Deposite seu voto de confiança na urna eletrônica!

por | set 7, 2026 | Textos | 0 Comentários

Com as eleições de 2026 se aproximando, parece que todo mundo só sabe falar disso, promovendo candidatos e discutindo políticas públicas. Mas como funciona o processo da urna eletrônica? Por que é uma prioridade que o processo de eleição seja transparente para todos? Como fazemos isso? O Sala V tem como proposta te explicar tudo isso!

Autoria de Fernanda Nunes Ribeiro & Mariana Olimpio de Aquino

Revisão de Cyntia Vasconcelos de Almeida & Mayara de Carvalho Santos

Antes de tudo: como começou a urna eletrônica?

A ideia de criar um equipamento que contabiliza os votos já existe desde 193 no Brasil, na fundação da Justiça Eleitoral, e vários protótipos foram propostos a partir de 1937. É com o avanço da informática que, em 1989, o Tribunal Regional de Santa Catarina realizou a primeira votação eletrônica no município de Brusque, usando um computador adaptado. Em 1995, o TSE institui a Comissão de Reforma da Legislação Eleitoral que, em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Marinha e Exército, a Universidade Federal do Rio de Janeiro se une a duas empresas de informática para desenvolver a primeira urna eletrônica. É somente em 2000, nas eleições municipais, que o Brasil realiza a sua primeira eleição 100% informatizada. [1]

Mas é seguro mesmo?

Se você imaginava que as urnas eletrônicas eram apenas levadas até os pontos de votação no dia da eleição, ligadas na tomada e, assim, estando prontas para contabilizar os votos dos eleitores e, ao fim do dia, os votos eram, sei lá, enviados pela internet para o TSE, contabilizados e transmitidos para todo mundo pela TV… você está um pouquinho enganado, pois existem várias etapas que visam garantir a segurança do voto e a confiabilidade dos resultados.

Antes, durante e após as eleições, as urnas passam por diversas etapas de auditoria e fiscalização, para garantir a segurança de todo o processo eleitoral que envolve esse equipamento. Essas auditorias e fiscalizações buscam, por exemplo, realizar testes de segurança das urnas, lacrar e guardar as urnas em locais seguros, checar os sistemas eleitorais instalados, etc. Essas fiscalizações podem ser feitas por organizações não governamentais, partidos políticos, a OAB, entre outros; Essas etapas podem ser consultadas com mais detalhes no site da Justiça Eleitoral, acessando o seguinte link. [2]

Além disso, as urnas eletrônicas possuem diversos mecanismos de segurança, como lacres, dispositivos físicos e softwares, os quais impedem que sistemas não oficiais sejam utilizados nelas e também impossibilitam que elas sejam acessadas por vírus ou por outros softwares estranhos. Além disso, a urna sempre avalia, desde o momento em que é ligada, se algo foi alterado. Se houver alguma tentativa de alteração, a urna vai emitir alertas e não permitirá mais a captação de votos, fazendo com que somente haja a geração de resultados para o sistema de totalização se tudo ocorrer de forma honesta e segura. Tudo isso garante um resultado confiável, já que há várias “peneiras” no processo que vão pegar qualquer tentativa de fraude. [3]

E no dia da eleição? 

A forma como as urnas vão chegar até os locais de votação depende das necessidades de cada zona eleitoral, que são, basicamente, as regiões eleitorais organizadas por cada Tribunal Regional Eleitoral. Em lugares que são mais distantes e que apresentam um difícil acesso, as urnas podem chegar até mesmo de helicóptero, aviões ou barcos. [3].

Vale lembrar que cidadãos brasileiros que residem no exterior também precisam votar e as urnas eletrônicas também precisam chegar até essas pessoas. Nesse caso, as urnas são levadas até os locais necessários por meio do transporte aéreo. Elas são transportadas em malas diplomáticas com a lacração dos equipamentos ocorrendo ainda no Brasil e, após as eleições, as urnas retornam ao Brasil lacradas nas mesmas malas diplomáticas em que foram enviadas para o exterior, l A eleição fora do Brasil é organizada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE- DF), com o apoio dos consulados ou das missões diplomáticas em cada país, com a votação e a apuração dos votos no exterior ocorrendo no horário onde ocorreu a eleição (ou seja, quem vota na Austrália já sabe o resultado da sua sessão eleitoral enquanto ainda estamos votando no Brasil!) [4,5].

Com as urnas já nos locais de votação, após às 7h30 do dia da eleição, elas são ligadas e, na presença dos mesários e fiscais de partidos políticos, é emitida a “zerésima”, que é um relatório que contém toda a identificação da urna e comprova que ela ainda não recebeu nenhum voto. Depois desse procedimento e após às 8h, a votação é iniciada na seção eleitoral e acontece até às 17h, da forma que muitos de nós estamos acostumados! [4,5]. 

Após às 17h, os presidentes das respectivas seções eleitorais digitam uma senha na urna e a eleição é encerrada. Então, é emitido o boletim de urna, que informa a quantidade de votos recebidos por ela. É emitida mais de uma via desse boletim, sendo que uma é fixada na porta da respectiva sessão e outras são encaminhadas para o respectivo cartório eleitoral e entregues para os representantes ou fiscais dos partidos [4,5].

Então, as urnas eletrônicas e os seus cartões de memória são encaminhados para testes de autenticidade nos Tribunais Regionais Eleitorais para serem analisados. Após a comprovação de que não houve violação, os dados das urnas são transmitidos através de uma VPN (“Virtual Private Network” ou Rede Privada Virtual, em tradução livre) para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Usar uma VPN faz com que o uso de internet aberta possa ser dispensado, evitando possíveis fraudes e ataques cibernéticos [4,5].

No TSE irá ocorrer, por meio de um supercomputador, a contagem de todos os votos enviados pelos Tribunais Regionais Eleitorais. Qualquer cidadão pode acompanhar ao vivo a contagem acessando a plataforma do TSE e os resultados também são divulgados pela TV e por outros veículos de comunicação [4,5].

Dessa forma, é possível ter os resultados da eleição poucas horas após o término da votação, sabendo quais são os novos governadores e presidente, por exemplo, ainda no mesmo dia. 

As eleições estão chegando, então esperamos que esse e outros materiais do Sala V consigam tirar algumas dúvidas sobre esse tema e também contribuam trazendo algumas curiosidades para vocês! Fique sempre atento às notícias e possíveis fake news, cheque o local que você irá votar e, no dia da eleição, não esqueça do seu título de eleitor e de um documento oficial com foto para exercer o seu direito ao voto. Continue falando sobre ciência!

 

Referências

  1. CRONOLOGIA da informatização do processo eleitoral. Justiça Eleitoral. Disponível em: https://www.justicaeleitoral.jus.br/urna-eletronica/cronologia-da-informatizacao-do-processo-eleitoral.html. Acesso em: 03/08/2026
  2. Auditoria e fiscalização. Tribunal Superior Eleitoral. Disponível em: https://www.justicaeleitoral.jus.br/urna-eletronica/oportunidades-de-auditoria-e-fiscalizacao.html. Acesso em 03/08/2026.
  3. LOGÍSTICA Eleitoral. Tribunal Superior Eleitoral. Disponível em: https://www.tse.jus.br/eleicoes/historia/processo-eleitoral-brasileiro/logistica-e-preparacao/logistica-eleitoral?tab=ancora-1. Acesso em 03/08/2026.
  4. CONHEÇA o “caminho” do voto, desde a seção eleitoral até a divulgação do resultado. Da Agência Câmara. Agência Câmara de Notícias. Câmara dos Deputados. 19/08/2022. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/903942-conheca-o-caminho-do-voto-desde-a-secao-eleitoral-ate-a-divulgacao-do-resultado. Acesso em 03/08/2026.
  5. SAPIO, Marcello. Como é feita a contagem de votos depois do término das eleições. CNN. 04/09/2022. Atualizado em 29/10/22. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/como-e-feita-a-contagem-de-votos-depois-do-termino-das-eleicoes/#goog_rewarded. Acesso em 03/08/2026.

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