Conhecendo Carreiras de Exatas: a Engenharia Química

Um profissional de engenharia química pode atuar em diferentes áreas industriais 

Tempo de leitura: 4 minutos

Este especial é destinado aos alunos que estão decidindo qual carreira seguir e àqueles que têm curiosidade em conhecer diferentes áreas. Você gosta de Indústrias Químicas? Ciência? Tecnologia? Talvez a Engenharia Química seja a sua carreira!

Por que escolher a engenharia química?

A escolha de carreira é uma fase desafiadora para qualquer aluno, pois além da dificuldade de optar por uma única área, há inúmeras opções de carreiras. A estudante de último ano de engenharia química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Natália Osiro, conta como e por quê escolheu estudar engenharia química: Eu escolhi engenharia porque eu sempre quis trabalhar com ciência e tecnologia, mas não sabia exatamente em qual área. Quando eu escolhi a engenharia química, com 18 anos, eu não sabia muito sobre o curso, mas eu sabia que ele abrangia muitas áreas diferentes do conhecimento (catálise, materiais, biotecnologia, etc.) e que eu teria muitas opções para me especializar no futuro”.

O que é a engenharia química?

A engenharia química é uma engenharia que foca na realização de projetos, construções e operações de plantas químicas em escala industrial. Estudar engenharia química é mais do que trabalhar com produtos químicos. Uma engenheira química pode trabalhar em diferentes áreas como: produção de alimentos, cosméticos, eletrônica, produtos químicos industriais, petróleo, energia alternativa e muito mais.

É o que confirma a engenheira Juliana Randi, graduada em engenharia química pela Unicamp que atualmente trabalha na Procter & Gamble. Segundo ela, quando começou o curso, “não tinha muita ideia de onde a engenharia química poderia me levar, mas sempre me direcionava para empregos mais industriais, com foco em indústria pesada. Fiquei felizmente surpreendida que a Engenharia Química era também vista como umas das Engenharias mais completas no quesito técnico e com uma ótima aceitação inclusive nas indústrias de bens de consumo”.  Além disso, Juliana comenta que “a engenharia química sem dúvida abriu muitas portas. Dentro da minha empresa esse curso basicamente me permite trabalhar em todas as áreas” e complementa que a engenharia química tem proporcionado a ascensão na carreira pelo “background diferenciado”. 

A possibilidade ampla que a engenharia química pode oferecer a quem deseja fazê-la também foi apontada pela Dra. Ingrid Motta, graduada, mestre e doutora em engenharia química e atualmente pesquisadora colaboradora na Unicamp. Para ela, há quatro carreiras principais “(1) na indústria, de modo que você pode atuar como engenheiro de processo ou seguir uma carreira gerencial; (2) na academia, na qual você precisa fazer mestrado e/ou doutorado para se especializar e permite que você se torne professor universitário e/ou trabalhar com pesquisa e desenvolvimento na iniciativa pública ou privada; (3) em consultoria; (4) em áreas afins que aproveitem a formação geral de engenharia e habilidades desenvolvidas durante o curso – bancos, setores administrativos de empresas, iniciativas de empreendedorismo, entre outros”. 

Resumindo, a engenharia química estuda e projeta processos químicos industriais para estudar, produzir, armazenar e transportar os mais diversos produtos. Por isso o curso confere muitas oportunidades de atuação. 

Em razão da escala industrial que a engenharia química visa proporcionar, o curso se difere da graduação em Química. No curso de química, o aluno estuda mais a fundo as reações químicas e os fenômenos do por quê elas acontecem. O profissional em química, geralmente, trabalha em menor escala (laboratório) e não necessariamente aprende a dimensionar essas reações para uma maior escala (escala industrial).

O que vou estudar se escolho engenharia química?

Quem pretende estudar engenharia química, irá aprofundar o conhecimento em matemática, química e física, além de desenvolver a capacidade de raciocínio lógico. 

Nos dois primeiros anos se estudam disciplinas iguais a todas as engenharias, o que se chama ciclo básico. Nesses dois anos o aluno aprenderá muito cálculo e muitos alunos tem dificuldade nessa etapa, como conta Natália “A maior dificuldade que enfrentei durante o curso foi me motivar a estudar as matérias básicas (cálculo, física, química) sem entender qual seria a real utilidade delas para a minha formação. Nesse período inicial da graduação, ter contato com engenheiros químicos formados (palestrantes da semana acadêmica e professores orientadores, por exemplo) foi fundamental“.

Após, entram as disciplinas específicas, compreendendo reações químicas, operações unitárias, termodinâmica, fenômenos de transporte, controle de processos e projetos de processos industriais. Pode ser nesse momento que o aluno conseguirá compreender a parte prática da engenharia e perceber o motivo pelo qual escolheu a carreira, considerando que os primeiros anos são teóricos. Como relata a Dra. Ingrid Motta, “quando fiz as disciplinas específicas, tive uma surpresa positiva, pois saía um pouco da química fundamental e trazia mais pluralidade à formação. Entretanto, muitos colegas que haviam escolhido o curso pela afinidade com química não necessariamente sentiram o mesmo

A engenheira Juliana Randi também aponta o favoritismo pelas disciplinas práticas, em especial “gostei muito das disciplinas do laboratório de Engenharia Química onde tínhamos um detalhamento das operações unitárias e uma conexão quase que direta com a indústria”.

Neste link está disponível um exemplo de grade do curso de Engenharia Química.

No vídeo a seguir, alguns alunos explicam o que é a engenharia química e o que uma aluna vai estudar, caso a escolha seja essa área. 

Onde estudar engenharia química?

Opções de universidades que oferecem o curso de Engenharia Química são vastas. Em planilha disponibilizada pelo Ranking Universitário Folha 2019 [1], são listadas 190 universidades, públicas e particulares, em quase todos os estados brasileiros, com exceção de quatro estados da região Norte (AC, RO, RR e TO) e um do Nordeste (PI). Porém conforme apresentado nos gráficos a seguir, a maioria das universidades são privadas e cerca da metade está concentrada na região Sudeste. 

De acordo com o ranking Times Higher Education [2], referência renomada de avaliação das universidades, as melhores universidades brasileiras no conceito de Engenharia Química são a Universidade Estadual de Campinas, a Universidade de São Paulo e a Universidade Federal do Ceará.

Fonte: Autoras, adaptado de [1]

Porcentagem de mulheres na engenharia química

As engenharias por si só carregam a marca da masculinidade enraizada. Muitas vezes, a engenharia ainda é vista como uma profissão para homens. Deste modo, para uma mulher, decidir entrar em um curso de engenharia significa entrar em território masculino. Uma possível explicação para isto é de que a engenharia moderna surgiu nas academias militares, principalmente relacionadas à construção de instrumentos bélicos e como parte de uma formação militar, tendendo a afastar a atuação das mulheres na área. Entretanto, nos últimos anos o número de mulheres adentrando às áreas de engenharia vem crescendo gradualmente, resultado de gerações de mulheres independentes e que sabem que lugar de mulher é onde ela quiser.  

Um levantamento realizado na UFMG entre os anos de 2004 e 2009 destacou que em média, 55% dos candidatos ao vestibular em Engenharia Química naquela universidade foram mulheres, chegando a uma participação de 62% no ano de 2009 [3]. De acordo com dados do Censo da Educação Superior 2017 levantados pelo Quero Bolsa, o sexo feminino representa 50,8% em média, em cursos de Engenharia Química de diversas universidades públicas e privadas do país, tendendo à um crescimento gradual anualmente [4]. Esses dados mostram que as mulheres vem ganhando espaço nas carreiras mais tendenciosamente masculinas e moldando seu futuro de modo a fugir dos estereótipos e papéis antes à elas designados pela nossa sociedade primordialmente patriarcal.

Uma interessante observação foi feita pela Dra. Ingrid Motta, para quem a escolha pela engenharia química e ainda na área acadêmica lhe traz grande entusiasmo, pois ela explica que “a minha maior satisfação é perceber que, felizmente, estamos criando um caminho para que engenheiras em formação não tenham que passar pelo mesmo em um futuro não tão distante. Competir com homens em um ambiente de exatas é uma tarefa difícil desde a escola, porém vejo um padrão de melhora! Antigamente, as mulheres muitas vezes precisavam abrir mão de características femininas suas para serem levadas a sério em ambientes masculinos. Hoje em dia, já há muito mais diálogo sobre como isso não é necessário; várias empresas possuem programas de ampliação da participação de mulheres no ambiente corporativo”. 

É fato que a participação feminina nas engenharias está ocorrendo, como os exemplos das engenheiras químicas Juliana Randi e Ingrid Motta e a estudante do último ano da graduação Natália Osiro. 

Se a engenharia química é sua opção, siga em frente, pois você não está sozinha e logo mais poderá fazer parte desse universo em expansão das mulheres engenheiras. 

Agradecimentos

Agradecemos às engenheiras químicas pela disposição para responder a nossa entrevista e a Mônica Morais Lima pela arte.

Dra. Ingrid Motta

A minha maior dificuldade foi a autocobrança, principalmente por ser mulher. Mulheres e engenheiras muitas vezes precisam trabalhar mais que homens para provar que são tão competentes quanto eles e, a partir do momento que você percebe isso, pode ser tanto uma força motriz para determinação quanto um gatilho para muita rigidez consigo mesma”.

Engenheira Juliana Randi

“A minha maior satisfação com engenharia química sem dúvida foi esse curso ter me proporcionado a carreira que eu estou construindo, com um background diferenciado, em uma das maiores multinacionais de bens de consumo do mundo, pela qual sou apaixonada e me sinto valorizada. A maior dificuldade acho que foi somente mesmo durante o período da faculdade, principalmente com as matérias teóricas”.

Natália Osiro, Estudante de último ano de engenharia química

“Eu estagio em uma empresa que presta consultoria para indústrias e start-ups da área química, auxiliando no desenvolvimento e melhoria de processos. Rotineiramente, eu faço modelagens, simulações e pesquisas bibliográficas. Para isso, preciso estudar muito. Estou sempre consultando handbooks e lendo manuais de operação e publicações para entender melhor os processos dos clientes ou fazer levantamentos de tecnologias novas. Com frequência, leio livros sobre cinética, operações unitárias e dimensionamento de equipamentos para fazer modelagens e investigar problemas de operação nos processos dos clientes”.

Por mais mulheres engenheiras! 

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Autoras: Luisa Fernanda Ríos Pinto, Gabriela F. Ferreira, Regiane Alves, Carolina F. Ferreira, Mônica Morais Lima.

Referências

[1] https://ruf.folha.uol.com.br/2019/ranking-de-cursos/engenharia-quimica/

[2] https://www.timeshighereducation.com/world-university-rankings/2020/subject-ranking/engineering-and-IT#!/page/0/length/25/locations/BR/subjects/3138/sort_by/rank/sort_order/asc/cols/stats

[3] http://www.abenge.org.br/cobenge/arquivos/8/sessoestec/art1619.pdf

[4] https://querobolsa.com.br/revista/mulheres-sao-maioria-em-ingressantes-em-6-cursos-de-engenharia

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