uma caneta, e, aproveitando-se de um ponto cego, ele via o nome dos criminosos e escrevia no papel sem que as c\u00e2meras o vissem. A outra situa\u00e7\u00e3o foi no helic\u00f3ptero, logo ap\u00f3s segurar o caderno do 3\u00b0 Kira, quando ele ao recobrar momentaneamente suas mem\u00f3rias, ainda algemado ao L, aproveita-se de um ponto cego para destravar o compartimento secreto do seu rel\u00f3gio e escrever com uma agulha, usando o sangue do seu dedo, o nome do 3\u00b0 Kira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s tomar conhecimento do caderno, L se depara com uma das regras falsas: se o caderno for danificado, todos que o tocarem morrer\u00e3o; e tamb\u00e9m nota que faltava um peda\u00e7o de uma das p\u00e1ginas (que Remu arrancou para tocar em Misa, pra que ela pudesse v\u00ea-la e ouvi-la e assim proteg\u00ea-la do 3\u00b0 Kira). Na ocasi\u00e3o, L pergunta para Remu sobre o efeito de escrever o nome de algu\u00e9m num peda\u00e7o removido do caderno, mas Remu (j\u00e1 combinada com Raito) nega saber se o efeito se aplicaria. O legal dessa cena \u00e9 que L especula sobre isso descartando a impossibilidade de Raito ter feito isso naquelas duas ocasi\u00f5es mencionadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o que isso tem a ver com sistemas de equa\u00e7\u00f5es?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora tenhamos o h\u00e1bito de pensar em equa\u00e7\u00f5es como equa\u00e7\u00f5es lineares, o termo \u00e9 bem mais amplo. Havendo uma ou mais inc\u00f3gnitas associadas por quaisquer operadores matem\u00e1ticos e submetidos a uma igualdade, temos ent\u00e3o uma equa\u00e7\u00e3o. Por exemplo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">a) x &#8211; 1 = 0<br>b) sen(x) &#8211; 1 = 0<br>c) x\u00b2 &#8211; 1 = 0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos tr\u00eas exemplos acima, temos equa\u00e7\u00f5es, todas com solu\u00e7\u00f5es Reais. O item a) com apenas uma solu\u00e7\u00e3o, o item b) com infinitas solu\u00e7\u00f5es, e o item c) com duas solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora imagine que tenhamos valores observados e saibamos a qual classe pertence \u00e0 fun\u00e7\u00e3o que gerou aqueles valores. Podemos determinar ent\u00e3o os coeficientes espec\u00edficos que atendem \u00e0 igualdade observada. Por exemplo, com dois pontos (x1, y1), (x2, y2) e, sabendo que se trata de uma reta, temos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">a*x1 + b = y1<br>a*x2 + b = y2<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Resolvendo este sistema, encontramos a reta que cruza esses dois pontos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, se soub\u00e9ssemos que se trata de uma par\u00e1bola, ter\u00edamos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">a*x1\u00b2 + b*x1 + c = y1<br>a*x2\u00b2 + b*x1 + c = y2<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem o conhecimento de um terceiro ponto, ter\u00edamos infinitas par\u00e1bolas poss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, por exemplo, se fosse acrescida a informa\u00e7\u00e3o sobre uma terceira posi\u00e7\u00e3o da par\u00e1bola, conseguir\u00edamos restringir seu movimento e garantir exatamente de qual par\u00e1bola estamos falando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso do L, quando ele tomou o caderno em m\u00e3os, conseguiu completar as informa\u00e7\u00f5es que faltavam para determinar que o Raito \u00e9 o Kira, mas, antecipando isso, o Raito inseriu regras falsas que anularam essa hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um paralelo a isso, seria pegar tr\u00eas pontos de um objeto em lan\u00e7amento obl\u00edquo. Por exemplo: (0, 0), (1, 1), (2, 4), que se montarmos o sistema de equa\u00e7\u00e3o, ficaria:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">a*0\u00b2 + b*0 + c = 0<br>a*1\u00b2 + b*1 + c = 1<br>a*2\u00b2 + b*2 + c = 4<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Que corresponde \u00e0 fun\u00e7\u00e3o f(x) = x\u00b2.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, se alterarmos um desses pontos, por exemplo, (2, 4) para (3, 3).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">a*0\u00b2 + b*0 + c = 0<br>a*1\u00b2 + b*1 + c = 1<br>a*3\u00b2 + b*3 + c = 3<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso passa a corresponder \u00e0 fun\u00e7\u00e3o f(x) = x, que n\u00e3o \u00e9 uma par\u00e1bola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso, as regras falsas faziam com que o sistema de evid\u00eancias e comportamentos analisados pelo L, chegassem que a solu\u00e7\u00e3o do Raito ser o Kira, fosse imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mais legal \u00e9 que esse \u00e9 um truque que o L tamb\u00e9m usa, ao mostrar pro Raito na cafeteria 3 fotos de mensagens escritas por v\u00edtimas do Kira, que formavam a frase: \u201cL, voc\u00ea sabia que Shinigamis s\u00f3 comem ma\u00e7\u00e3s?\u201d. Mas atr\u00e1s das fotos haviam n\u00fameros que, se colocados em ordem, a mensagem n\u00e3o fazia sentido. O Raito explica isso, e o L diz que \u00e9 uma linha de racioc\u00ednio errada, que o mais l\u00f3gico seria deduzir a aus\u00eancia de uma parte da mensagem. N\u00e3o deduzir isso (para algu\u00e9m com um potencial dedutivo t\u00e3o alto quanto o L) era um ind\u00edcio de que a pessoa sabia que aquela mensagem tinha apenas 3 partes, e que a suposta 4\u00aa parte era falsa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cr\u00e9ditos da imagem de capa a <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/margge-12482589\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4732327\">Martin<\/a> por <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4732327\">Pixabay<\/a><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como referenciar este conte\u00fado em formato ABNT (baseado na norma NBR 6023\/2018):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, Emanuelly de Paula Dias da. L, voc\u00ea sabe para que servem sistemas de equa\u00e7\u00e3o?.\u00a0<em>In<\/em>: UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS.\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Zero \u2013 Blog de Ci\u00eancia da Unicamp<\/a>.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/category\/v-16-ed-1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Volume 16. Ed. 1. 2\u00ba semestre de 2026<\/a>. Campinas, 5 de agosto de 2026. Revis\u00e3o de: SILVA, Henrique Alexandre, 06 de Agosto de 2026. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/6428\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/6428\/<\/a>. Acesso em: &lt;data-de-hoje&gt;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essa semana fui com minha filha comprar ovos, e o dono do estabelecimento durante aquela conversa social comentou que o<\/p>\n","protected":false},"author":434,"featured_media":6429,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[1245],"tags":[],"class_list":["post-6428","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-v-16-ed-1"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-content\/uploads\/sites\/187\/2026\/08\/margge-chains-4732327-scaled.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6428","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/users\/434"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6428"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6428\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6443,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6428\/revisions\/6443"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6429"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6428"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6428"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/zero\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6428"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}