Análise de dados e Probabilidadeautor: LeoCombinaçãoHistória da matemáticaprobabilidadeproblema dos pontos;

Pascal, Fermat, Pelé e um jogo interrompido

Você já ouviu falar do problema do jogo interrompido? Ele foi discutido por dois matemáticos, Pascal e Fermat, no século 17, mas também teve uma versão brasileiríssima em 1973 no Campeonato Paulista de Futebol!

Em 1973, Santos e Portuguesa disputaram a final do Campeonato Paulista de Futebol em uma partida única. Durante o tempo regulamentar a partida ficou empatada em 0x0 e a disputa foi para os pênaltis.

O desempate começou com a Portuguesa e depois de 4 cobranças o placar marcava 2×0 para o Santos. Nesse momento, o terceiro batedor da Portuguesa se encaminhou para a sua cobrança e… perdeu o pênalti! O juiz então soou o apito final e declarou o Santos campeão.

Mas o que isso tem a ver com Pascal, Fermat ou o problema do jogo interrompido?

Acontece que a perda do terceiro pênalti pela Portuguesa não garantia vitória do Santos: os jogadores santistas poderiam errar todos os pênaltis que lhes faltava e os da Portuguesa marcar os dois que lhes faltavam, resultando em 2×2 nas primeiras 5 cobranças.

Por causa do erro do árbitro, que não deveria ter declarado o Santos campeão antes da terceira cobrança do Santos, a Federação Paulista de Futebol declarou os dois times “igualmente” campeões naquele ano.

Mas será que essa divisão foi justa, uma vez que o Santos claramente estava em vantagem nos pênaltis?

Esse foi o cenário, chamado “problema do jogo interrompido“, que Pascal e Fermat discutiram por cartas no século 17, dando origem aos estudos matemáticos das probabilidades. O vídeo abaixo relata um encontro fictício dos dois matemáticos para um passeio em uma floresta que leva a uma partida de cara ou coroa que, advinhem!, é interrompida antes do seu final.

Os argumentos do vídeo poderiam ter sido usados para decidir uma divisão dos campeonato paulista de 1973 levando em conta a probabilidade de vitória de cada equipe no momento em que o jogo foi interrompido.

Só há um fator que, talvez, deva ser levado em conta: o jogador que bateria o último pênalti do Santos era o Pelé.

Abaixo, por uma questão de facilidade, disponibilizo o link para o repositório.

https://m3.ime.unicamp.br/recursos/1062

Qualquer dúvida, questionamento ou crítica, por favor nos escreva nos comentários, ficaremos gratos em respondê-los.

Créditos da imagem a Dimitri Houtteman em Unsplash

Autor: Leo

3 comentários sobre “Pascal, Fermat, Pelé e um jogo interrompido

  • Artigo fantástico , muito bem elaborado e de uma leitura fácil, cativante e dinâmica , atraindo a atenção do leitor até o último segundo.
    Sou torcedor do Santos e conhecia essa história, que tem um fato curioso , após a constatação do erro só o time do Santos voltou em campo.
    Parabéns esse brilhante artigo deve entrar para os anais da cultura santista.

    Resposta
  • Cabe destacar o nome do autor da "façanha" que é terminar uma disputa de pênaltis desse jeito: Armando Marques, o árbitro que, segundo a lenda, odiava Pelé. Talvez por isso tenha armado essa confusão. Hoje, certamente, com VAR, mil veículos de imprensa cobrindo os jogos e tudo o mais, isso dificilmente aconteceria.

    Parabéns pelo artigo.

    Resposta
    • Marcos Henrique de Paula Dias da SilvaAutor do post

      Realmente, algumas irregularidades ocorriam mais facilmente antigamente do que hoje (a famosa mão de Deus por exemplo). Mas que bom que gostou do texto 🙂

      Resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *