Você sabia que no dia 19 de abril é celebrado o dia da Resistência Indígena, tradicionalmente conhecido como Dia do Índio? E para além dessa data tão importante, o mês de abril agora é inteiro dedicado à luta dos povos indígenas, a fim de dar visibilidade às pluralidades dos 305 povos indígenas espalhados pelo nosso Brasil.

No post de hoje daremos visibilidade aos Tremembé, este povo cuja história é marcada por lutas e conquistas. Desde que os portugueses colonizaram o Brasil, os Tremembé foram escravizados ou expulsos de seus locais de origem e agora restam poucos remanescentes no Ceará, nas cidades de Itarema, Acaraú e Itapipoca. Em Itarema vivem, principalmente no distrito de Almofala, o mais conhecido aldeamento deste povo.

Como se encontram na costa brasileira, utilizam recursos naturais de ecossistemas costeiros como, os manguezais para a subsistência. Acontece que nos últimos anos, o manguezal do distrito de Almofala tem sido massivamente ocupado. Empresas exploram os recursos em larga escala, o ambiente é invadido por posseiros, ocorre também a implantação de fazendas de camarão que causam o desmatamento do mangue, a impermeabilização do solo e a contaminação dos recursos hídricos. Além disso, a intensa urbanização tem forte influência nos povos indígenas, principalmente entre os mais jovens, pois muitos conhecem o manguezal apenas por meio de atividades escolares. 

Para proteger os manguezais foi criado um projeto de educação ambiental promoveu ações e intervenções para sensibilizar os estudantes da Escola Indígena Tremembé Maria Venância e valorizar os conhecimentos tradicionais dos indígenas mais velhos da tribo, a partir de entrevistas sobre as percepções deles acerca do manguezal no passado e no presente.

A primeira ação era voltada para a aplicação de um questionário para avaliar os conhecimentos empíricos dos jovens acerca do manguezal. Classificou-se como conhecimento satisfatório os alunos que responderam que o manguezal é um ecossistema diferenciado e apresenta animais e plantas característicos. Dentre os animais, foram citados os crustáceos principalmente, o siri azul, caranguejo uçá e o chié, e as plantas citadas foram o mangue vermelho, mangue preto ou mangue botão. E sobre a importância do mesmo, os alunos que demonstraram conhecimentos satisfatórios falaram do manguezal ser importante para o equilíbrio ecológico e por ser fonte de renda de uma parte da população.

A segunda ação consistiu na realização de oficinas de aulas sobre aspectos ecológicos do manguezal e foi demonstrado algumas técnicas de plantio de mudas de mangue branco vermelho ou branco comuns da região com o intuito de promover o reflorestamento de uma área considerada pela percepção pública como importante. Foi realizado o plantio de 305 mudas no mangue apontado como degradado pela comunidade. 

Em um terceira ação foi realizada entrevistas com indígenas idosos, que demonstraram uma percepção negativa da atual situação do manguezal devido ao desmatamento, ainda relataram a importância do mangue para a manutenção do seu povo. Segue abaixo um dos depoimentos doados ao projeto: 

“A  natureza  a  gente  tem  que  respeitar,  por  que  a natureza  a  Santa natureza. Ela que nos dá o que a gente precisa, em termo da alimentação de  tudo.  Principalmente  do  mangue,  porque  do  mangue  a  gente  tem uma grande  fonte  de  renda  para  os  povos  indígenas,  hoje  não  tem  mais  não, porque tão acabando com o mangue. Acabaram. Agora, assim a gente sabe respeitar,  mais  a  outra  população  que  não  tem  noção  que  hoje  não  tem dimensão da vida, vivem em outro setor, eles não tem essa dimensão que a gente tem pelo mangue.”

(J.V., 56 anos).

O projeto de Educação Ambiental promovido na comunidade dos Tremembé mostra a importância dos saberes indígenas como contribuintes aliados aos conhecimentos científicos e vice-versa. A troca de saberes para somar esforços de âmbitos distintos da sociedade, como os conhecimentos científicos e o de culturas tradicionais é um dos exemplos para construirmos um futuro melhor, com práticas sustentáveis para os ecossistemas. 


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